Comunicação como ferramenta de sucesso para as empresas é tema de painel no 11º MPI

Amanda Viana, Agência Indusnet Fiesp

Potencializar a comunicação e utilizá-la como ferramenta de negócios para obter sucesso para as empresas, principalmente neste novo cenário digital, mostrando o impacto da comunicação interna e externa nas empresas, foi tema do último painel do 11º Congresso da Micro e Pequena Indústria (MPI). Carlos Bittencourt, diretor do Departamento da Micro, Pequena e Média Indústria (Dempi) da Fiesp, acredita que o painel concluiu bem todas as apresentações do Congresso: “Foram apresentadas tantas competências necessárias para empreender e, por último, esse painel de comunicação conclui de forma grandiosa todo o raciocínio que tivemos hoje.”

Sobre gestão da comunicação, Paulo Cunha, professor da ESPM, disse que é preciso avaliar o papel que a comunicação tem na empresa, já que muitas vezes não há uma definição clara sobre isso. “É importante definir a finalidade para a comunicação e como pode ser um instrumento para atingir metas e objetivos estabelecidos.” Cunha explicou que quando falamos em comunicação estamos falando também de influenciadores, públicos de interesse e não apenas no consumidor final. “A comunicação precisa ter um alinhamento com os objetivos da empresas.”

O palestrante desmitificou alguns paradigmas, como: não ter estrutura de marketing por ser uma empresa pequena. “Estar no mercado implica em fazer marketing. Todas as empresas têm marketing, pode não existir um departamento, mas o marketing em si, existe”. Sobre não ter verba para a comunicação, Cunha analisou que caro ou barato são definições relativas, estando relacionadas à definição de papel e de estratégias de comunicação. Além disso, deve-se pensar em contingenciamento para os próximos passos da empresa e parcerias estratégicas.

Pedro Luiz Dias, fez uma análise sobre a comunicação interna, sua área de especialiação. Para ilustrar sua apresentação, Dias analisou o caso de uma “empresa” um pouco inusitada. “A Igreja Católica tem como missão comunicar. Vamos analisar a Igreja como entidade, como gestão”. De acordo com ele, o líder dessa entidade seria o papa Francisco, que é um bom comunicador. O maior problema que a Igreja enfrenta não é a mensagem, já que é a mesma há mais de 2.000 anos, mas como essa mensagem é transmitida. “O clero precisa aprender a lidar com esse novo fenômeno que são as mídias sociais. A mensagem continua a ser uma só, mas a linguagem precisa ser diferente”, disse.

“A liderança da entidade entendeu que também precisava estruturar a comunicação interna, adotando estratégias: encorajamento, engajamento, mais entusiasmo, paixão, determinação. A mensagem é que todos somos cristãos”, explicou Dias. O palestrante definiu a comunicação interna como a decisão de estado da sua empresa, e que é necessário mais diálogo entre as lideranças e forças internas e externas das suas empresas, por isso é preciso preparar os líderes. Dias explicou ainda que existem três pilares fundamentais para essa comunicação interna: mensagem estratégica, mensagem tática, mensagem operacional.

Sandra Salgado, mestre em Comunicação Mercadológica, apresentou brevemente como as empresas têm utilizado as redes sociais, em um mercado cada vez mais competitivo. “As redes sociais têm estruturas para estimular o colaborar com criatividade, com interatividade, conteúdo, engajamento do público nas redes. Isso é investimento em comunicação”, afirmou.

Consumidores cada vez mais conectados

A missão da Globo.com é informar, divertir e entreter o consumidor, sendo distribuidores e produtores de conteúdo, com diferentes formas de distribuição e de produção, informou o diretor do portal, Eduardo Becker. O conteúdo da Globo.com está disponível em qualquer plataforma e é separado por grupo de interesses: G1, com as notícias; Gshow, com entretenimento; e Globo Esporte, com esportes. Becker explicou que hoje vivemos uma fragmentação da comunicação. “Antigamente eu me informava no momento que eu acordava e no momento que ia dormir, apenas. A internet conectou e permitiu acesso à informação o dia inteiro, e isso traz muitos desafios. É preciso produzir conteúdo de uma forma diferente para o consumidor.” Becker enfatizou que o brasileiro é muito conectado e adota facilmente as redes sociais. Além disso, Becker citou a importância da questão mobile, um mercado que está crescendo cada vez mais.

Gustavo Loureiro, especialista em marketing digital, dividiu com o público a trajetória da empresa em que trabalha, uma gráfica online, e apresentou algumas ferramentas de comunicação que impulsionaram o crescimento da empresa, que já estava no mercado havia 50 anos, mas que agora estava se modernizando. Para conseguir credibilidade, Loureiro explicou que distribuíram kits de amostras com os produtos, afirmando a qualidade do serviço, e junto a isso trabalharam com estratégia de marketing digital.

Entre as ferramentas utilizadas, Loureiro citou a InBound Marketing, que consegue ajudar pequenos e médios empresários. Outra ação que fizeram para o crescimento da empresa foi a otimização do site nos mecanismos de pesquisa. “Em relação ao ano passado, nosso tráfego aumentou em 250%, crescemos a base em 30% em relação, tráfego por busca orgânica cresceu 376%, tráfego por social media cresceu 2.128%, e tivemos um faturamento 550% maior em relação ao ano anterior”, afirmou.

O palestrante evidenciou ainda a importância do mobile, e disse que o próximo passo da empresa é ter um site responsivo, o que significa que poderá ser acessado pelo computador, celular, tablet etc. “O investimento em marketing digital é necessário, e hoje existem metodologias extremamente inovadoras e acessíveis”.

Para Dan Travelstead, do Google, o mundo digital é completamente conectado, e o Google tenta trazer para as empresas todos os aplicativos do mercado de forma organizada. As ferramentas são mobile, são independentes de um local. “Temos melhor tecnologia em casa do que no trabalho, e antigamente não era assim. Hoje em dia não trabalhamos em um lugar fixo”, disse Travelstead. Ele afirmou ainda que em 30 anos as ferramentas mudaram muito, quando houve uma transição para o digital, mas os processos são praticamente iguais. “Buscamos oferecer segurança e compliance para as empresas. A inovação não pode ser imposta. Entretanto, você pode criar um ambiente onde ela se desenvolverá organicamente”, finalizou.

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O painel que debateu a importância da gestão da comunicação nas empresas: estratégia. Foto: Everton Amaro/Fiesp