Entrevista: Desafios e Benefícios na Implementação da Agenda 2030

Imagem relacionada a matéria - Id: 1544402949

Por Karen Pegorari Silveira

Nesta entrevista, o Professor Doutor em Economia, Gustavo Andrey Fernandes, pesquisador nas áreas de políticas públicas – especialmente nos temas de Educação e Desenvolvimento, discorre sobre os desafios e benefícios da implementação dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) na estratégia dos negócios.

Para ele, não se estabelece um processo produtivo mais sustentável sem envolver as diversas peças que compõem a cadeia produtiva, assim como consumidores e fornecedores.

Leia Mais na íntegra da entrevista:

Por que as parcerias são importantes para a implementação dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS)?

Gustavo Andrey – Os ODS representam uma agenda de transformação para o mundo muito mais ampla do que a Agenda 2015. É um desafio dobrado para empresas, governos, cujo resultado, se alcançado, estabelecerá um novo patamar para toda a humanidade. A Agenda 2030 propõe um conjunto de metas que vão desde processos produtivos mais eficientes, aperfeiçoando o uso de nossos recursos naturais, até a forma como lidar com as pessoas, dentro da empresa e fora. Em linhas gerais, é a humanização de relações entre pessoas e empresas, sem perder o sentido econômico inerente à produção. Neste sentido, uma agenda tão ambiciosa como os ODS torna explícito um atributo fundamental do processo de desenvolvimento que é a cooperação. Não é possível integrar, reduzir desigualdades, seja de gênero ou racial, sem unir os diversos atores envolvidos nesse processo. Ao mesmo tempo, não se estabelece um processo produtivo mais sustentável sem envolver as diversas peças que compõem a cadeia produtiva, assim como consumidores e fornecedores. E para isso, parcerias são fundamentais.

Que tipos de parcerias podem ajudar as empresas a implantarem alguns dos ODS e como elas podem ser conduzidas?

Gustavo Andrey – Pela natureza ampla e diversa dos ODS, há possibilidade de todo o tipo de parceria. Desde trabalhos em conjunto com o setor público, com ONGs e obviamente, parcerias entre empresas. Vamos pegar um exemplo concreto. A Agenda 2030 não vai abolir a inovação como uma variável fundamental para o sucesso dos negócios. No entanto, ela estabelece novos horizontes. Eliminar diferenças de gênero no local de trabalho é uma meta explícita e para isso, é preciso inovar no local de trabalho. Uma empresa pode ganhar muito ao estabelecer parcerias com ONGs que trabalhem a questão de gênero, acelerando seus passos nessa direção. E qual o resultado disso? Uma vantagem comparativa importante, pois a empresa passa a atrair melhores funcionários o que, indiretamente, impactará positivamente os negócios.

Pode nos dar exemplos de parcerias de sucesso já realizadas para inserir os ODS na estratégia dos negócios?

Gustavo Andrey – Há inúmeras iniciativas de grande importância sendo realizadas. O Pacto Global é sem dúvida uma delas e já vem produzindo excelentes resultados como indutor de transformações. No caso brasileiro, por exemplo, a ampla discussão sobre medidas anticorrupção e boas estratégias de compliance entre empresas e academia estão mudando a forma como nós fazemos negócios. A trocas de experiência, a produção de material, divulgação, o debate, estão produzindo uma verdadeira revolução. É importante destacar que isso não aborda apenas as empresas que foram de alguma forma atingidas diretamente pelas investigações. É uma mudança de mindset.

Quais os principais desafios encontrados para a implantação dos ODS nas empresas?

Gustavo Andrey – Acredito que o principal desafio seja internalizar a Agenda 2030 entre todos os colaboradores da empresa, permitindo que novos horizontes sejam percebidos. O salto dos ODM para os ODS foi muito ambicioso, de modo que, é preciso agora concretizar esse avanço dentro da firma. Seguramente, as pessoas irão se identificar com esses goals. A partir desse momento, aparece o que eu chamo de segundo desafio: criar a possibilidade de inovação dentro da firma para alcançar os ODS. É preciso não apenas entender os ODS, mas também criar a possibilidade de que algo seja feito.

A implementação bem-sucedida dos ODS resulta em quais benefícios para as empresas e sociedade?

Gustavo Andrey – Daqui para frente, não vamos apenas consumir um produto, mas uma concepção, uma ideia mais elaborada que vai além do produto em si. Isto envolve toda a cadeia produtiva, a forma como os colaboradores são tratados dentro da empresa. Muito além, isto envolve a própria visão que a empresa passa de mundo. Veja o exemplo das empresas com problemas de trabalho escravo nos seus fornecedores. A perda de clientes é imediata. É preciso, portanto, entender, que os ODS trazem novos horizontes para que as firmas inovem e alcancem vantagens competitivas. É uma Agenda de mercado também. Não podemos apostar daqui em diante, as pessoas se tornarão menos cientes das possibilidades do mundo ou mesmo indiferentes. Pelo contrário, o consumidor do século XXI é muito mais exigente e sintonizado no mundo. É essa revolução dentro das empresas que irá revolucionar toda a sociedade. Os benefícios, portanto, para a comunidade em geral são enormes. Contudo, apenas as empresas mais preparadas irão fazer parte disso. Os ODS estão aí, é preciso agarrar essa agenda de oportunidades!

4º Workshop Diálogos de Financiamentos Climáticos

Imagem relacionada a matéria - Id: 1544402949

Acesse as apresentações dos palestrantes que participaram do 4º Workshop Diálogos de Financiamentos Climáticos.

O evento organizado pela Rede Brasil do Pacto Global com apoio da Fiesp teve como objetivo facilitar o acesso de empresas e organizações aos recursos financeiros e linhas de créditos voltado às mudanças climáticas.




Apresentações – MUDANÇA DO CLIMA E SEGURANÇA HÍDRICA: REFLEXOS E IMPACTOS PARA A SOCIEDADE


Imagem relacionada a matéria - Id: 1544402949

Confira abaixo as apresentações realizadas durante o seminário “Mudança do Clima e Segurança Hídrica” que ocorreu na Fiesp no dia 21/03/2017.


Lançamento do Estudo FIESP “Mudança do Clima : Avaliação dos reflexos das metas de redução de emissões sobre a economia e a indústria brasileira”

Palestrante: Angelo Costa Gurgel 


Lançamento do Estudo FGV – “Simulação de Sistema de Comércio de Emissões

Palestrante: Mariana Nicoleti – Fundação Getúlio Vargas


Estratégia e Instrumentos Econômicos Aplicados à Política de Mudança do Clima do Brasil

Palestrante: Jailson de Andrade – Secretaria de Políticas e Programas de Pesquisa e Desenvolvimento – SEPED/MCTIC


Painel I – “Adaptação às Mudanças do Clima e a Segurança Hídrica”


Palestrante: Alexandre Gross – Coordenador de projetos do Centro de Estudos em Sustentabilidade (GVces) da FGV-EAESP

Palestrante: Alexei Macorin Vivan – Diretor Presidente da ABCE

Palestrante: Mário Leopoldo de Pino Neto – Gerente de Sustentabilidade da Braskem


Painel II – “Desafios do Gerenciamento Integrado dos Recursos Hídricos”


Palestrante: Barbara Dunin – Assessora da Rede Brasil do Pacto Global – CBPG


CLIQUE AQUI e veja as fotos do evento.

‘Brasil se comporta como um herdeiro de família rica’, diz professor da FGV em reunião na Fiesp

Isabela Barros, Agência Indusnet Fiesp

A crise econômica muito além dos números esteve no centro do debate da reunião do Conselho Superior de Economia (Cosec) da Fiesp na manhã desta segunda-feira (08/08). A discussão foi conduzida pelo  conselheiro do Cosec e professor da Escola Brasileira de Administração Pública e de Empresas da Fundação Getúlio Vargas (FGV) no Rio de Janeiro Fernando Rezende.

“Existe uma indisposição de corrigir a raiz dos problemas, o Brasil escondeu a outra face dos seus desequilíbrios fiscais”, afirmou Rezende.

Citando o clássico de Antônio Maria, a música Ninguém me ama, o professor lembrou que “de fracasso em fracasso, e hoje descrente de tudo me resta o cansaço”. “Mas, como diria o samba Volta por cima, de Paulo Vanzolini: ‘reconhece a queda e não desanima, levanta, sacode a poeira e dá volta por cima’”, destacou.

Imagem relacionada a matéria - Id: 1544402949

Rezende (o primeiro a partir da esquerda): hora de encarar os desequilíbrios de frente. Foto: Ayrton Vignola/Fiesp


Para Rezende, o estado brasileiro se comporta como um “herdeiro de família rica”. “Existe uma dependência de receitas extraordinárias, como a venda de ativos e o refinanciamento de dívidas, para pagar despesas correntes”, disse.

Segundo ele, medidas pontuais, como a desoneração de tributos e o adiamento de reajustes de salários, repercutem “aumentando as dificuldades para equilibrar as contas”. “Aí temos o incrível abraço do ajuste fiscal com a seguridade social”, o que envolve práticas como a “recentralização das receitas, destruição da qualidade dos tributos e multiplicação dos desequilíbrios federativos”.

Rezende citou ainda o “presidencialismo de coalização”, com “repasses e acordos com os estados por meio de convênios e medidas que não estão na constituição”.

Crise dos estados brasileiros é em parte fruto da decisão de não reconstruir um sistema tributário nacional, mas sim promover “reformas fatiadas”. “Aí temos conflitos federativos, fragilização dos estados e municipalização da política estadual”, disse Rezende. “O abandono de uma política nacional de desenvolvimento regional abre espaço para consequências como a guerra fiscal”.

Que lições tirar desse cenário? “Abandonar remendos e promover uma ampla reforma com ênfase na flexibilidade, equilibrando recursos e responsabilidades”, destacou o professor.

E isso considerando variáveis como a abertura da economia, a globalização e as novas tecnologias. “Que transformações a economia digital provoca na produção e comercialização de bens e serviços?”, questionou.

Para Rezende, a reforma fiscal não pode ser vista como prejudicial ao equilíbrio das políticas sociais. “Pelo contrário, é isso que vai garantir a manutenção e o andamento dessas políticas”, disse. “A urgência é necessária para corrigir os equívocos cometidos. Temos que recuperar o tempo perdido”.

Principalmente porque o atual modelo de execução das despesas “não se sustenta mais”. “Não se discute mais orçamento”, afirmou. Assim, conforme Rezende, para desenrolar o atual “novelo fiscal”, é “preciso puxar o fio da meada”.

Participaram da reunião ainda o diretor titular do Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos (Depecon) da Fiesp e vice-presidente do Cosec, Paulo Francini, e o coordenador das Atividades dos Conselhos Superiores Temáticos da Fiesp, o embaixador Adhemar Bahadian, entre outros nomes.




Entrevista: A Evolução do Debate sobre Gênero no Brasil

Imagem relacionada a matéria - Id: 1544402949

Por Karen Pegorari Silveira

No mês em que comemoramos o Dia Internacional da Mulher, entrevistamos a doutora em Psicologia Social e professora da Fundação Getúlio Vargas (FGV) para falar a respeito da equidade de gênero nos negócios e sobre a criação da primeira disciplina no país a debater o tema em um curso superior de Administração.

Veja a entrevista na íntegra:

Quando começou o debate sobre a questão de igualdade de gêneros no Brasil e como esta discussão tem evoluído?

Maria José Tonelli – O debate sobre a questão de igualdade de gênero no Brasil começou há algumas décadas; por exemplo, a criação do Conselho da Condição Feminina no Estado de São Paulo, durante o Governo Montoro, nos anos 80, foi um marco. Esse grupo trouxe para a discussão pública questões da saúde da mulher, da violência doméstica e promoveu inúmeros levantamentos da situação da mulher, além de ações efetivas para a melhoria de suas condições. Esse debate ficou um pouco adormecido, mas, com a tecnologias digitais passou por um revival nessa década. Triste ver que muitos aspectos melhoram, mas ainda temos muitos desafios pela frente. Houve uma evolução na discussão, ou melhor, a discussão se ampliou, especialmente pelo efeito das mídias sociais; o papel da ONU nesse processo também é relevante, pois o Programa He for She, espalhado pelo mundo, reforçou a importância do debate.

Este debate teve conquistas importantes para as mulheres. Pode nos falar a respeito das mais significativas?

Maria José Tonelli – Várias conquistas foram importantes. Em primeiro lugar, o tema estar em pauta, de modo mais contundente, nas empresas, no setor público, entre estudantes universitários e outros, já é uma indicação de que a questão passou a ter uma atenção permanente da sociedade. Outro ponto a ser destacado é a educação: as mulheres passaram a ter mais condições educacionais e hoje apresentam um número maior de anos de escolaridade. Seria importante que os homens também pudessem se desenvolver mais, ter mais anos de escolaridade, mas a pressão que sofrem para trabalhar é, talvez, mais forte ainda que a exigência imposta para as mulheres. Outro aspecto a ser ressaltado é que as mulheres destacam-se em atividades empreendedoras e respondem hoje pela criação de mais de 50% de novos negócios.

A discussão existe até hoje, por conta da existência de muitas desigualdades, tanto que fomentou a criação de uma disciplina que abordará a questão de gênero no curso de graduação em Administração de empresas, cujo você é a professora responsável. Qual é o objetivo desta disciplina?

Maria José Tonelli – Sim, infelizmente, apesar dos avanços, a desigualdade ainda é marcante no Brasil e a disciplina já foi oferecida para os alunos de Graduação em Administração de Empresas e Graduação em Administração Pública, também Graduação em Direito, pela Escola de Administração de Empresas de São Paulo, da FGV. A disciplina teve por objetivo promover a consciência entre os jovens alunos sobre as questões que cercam a desigualdade de gênero no Brasil e contou com o patrocínio da AVON. Foi um trabalho interessante. De um lado, ficamos impressionados com o fato de que as jovens alunas já experimentaram discriminação por gênero e sentiram a desigualdade; por outro, a disciplina foi um espaço de debate, contou com a presença de vários executivos, executivas e CEOS, que permitiu o enriquecimento do grupo participante. Diversidade, de modo geral, é um tema relevante na Escola de Administração de empresas de São Paulo. Há uma coordenadoria voltada somente à Diversidade e Cultura e os alunos e alunas participam de vários grupos de discussão sobre o tema.

Na sua opinião, chegaremos a equidade de gênero no Brasil? Como e quando?

Maria José Tonelli – Do meu ponto de vista, para chegar em equidade de gênero no Brasil precisamos investir fortemente em Educação. O país é ainda muito machista. Não saberia dizer quando chegaremos à equidade, mas vejo que é urgente continuarmos com esse debate e com ações que permitam reverter o quadro de desigualdade do país. Apenas para dar um exemplo, o Brasil figura na posição de número 60, num ranking que avalia a facilidade para o estabelecimento de negócios por mulheres empreendedoras enquanto o Chile está na posição de número 15. Não se trata, portanto, de questões que todos os países latino-americanos enfrentam. A desigualdade é mais forte aqui e precisamos desenvolver mecanismos que permitam às mulheres melhores condições de participação, em benefício do próprio desenvolvimento do país.

Estudo mede impacto de projeto para facilitar comércio exterior na retomada das exportações da indústria

Graciliano Toni, Agência Indusnet Fiesp

Estudo da Confederação Nacional da Indústria (CNI) divulgado na quinta-feira (13/8) na Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) projeta crescimento da participação dos produtos industriais nas exportações brasileiras com a adoção de medidas de facilitação do comércio exterior. Segundo o professor da Fundação Getúlio Vargas (FGV) Lucas Ferraz, consultor do estudo, as exportações brasileiras de produtos industrializados teriam crescimento de 10,3% em 2017 e continuariam em forte evolução, subindo 26,5% em 2030 com a adoção das medidas previstas no programa do governo federal “Portal Único de Comércio Exterior”.

O programa prevê redução de 13 para 8 dias no prazo médio de exportação. Para as importações, o prazo médio nas aduanas brasileiras cairia de 17 dias para 10. As medidas propostas permitiriam redução anual de custos de US$ 23 bilhões na importação e exportação, com base nos dados de comércio de 2013.

O estimulo à formação bruta de capital graças ao Portal Único deve ter efeito positivo sobre o PIB brasileiro. Em 2017, quando o programa estiver concluído, o PIB deve ser 1,19% maior do que seria sem essas medidas de facilitação do comércio. Em 2030, o PIB cresce 2,53% sobre o cenário base. O impacto das medidas beneficia por tabela a Argentina, com crescimento de 0,79% de seu PIB em 2030.

Lucas Ferraz, professor da FGV, em road show na Fiesp sobre facilitação de comércio. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

Lucas Ferraz, professor da FGV, em road show na Fiesp sobre facilitação de comércio. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp


Ferraz explica que a facilitação do comércio deve reverter a tendência de “primarização” da pauta brasileira de exportações (o aumento da competitividade relativa de produtos primários sobre os de maior valor agregado). Graças à redução de custos aduaneiros e à diminuição dos atrasos nas aduanas, espera-se crescimento acentuado das exportações, com estímulo à maior participação de bens industrializados nas exportações, em especial da indústria de transformação. Já em 2017 elas devem crescer 10,3%. Em 2030, o crescimento estimado é de 26,5%, sempre em relação ao cenário base sem o Portal Único.

Em valores absolutos, o adicional no saldo da balança comercial da indústria de transformação começa em US$ 2,18 bilhões, em 2018, e chega a US$ 13,43 bilhões em 2030.

A apresentação, feita pelo professor Lucas Ferraz, foi parte do road show Promovendo Iniciativas de Facilitação do Comércio, realizado em São Paulo pela Fiesp, CNI e pela Rede Brasileira de Centros Internacionais de Negócios.

Estratégia
Ferraz destacou que o estudo mostra o caráter estratégico das políticas de facilitação de comércio para a competitividade da indústria de transformação no Brasil. O pesquisador apresentou dados do custo representado pelos atrasos – que chega a ser mais significativo que o representado por impostos. Segundo a FGV, os atrasos representam custo adicional médio de 13,04% nas exportações, em razão de fatores como necessidade de aumentar estoques e depreciação econômica.

“Tempo é sinônimo de qualidade”, destacou Ferraz. Quanto maior o atraso nas entregas, menor a predisposição a pagar por determinado volume comprado, explicou. Citando estudo acadêmico, o professor da FGV disse que cada dia em trânsito custa entre 0,64% e 2,1% do valor da carga comercializada.

E o Brasil é pródigo em atrasos. Além da burocracia, há filas em rodovias, portos e aeroportos. Ferraz citou números de levantamento feito em conjunto com a Fiesp que mostram as desvantagens logísticas brasileiras. A proporção de estradas asfaltadas é baixa, o custo do frete é alto, e o tempo nas aduanas é elevado.

PIB só pode crescer com aumento da produtividade, afirma Delfim Netto

Juan Saavedra e Guilherme Abati, Agência Indusnet Fiesp

Para o presidente do presidente do Conselho Superior de Economia (Cosec) da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Antônio Delfim Netto, a indústria vem tendo um desempenho ruim porque o câmbio foi utilizado pelo governo como instrumento coadjuvante no controle da inflação. “Há uma tendência dos ministros de Economia, e eu posso dizer com conhecimento de causa, de tentar usar câmbio para conter a inflação e normalmente dá com os burros na água”, disse.

Segundo ele, um dos participantes do primeiro painel o 11º Fórum de Economia da Fundação Getúlio Vargas de São Paulo (FGV-SP), nesta segunda-feira (15/09), em São Paulo, o Produto Interno Bruto (PIB) só pode crescer pelo aumento da produtividade de cada trabalhador”.

“Se almejamos um crescimento de 3%, 4%, temos que fazer produtividade aumentar 3 ou 4%. Não tem nenhum outro truque. Não tem jeito de superar essa coisa banal.” Ele destacou ainda que o país precisa de investimento em infraestrutura e de mão de obra mais sofisticada para operar bens de capital mais sofisticados.

Netto: mais investimentos em infraestrutura. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

Netto: mais investimentos em infraestrutura. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

Delfim Netto disse também que, em função do aumento dos preços externos, a taxa de câmbio não afetou a agricultura como a indústria, mas que esse cenário mudou. “A taxa de câmbio para a agricultura foi suficiente para resistir a todas as estripulias. Isso na minha opinião terminou”, disse Delfim Neto. “Nessa safra que vem aí vamos sentir os primeiros efeitos do câmbio sobre a agricultura brasileira.”

Segundo ele, também contribuem para esse cenário outros fatores: o alto e crescente custo da mão de obra com relação ao índice de produtividade, a falta de apoio às exportações por meio de um sistema inteligente de tarifas efetivas, com absoluta desoneração tributária das exportações, sistema de “draw back” efetivo e crédito e taxa de juros existentes no mercado internacional.

Carga tributária

Segundo Mansueto Almeida, economista do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), também convidado do painel, o país precisa de mudanças em seu regime fiscal. “Importante é controlar o crescimento da despesa em relação ao PIB. A carga tributária brasileira é igual a de países com três vezes o nosso PIB”, disse. “O cenário é nebuloso”, afirmou.

Além disso, Almeida defende um ajuste fiscal gradual, com “foco na simplificação da reforma tributária”.

Desenvolvimento com sustentabilidade

André Nassif, da Universidade Federal Fluminense e do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), defendeu o desenvolvimento econômica brasileiro com estabilidade. “O Governo federal errou ao perseguir políticas que estimularam o consumo, quando o incentivo deveria vir pelo investimento em infraestrutura”, afirmou.

Os debatedores do primeiro painel do Fórum na FGV-SP: produtividade e reforma tributária. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

Os debatedores do primeiro painel do Fórum na FGV-SP: produtividade e reforma tributária. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp


Para ele, os esforços governamentais devem buscar o aumento de produtividade. “Embora se recomende manter o tripé econômico atual, a sugestão é que se mude substancialmente sua governança”, concluiu.

Controle cambial

Para o ex-secretário executivo do Ministério da Fazenda, Nelson Barbosa, o desafio para crescimento econômico é cambial e monetário. “Desafio é controlar inflação sem depender da taxa de câmbio”. No campo fiscal, para ele, meta deverá ser recuperar a capacidade de geração de resultados primários.

Além disso, Barbosa aconselhou a diminuição da perda fiscal com preços regulados e a redução da folha de pagamento da união. “É preciso aumentar a transparência do gasto tributário federal”, disse.


Reforma fiscal tem de ser discutida com urgência, diz professor da FGV

Alice Assunção, Agência Indusnet Fiesp

Imagem relacionada a matéria - Id: 1544402949

Professor Fernando Rezende em reunião do Cosec. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

A discussão sobre a reforma orçamentária merece urgência. E apostar em crescimento econômico e melhoria de gestão pública é ilusão, analisou nesta segunda-feira (14/04) o professor da Escola Brasileira de Administração Pública e de Empresas (Ebape) e da Fundação Getúlio Vargas (FGV) do Rio de Janeiro, Fernando Rezende.

Ele apresentou ao Conselho Superior de Economia (Cosec) da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) um panorama sobre agenda orçamentária do Estado nos últimos anos.

“O Estado foi acumulando deformações que se traduzem numa aguda miopia. Ninguém enxerga adiante. É preciso discutir reforma com urgência e crescimento econômico pode aliviar um pouco as tendências, mas o problema é estrutural”, explicou Rezende. “E apostar em melhoria da gestão publica é ilusão”, alertou.

Ao recapitular fatos relevantes da discussão orçamentária ao longo dos anos, Rezende afirmou que a melhoria da conjuntura macroeconômica em 2004 e a mudança política impulsionaram os gastos com os principais componentes da agenda social. Na ocasião, a decisão de ampliar investimentos no país ampliou o escopo da agenda macroeconômica.

Ainda de acordo com o professor, em 2008, em meio à crise, o Estado decidiu por manter o rumo dos gastos e “acelerar a marcha”, movimento que trouxe benefícios, mas contribuiu para o aumento de pressões e conflitos, sobretudo com a aplicação da nova regra de reajuste do salário mínimo.

Outra importante mudança, segundo o especialista, aconteceu em meados de 2012, com a adoção de novas regras para gastos públicos que impulsionaram o crescimento das despesas com os principais itens da agenda social (salário mínimo, previdência, funcionalismo e pisos salariais).

Gasto corrente

Segundo o professor da FGV, outro aspecto da discussão orçamentária que merece atenção é o gasto corrente. No entendimento do docente, a eventual criação de uma lei que contenha o crescimento desse gasto não é a solução.

“É um debate sobre a economia política da despesa pública, não é um debate apenas sobre a macroeconomia. Tem que discutir o que está por trás desse crescimento”, afirmou.

Rezende acredita que o Estado precisa provocar um “conflito de interesses” entre os setores que pleiteiam por espaço de gasto na despesa pública uma vez que “não tem espaço para atender a todas as necessidades”.

Orçamento de base zero

Imagem relacionada a matéria - Id: 1544402949

Presidente do Conselho Superior de Economia, o ex-ministro Antonio Delfim Neto. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

O encontro do Cosec foi conduzido pelo presidente do conselho, o ex-ministro da Fazenda Delfim Neto. E ele endossou a sugestão do professor Rezende de um orçamento de base zero.

“Estamos precisando de um orçamento de base zero. Se pegar cada projeto, vamos descobrir que pelo menos metade não tem nenhuma função a não ser de continuar no orçamento”, disse Delfim.

Segundo Rezende, a agenda orçamentária ainda enfrenta um “absoluto desencontro” entre as demandas de cada território do país.

“Há um enorme desperdício no uso do dinheiro e não é por ineficiência de gestão; é por absoluta incoerência das regras que não mudam.”

‘Precisamos transformar os resultados das eleições em melhores políticas públicas’, diz coordenador do curso de Administração Pública da FGV

Isabela Barros, Agência Indusnet Fiesp

Reformar a administração pública é um dos grandes desafios da democracia brasileira nos próximos anos. A análise é do coordenador do curso de Administração Pública da Fundação Getúlio Vargas – Escola de Administração de Empresas (FGV – Eaesp), Fernando Luiz Abrucio. O acadêmico foi o convidado da reunião do Conselho Superior de Economia (Cosec) da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), na manhã desta segunda-feira (14/10), na sede da entidade, na capital paulista.

Na ocasião, Abrucio apresentou uma análise sobre os “avanços e desafios da democracia brasileira”. “Vivemos o regime democrático mais longo da nossa história, o que é um avanço muito importante”, explicou. “Em 1988, criamos a constituição que nos tornou capazes de gerar direitos em grande escala”.

Nesse sentido, mesmo que muitos avanços ainda precisem ser feitos, Abrucio lembrou que o país viveu uma “revolução” em alguns campos, como o direito à educação e o acesso aos direitos do consumidor. “Isso significou ampliar os direitos em larga escala, mexer com a base da população”, disse. “Brasileiros de menor renda estão entrando na seara dos direitos civis a partir do direito do consumidor”.

Abrucio: “Em 1988, criamos a constituição que nos tornou capazes de gerar direitos em grande escala”.  Foto: Everton Amaro/Fiesp

Abrucio: “Constituição nos tornou capazes de gerar direitos em grande escala”. Foto: Everton Amaro/Fiesp


No que se refere à educação, o coordenador do curso de Administração Pública da FGV – Eaesp, lembrou que, em 1987, “um terço dos brasileiros entre 7 e 14 anos estava fora da escola”. “Hoje, apenas 3 ou 4% dos brasileiros se encontra nessa situação”, afirmou.

Diante disso, um dos desafios que a democracia brasileira precisa enfrentar daqui para frente é justamente melhorar a qualidade da educação. “Precisamos colocar a educação como um grande projeto no país”, explicou. “Pessoas mais educadas podem exercer melhor a sua cidadania e isso também vai garantir o desenvolvimento sustentável do Brasil”.

Reforma na administração pública

Segundo Abrucio, a alternância de poder no país nos últimos anos tem sido feita de forma “razoável e tranquila”, de forma que um outro desafio da democracia brasileira atualmente é “transformar os resultados das eleições em melhores políticas públicas”. “O eleitor será cada vez mais cobrador dos seus direitos, o que é um avanço, por isso o desafio de promover uma enorme reforma na administração pública”, afirmou.

Para o acadêmico, o problema não é “identificar os grandes marcos e problemas, mas executá-los”. “Temos algumas ilhas de excelência, mas elas não dão conta dos problemas importantes da sociedade”, explicou.

De acordo com Abrucio, é nesse ponto que entram reivindicações como o maior cuidado com a mobilidade urbana, uma das principais bandeiras das manifestações nas ruas do país em junho de 2013. Uma questão que passa também por uma melhor coordenação dos governos estaduais com os municípios, por exemplo. “Temos um problema gravíssimo de governabilidade nos municípios”, disse. “Não está em questão a democracia como um valor, mas a sua capacidade de definir políticas públicas no Brasil”.

Delfim Netto: “No fundo, temos um problema de gestão”. Foto: Everton Amaro/Fiesp

Delfim Netto: “No fundo, temos um problema de gestão”. Foto: Everton Amaro/Fiesp

Coordenador do debate na reunião, o presidente do Cosec, Antonio Delfim Netto, concordou que a constituição de 1988 promoveu a criação de uma “sociedade republicana”. “Nenhum país emergente do mundo tem um Supremo Tribunal Federal como o nosso”, disse. “No fundo, temos um problema de gestão com consequências trágicas nos municípios”.

‘Prática esportiva representa 1,9% do PIB brasileiro’, afirma professor da FGV durante reunião da Comissão da Cadeia Produtiva do Desporto da Fiesp

Talita Camargo, Agência Indusnet Fiesp

A reunião do Comitê da Cadeia Produtiva do Desporto (Code) da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), realizada no início do mês (03/07), contou com uma palestra do professor da Fundação Getúlio Vargas do Rio de Janeiro (FGV-Rio), Istvan Karoly Kasnar.

Imagem relacionada a matéria - Id: 1544402949

Reunião do Comitê de Desporto da Fiesp. Foto: Everton Amaro/Fiesp


Na ocasião, Kasnar apresentou pesquisa sobre o crescimento da prática esportiva no Brasil. “Procuramos compreender a evolução do esporte no país e analisamos oito modalidades para compreender seus ciclos de vida e em que estágio se encontram, a fim de chegar a uma série de práticas e políticas de decisões”, explicou.

De acordo com o professor, essa pesquisa mostrou que os principais recursos financeiros do Brasil para o esporte advêm de duas fontes: orçamento público e o próprio indivíduo. Para ele, para entender melhor a participação do cidadão na prática esportiva brasileira, seria necessário estudar a fundo a Pesquisa de Orçamento Familiar (POF) do Instituto Brasileiro de Geografia Estatística (IBGE). “Essa seria a melhor maneira de fazer uma projeção do gasto esportivo no Brasil”, explicou.

A pesquisa projetou que, em 2010, a prática esportiva representava 1,9% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro, o que significa R$ 72 bilhões. “Podemos chegar a valores cada vez maiores”, afirmou professor ao acrescentar que o esporte no Brasil é um setor dinâmico: “nos últimos dez anos, teve um crescimento médio de 5,77%”. E completou: “num processo comparativo com os Estados Unidos, onde esse valor chega a 3,2% do PIB, nossos números ainda são baixos”.

Apesar do cenário positivo, Kasnar alerta para o fato de que esses números são uma ‘subestimativa’, pois, segundo ele, o mapeamento do setor esportivo no Brasil é muito complicado. “Esse é um setor que cresce acima da média e evolui com firmeza, mas é preciso tomar cuidado, pois é uma área que possui características muito diferentes internamente”.

Com base nessa pesquisa, o professor afirmou que, no ano 2000, o futebol representava 62% total do movimento financeiro de prática esportiva no Brasil, seguido pelo vôlei, com 17%, e pelo basquete, com 8%.

Na opinião de Kasnar, embora o esporte coletivo seja diferente do individual, eles possuem muitos denominares em comum. “Há uma diferença colossal entre a prática esportiva profissional, amadora e, também, na indústria envolvida.”

Em sua apresentação, o professor detalhou que, além das modalidades profissionais e amadoras, o universo econômico da prática esportiva engloba a produção de artigos esportivos, como uniformes, sapatos, redes, entre outros, além de diversos serviços especializados, como mídia e jornalismo, agências de jogadores para o exterior, administração de clubes, eventos, arenas, gestão e manutenção de quadras e  academias de ginástica, entre muitos outros. “O mundo esportivo é muito amplo e requer cuidado para entender como funcionam suas práticas.”

Grandes eventos

Na opinião de Kasnar, boa parte das atividades esportivas está associada aos megaeventos da área que têm o Brasil como sede, desde os Jogos Pan-Americanos (2007), passando pela recente Copa das Confederações (2013), incluindo a Copa do Mundo (2014) e os Jogos Olímpicos no Rio de Janeiro (2016). “Há uma maior conscientização em relação à necessidade da prática esportiva, pois se criou a relação forte entre qualidade de vida, bem-estar e esporte. É normal que num processo de crescimento de megalópoles, a população passe a praticar algum tipo de esporte, seja pela saúde, seja pela sociabilidade, ou outros motivos”, explicou.

Segundo a apresentação do professor, em 2008, 61% da chamada classe alta – com renda familiar acima de R$ 4.500,00 – praticava exercícios por afirmarem saber que lhes fazia bem à saúde. “Isso significa que ainda há 39% deste nicho a ser conquistado”, afirmou. Já na classe baixa – com renda familiar inferior a R$ 980,00 –, esse índice era de 42%. No quesito da prática de esporte por diversão e lazer, a classe baixa representou 63%, contra 54% da classe alta. “Existe um potencial de expansão bastante significativo”, acrescentou.

Futebol

Na opinião do professor da FGV, o futebol é um esporte de massa, para as massas e com as massas. “E o único esporte que mobiliza o brasileiro a ser pautado a uma ascensão social. É um caso excepcional no setor esportivo do país, com poderes monopolistas de resultados”, afirmou, acrescentando que o futebol, no Brasil, já saiu do status de esporte para ser considerado oficialmente um patrimônio publico. “É um patamar que os outros ainda não alcançaram”, disse.

Kasnar explicou que a separação do futebol nas análises do setor já é um assunto em pauta, mas que a situação ainda é complexa, pois envolve diversos setores, como regulamentação e legislação. “Ainda há muito que fazer”, concluiu.

Esporte, indústria e educação

O professor da FGV destacou a importância da reunião para dar uma visão empresarial ao mundo do esporte, com a ajuda da indústria. “Esse é um passo importante para uma melhor conscientização dessa relação. Percebemos muitas conexões desse mercado esportivo com a indústria brasileira”, afirmou, mencionando, em seguida, cadeias produtivas relacionados à beleza e à cultura no Brasil. “Isso nos ajuda a compreender como o brasileiro enxerga a atividade esportiva”, completou.

O coordenador-adjunto do Code e presidente da Associação Brasileira da Indústria do Esporte (Abriesp), Mauricio Fernandez, concorda. “O setor esportivo envolve diversas cadeias produtivas como saúde, turismo, projetos sociais, terceiro setor, direito esportivo, etc.”, afirmou, ressaltando a oportunidade de marcado para as pequenas e médias empresas. “Existe uma demanda das pequenas e médias empresas que querem diferenciar seus investimentos. É preciso de uma melhor análise setorial para que elas sejam mais efetivas no viés de produção”,

Imagem relacionada a matéria - Id: 1544402949

Mario Eugenio Frugiuele: vincular o esporte à educação é caminho para mudança de panorama.Foto: Everton Amaro/Fiesp

Para o coordenador-adjunto do Code e 2º diretor-secretário da Fiesp, Mario Eugenio Frugiuele, ainda existe um mercado muito grande nesse setor a ser explorado no Brasil. “A mudança de comportamento dos jovens, com o sedentarismo infantil, por exemplo, pode afetar o setor. Na cultura brasileira, o esporte não é fundamental, não faz parte da vida, pela própria situação de desenvolvimento. Essas são variantes fundamentais para analisar a mudança de comportamento”, afirmou.

Na opinião de Frugiuele, uma solução seria vincular o esporte à educação, a fim de criar um legado de cultura do esporte. Mas ressaltou: “Para isso, será preciso uma mudança estrutural nas escolas”, finalizou.


Política energética brasileira em debate na Fiesp

Alice Assunção, Agência Indusnet Fiesp

A política energética brasileira e suas perspectivas foram alvo de debates, na quarta-feira (03/07), durante o seminário “O Futuro Energético e Geração Nuclear”, realizado pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) em parceria com a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), na sede da entidade. No evento, estiveram em discussão temas como os limites de uso da hidroeletricidade no país, com a adoção de sistemas como a energia nuclear, por exemplo.

A abertura oficial do encontro foi feita pelo gerente do Departamento de Energia (Deinfra-Energia) da Fiesp, Roberto Moussalem.

O seminário "Futuro Energético e Geração Nuclear": debate sobre novas matrizes para o setor. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

O seminário "Futuro Energético e Geração Nuclear": debate sobre novas matrizes. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp


O primeiro a se apresentar no seminário, o secretário do Ministério de Minas e Energia, Altino Ventura Filho, explicou que a prioridade da política energética brasileira está baseada em hidroeletricidade, biomassa e eólica, fontes que representam 75% da expansão do sistema elétrico nos próximos anos. No entanto, as operações hidrelétricas, base dessa expansão, têm um horizonte de 12 a 15 anos, alertou ele, indicando que será necessário um substituto para o “carro-chefe” da matriz energética brasileira.

“As soluções já estão atrasadas”, afirmou Ventura. Segundo ele, a alternativa para substituir as hidrelétricas, esgotadas em no máximo 15 anos, partirá de uma mistura de fontes como a nuclear, térmica e o uso de gás natural.  O secretário destacou a geração de energia nuclear como um dos alvos de uma política mais efetiva e de curto prazo.

Também presente no evento, o chefe de gabinete da presidência da Eletrobras Eletronuclear, Leonam dos Santos Guimarães, afirmou que impulsionar a geração de energia nuclear no Brasil é como “quase construir um novo negócio” já que o modelo com o qual setor conta para negociar é da década de 1970. “O grande ineditismo é explorar as possibilidades de negócios que possam se adaptar às características do setor energético nuclear considerando o cenário econômico atual”, avaliou Guimarães.

Moussallem: iniciativa privada pode ajudar. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

Moussallem: iniciativa privada pode dar apoio para energia nuclear. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

O gerente do Departamento de Energia (Deinfra-Energia) da Fiesp, Roberto Moussalem, foi outro a defender a atuação da indústria no setor de energia nuclear. “A Fiesp entende também que há na energia nuclear um espaço muito importante para participação do setor privado. Na planta de energia nuclear o setor privado pode dar sim sua contribuição, aportando recursos e operando essas unidades”, afirmou.

Mais energia nuclear

A política energética brasileira pode valorizar mais a diversificação e o equilíbrio da oferta entre as diversas fontes energéticas que podem ser geradas no país. Inclusive com o maior uso de energia nuclear. A recomendação é da divisão de projetos da Fundação Getúlio Vargas (FGV) em estudo divulgado no seminário.

“Isso se refere a um quadro que entendemos que pode ser ampliado e melhorado”, afirmou o professor Otavio Mielnik, coordenador da FGV Projetos. Segundo o estudo, as reservas de urânio no país –matéria prima para geração de energia nuclear– em 2012 eram de 309 mil toneladas, com condição para manter dez usinas nucleares de 1.000 MW durante cem anos.  Mas as estimativas apontam que o potencial de urânio no Brasil é de 800 mil toneladas, levando em conta as condições geológicas e o fato de apenas 25% do território ter sido prospectado.

Alegando a necessidade de novos cálculos para aumentar a segurança da unidade, o presidente da Eletronuclear, Othon Luiz Pinheiro, também presente no seminário, informou, em junho, que o início da operação da usina nuclear Angra 3 foi adiado de 2016 para 2018.

Quando 2040 chegar

No mesmo estudo da FGV apresentado no seminário, foi feita uma projeção da demanda por energia elétrica no Brasil em 2040, que pode chegar a 1,2 milhão gigawatt-hora (GWh). O levantamento indica ainda que a utilização de energia nuclear no Brasil deve atender à demanda futura.

“Ficou claro que o sistema elétrico está em transição. E uma transição que tem dimensão econômica, energética e regulatória”, afirmou Mielnik  no seminário.

O maior consumo estimado seria se o país enfrentasse um cenário de crescimento anual de 2,5% até 2015 e posteriormente  de 5%.  Neste caso, a demanda por energia chegaria a 1,2 milhão gigawatt-hora (GWh). “É claro que os recursos públicos não serão suficientes para suprir a demanda”, disse Mielnik. “Mas o setor privado poderia contribuir e inovar trazendo sua experiência”, concluiu.

Demanda por energia elétrica no Brasil pode chegar a 1,2 mi GW/h em 2040

Alice Assunção, Agência Indusnet Fiesp

A demanda por energia elétrica no Brasil pode chegar a 1,2 milhão gigawatt-hora (GWh) em 2040, apontou estudo da Fundação Getúlio Vargas (FGV) divulgado nesta quarta-feira (03/07), durante seminário sobre o assunto na sede da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).

O prognóstico faz parte do levantamento Futuro Energético e a Geração Nuclear, elaborado pela FGV Projetos. O estudo indica que a utilização de energia nuclear no Brasil deve atender à demanda futura.

“Ficou claro que o sistema elétrico está em transição. E uma transição que tem dimensão econômica, energética e regulatória”, afirmou o professor Otavio Mielnik, coordenador de projetos da FGV, no seminário.

Mielnik: mudanças na geração elétrica no Brasil. Foto: Julia Moraes/Fiesp

Mielnik apresentou estudo no seminário: sistema elétrico está em transição no Brasil. Foto: Julia Moraes/Fiesp


Para projetar a condição do setor de energia elétrica no país em 2040, a FGV Projetos elaborou três cenários para direcionar os rumos do setor nos próximos anos.

Considerando um cenário de controle de mercado, no qual o crescimento econômico seria maior no curto prazo, a 4% ao ano até 2017, e menor no longo prazo, a 3%, o Brasil consumiria até 1,02 milhão gigawatt-hora (GWh) de energia elétrica.

Em cenário de racionalidade econômica, com um crescimento econômico inferior no curto prazo, a 2,5% ao ano –podendo alcançar patamares de expansão pré-crise, de 4% ao ano, posteriormente— o consumo brasileiro de energia chegaria a 1,1 milhão gigawatt-hora (GWh).

O maior consumo seria se o país enfrentasse um cenário de crescimento anual de 2,5% até 2015 e posteriormente a 5%.  Neste caso, a demanda por energia chegaria a 1,2 milhão gigawatt-hora (GWh). “É claro que os recursos públicos não serão suficientes para suprir a demanda”, disse Mielnik. “Mas o setor privado poderia contribuir e inovar trazendo sua experiência”, concluiu.

Restrições orçamentárias podem limitar expansão da energia nuclear, aponta estudo da FGV

Alice Assunção, Agência Indusnet Fiesp

A política energética brasileira pode valorizar mais a diversificação e o equilíbrio da oferta entre as diversas fontes energéticas que podem ser geradas no país. Inclusive com o maior uso de energia nuclear. A recomendação é da divisão de projetos da Fundação Getúlio Vargas (FGV) em estudo divulgado nesta quarta-feira (03/07), sobre o futuro da energia e a geração nuclear no Brasil.

“Isso se refere a um quadro que entendemos que pode ser ampliado e melhorado”, afirmou o professor Otavio Mielnik, coordenador da FGV Projetos, durante o seminário Futuro Energético e Geração Nuclear, realizado pela fundação em parceria com a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).

Mielnik: mais opções de matrizes energéticas para o país. Foto: Julia Moraes/Fiesp

Mielnik: necessidade de desenvolver mais opções de matrizes energéticas para o país. Foto: Julia Moraes/Fiesp


Durante o encontro, a FGV divulgou um levantamento sobre o cenário atual e futuro da energia no Brasil, levando em conta a geração de energia nuclear.

Segundo o estudo, as reservas de urânio no país –matéria prima para geração de energia nuclear– em 2012 eram de 309 mil toneladas, com condição para manter dez usinas nucleares de 1.000 MW durante cem anos.  Mas as estimativas apontam que o potencial de urânio no Brasil é de 800 mil toneladas, levando em conta as condições geológicas e o fato de apenas 25% do território ter sido prospectado.

O documento da FGV afirma ainda que as restrições orçamentárias do governo podem frear a expansão do setor de energia nuclear, limitando número de usinas construídas que poderiam atender a essa demanda. Essa restrição, no entanto, pode ser superada com a participação do setor privado como investidor e concessionário na operação das plantas.

Alegando a necessidade de novos cálculos para aumentar a segurança da unidade, o presidente da Eletronuclear, Othon Luiz Pinheiro, informou, em junho, que o início da operação da usina nuclear Angra 3 foi adiado de 2016 para 2018.

País precisa de mais opções de matrizes energéticas, diz secretário de Minas e Energia

Alice Assunção, Agência Indusnet Fiesp

A prioridade da política energética brasileira está baseada em hidroeletricidade, biomassa e eólica, fontes que representam 75% da expansão do sistema elétrico nos próximos anos, afirmou o secretário Altino Ventura Filho, do Ministério de Minas e Energia.  No entanto, as operações hidrelétricas, base dessa expansão, têm um horizonte de 12 a 15 anos, alertou ele, indicando que será necessário um substituto para o “carro-chefe” da matriz energética brasileira.

Os participantes do seminário na Fiesp: diversificação para evitar problemas futuros. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

Os participantes do seminário na Fiesp: diversificação para evitar problemas. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp


A abertura oficial do seminário da FGV na Fiesp foi feita pelo gerente do Departamento de Energia (Deinfra-Energia) da Fiesp, Roberto Moussalem.

Ventura Filho: hidrelétricas esgotadas em 15 anos. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

Ventura Filho: soluções para o setor de energia já estão atrasadas. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

“As soluções já estão atrasadas”, afirmou Ventura durante o seminário O Futuro Energético e Geração Nuclear, realizado pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) em parceria com a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), na tarde desta quarta-feira (13/07), na sede da entidade.

Segundo Ventura, a solução para substituir as hidrelétricas, esgotadas em no máximo 15 anos, partirá de uma mistura de fontes como a nuclear, térmica e o uso de gás natural.  O secretário destacou a geração de energia nuclear como um dos alvos de uma política mais efetiva e de curto prazo. “A política nuclear no Brasil neste momento consta da decisão do CNPE (Conselho Nacional de Política Energética) de construir Angra 3,  dos nossos estudos de planejamento de longo prazo que preveem essas necessidades nucleares e no plano de 2030. Essa é a politica atual, mas nós precisamos avançar em relação a ela”, afirmou.

Enquanto as soluções e o substituto das hidrelétricas não chegam, a capacidade instalada para geração de energia elétrica precisa duplicar nos próximos 15 anos, afirmou o secretário.  Segundo Ventura, o setor precisa crescer pelo menos 4% ao ano para suprir a demanda.

Segundo levantamento da FGV divulgado durante o seminário, o crescimento estimado da demanda de energia elétrica entre 2012-2021 deve ser de 4,9% ao ano, o equivalente a um aumento total de 55% durante o período.

Novo modelo de negócio

Moussalem: apoio da iniciativa privada. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

Moussalem: iniciativa privada pode dar a sua contribuição. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

O chefe de gabinete da presidência da Eletrobras Eletronuclear, Leonam dos Santos Guimarães, afirmou que impulsionar a geração de energia nuclear no Brasil é como “quase construir um novo negócio” já que o modelo com o qual setor conta para negociar é da década de 1970. “O grande ineditismo é explorar as possibilidades de negócios que possam se adaptar as características do setor energético nuclear considerando o cenário econômico atual”, avaliou Guimarães.

O gerente do Departamento de Energia (Deinfra-Energia) da Fiesp, Roberto Moussalem, defendeu a atuação da indústria no setor de energia nuclear. “A Fiesp entende também que há na energia nuclear um espaço muito importante para participação do setor privado. Na planta de energia nuclear o setor privado pode dar sim sua contribuição, aportando recursos e operando essas unidades”, afirmou.

IV Telecom discute Marco Regulatório da Internet

Talita Camargo, Agência Indusnet Fiesp

Carlos Fernando Ximenes Duprat, diretor-titular adjunto da divisão de telecomunicações do Deinfra da Fiesp. Foto: Everton Amaro

Duprat, diretor-titular do Deinfra da Fiesp

O “IV Seminário de Telecomunicações – Qual o futuro das nossas telecomunicações?”, da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), realizado nesta terça-feira (25/09), na sede da entidade, discutiu a criação do Marco Civil da Internet no Brasil e seus reflexos nos modelos de negócios e na competitividade da indústria como usuária e fornecedora de bens de serviços relativos à web, durante o painel “Governança, segurança e neutralidade na internet”, coordenado pelo diretor-titular adjunto da divisão de telecomunicações do Departamento de Infraestrutura (Deinfra) da Fiesp, Carlos Fernando Ximenes Duprat.

O professor coordenador do Programa de Legislação Digital na Fundação Getúlio Vargas (FGV), Renato Opice Blum, é favorável à implementação de matérias para a educação digital nas escolas a fim de que haja uma cultura de saber usar a internet. “Acho que devemos ter uma legislação que obrigue isso”, afirmou ao explicar que a iniciativa evitaria o sofrimento das pessoas ao utilizarem a internet. “Hoje, no Brasil, temos aproximadamente 60 mil decisões judiciais relacionadas a problemas e crimes que ocorrem com o uso da internet”, salientou.

Renato Opice Blum, professor coordenador do Programa de Legislação Digital na Fundação Getúlio Vargas (FGV). Foto: Everton Amaro

Renato Opice Blum, da FGV

Entretanto, Blum é contrário à instauração do Marco Civil da Internet, o que em sua avaliação representa uma repetição do que já existe na legislação. “A Anatel já tem a competência para fazer os ajustes em relação à neutralidade”, argumentou. Segundo ele, a faculdade de guarda dos IPs geraria a impossibilidade de se identificar alguém que venha a praticar um crime pela internet. Além disso, acrescentou, seria o único caso do mundo a afastar qualquer tipo de responsabilidade do provedor de conteúdo.

Questão econômica

Para o presidente do Sindicato Nacional das Empresas de Telefonia e de Serviço Móvel Celular e Pessoal (Sinditelebrasil), Eduardo Levy Cardoso Moreira, o futuro das telecomunicações está no investimento no setor e, no que se refere à neutralidade, deve-se dar maior atenção à questão econômica que “nunca é debatida sob esse ponto de vista”.

Moreira acredita que o mundo não está maduro o suficiente para discutir o Marco Civil da Internet e aconselhou: “Devemos esperar uma discussão mais ampla junto ao mundo inteiro”,  referindo-se à “Conferência Mundial das Telecomunicações Internacionais (WCIT-12)”, que será realizada em dezembro deste ano em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos.

Espontaneidade

Cassio Jordão Motta Vecchiatti, diretor do Deseg da Fiesp. Foto: Everton Amaro

Vecchiatti, diretor do Deseg da Fiesp

“A internet é a maior ferramenta de competitividade e de desenvolvimento porque é livre, aberta e transparente”, afirmou o diretor do Departamento de Segurança (Deseg) da Fiesp e representante da Indústria no Comitê Gestor da Internet no Brasil, Cassio Jordão Motta Vecchiatti, para quem o Marco Civil da Internet estaria olhando para a “internet do bem”, mas tiraria da internet a espontaneidade.

“Devemos separar as condições para manter a internet livre como ela é hoje e, por outro lado, fazer com que nossa legislação cuide de que a internet do mal, o lado negro da força, se adeque e sejam corrigidas as distorções”, explicou Vecchiatti.

Neutralidade

Demi Gatschko, do Comitê Gestor da Internet no Brasil. Foto: Everton Amaro

Demi Gatschko, do Comitê Gestor da Internet no Brasil

O representante de notório saber em assunto da internet no Comitê Gestor da Internet no Brasil, Demi Getschko, acredita que o modelo de internet está em constante evolução, e isso se prova pela constante oferta de novos serviços. “A neutralidade é o serviço”, enfatizou ao lembrar que o acesso à internet não deve promover discriminações entre os usuários, embora haja diferentes entre os serviços oferecidos.

“O Brasil é o país que mais tempo fica conectado. Nós gostamos de interagir, adoramos usar as redes sociais. Em números absolutos, somos o quarto país – acabamos de passar a Índia – em número de usuários, ficando atrás apenas dos Estados Unidos, Japão e China. O brasileiro usa a internet de uma forma diferente dos outros países”, concluiu Blum.

Responsabilidade das operadoras de celular

Jarbas José Valente, vice-presidente da Anatel. Foto: Everton Amaro

Jarbas José Valente, vice-presidente da Anatel

O vice-presidente da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), Jarbas José Valente, falou sobre o trabalho que a Anatel vem fazendo hoje e o projeto de licitação de 3G e 4G. “Para realizar a licitação de 3G no Brasil, a Anatel tinha na época 1.836 municípios”, relatou. “Financiamos alguns bilhões de reais para que pudéssemos chegar à velocidade que estamos chegando no Brasil, e o mesmo está sendo feito com o 4G.”

Sobre a medida punitiva tomada em julho deste ano, em que a Anatel decidiu suspender a venda de planos pré e pós-pago de três operadoras de celulares, o vice-presidente afirmou que a agência reguladora vem avaliando, em reuniões mensais dos últimos três anos, a questão de qualidade e dos danos causados e alertando sobre os riscos que poderiam acarretar para a sociedade.

“Tomamos uma medida que não gostaríamos de ter tomado jamais, por necessidade de fazer um ajuste, porque as próprias operadoras chegaram ao limite de seus controladores e exigiam cada vez mais crescimento com responsabilidade”, concluiu.

Baixar juros não basta para elevar investimento da indústria, diz economista da Fiesp

Alice Assunção, Agência Indusnet Fiesp

André Rebelo, assessor para assuntos estratégicos da Fiesp. Foto: Helcio Nagamine

André Rebelo, assessor para assuntos estratégicos da Fiesp. Foto: Helcio Nagamine

Reduzir a taxa básica de juros Selic não é suficiente, por si só, para alavancar o investimento no setor produtivo do país. A avaliação é do economista André Rebelo, assessor para assuntos estratégicos da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).

Rebelo participou nesta terça-feira (18/09) do 9º Fórum de Economia da Fundação Getúlio Vargas (FGV), evento coordenado em parceria com a Fiesp, o Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi) o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese).

“A indústria não está investindo porque ninguém aumenta a exposição em um negócio que dá retorno negativo”, afirmou Rebelo, citando a taxa de câmbio e o custo Brasil como principais entraves para o crescimento da atividade industrial no país. “Não adianta baixar a taxa de juros achando que vai aumentar [a atividade] porque não vai. O dinheiro da indústria é em função também da rentabilidade. E a realidade esperada não está indo bem em nenhum setor”, concluiu.

Segundo o economista, o Brasil experimentou, desde 2004, a valorização contínua do câmbio por oito anos consecutivos. “Esse ano deu um certo refresco”, referindo-se à elevação do valor do dólar, no segundo trimestre de 2012, para patamares ao redor de R$ 2.

Na avaliação de Rebelo, as reduções da taxa básica de juros Selic anunciadas pelo Comitê de Politica Monetária (Copom) do Banco Central – a taxa caiu para 7,5%, menor patamar da história – devem proporcionar uma desvalorização cambial. “Mas o câmbio muito acima de R$ 2 vai ser difícil de produzir”, avalia Rebelo.

Segundo cálculos da Fiesp, a indústria brasileira corresponde a pouco mais de 15% do PIB e é responsável pelo recolhimento de mais de 37% dos impostos cobrados no país. “A carga tributária em cima da indústria é muito grande. Na discussão de energia, por exemplo, os agentes do setor elétrico disseram que o problema do Brasil é a carga tributária que é muito elevada”, afirmou ele.

Energia

André Rebelo classifica a redução da tarifa de energia elétrica – em 16,2%, para residências e comércio, e entre 19,7% e 28%, para a indústria – como “passo importante” dado pelo governo, mas ressalvou que alguns detalhes ainda “estão em aberto.”

“A Fiesp defendia redução da energia para todo mundo, não só para indústria porque essa redução de energia vai devolver para o bolso dos consumidores algo na ordem de R$ 10 bilhões/ano”, afirmou Rebelo, acrescentando que a entidade está preparando estimativas. “A hora que colocar esse valor na mão da baixa renda, isso tem um efeito muito forte no consumo e vai dinamizar os setores”, concluiu.

‘Parceria social Alemanha-Brasil é bem-vinda no longo prazo’, afirma embaixador Rubens Barbosa

Edgar Marcel, Agência Indusnet Fiesp

Embaixador Rubens Barbosa, presidente do Coscex da Fiesp. Foto: Everton Amaro

Embaixador Rubens Barbosa, presidente do Coscex da Fiesp. Foto: Everton Amaro

A aplicação no Brasil do modelo alemão de acordo social, segundo o embaixador Rubens Barbosa, presidente do Conselho Superior de Comércio Exterior (Coscex) da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), é ‘desaconselhável’ no curto prazo.  Para ele, nos últimos anos o salário aumentou acima da produtividade e causou problemas para a indústria brasileira.

“O aumento salarial desvinculado da inflação e da produtividade acarreta problemas para as empresas, e, além disso, a negociação salarial é complicada”, explanou o embaixador, que participou nesta segunda-feira (17/09) do 9º Fórum de Economia da Fundação Getúlio Vargas – evento coordenado em parceria com a Fiesp, o Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi) o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese).

Barbosa afirmou ainda que no Brasil há um sistema historicamente complicado e que está gerando problemas políticos na questão da greve dos servidores públicos, prevista na Constituição Federal. “Houve greve por vários meses, sem condições de interferência. E os sindicalistas têm influência muito grande, o que prejudicou a economia”, salientou Barbosa, sinalizando que uma parceria social seria muito bem-vinda, caso haja um  convênio entre empresas brasileiras e alemãs em sistema de longo prazo.

Barbosa, entretanto, questiona o que pode acontecer em uma possível mudança de governo. “Um dia, isso vai acontecer [troca de governo], e o Partido dos Trabalhadores (PT), atualmente no poder, terá condições de conduzir isso de maneira isenta, pois qualquer outro partido será visto com suspeição. Se o direito de greve do setor público for regulamentado, será visto como avanço importante, pois as greves estão causando problemas sérios”, analisou.

Competitividade prejudicada

O embaixador considera que os princípios alemães dificilmente seriam aplicados no Brasil, em razão de o poder atual estar na busca de ganhos. “Essas greves políticas no Brasil estão agravando a perda da competitividade – o principal problema atual do país”. Ele destacou também outros fatores, como o risco Brasil e o custo jurídico das questões trabalhistas.

Rubens Barbosa acredita que as posições estão muito “radicalizadas” e que o Partido dos Trabalhadores talvez seja o único com uma doutrina com direcionamento social importante, de reduzir as desigualdades. “Acho que esse pacto desenvolvimentista poderá revalorizar produção e conhecimento e inspirar o governo atual e as lideranças do PT, para que medidas concretas sejam tomadas”, adicionou.

“A Alemanha tem dois partidos diferentes e o sistema político do Brasil é muito frágil; não avançaria numa parceria social. A prioridade da redução da desigualdade dentro da estabilidade econômica vai continuar”, afirmou. O embaixador acredita que, dentro deste modelo desenvolvimentista, o modelo alemão seja uma inspiração para o Brasil.

“Não há nenhuma visão de médio e longo prazo neste particular e, por causa desse sistema alemão, há poucas demandas judiciais trabalhistas”, concluiu Barbosa.

Políticas alemãs de curto prazo evitam demissões, afirma professora do MIT no 9º Fórum de Economia da FGV

Edgar Marcel, Agência Indusnet Fiesp

Imagem relacionada a matéria - Id: 1544402949

Kathleen Thelen, professora de Ciências Políticas do Massachusetts Institute of Technology (MIT). Foto: MIT

Na Alemanha, os sindicatos têm menos influência e os empregados fazem menos acordos trabalhistas, segundo Kathleen Thelen, professora de Ciências Políticas do Massachusetts Institute of Technology (MIT). Naquele país, os trabalhadores em período integral têm amparo contratual forte, o que dificulta a dispensa de empregados nas empresas.

A afirmação foi feita nesta segunda-feira (17/09) durante o 9º Fórum de Economia da Fundação Getúlio Vargas (FGV), evento coordenado em parceria com a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), o Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi) o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese).

“O mais eficaz na Alemanha são as políticas de curto prazo, que evita que as empresas mandem embora seus funcionários mais bem preparados, fazendo que eles trabalhem menos sem perdas salariais”, afirmou Kathleen, ao esclarecer que essas políticas não são novas no país. “Elas existem há muito tempo e foram usadas amplamente na crise financeira, razões que ajudaram na retomada das empresas alemãs”, incluiu.

Ela apresentou ainda que os trabalhadores com salário mínimo são responsáveis por 20% dos empregos e em serviços na Alemanha, e que as empresas de manufatura estão terceirizando suas frentes de trabalho para reduzir custos e manter a estabilidade.

Capacitação

Os programas de aprendizado na Alemanha foram muito importantes para dar suporte a uma produção de altíssimo rendimento e promover igualdade, segundo Kathleen Thelen. “Os grandes partidos alemães aprovam esse sistema, que tem sido extremamente bem sucedido. O lado negativo é que, por outro lado, essas medidas tiveram impacto corrosivo, pois todas as melhorias tiveram efeito no aumento do custo para as empresas de treinamento, que devem acompanhar padrões nacionais”, explicou.

Como os custos aumentaram no acompanhamento das inovações tecnológicas, as empresas pequenas já não podem pagar este tipo de treinamento na Alemanha. Entretanto, o estado foi ativo para proporcionar uma reforma e um pacto social muito mais inclusivo, apoiado pelas políticas governamentais, segundo a professora.

Kathleen Thelen citou ainda o exemplo dinamarquês, que implementou reformas significativas e derrubou barreiras que separavam acadêmicos dos trabalhadores de menor instrução. “Houve tempos em que a Alemanha historicamente ficou para trás. O país ainda tem padrão de ouro em relação a treinamento de jovens, mas sempre foi retardatário em educação de adultos”, apontou.

Medidas como redução de tarifa de energia devem estimular crescimento de 4% a 5% em 2013, afirma secretário da Fazenda

Alice Assunção, Agência Indusnet Fiesp

O Ministério da Fazenda estima que a economia brasileira deva crescer entre 4% e 5% em 2013, já com o efeito de medidas de estímulo ao desenvolvimento anunciadas pelo governo este ano, como a redução da tarifa de energia elétrica.

9º Forum Econômico da FGV. Nelson Barbosa, secretário-executivo do Ministério da Fazenda. Foto: Helcio Nagamine

Nelson Barbosa, secretário-executivo do Ministério da Fazenda. Foto: Helcio Nagamine

“Ela [a redução da tarifa] aumenta a renda disponível. Ou seja, pagar menos por energia vai gerar recursos para outras coisas. Então, tem impacto também de expansão sobre a economia. Por isso, a gente tem uma expectativa mais otimista para o ano que vem”, afirmou Nelson Barbosa, secretário-executivo do Ministério da Fazenda, após participar da abertura do 9º Fórum de Economia da Fundação Getúlio Vargas – evento coordenado em parceria com a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), o Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi) o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese).

Para este ano, Barbosa mantém estimativa de crescimento de 2% do Produto Interno Bruto (PIB). A previsão do governo para a expansão econômica do país em 2012 está acima dos prognósticos do mercado (1,57%) e da Fiesp (de 1,4%).

Segundo cálculos do secretário-executivo, a redução da tarifa de energia elétrica em 16,2%, para residências e comércio, e entre 19,7% e 28%, para a indústria, deve gerar uma economia de até R$ 10 bilhões em 2013.

“O Ministério de Minas e Energia tem esse impacto maior de quanto o consumidor vai deixar de gastar em termos de bilhões, mas está na casa de R$ 7 a R$ 10 bilhões a mais de renda que o setor privado tem para destinar a outros propósitos”, projetou Barbosa, acrescentando que os números ainda não são precisos.

Em nota oficial distribuída na última terça-feira (11/09), a Fiesp avalia como positiva a redução nas contas de luz anunciada no mesmo dia pela presidente Dilma Rousseff. No comunicado, a Fiesp afirma que a medida terá impacto direto no crescimento econômico do Brasil, com redução de custos e aumento da competitividade. Mas, para a entidade, o correto seria obedecer à Constituição e realizar os leilões das concessões que estão vencendo, de forma a garantir o preço justo ditado pela concorrência em cada caso.

Câmbio x inflação

Na avaliação de Nelson Barbosa, uma política inflacionária não deve ser prioritariamente baseada em taxa de câmbio. “O que segura inflação no longo prazo é aumentar investimento e produtividade. Se você segurar inflação via apreciação cambial, vai gerar problema na balança de pagamento, por exemplo”, apontou o secretário-executivo.

Para ele, a taxa de câmbio em R$ 2 não tem grande impacto na inflação, mas “ainda coloca uma grande pressão sobre a indústria brasileira em termos de competitividade”.

“O desafio nesse caso é evitar esses excessos. Nossos estudos indicam que, tanto um câmbio muito apreciado quanto um cambio muito depreciado, é prejudicial ao crescimento. Você tem uma politica de câmbio flutuante para evitar que ele caia demais ou suba demais e isso é feito dia a dia, não é anunciado.”

Dia 4 de junho serão anunciados os vencedores do Prêmio Municípios que Fazem Render Mais

Dulce Moraes, Agência Indusnet Fiesp

Dezesseis dos 74 municípios inscritos no Prêmio Municípios que Fazem Render Mais chegaram à fase final. A premiação é uma iniciativa da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) para identificar e disseminar os esforços de Prefeitos e Gestores Municipais em melhorar a capacidade de planejamento e gestão, democratização e prestação de serviços de qualidade aos cidadãos.

As cidades finalistas – classificadas em municípios com até 50.000 habitantes, municípios entre 50.001 e 250.000 habitantes e municípios a partir de 250.001 habitantes – se destacaram nos critérios de sustentabilidade, transparência da gestão pública, participação popular, contribuição para o desenvolvimento local, custeio e qualidade do investimento e responsabilidade fiscal e social.

De acordo com os organizadores do Prêmio, apesar de apenas 16 estarem concorrendo nesta última etapa, os 74 municípios que voluntariamente se inscreveram, merecem todo o reconhecimento, pois demonstraram interesse em expor suas práticas de gestão, dando, dessa maneira, inestimável colaboração ao intuito da premiação.

Na última fase de avaliação, todas as cidades finalistas receberam visitas da comissão técnica julgadora da Fundação Getúlio Vargas. Os municípios vencedores serão anunciados na cerimônia de entrega do Prêmio que acontece no próximo dia 4 de junho, na sede da Fiesp, em São Paulo.

Conheça as cidades finalistas do Prêmio:

Imagem relacionada a matéria - Id: 1544402949