Micro e pequeno empresas devem ter atenção às vendas por dispositivos móveis

Guilherme Abati, Agência Indusnet Fiesp

A importância dos canais nas vendas para o sucesso de uma empresa de micro e pequeno porte foi o tema do painel apresentado por Samy Dana, professor de carreira na Escola de Administração de Empresas da Fundação Getúlio Vargas de São Paulo (FGV-SP), durante o seminário da Micro e Pequena Indústria, realizado nesta terça-feira (07/10).

Samy Dana: empresas precisam estudar como podem fisgar o interesse de quem passa cada vez mais tempo conectado. Foto: Tâmna Waqued/Fiesp

 

Dana chamou especial atenção para os canais digitais. “O faturamento do comércio eletrônico será de R$ 28,8 bilhões em 2014”, disse ele, fundador e coordenador do Núcleo de Criatividade, Cultura e Comportamento da FGV-SP.

O professor também destacou o crescimento do mobile commerce, o comércio por  intermédio de dispositivos móveis.  “Classes C e D usam o celular para se conectar à internet”, reforçou.

Portanto, recomendou o docente, antes de se preocupar com apenas um único canal de vendas, as empresas precisam entender que os clientes usam vários canais e estudar como podem fisgar o interesse de quem passa cada vez mais tempo conectado. “Eles vão às lojas,  usam e-mails e se conectam por aplicativos. Empresários têm a falsa impressão que atuam em todos esses canais”, alertou Dana.

O seminário da Micro e Pequena Indústria – Vender Mais e Melhor é uma iniciativa do Departamento da Micro, Pequena e Média Indústria (Dempi) da Fiesp.

Ometto: ‘Estamos perdendo competitividade e posição no mercado internacional’

Juan Saavedra, Agência Indusnet Fiesp

O Brasil vem passando por um processo de desindustrialização e o momento pede um grande diálogo entre todos os setores, para que o país tenha condições de crescer. A opinião é do segundo vice-presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), João Guilherme Sabino Ometto, ao abrir um debate no segundo dia de programação do 11o Fórum de Economia da Fundação Getúlio Vargas de São Paulo (FGV-SP).

“Estamos perdendo competitividade industrial, perdendo posição no mercado internacional”, disse Ometto na manhã desta terça-feira (16/09).

Ometto: Se a gente não conversar vai ser muito difícil de o país avançar”. Foto: Everton Amaro/Fiesp

 

“Uma coisa é estar em Brasília e outra coisa é a realidade no chão de fábrica que vemos na produção. Tem muita regulamentação de trabalho impossível de as empresas cumprirem”.

Segundo Ometto, quem quer produzir enfrenta o custo da burocracia, a falta de segurança jurídica e o que ele classificou como uma “parte fiscal pesada, complicada”.

“Há que ter ter uma compreensão, um diálogo muito grande entre todos os setores: trabalhadores, empresários e governo. Se a gente não conversar vai ser muito difícil de o país avançar”, concluiu Ometto.

PIB só pode crescer com aumento da produtividade, afirma Delfim Netto

Juan Saavedra e Guilherme Abati, Agência Indusnet Fiesp

Para o presidente do presidente do Conselho Superior de Economia (Cosec) da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Antônio Delfim Netto, a indústria vem tendo um desempenho ruim porque o câmbio foi utilizado pelo governo como instrumento coadjuvante no controle da inflação. “Há uma tendência dos ministros de Economia, e eu posso dizer com conhecimento de causa, de tentar usar câmbio para conter a inflação e normalmente dá com os burros na água”, disse.

Segundo ele, um dos participantes do primeiro painel o 11º Fórum de Economia da Fundação Getúlio Vargas de São Paulo (FGV-SP), nesta segunda-feira (15/09), em São Paulo, o Produto Interno Bruto (PIB) só pode crescer pelo aumento da produtividade de cada trabalhador”.

“Se almejamos um crescimento de 3%, 4%, temos que fazer produtividade aumentar 3 ou 4%. Não tem nenhum outro truque. Não tem jeito de superar essa coisa banal.” Ele destacou ainda que o país precisa de investimento em infraestrutura e de mão de obra mais sofisticada para operar bens de capital mais sofisticados.

Netto: mais investimentos em infraestrutura. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

Netto: mais investimentos em infraestrutura. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

Delfim Netto disse também que, em função do aumento dos preços externos, a taxa de câmbio não afetou a agricultura como a indústria, mas que esse cenário mudou. “A taxa de câmbio para a agricultura foi suficiente para resistir a todas as estripulias. Isso na minha opinião terminou”, disse Delfim Neto. “Nessa safra que vem aí vamos sentir os primeiros efeitos do câmbio sobre a agricultura brasileira.”

Segundo ele, também contribuem para esse cenário outros fatores: o alto e crescente custo da mão de obra com relação ao índice de produtividade, a falta de apoio às exportações por meio de um sistema inteligente de tarifas efetivas, com absoluta desoneração tributária das exportações, sistema de “draw back” efetivo e crédito e taxa de juros existentes no mercado internacional.

Carga tributária

Segundo Mansueto Almeida, economista do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), também convidado do painel, o país precisa de mudanças em seu regime fiscal. “Importante é controlar o crescimento da despesa em relação ao PIB. A carga tributária brasileira é igual a de países com três vezes o nosso PIB”, disse. “O cenário é nebuloso”, afirmou.

Além disso, Almeida defende um ajuste fiscal gradual, com “foco na simplificação da reforma tributária”.

Desenvolvimento com sustentabilidade

André Nassif, da Universidade Federal Fluminense e do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), defendeu o desenvolvimento econômica brasileiro com estabilidade. “O Governo federal errou ao perseguir políticas que estimularam o consumo, quando o incentivo deveria vir pelo investimento em infraestrutura”, afirmou.

Os debatedores do primeiro painel do Fórum na FGV-SP: produtividade e reforma tributária. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

Os debatedores do primeiro painel do Fórum na FGV-SP: produtividade e reforma tributária. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

 

Para ele, os esforços governamentais devem buscar o aumento de produtividade. “Embora se recomende manter o tripé econômico atual, a sugestão é que se mude substancialmente sua governança”, concluiu.

Controle cambial

Para o ex-secretário executivo do Ministério da Fazenda, Nelson Barbosa, o desafio para crescimento econômico é cambial e monetário. “Desafio é controlar inflação sem depender da taxa de câmbio”. No campo fiscal, para ele, meta deverá ser recuperar a capacidade de geração de resultados primários.

Além disso, Barbosa aconselhou a diminuição da perda fiscal com preços regulados e a redução da folha de pagamento da união. “É preciso aumentar a transparência do gasto tributário federal”, disse.