Trens em Santos e Ferroanel são discutidos em workshop na Fiesp

Anne Fadul, Agência Indusnet Fiesp

O Ferroanel de São Paulo foi tema destacado no Workshop Logística e Transporte – Desenvolvimento do Modal Ferroviário, promovido nesta quarta-feira (22/7) pelo Departamento de Infraestrutura (Deinfra) da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).

Gustavo Bambini, da MRS Logística, pediu celeridade no projeto básico e no projeto executivo do Ferroanel “para saber o tamanho da encrenca”. Ele falou também sobre o potencial de crescimento do uso de ferrovias no porto de Santos.

Nos contêineres, por exemplo, a ferrovia participa com somente 2% da movimentação (553.543 toneladas úteis, em relação ao total de 28,5 milhões de toneladas úteis). Ele lembrou que o aumento do emprego da ferrovia teria reflexos muito positivos sobre o trânsito rodoviário.

Vicente Abate, diretor do Departamento de Infraestrutura da Fiesp (Deinfra) reforçou a necessidade de construir o Ferroanel. Ele lembrou que o projeto estava incluído nos planos federais de infraestrutura PAC e PIL 1, mas ficou fora do PIL 2. “Parece que falta um pai para o Ferroanel”, disse.

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Também presente no evento, Rafael Langoni, gerente de projetos e relações corporativas da Porto Santos – Rumo ALL, falou sobre oportunidades de crescimento no sistema ferroviário da Baixada Santista. “O porto é um problema que precisa ser enfrentado de maneira prioritária, só assim teremos capacidade de produtividade e ter competitividade”, disse.

Segundo Langoni, a movimentação ferroviária do porto de Santos tem previsão de crescimento acelerado, que demandará investimentos significativos para aumento da capacidade e produtividade dos ativos ferroviários. “Em projetos estruturantes temos uma estimativa na ordem de R$ 623 milhões até 2019, que englobam a conclusão da duplicação entre Paratinga e Perequê, duplicação do acesso à margem esquerda, retropátios de apoio em ambas as margens, eliminação dos conflitos rodoferroviários e sistemas ferroviários para descarga de alta produtividade”, afirmou.

Já para melhoria de via permanente, o gerente estima um investimento de R$ 301 milhões até 2021 para substituição de perfil TR (maior capacidade de suporte), substituição e melhoria da taxa de dormentação e recuperação dos sistemas de drenagem (canaletas, bueiros).

Langoni também informou que há iniciativas de planejamento e operação integrados. “Foi formado um grupo chamado Plano Diretor Baixada Santista, formado pela Rumo ALL, VLI e MRS Logística, que tem como objetivo garantir a capacidade da malha compatível com volumes atuais e previstos, produtividade de ativos e de quadro funcional, eficiência de processos, alinhamento de iniciativas e segurança operacional por meio de alocação eficiente de investimentos e visão integrada e colaborativa entre as três concessionárias que acessam a Baixada.

O grupo envolve atuação integrada de três frentes de trabalho (capacidade, normatização e processo), com agendas de desenvolvimento paralelas e participação multidisciplinar dos quadros funcionais das três empresas nas esferas. “Com a Integração das três concessionárias na Baixada, teremos ganho de produtividade”, completou.

Workshop na Fiesp sobre Logística e Transporte - Desenvolvimento do Modal Ferroviário. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

 

Investimentos

Marcelo Perrupato, engenheiro na Magna Projetos e também palestrante no evento, afirmou que o Brasil tem custos logísticos equivalentes a quase 20% do PIB (com projeção do PIB de R$ 9,4 trilhões em 2020; R$ 18,6 trilhões em 2030 e R$ 34,9 tri em 2040), enquanto países europeus e da América do Norte estão na faixa de 10% a 12%. E dentro dos custos logísticos os transportes respondem por cerca de 30%. No caso brasileiro isto significa que os gastos com transportes são de cerca de R$ 250 bilhões/ano.

Participaram também do encontro Jean Carlos Pejo, representante da Alaf Brasil, e Luis Felipe Valerim Pinheiro, sócio da VPBG Advogados.

Diretor da Fiesp defende projetos integrados para incrementar setor da construção

Agência Indusnet Fiesp

Em junho, o jornal Valor Econômico publicou uma edição da revista Valor Setorial voltada para o tema da infraestrutura. Uma das reportagens traz propostas para melhorar a produtividade, com enfoque em soluções tecnológicas e em planejamento.

É nesse contexto que a revista entrevista o diretor titular do Departamento da Indústria da Construção (Deconcic) da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Carlos Eduardo Pedrosa Auricchio.

Ele defende melhorias na contratação pública por meio de um banco de projetos integrados. Como exemplo, cita o Rodoanel, que deveria ter sido concebido num contexto de intermodalidade.

“Não tem cabimento na construção do Rodoanel perder a oportunidade de se construir o Ferroanel”, observou.

Leia a íntegra da reportagem no site da revista Valor Setorial, entre as páginas 80 e 82.