Projetos dão nova cara ao setor ferroviário

Graciliano Toni, Agência Indusnet Fiesp

Os projetos apresentados nesta quinta-feira (28/7) por pesos-pesados do setor durante workshop na Fiesp devem elevar consideravelmente a participação das ferrovias no transporte de carga, tanto geral quanto em contêineres. E para os passageiros, os trens devem se tornar boa opção na macrometrópole de São Paulo. O sucesso desses empreendimentos depende de acertos na regulação, especialmente de um bocado de negociação em relação ao direito de passagem, e há expectativas quanto à renovação antecipada de concessões.

Alexandre Porto, superintendente de ferrovias da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), mostra-se otimista. Segundo ele, o Programa de Parceria e Investimentos (PPI), instituído pela MP 727, é considerado pelos técnicos do setor um avanço. A definição da governança facilita o processo decisório e a discussão com os órgãos de controle. Há priorização dos projetos, e as concessões são no modelo vertical com direito de passagem.

Ao analisar as duas etapas do Programa de Investimento em Logística (PIL), Porto disse que um grande avanço entre as etapas foi perceber que já existe uma malha. Não basta expandir a malha, defendeu – também é preciso melhorar a atual. Percebeu-se também a necessidade de melhorar o ambiente regulatório.

Em relação ao direito de passagem, afirmou, há questões técnicas e operacionais a resolver, incluindo sinalização das vias e habilitação dos condutores.

Gustavo Bambini, diretor de Relações Institucionais da MRS Logística, disse durante o workshop que foi estruturada política para o setor ferroviário que não era vista havia muito tempo. Ao falar sobre o Ferroanel de São Paulo, explicou que boa parte do que seria seu trecho Sul já foi feita, mas ainda faltam obras estruturantes. Ressaltando que defende a construção do Ferroanel, lembrou que há a opção de escolher pontos prioritários para garantir o escoamento e um sistema logístico mais eficiente, sem necessariamente construir um anel.

O Ferroanel, afirmou, não é a tábua de salvação do gargalo logístico do Estado de São Paulo. “Sozinho o Ferroanel não resolve o problema.” É preciso, disse, ter condições de acesso a Santos.

Bambini destacou também a importância que o Ferroanel teria para Estados vizinhos – com a eventual ligação do tramo de Perus a Itaquaquecetuba permitindo chegar aos portos do Rio, viabilizando a carga geral e de contêineres entre as regiões metropolitanas, e com a ligação a Minas Gerais, resolvidas limitações da malha paulista.

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Workshop Expansão das ferrovias: modelagem e projetos, na Fiesp. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp


Também participou das apresentações Silvana Alcântara, da VLi, que disse que a empresa encerra em 2017 investimentos de R$ 9 bilhões, mas continuará em expansão. “A gente não tirou o pé do acelerador.” Boa parte do investimento foi para Santos (R$ 2,7 bilhões). Toda a carga chegará ao terminal da VLi via ferrovia.

Guilherme Quintella, da EDLP, falou sobre a Contrail Logística, projeto iniciado junto com a MRS, e sobre os Trens Intercidades, para transporte na macrometrópole de São Paulo. Há oportunidade na otimização das faixas de domínio ferroviário, disse. A ideia dos projetos é essa. Os dois projetos usam a mesma malha, e há a previsão de expansão futura, para o que são reservadas duas faixas.

A Linha Norte-Sul, de Americana a Santos, compartilhará a malha com outras concessionárias. A Oeste-Leste ligará Sorocaba a Taubaté. Ao todo, serão 487 km de linhas. Implantado em modelo de parceira público-privada, o projeto dos Trens Intercidades têm, segundo Quintella, potencial de atender 26 milhões de habitantes, com demanda estimada em 200 mil passageiros por dia. Serão 24 estações. Os Trens Intercidades podem reinserir a ferrovia no transporte de média distância, afirmou Quintella. Projeto deve ser financiável e rentável, com riscos minimizados, aproveitar os ativos públicos existentes e viabilizar uma rápida implantação, graças ao uso das faixas de domínio.

A Contrail aumenta a competitividade da indústria paulista, afirmou Quintella.  Lembrou que a maioria dos produtos sai de Santos por rodovia. Meta é aumentar de 2% para 20% em 2021 a participação de contêineres no porto de Santos.

Julio Fontana, da Rumo, falou sobre expansão da malha e prorrogação das concessões. Expansão não é algo simples, explicou, pelos contratos atuais. A meta da empresa é dobrar a capacidade das ferrovias para escoar toda a produção do Estado de São Paulo e os contêineres frigorificados do Centro-Oeste, além de transportar combustíveis para a região. De 30 milhões de toneladas a capacidade deverá aumentar para 65 milhões de toneladas em 2025.

O projeto, explicou Fontana, prevê migração de carga do modal rodoviário para ferroviário, permitindo redução de R$ 12 bilhões no custo Brasil. O investimento será de R$ 58 bilhões em 42 anos de concessão. Há, disse, compromisso de redução de tarifas. Em sua análise, o excesso regulatório dificulta o relacionamento entre o poder concedente e as concessionárias.

O workshop teve a mediação feita por Vicente Abate, diretor adjunto da Divisão de Logística e Transportes do Departamento de Infraestrutura da Fiesp (Deinfra).

Concessões podem trazer novo ciclo de investimentos, diz presidente de associação dos usuários do transporte de carga

Anne Fadul, Agência Indusnet Fiesp

A modelagem dos processos de concessão de rodovias e ferrovias foi tema da reunião mensal do Conselho Superior de Infraestrutura da Fiesp (Coinfra), realizado na manhã desta quarta-feira (11/5), na sede da entidade.

Luís Henrique Teixeira Baldez, presidente executivo da Associação Nacional dos Usuários do Transporte de Carga (Anut), participou da reunião. Iniciou sua apresentação falando sobre o cenário atual brasileiro. “Estamos vivemos um momento difícil e complicado. O país está com 12 milhões de pessoas desempregadas e hoje deve começar um novo ciclo, com um possível novo governo, e as concessões podem se tornar uma alavanca inicial para que se reinicie um novo período de investimentos”, afirmou.

Baldez listou pressupostos para permitir que tenham êxito as Parcerias Público Privadas (PPPs). Cada operação precisa ser atrativa para o setor privado, ter rentabilidade compatível com o risco do negócio, transmitir segurança jurídica, possuir regras claras e de longo prazo. Além disso, é necessário que haja agências reguladoras independentes e profissionais que sejam fiscalizadas as responsabilidades contratuais dos parceiros envolvidos. “Esse modelo tem que ter uma base conceitual: enxergar que é uma concessão de serviços, não de obras. Isso gera redução de custos, aumento de competitividade, integração modal, planejamento sistêmico”, disse.

Dados da Confederação Nacional dos Transportes (CNT), apresentados pelo executivo, apontam que o Brasil possui 1,7 milhões de quilômetros de rodovias e apenas 12% da malha rodoviária nacional é pavimentada. “Dessa porcentagem, 10% estão sob concessão, ou seja, 90% estão na mão do Estado. Isso precisa melhorar”, disse Baldez.

Com 90% da carga sendo transportada por rodovias, há elevada dependência no longo prazo, sem possibilidade de mudança na matriz de transportes. A extensão de malha pavimentada duplicada é pequena, e é crescente a frota de veículos, o que causa congestionamentos, maior tempo de trânsito, ineficiências logísticas e custos econômicos e sociais elevados.

Além disso, 62% das vias estão em estado ruim ou péssimo, e 58% têm sinalização, gerando elevado custo operacional do transporte. Das vias sob concessão, 74% têm estado ótimo ou bom, enquanto nas administradas pelo poder público isso cai para apenas 30%, o que implica em política de concessão como substituto das responsabilidades públicas.  “Nesse cenário, o Brasil ocupa as últimas posições no ranking de qualidade, entre 144 países, tornando-se um país com baixa competitividade interna e externa”, disse o presidente da Anut.

A associação defende  nas concessões de rodovias projetos básicos qualificados, leilão pela menor tarifa, a não inclusão de ônus estranhos ao objeto da concessão – taxas, contribuições, obras de atendimento político, reestruturação de órgãos públicos, dentre outros. Também pede a não cobrança de outorga, a inclusão de obras de expansão (duplicação, terceira faixa) somente quando o tráfego exigir, no que chama de “Gatilho de Demanda”, níveis atrativos de rentabilidade, fonte de financiamento de longo prazo e reequilíbrio dos contratos (sem aumento de tarifa, sem cobrança de outorga e os critérios de impacto zero para os usuários).

Para a infraestrutura rodoviária, Baldez citou algumas responsabilidades que o governo deve tomar. “É preciso priorizar os investimentos em recuperação, melhorias e extensão dos eixos principais de escoamento da produção, elaborar portfólio de projetos executivos; fazer cronogramas físico-financeiro compatíveis com o porte de cada obra; apresentar garantias de aplicação dos recursos para a conclusão de cada obra; ter intensa fiscalização quanto a qualidade de cada obra e fiscalização quanto ao uso das rodovias – acidentes, cargas por eixo, congestionamentos, leis do trânsito”, afirmou.

Ferrovias

Baldez considera mais complexa a situação das ferrovias, porque, na maioria das vezes, envolvem investimentos que precisam de aportes públicos. Ele mostrou as formas de exploração que hoje o Brasil tem e outras opções que poderiam existir. “Atualmente, o setor ferroviário brasileiro atua no que se costuma chamar modelo de integração vertical, onde uma única empresa é responsável por explorar a infraestrutura e operar os trens. Para haver competição, preços negociados, liberdade de negócios, há a opção do modelo “Open Access”, onde as atividades de exploração de infraestrutura e prestação do serviço são separadas, e o modelo compartilhado, mantendo o modelo vertical, mas garantindo o direto de passagem dos usuários”, disse.

Para as concessões de ferrovias, a associação defende completar a agenda regulatória, disponibilizar parte da capacidade ao mercado, revogar o decreto nº 1.832/96, que não prioriza o direito de passagem, publicar novo decreto instituindo o direito de passagem como forma obrigatória de compartilhamento de infraestrutura ferroviária e assegurar linha de financiamento ao vencedor da licitação.

Tanta para as rodovias quanto para as ferrovias, Baldez recomenda a retomada do papel do Estado como investidor nas malhas, adequação dos modelos de concessão para que sejam atrativos ao mercado, fortalecimento do papel das agências reguladoras e estabelecimento de blocos de projetos prioritários para destravar os processos de concessão.

Participaram da reunião Marcos Lutz e Carlos Cavalcanti, respectivamente presidente e vice-presidente do Coinfra. Também integrou a mesa Leonardo Zenóbio, presidente do conselho da Anut.

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Reunião do Coinfra com a participação da Associação Nacional dos Usuários do Transporte de Carga. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

Setor ferroviário encara desafios para transportar 35% da carga no Brasil

Anne Fadul, Agência Indusnet Fiesp

Fernando Simões Paes, diretor executivo da Associação Nacional dos Transportadores Ferroviários (ANTF), falou sobre a importância das ferrovias para o Brasil durante reunião nesta quarta-feira (9/3) do Conselho Superior de Infraestrutura da Fiesp (Coinfra). “A participação do modal ferroviário tem uma parcela considerável economicamente, pois movimenta cerca de 25% de toda a carga transportada no Brasil, com expectativa de chegar a 35%”, disse. A declaração foi dada nesta quarta-feira (09/03), na sede da entidade.

Esse número só será viável se houver expansão e ampliação da capacidade da malha atual, segundo o executivo. “O Brasil precisa de um modal participativo. A quantidade da malha brasileira é baixa e perde para países desenvolvidos e Brics e, inclusive, para a Argentina”, afirmou.

Apesar disso, o Brasil tem grande potencial no setor. “Mais de 35% das commodities agrícolas chegam aos portos por ferrovia; esse número é ainda mais expressivo quando se trata de açúcar, cerca de 55%, e minérios, mais 90%.”

Histórico

A concessão das ferrovias de carga para a iniciativa privada, na década de 90, foi uma das ações governamentais mais acertadas para o crescimento do transporte ferroviário no Brasil, na opinião de Paes. Ele apresentou um histórico, de 1997 a 2014, mostrando um investimento de R$ 44 bilhões pelas concessionárias, resultando em crescimento na movimentação de cargas de 83,2%, no período.

Além disso, a produção do transporte ferroviário de cargas cresceu 124,1%. Já o transporte de contêineres cresceu 11.436% e houve uma redução de 85% no índice de acidentes. “Com esta projeção, o número de locomotivas em atividade aumentou em 172%, e o de vagões, 145% de 1997 a 2015. A produção do transporte ferroviário cresceu 139,2%, enquanto o PIB aumentou 53,1%, no mesmo período”, afirmou o executivo.

Paes acredita que o desafio é atingir maior equilíbrio na matriz de transportes. “Precisamos expandir a malha, com novas concessões, aumentar a capacidade da malha concedida, com prorrogação dos contratos, e ter segurança jurídica e redução dos excessos burocráticos e regulatórios para o setor evoluir mais”, concluiu.

Julio Neto, diretor presidente da RumoALL, também participou da reunião. Apresentou dados sobre a expansão e um balanço do trabalho feito nas ferrovias pela companhia, seguindo um plano de investimento elaborado para até 2020, com foco nas malhas norte e sul. Dentre os investimentos, foram feitas reformas e aquisições de locomotivas e vagões nas duas malhas com um investimento de aproximadamente R$1,2 bilhão.

Neto disse que para elevar a movimentação grandes desafios deverão ser superados, como a malha ultrapassada e com baixa manutenção, elevado número de restrições e acidentes, locomotivas e vagões antigos e danificados, terminais pulverizados e com baixa eficiência para recepção de carga ferroviária no interior e no porto e restrições de serra e acesso aos portos.

A reunião foi mediada pelo presidente do Coinfra, Marcos Lutz, e teve as presenças também de Carlos Cavalcanti, vice-presidente do conselho, e do tenente brigadeiro Aprígio Eduardo de Moura Azevedo, diretor executivo de Projetos da Fiesp.

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Reunião do Coinfra de 9 de março, que discutiu problemas e perspectivas do setor ferroviário. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

Trens em Santos e Ferroanel são discutidos em workshop na Fiesp

Anne Fadul, Agência Indusnet Fiesp

O Ferroanel de São Paulo foi tema destacado no Workshop Logística e Transporte – Desenvolvimento do Modal Ferroviário, promovido nesta quarta-feira (22/7) pelo Departamento de Infraestrutura (Deinfra) da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).

Gustavo Bambini, da MRS Logística, pediu celeridade no projeto básico e no projeto executivo do Ferroanel “para saber o tamanho da encrenca”. Ele falou também sobre o potencial de crescimento do uso de ferrovias no porto de Santos.

Nos contêineres, por exemplo, a ferrovia participa com somente 2% da movimentação (553.543 toneladas úteis, em relação ao total de 28,5 milhões de toneladas úteis). Ele lembrou que o aumento do emprego da ferrovia teria reflexos muito positivos sobre o trânsito rodoviário.

Vicente Abate, diretor do Departamento de Infraestrutura da Fiesp (Deinfra) reforçou a necessidade de construir o Ferroanel. Ele lembrou que o projeto estava incluído nos planos federais de infraestrutura PAC e PIL 1, mas ficou fora do PIL 2. “Parece que falta um pai para o Ferroanel”, disse.

>>Ouça boletim sobre malha ferroviária ociosa

Também presente no evento, Rafael Langoni, gerente de projetos e relações corporativas da Porto Santos – Rumo ALL, falou sobre oportunidades de crescimento no sistema ferroviário da Baixada Santista. “O porto é um problema que precisa ser enfrentado de maneira prioritária, só assim teremos capacidade de produtividade e ter competitividade”, disse.

Segundo Langoni, a movimentação ferroviária do porto de Santos tem previsão de crescimento acelerado, que demandará investimentos significativos para aumento da capacidade e produtividade dos ativos ferroviários. “Em projetos estruturantes temos uma estimativa na ordem de R$ 623 milhões até 2019, que englobam a conclusão da duplicação entre Paratinga e Perequê, duplicação do acesso à margem esquerda, retropátios de apoio em ambas as margens, eliminação dos conflitos rodoferroviários e sistemas ferroviários para descarga de alta produtividade”, afirmou.

Já para melhoria de via permanente, o gerente estima um investimento de R$ 301 milhões até 2021 para substituição de perfil TR (maior capacidade de suporte), substituição e melhoria da taxa de dormentação e recuperação dos sistemas de drenagem (canaletas, bueiros).

Langoni também informou que há iniciativas de planejamento e operação integrados. “Foi formado um grupo chamado Plano Diretor Baixada Santista, formado pela Rumo ALL, VLI e MRS Logística, que tem como objetivo garantir a capacidade da malha compatível com volumes atuais e previstos, produtividade de ativos e de quadro funcional, eficiência de processos, alinhamento de iniciativas e segurança operacional por meio de alocação eficiente de investimentos e visão integrada e colaborativa entre as três concessionárias que acessam a Baixada.

O grupo envolve atuação integrada de três frentes de trabalho (capacidade, normatização e processo), com agendas de desenvolvimento paralelas e participação multidisciplinar dos quadros funcionais das três empresas nas esferas. “Com a Integração das três concessionárias na Baixada, teremos ganho de produtividade”, completou.

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Workshop na Fiesp sobre Logística e Transporte - Desenvolvimento do Modal Ferroviário. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp


Investimentos

Marcelo Perrupato, engenheiro na Magna Projetos e também palestrante no evento, afirmou que o Brasil tem custos logísticos equivalentes a quase 20% do PIB (com projeção do PIB de R$ 9,4 trilhões em 2020; R$ 18,6 trilhões em 2030 e R$ 34,9 tri em 2040), enquanto países europeus e da América do Norte estão na faixa de 10% a 12%. E dentro dos custos logísticos os transportes respondem por cerca de 30%. No caso brasileiro isto significa que os gastos com transportes são de cerca de R$ 250 bilhões/ano.

Participaram também do encontro Jean Carlos Pejo, representante da Alaf Brasil, e Luis Felipe Valerim Pinheiro, sócio da VPBG Advogados.

Rodovias e ferrovias em debate no grupo de trabalho do Deconcic da Fiesp

Ariett Gouveia, Agência Indusnet Fiesp

Para discutir as obras rodoviárias e ferroviárias no Brasil, foi realizada, nesta segunda-feira (07/07), a reunião do Grupo de Trabalho de Responsabilidade com o Investimento do Departamento da Indústria da Construção (Deconcic) da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp). Especialistas do setor destacaram como principais dificuldades  as desapropriações, o licenciamento ambiental e a estrutura do governo.

Os convidados da reunião foram Vicente Abate, presidente da Associação Brasileira da Indústria Ferroviária (Abifer) e Tarcisio Gomes de Freitas, diretor-executivo do Departamento Nacional de Infra-estrutura de Tranportes (Dnit).

Afirmando que o crescimento do Brasil está ligado ao desenvolvimento da indústria e das ferrovias, o presidente da Abifer apresentou números da indústria ferroviária. Segundo ele, o setor investiu R$ 1,5 bilhão entre 2003 e 2013. Para 2014 e 2016, serão de R$ 400 a 600 milhões investidos em ampliação e modernização das instalações fabris existentes, novas fábricas, aplicação de novas tecnologias e treinamento de mão de obra. 

Para Abate, a saída para disciplinar a contratação de obras é o governo assumir as desapropriações e a obtenção de licenças ambientais (prévia e de instalação), encaminhando a execução de projetos de infraestrutura para a iniciativa privada. 

Abate: execução de projetos de infraestrutura a cargo da iniciativa privada. Foto: Tâmna Waqued/Fiesp

Abate: execução de projetos de infraestrutura a cargo da iniciativa privada. Foto: Tâmna Waqued/Fiesp

O diretor-executivo do Dnit destacou a necessidade de ter órgãos específicos para administrar cada modal, com a autarquia voltando a ser exclusivamente rodoviária. “Não existe possibilidade, em um país de dimensões continentais, de ter uma autarquia que trabalhe rodovia, ferrovia e hidrovia”, disse.  “Isso não tem dado certo e a gente continua com uma matriz desequilibrada e predominância do modo rodoviário.”

O diretor defendeu uma “revolução” para resolver os problemas que afetam diretamente as obras do setor. Além das questões ambientais, ele também citou orçamento referencial, tributação e mão de obra como entraves.

“Para destravar a infraestrutura do país, a gente precisa de uma revolução. Porque é preciso mexer em licenciamento, no controle, no orçamento, na capacitação, na tributação, no judiciário, ou seja, praticamente tudo”, afirmou Freitas. 

A reunião foi coordenada pelo diretor titular adjunto do Deconcic, Manuel Carlos de Lima Rossitto.

A reunião do Deconcic: crescimento do país ligado ao setor de transportes. Foto: Tâmna Waqued/Fiesp

A reunião do Deconcic: crescimento do país ligado ao setor de transportes. Foto: Tâmna Waqued/Fiesp

Presidente da EPL apresenta projetos do governo para infraestrutura brasileira

Ariett Gouveia, Agência Indusnet Fiesp

O presidente da Empresa de Planejamento e Logística (EPL), Bernardo Figueiredo, apresentou nesta segunda (13/05), no Encontro Econômico Brasil-Alemanha, realizado em São Paulo, as ações do governo federal para amenizar o déficit de infraestrutura brasileiro.

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Bernardo Figueiredo, presidente da EPL. Foto: Everton Amaro/FIESP

Figueiredo falou das concessões que serão realizadas nos próximos 30 anos nos sistemas de rodovias, ferrovias, portos e aeroportos, com investimento de U$ 121 bilhões.

“É um passo ousado para atacar os gargalos que inibem o crescimento e a competitividade,principalmente na nossa infraestrutura logística”, disse o presidente da EPL.

No sistema rodoviárioestão sendo preparadas as concessões de trechos estruturantes que, segundo ele, vão reduzir custos logísticos e ampliar a competitividade do país em curto prazo.

Os trechos serão ligados a outras concessões já existentes no país. O investimento será de 21 bilhões de dólares, com um aporte de 12 bilhões somente nos cinco anos iniciais. A expectativa, disse Figueiredo, é iniciar o processo de licitação de todas as rodovias a partir de julho.

Um dos projetos inéditos está na área de ferrovias com a criação de uma malha de 10 mil quilômetros, cortando o Brasil de norte a sul, articulada com outras obras do Programa de Aceleração de Crescimento (PAC). O objetivo é ligar todos os centros produtores e consumidores do Brasil em condições de interoperabilidade. Até o fim de maio, os projetos estarão disponíveis para discussão pública.

Portos e aeroportos

Assunto em destaque por causa da Medida Provisória 595, o plano para os portos é possibilitar a ampla utilização de costas e rios brasileiros de forma integrada a outros investimentos.

“Consideramos importante criar opções portuárias também nas regiões norte, nordeste e leste do Brasil”, diz Figueiredo. O investimento será de 10 bilhões de dólares em portos públicos, com licitações começando em outubro, e US$ 15 bilhões em terminais privados, nos quais já há projetos em análise.

Com relação ao sistema aeroviário, além das concessões já realizadas dos aeroportos de Brasília, Viracopos e Guarulhos, o governo está promovendo a concessão para a iniciativa privada do Galeão e de Confins, com leilões programados para setembro. Também vai promover o reaparelhamento de 270 aeroportos regionais.

Também faz parte do programa o Trem de alta velocidade (TAV) que, na primeira etapa,vai ligar as cidades do Rio de Janeiro, Campinas e São Paulo, atendendo os aeroportos de Guarulhos, Viracopos e Galeão.

“O governo tem absoluta convicção da viabilidade, da oportunidade e da necessidade da implantação desse sistema de transporte nesse eixo”, declarou o presidente da EPL. “Não existe uma alternativa sustentável para atender à demanda de cerca de 35 milhões de pessoas que gere o grau de qualidade de serviço aos usuários. É a solução mais indicada de acordo com todos os estudos técnicos.”

Para o TAV, o governo vai oferecer financiamento de 2,5 bilhões de dólares, o que corresponde a 70% do investimento total. O leilão da concessão do serviço está marcado para setembro.

Frete ferroviário no Brasil custa em média US$ 74; países líderes em logística cobram US$4

Alice Assunção, Agência Indusnet Fiesp

O custo do frete para transporte ferroviário pago no Brasil em 2010 era de US$74,67 a tonelada por quilômetro útil, enquanto os países com líderes mundiais em logística pagavam US$ 4,76, aponta levantamento da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).

O Índice Comparado de Desempenho da Infraestrutura de Transporte (IDT/Fiesp), pesquisa elaborada pela entidade e divulgada na terça-feira (07/05), revela uma defasagem do Brasil em 94% ante os países com melhores práticas de logística no setor ferroviário. Em 2010, a cobrança de frete ferroviário correspondia a 6% do benchmark internacional.

No transporte por rodovias, o frete cobrado no Brasil em 2010 era de US$51,75 a tonelada por quilômetro transportada, contra US$ 14 pago nos países com melhores prática de logística, o equivalente a uma defasagem de 73% em relação a média das regiões líderes em infraestrutura de transporte.

Clique aqui e veja estudo na íntegra.

Logística: criação da EPL é revolucionária, afirma diretor de Infraestrutura da Fiesp

Alice Assunção, Agência Indusnet Fiesp

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Carlos Cavalcanti: 'Floresceu o marco regulatório para logística e transportes no Brasil'. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

A principal mudança no setor de infraestrutura do Brasil é a criação da Empresa de Planejamento e Logística (EPL) – estatal do governo federal nascida em agosto de 2012.

A análise é de Carlos Cavalcanti, diretor do Departamento de Infraestrutura (Deinfra) da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp). Segundo ele, era uma reivindicação antiga da Fiesp a implementação de um organismo para estruturar o processo de planejamento de logística no país, integrando rodovias, ferrovias, portos, aeroportos e hidrovias.

“Agora você tem uma autoridade de planejamento que planeja rodovia, ferrovia, hidrovia. Está começando [os trabalhos]. Quem sabe no final do ano que vem a EPL solte o primeiro plano logístico. Porque é muito difícil –[antes] precisa mapear”, explica Cavalcanti. “Mas isso é a coisa mais revolucionária”, afirma.

O diretor da Fiesp pondera que vai levar tempo para que o sistema de transportes do país vivencie os efeitos positivos da criação da EPL e do Programa de Investimentos em Logística, pacote do governo que, na primeira fase, prevê a aplicação de R$ 133 bilhões na reforma e construção de rodovias federais e ferrovias.

“Quem sabe qual é o volume de carga que as companhias estão transportando nas rodovias e nas ferrovias? Quando é que ferrovia e rodovia vão ficar prontas em seis meses? Essas coisas em infraestrutura não são assim [tão rápidas]”, disse Cavalcanti. “O que importa é que mudou. Floresceu o marco regulatório para logística e transportes no Brasil.”

Cavalcanti também mostra otimismo com as mudanças no sistema ferroviário. “A eficiência de quando o projeto começar é muito maior porque é do setor privado. Daqui para frente as coisas tendem a ser melhores.”

Encontro de Logística

A Fiesp realiza nos dias 6 e 7 de maio a oitava edição do Encontro de Logística e Transportes. Entre temas como a integração logística da América do Sul, empresários, especialistas e representantes de governo devem discutir os desafios do país para o setor e como colocar em prática o Plano de Investimentos em Logística, anunciado pela presidente Dilma Rousseff em agosto de 2012.

Visite a página do evento para saber mais informações: 8º Encontro de Logística e Transportes da Fiesp

EPL estima retorno de ao menos 15% para investidor em concessões de ferrovias e rodovias

Alice Assunção, Agência Indusnet Fiesp

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Bernardo Figueiredo, presidente da Empresa de Planejamento e Logística (EPL)

Os investidores em projetos de concessões de rodovias devem obter um retorno com ganho real entre 12% e 15%, já descontada a inflação. A informação é de Bernardo Figueiredo, presidente da Empresa de Planejamento e Logística (EPL). No caso dos investidores em projetos de ferrovias, segundo ele, o retorno será maior por conta de risco maior.

“O que atrai investidor são duas coisas: o que ele vai ganhar e o risco que vai correr”, explicou Figueiredo, nesta quinta-feira (21/02), durante encontro com membros do Conselho Superior de Infraestrutura (Coinfra) da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).

Figueiredo confirmou a expansão do prazo de concessão das ferrovias passando de 30 para 35 anos e afirmou que a EPL avalia antecipar a receita dos eventuais concessionários, “para melhorar a atratividade do projeto”.

Segundo ele, na próxima semana deverá ser divulgado o pré-edital do primeiro projeto de concessão do trecho ferroviário entre Açailândia (MA) e Vila Conde (PA).

“A gente quer explorar um pouco, usar esse primeiro projeto para fazer uma discussão”, explicou Figueiredo, antecipando que o debate terá como foco o estudo técnico, o edital e o contrato. “Temos reunião com a Fiesp para debater o modelo ferroviário, que é novo. A gente vai explorar um pouco a discussão. Pode ser que nesse debate tenha aperfeiçoamento”, afirmou.

O presidente EPL acrescentou que todos os editais para concessão de rodovias e ferrovias serão publicados até junho deste ano. Para Figueiredo, as concessões ferroviárias apresentam condições mais complexas em comparação com os projetos de rodovias.

“A questão ferroviária tem algumas variáveis complexas, como a responsabilidade por acidente, a capacidade da ferrovia. É muito complexa a parte regulatória da concessão de ferrovia. Tem que estar claro para todo mundo quais são as regras”, sublinhou.

Rodovias

Figueiredo também informou que o edital para leilão dos trechos das rodovias BR-040 e BR-116 será republicado em junho deste ano, à parte dos sete lotes previstos para licitação ainda em 2013.

“O programa, hoje, é o edital ser republicado em junho. O estudo está sendo refeito, ele vai ter que passar novamente pelo Tribunal de Contas da União (TCU), passar por audiência pública”, disse. “É como se tivesse recomeçado”.

EPL

A EPL foi criada pelo governo federal, no segundo semestre de 2012, com a missão de estruturar e qualificar, por meio de estudos e pesquisas, o processo de planejamento integrado de logística no país, interligando rodovias, ferrovias, portos, aeroportos e hidrovias.


Na Fiesp, governador Beto Richa apresenta oportunidades de investimento no Paraná

Edgar Marcel, Agência Indusnet Fiesp

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Beto Richa, governador do Paraná: "'Paraná Competitivo' visa a modernização da política fiscal do estado, com investimentos em infraestrutura e qualificação de mão de obra". Foto: Julia Moraes

O governador do Estado do Paraná, Beto Richa, esteve na sede da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) nesta segunda-feira (10/09), durante a reunião de diretoria da entidade, para apresentar oportunidades de investimentos no seu estado.

No encontro com dirigentes da indústria paulista e presidentes de sindicatos, o governador paranaense afirmou sentir-se honrado por estar na Fiesp trazendo números de seu governo, destacando o que classificou de “um trabalho de recuperação das finanças do seu estado”. Beto Richa ressaltou ainda a capacidade de investimento da unidade da federação, que, segundo ele, estava afastada do setor produtivo.

“A necessidade da retomada da industrialização era algo que enxergávamos com muita clareza, e o objetivo é iniciar um novo ciclo no setor produtivo. O plano [apresentado por ele] visa questões ambientais e a criação de bons empregos, geração de impostos em larga escala, transferência de tecnologia e preservação do meio ambiente”, afirmou Richa.

Competitividade paranaense

Beto Richa expôs o programa “Paraná Competitivo”, que visa a modernização da política fiscal do estado, com investimentos em infraestrutura e qualificação de mão de obra a fim de gerar empregos e impostos, transferência de tecnologia e preservação do meio ambiente.

“São R$ 18 bilhões confirmados em investimentos e 90 mil empregos que o ‘Paraná Competitivo’ vai gerar. O Produto Interno Bruto (PIB) Industrial do Paraná cresceu 7%, o maior crescimento entre os estados do Brasil”, destacou o governador, ao comparar a taxa com o PIB brasileiro, que ficou em apenas 0,3%.

Os aportes serão destinados aos setores de veículos e autopeças, plataformas de petróleo, biodiesel, alimentos, máquinas pesadas, entre outros itens. A indústria de papéis Klabin, a maior do país, vai instalar uma unidade no município de Ortigueira (a 210 km de Curitiba), O projeto, apontado por Richa como o maior investimento privado da história do Paraná, contempla ainda a inédita divisão da arrecadação de ICMS entre os municípios da região.

A empresa contará com a parceria da Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep) para dar celeridade ao funcionamento da planta. O convênio entre a Fiep (Sistema S) e o Ministério do Trabalho proporcionará a capacitação profissional para a Copa do Mundo em 2014 – Curitiba receberá jogos do mundial.

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Da esquedda para a direita: Ricardo Barros, secretário paranaense de Indústria, Comércio e Assuntos do Mercosul; João Guilherme Sabino Ometto, 2º vice-presidente da Fiesp; Beto Richa, governador do Paraná; Benjamin Steinbruch, vice-presidente da Fiesp; e Mario Eugenio Frugiuele, 2º diretor-secretário da Fiesp. Foto: Mauren Ercolani

Outros investimentos

Em infraestrutura e logística, Beto Richa anunciou que o Grupo Techint montará duas plataformas de petróleo em investimento de R$ 1,3 bilhão, junto com áreas específicas para produção de peças e serviços para a indústria do Pré-Sal. Além disso, outros R$ 840 milhões serão injetados nas rodovias estaduais e na adequação de estradas rurais para impulsionar a produtividade do agronegócio.

Beto Richa: porto de Paranaguá receberá R$ 1 bilhão em investimentos públicos e privados nos próximos três anos. Foto: Mauren Ercolani.

Beto Richa: porto de Paranaguá receberá R$ 1 bilhão em investimentos públicos e privados nos próximos três anos. Foto: Mauren Ercolani

Ainda segundo o governador, o porto de Paranaguá receberá R$ 1 bilhão em investimentos públicos e privados nos próximos três anos, o que irá dobrar o volume de cargas nos próximos 20 anos, mantendo 80% da baía preservada. Beto Richa assegurou que a expansão da malha ferroviária está em negociação com o governo federal. “Queremos a inclusão de novo ramal que liga o município de Guarapuava ao litoral paranaense, facilitando o acesso aos portos”, explicou.

Richa apresentou também a Usina de Mauá em Telêmaco Borba, que recebeu investimento de US$ 700 milhões e vai gerar 361 megawatts, suficientes para atender uma cidade com 1 milhão de habitantes.

O vice-presidente da Fiesp, Benjamin Steinbruch, considerou como importante os avanços do estado vizinho. “Certamente o Paraná vai voltar a ocupar lugar de destaque. Temos uma indústria muito forte lá, com várias empresas, e potencialidade de opções boas de investimento”, sublinhou Steinbruch.

Na Jovem Pan: diretor da Fiesp fala sobre o trem de alta velocidade no Brasil

Agência Indusnet Fiesp

Em entrevista ao Jornal da Manhã, da rádio Jovem Pan, desta segunda-feira (03/09), sobre as divergências entre especialistas em torno da necessidade de o Brasil ter um trem de alta velocidade, o diretor-titular do Departamento de Infraestrutura (Deinfra) da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) afirmou ser favorável ao trem de alta velocidade. “O Brasil precisa voltar a investir em transporte ferroviário de passageiros”, diz Cavalcanti.

O diretor-titular do Deinfra lembrou que o fluxo entre as duas cidades mais importantes do país, Rio de Janeiro e São Paulo, vem crescendo nos últimos anos. “O tráfego entre São Paulo e Rio de Janeiro não pode continuar a ser feito indefinidamente. Nós não podemos pensar esse tráfego, nos próximos 50 anos, com o aumento do tráfego aéreo e, além disso, não é possível construir oito ou dez pistas de cada lado das rodovias que ligam São Paulo ao Rio de Janeiro.”

Cavalcanti lembrou também da importância do trem de alta velocidade para interligar aeroportos. “Ele vai ser fundamental para ligar o Aeroporto de Viracopos à cidade de São Paulo e conectar os aeroportos de Guarulhos e Viracopos”, concluiu.

A reportagem ouviu ainda o professor de logística e transporte da Unicamp, Orlando Fontes Lima, e o presidente da Agência Nacional de Transportes Ferroviários, Joubert Flores.

Ouça a entrevista na íntegra:

 

Paulo Skaf no Diário de S. Paulo: ‘Plano de transportes é bom. Melhor será cumprir’

Agência Indusnet Fiesp

O pacote de investimentos de R$ 133 bilhões na modernização e construção das malhas rodoviária e ferroviária de todo o país, anunciado pelo governo federal na quarta-feira (15/08), é o tema de artigo de Paulo Skaf, presidente da Federação e do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp/Ciesp), publicado nesta segunda-feira (20/08) no jornal Diário de S. Paulo e a Rede Bom Dia.

Para acessar o artigo na íntegra, clique aqui.

Nota oficial: planejamento Logístico contempla proposta defendida pela Fiesp

Nota Oficial

Para a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), mais importante que o pacote de obras anunciado nesta quarta-feira (15/08), pelo Governo Federal, foi a adoção de um modelo de planejamento estratégico para integração dos modais ferroviário, rodoviário, aeroviário e aquaviário.

A necessidade da criação de uma empresa de planejamento logístico vem sendo defendida pela Fiesp desde o início deste Governo.

A Fiesp lançou este desafio durante a abertura do 6º Encontro de Logística e Transportes, em maio de 2011: “Criar, o mais urgentemente possível, uma empresa de planejamento logístico, seguindo o exemplo de sucesso da Empresa de Pesquisa Energética (EPE)”.

No 7º Encontro de Logística e Transportes, realizado em maio deste ano, a Fiesp reiterou: “É fundamental que as instituições trabalhem integradas e que ocorra a implantação efetiva de um Sistema de Planejamento Estratégico de longo prazo, estruturado de maneira a proporcionar racionalidade nos investimentos e na operação integrada dos diversos modais”.

Neste mês, na abertura do 13º Encontro Internacional de Energia, a Fiesp voltou a alertar que “a expansão dos modais ferroviário e rodoviário não obedece a qualquer lógica de planejamento estratégico”. E ainda que: “O setor de transportes precisa da integração racional da utilização dos seus diversos modais. Ele precisa de lógica, isto é, logística”.

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Em Brasília, presidente da Fiesp, Paulo Skaf, comenta pacote anunciado pelo governo

“O novo modelo coloca o Governo no seu papel correto, que é o de planejar, regular e fiscalizar, e chama a iniciativa privada para aquilo que ela comprovadamente faz melhor: investir e fazer gestão eficaz da ampliação e da prestação dos serviços de infraestrutura”, afirma o presidente da Fiesp, Paulo Skaf.

O cumprimento do plano de investimentos é de responsabilidade do Governo Federal, que tem obrigação de coordenar os diversos ministérios e órgãos da administração para que não haja conflito entre políticas setoriais, particularmente nos prazos do licenciamento ambiental.

A decisão de não utilizar as concessões como instrumento de arrecadação do Estado vai ao encontro da necessidade de reduzir o custo logístico para a indústria e de reestabelecer a competitividade da economia brasileira.

“A manutenção do critério de menor tarifa para contratação dos investimentos em rodovias e no frete ferroviário é uma decisão correta, que garante o investimento ao mesmo tempo em que reduz custos”, comentou Skaf. A segregação da operação do tráfego ferroviário, da expansão, manutenção e operação da malha é importante avanço regulatório, ambas defendidas pela Fiesp.

Governo anuncia 133 bilhões em investimentos nas malhas ferroviária e rodoviária do país

Agência Indusnet Fiesp, com informações do Portal Brasil e do Blog do Planalto

O governo anunciou nesta quarta-feira (15/08) que irá investir R$ 133 bilhões na modernização e construção das malhas rodoviária e ferroviária de todo o país. De acordo com a presidente Dilma Roussef, o programa de concessões visa reduzir o custo do transporte e tornar a economia mais competitiva. Dilma afirmou também que o Programa de Investimentos em Logística, que se iniciou com concessões de rodovias e ferrovias, futuramente vai abranger portos, aeroportos e hidrovias.

Segundo o ministro dos Transportes, Paulo Sérgio Passos, o aporte será injetado na economia ao longo de 30 anos. Passos detalhou que, do total, R$ 91 bilhões serão investidos em 10 mil quilômetros de ferrovias e R$ 42,5 bilhões, em 7,5 mil quilômetros de rodovias. Nove lotes nos principais eixos rodoviários do país serão duplicados.

Conforme o ministro, os investimentos em rodovias terão que ser executados nos primeiros cinco anos e o pedágio só poderá ser cobrado quando 10% das obras estiverem concluídas. A escolha dos concessionários será feita com base na menor tarifa de pedágio oferecida.

O programa do governo prevê, ainda, a criação da Empresa de Planejamento e Logística (EPL), que terá como função estudar a logística, antecipar investimentos, estruturar projetos e atrair a iniciativa privada para trabalhar juntamente com o governo.

Segundo o ministro, o programa de concessões visa restaurar a capacidade de planejamento e integrar os sistemas de transporte rodoviário e ferroviário para que se articulem com as cadeias produtivas do país.

Setor ferroviário: Senai-SP apresenta projeto do centro de formação profissional

Edgar Marcel, Agência Indusnet Fiesp

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Da esquerda para a direita: Mario Seabra R. Bandeira, presidente da CPTM; José Antonio Martins, presidente do Simefre; Paulo Skaf , presidente da Fiesp e do Ciesp; Walter Vicioni Gonçalves, diretor do Senai-SP e superintendente do Sesi-SP; e Julio Diaz, diretor de Infraestrutura do Ciesp

O presidente da Federação e Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp e Ciesp), Paulo Skaf, recebeu na manhã desta quinta-feira (02/08), na sede da federação, as principais lideranças  e representantes do setor ferroviário paulista. Durante a reunião, foi apresentado o projeto de implantação do centro de excelência do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai-SP) destinado à formação profissional de técnicos para o setor de construção, manutenção e operação ferroviária do Estado de São Paulo.

Skaf, que também preside o Sesi-SP e o Senai-SP,  falou sobre a importância do projeto: “Temos que nos antecipar aos fatos no sentido de ter aquilo que seja o melhor do mundo”, recomendando aos diretores das entidades a realização de visitas técnicas para conhecer a expertise de países líderes em tecnologia ferroviária, como China e Estados Unidos.

O diretor técnico do Senai-SP, Ricardo Terra, detalhou a proposta do Senai-SP em resgatar a cultura ferroviária no Estado. Entre as premissas da instituição estão a criação da escola ferroviária, a reestruturação e modernização da oferta já disponível e a busca de parcerias para estruturar ambientes com as mais modernas tecnologias do setor.

Terra antecipou que a futura escola ferroviária abrangerá cursos em todos os níveis: cursos de aprendizagem industrial, curso técnico, curso superior e de formação inicial e continuada. Além disso, contemplará também a parte teórica da fabricação, manutenção e operação no transporte de cargas e passageiros.

Ainda de acordo com o diretor técnico do Senai-SP, o investimento previsto para o Centro Senai de atendimento ao setor ferroviário será da ordem de R$ 60 milhões. Esse valor abrange o custo com equipamentos e obras em área construída projetada de 20 mil metros quadrados e uma área total de terreno de 30 mil metros quadrados, incluindo um pátio para manobras e testes. O nome da cidade na qual será construído o Centro Senai  será revelado em setembro.

“Rodoviarização”

José Antonio Fernandes Martins, presidente do Sindicato Interestadual da Indústria de Materiais e Equipamentos Ferroviários e Rodoviários (Simefre), afirmou que o Brasil é um país feito “fora dos trilhos”, em alusão à “rodoviarização” dos transportes.

“Segundo o Ministério das Cidades, a frota brasileira – que abrange ônibus, automóveis, caminhões e implementos rodoviários – cerca de 70 milhões de veículos”, revelou Martins, que comparou os dados aos parcos números de trens no Brasil: 100 mil de carga e 4 mil de passageiros. O presidente do Simefre finalizou comentando que a decisão da Fiesp, de liderar a formação profissional nas escolas do Senai-SP, será “um fato histórico na área ferroviária”.

Para executivo da ANTF, ferrovias precisam ser melhor entendidas e atendidas

Priscila Della Bella, Agência Indusnet Fiesp

Subvalorização da eficiência do setor e descaso do governo com o transporte ferroviário são os principais impasses para a expansão da

Rodrigo Vilaça, presidente-executivo da Associação Nacional dos Transportadores Ferroviários (ANTF

Rodrigo Vilaça, presidente-executivo da Associação Nacional dos Transportadores Ferroviários (ANTF

malha ferroviária brasileira, segundo Rodrigo Vilaça, presidente-executivo da Associação Nacional dos Transportadores Ferroviários (ANTF).

“O setor está com 44 mil trabalhadores. Crescemos 54% acima do PIB [Produto Interno Bruto]. Será que somos tão ineficientes assim?”, provocou Vilaça ao participar nesta terça-feira (22/05) do segundo e último dia de debates do 7º Encontro de Logística e Transportes, evento realizado pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).

No entendimento do presidente da ANTF, falta um plano concreto de expansão da malha ferroviária – segundo ele, a rede está concentrada no sudeste, tem presença ineficiente no nordeste e é ausente na região conhecida como cerrado brasileiro. “Precisamos de um plano de investimento em longo prazo. E também de ambiente regulatório, o chamado ambiente jurídico estável. Esse foi o nosso grande embate do ano passado e vai continuar sendo”, apontou.

Com investimentos bem aquém dos aplicados nas rodovias, as ferrovias pagam R$ 5,4 bilhões por ano ao setor, e, segundo Vilaça, “não recebem nada de volta desses arrendamentos”. Para ele, as constantes comparações com o transporte rodoviário são desleais. “Não vamos comparar ferroviário com o rodoviário. Aliás, por que não dizem que o sistema rodoviário é desregulado? Que eles põem peso acima do normal, não pagam impostos, tributos?”, assinalou o presidente-executivo da ANTF.

No entendimento de Vilaça, o transporte ferroviário é injustiçado também quando o tema é o transporte de agronegócio. Segundo ele, há outros fatores que colaboram para o alto custo e morosidade, mas que acabam sendo esquecidos. E questionou: “E a ineficiência dos portos? E a falta de armazenamento do produtor? A corda arrebenta para os mais fracos: as ferrovias. Será que só o trem é culpado do custo logístico da soja?”

Mesmo que a passos curtos, o setor apresenta constantes evoluções e, ironicamente, em momentos de crise no país, tem uma demanda maior de serviços. “Na última crise, aumentou a procura por transporte via contêineres, pois ninguém tinha pressa que o produto chegasse”, reforçou Vilaça.

Ferroanel

O Ferroanel, que chegou a ser incluído na lista de obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), na opinião do executivo da ANTF, pode ser a solução, “ou pelo menos, um bom adianto”, para o trânsito e o transporte público de São Paulo.

“Não se tem critérios de investimento, de renovação ou novo modelo. Os órgãos envolvidos não se conversam nem interagem para buscar resolver problemas que estão há 14 anos nas mãos do governo e não são resolvidos”, concluiu Vilaça.

Diretor do BNDES reafirma necessidade de investir na recuperação da malha ferroviária

Alice Assunção, Agência Indusnet Fiesp

O Banco Nacional de Desenvolvimento (BNDES) precisa investir R$ 428 bilhões até 2023 para alcançar resultados na mudança da matriz de transportes brasileira. E o principal objetivo do plano é o transporte ferroviário, informa o diretor do banco Roberto Zurli.

Roberto Zurli Machado, Diretor do BNDES. Foto: Everton Amaro

Roberto Zurli, diretor do BNDES, falou sobre financiamento para infraestrutura de transportes

Zurli participou do painel Financiamento para Infraestrutura de Transportes, parte da programação do primeiro dia do 7º Encontro de Logística da Fiesp.

“Interessante é o foco grande no segmento ferroviário. Esse setor naturalmente tem um volume grande de investimento porque é uma malha muito expressiva”, afirmou Zurli ao comentar números do banco para financiamento em transportes. Do montante de R$ 428 bilhões, devem ser destinados ao setor ferroviário R$ 201,9 bilhões.

O 7º Encontro de Logística da Fiesp prossegue nesta terça (22/05) com mais 10 painéis pela manhã. O horário da tarde inclui uma palestra do ministro João Mendes Pereira, chefe da Coordenação-Geral de Assuntos Econômicos da América Latina e do Caribe do Ministério das Relações Exteriores, e a sessão de encerramento.

Brasil de volta aos trilhos

Dulce Moraes, Agência Indusnet Fiesp

Em 2009, cerca de 400 milhões de toneladas de cargas foram transportadas por ferrovias no Brasil, segundo pesquisa da Confederação Nacional dos Transportes. Esse volume deve ser ainda maior nos próximos anos em decorrência do crescimento dos setores de agronegócios e mineração.

Atualmente, o modal representa 21% da matriz brasileira de transporte de cargas, mas essa participação deverá chegar a 35%, em 2025, se confirmada as estimativas do Plano Nacional de Logística e Transporte, do governo federal.

Para acompanhar o ritmo de crescimento da economia brasileira, o sistema ferroviário deverá acelerar e ampliar seus investimentos e eficiência. De acordo com dados da Associação Brasileira de Infraestrutura da Indústria de Base (Abdib), apenas 10 mil dos 28 mil quilômetros da malha ferroviária do País são considerados ativos, com movimentação de ao menos um trem por dia.

Para estimular o setor, é consenso que o marco regulatório para o transporte ferroviário de cargas deve ser aprimorado. Este será um dos temas a ser tratados no 6º Encontro de Logística e Transporte da Fiesp, nos dias 14 e 15 de junho.

O meio ferroviário também será alternativa para aliviar o crescimento de mobilidade urbana e a grande demanda do setor aeroviário no País. Um dos projetos mais esperados, o Trem de Alta Velocidade (TAV), que ligará as cidades de Campinas ao Rio de Janeiro, também será alvo dos debates do 6º Encontro de Logística e Transporte da Fiesp.

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Na Fiesp, secretário Saulo de Abreu discute sobre obras no setor de transporte

Flávia Dias, Agência Indusnet Fiesp

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Paulo Skaf recebe a visita do secretário Saulo Abreu


Em visita à Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), nesta quarta-feira (6), o Secretário de Estado de Logística de Transporte, Saulo Abreu, conversou com o presidente da entidade, Paulo Skaf, sobre obras de infraestrutura no setor de transportes.

Saulo Abreu destacou os avanços dos trabalhos de extensão da hidrovia Tietê-Paraná, de Conchas até Salto. Para construção do trecho, o projeto recebeu uma verba do governo federal, no valor de R$ 600 bilhões, referente ao Programa de Aceleração do Crescimento (PAC 2). O restante da obra será custeado pelo governo estadual.

“Estamos investindo quase R$ 1 bilhão no projeto de ampliação da Hidrovia Tietê Paraná, e o objetivo é utilizá-la o máximo possível”, afirmou o secretário.

Paulo Skaf ressaltou a importância da criação de um projeto de infraestrutura para modernização dos 31 aeroportos paulistas. “Precisamos valorizar nossos aeroportos antes de privatizá-los”, afirmou o presidente.

Ferrovias

Durante o encontro, Saulo Abreu falou também do projeto de ampliação da malha ferroviária paulista. Entre as medidas está a retomada das obras do Ferroanel, que interligará as principais ferrovias da região metropolitana do estado. De acordo com o secretário, o estado deve retomar o diálogo sobre este assunto com o Governo Federal, no segundo semestre deste ano.

Os gargalos no porto de Santos (como os acessos terrestres), a duplicação da rodovia dos Tamoios e a ligação da rodovia Anchieta com a Piaçaguera-Guarujá também foram destaque no encontro. Abreu Filho prometeu dar encaminhamento a todas as questões.

Norte-Sul sai até dezembro, mas indústria pede ampliação dos ramais

Agência Indusnet Fiesp 

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Cerca de 300 industriais paulistas estiveram presentes na abertura do 7° Seminário sobre Ferrovias, promovido pela Federação e o Centro das Indústrias do Estado de São Paulo. Foto: Vitor Salgado

O governo federal promete entregar o trecho goiano da Ferrovia Norte-Sul (da tocantinense Guaraí a Anápolis) até dezembro deste ano, para entrada em operação no primeiro semestre de 2011.

Além disso, prevê iniciar no próximo mês de julho o prolongamento do trecho sul da ferrovia, até Estrela D’Oeste (SP). A nova etapa ainda está na fase de licitação e é uma promessa, mas a Valec, empresa pública responsável por gerir a obra, garante que o traçado estará pronto até 2012.

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José Francisco das Neves, presidente da Valec. Foto: Vitor Salgado

Os anúncios foram feitos nesta quarta-feira (19) pelo presidente da Valec, José Francisco das Neves, a uma plateia de 300 industriais paulistas, durante a abertura do 7° Seminário sobre Ferrovias promovido pela Federação e o Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp/Ciesp).

“Vi o setor ferroviário em extrema unção. Para um país que teve quase 40 mil quilômetros de ferrovias no passado, e hoje tem 28 mil, dos quais apenas 12 mil em operação, isso é uma vergonha. Vamos entregar 1.400 quilômetros de estrada de ferro até o final do governo Lula, incluindo os pátios, e isso é uma demonstração de que o setor começa a despertar”, disse Neves.

“No ritmo que estamos andando, teremos concluído os 9.700 quilômetros do programa todo até, no máximo, 2015”, assegurou o presidente da Valec.

Segundo o dirigente, cerca de 400 quilômetros de ferrovia foram terminados no governo Lula, no trecho Aguiarnópolis-Guaraí (TO). Outros 978,5 quilômetros, de Guaraí a Anápolis (GO) estão em obras. Somente 215 quilômetros da Norte-Sul, construídos em governos anteriores, estão em operação comercial.

Ramais ferroviários

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Julio Diaz, diretor de infraestrutura do Ciesp. Foto: Vitor Salgado

A indústria, no entanto, revela preocupação com a capacidade do traçado principal da Norte-Sul em atender os diversos ramais ferroviários e conseguir chegar até a mercadoria, para escoamento e distribuição dos produtos.

“A artéria principal da ferrovia é uma realidade, mas a sua eficácia depende das ramificações e dos terminais de carga. A infraestrutura brasileira certamente não suportará um crescimento superior a 6% ao ano, por três anos seguidos”, apontou Julio Diaz, diretor de infraestrutura do Ciesp.

As derivações da malha principal também preocupam o presidente da Valec. Segundo ele, é importante que as outras obras estruturais comecem a ganhar a mesma velocidade da ferrovia, para que o sistema suporte o fluxo de carga. A capacidade de transporte subiu de 321 milhões de toneladas/ano, em 2002, para 460 milhões em 2008.

“Em relação às ramificações, não há mais o que discutir em termos de viabilidade. É correr e fazer, porque já passamos da hora”, disse José Francisco das Neves.

Na avaliação de Marcelo Spinelli, presidente do Conselho da Associação Nacional dos Transportadores Ferroviários (ANTF), o grande desafio de curto prazo é criar uma pauta concreta de desenvolvimento e reduzir os custos da ferrovia.

“Foram investidos R$ 22 bilhões pelo setor privado em dez anos, o que possibilitou um aumento de carga de 56%, em uma rede que estava abandonada antes da privatização. Agora o nosso desafio é retomar a euforia e atingir as 500 milhões de toneladas, sem esquecer de trabalhar uma agenda regulatória para melhorar a competição do modal”, frisou.

Participação privada

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Pedro Moreira, diretor-titular adjunto do Departamento de Infraestrutura-Logística da Fiesp. Foto: Vitor Salgado

A Fiesp e o Ciesp defendem um novo modelo de concessão, que crie maior competição entre as ferrovias. A concessionária seria encarregada de manter a via e oferecer capacidade de transporte a um ou mais operadores independentes, que entrariam com os seus trens e pagariam pela utilização.

“Já há uma maturidade do setor ferroviário, que permite aperfeiçoar o marco regulatório e até mesmo a forma de concessão. Isso precisa estar na pauta”, argumentou Pedro Moreira, diretor-titular adjunto do Departamento de Infraestrutura-Logística da Fiesp.

É o que o governo federal pretende colocar em prática nos próximos dois meses. O presidente da Valec anunciou um novo modelo para concessão, baseado em experiência espanhola, que irá, segundo ele, democratizar a malha ferroviária brasileira. A empresa pública, que dispõe da malha, vai vender a capacidade de transporte de carga à iniciativa privada.

“Deveremos ter vários fluxos de cargas que serão transportadas de acordo com os interesses das empresas e seus negócios. Por exemplo, no caso da Bahia Mineração, a empresa irá comprar 20 milhões de toneladas para passar na ferrovia. A Valec vai poder fazer a venda do direito de passagem, que hoje não tem. Será uma grande vitória para o marco regulatório”, considerou.

O modelo, segundo Neves, está em fase de montagem e deverá ser implantado até julho. Ele só será aplicado na área de concessão da Valec, ou seja, para a ampliação da malha, e não para as concessões já realizadas.

“O arcabouço legal ainda está sendo definido, mas o entendimento de alguns juristas é de que os contratos possam ser feitos havendo comprovação dos interesses privados, sem licitação”, adiantou. Já a operação da ferrovia será feita pela Valec e a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), e a manutenção será terceirizada.

Com as extensões previstas, a Ferrovia Norte-Sul terá quase 3.000 quilômetros de trilhos de Belém, no Pará, até o município de Panorama, em São Paulo. Outras ligações que podem virar realidade dentro de quatro anos são as ferrovias de integração Oeste-Leste, da Bahia ao Tocantins – um corredor de transporte que oferecerá nova alternativa logística aos portos do Nordeste, e a ferrovia de integração Centro-Oeste, promessa também para o escoamento do setor agropecuário. Cada uma das obras está orçada em torno de R$ 6 bilhões.