Vanessa Prieto, a Morgana de ‘Lampião e Lancelote’, fala sobre peça em cartaz no Centro Cultural Fiesp

Marilia Carrera, Agência Indusnet Fiesp

Lampião e Lancelote, espetáculo em cartaz até dia 30 de junho no Teatro do Sesi-SP, no Centro Cultural Fiesp, traz ao palco o encontro de duas grandes personagens: Sir Lancelote, um dos cavaleiros da Távola Redonda, e Lampião, ícone do cangaço brasileiro.

Na história baseada na obra homônima de Fernando Vilela, Lancelote (interpretado por Leonardo Miggiorin) é vítima de um feitiço lançado pela lendária bruxa Morgana e vai parar em meio às selvas nordestinas, onde encontra Lampião (Daniel Infantini).

Lancelote (Leonardo Miggiorin) e a bruxa Morgana (Vanessa Prieto) no palco do Sesi. Foto: João Caldas/DIVULGAÇÃO

 

Assustados no começo, os dois guerreiros se enfrentam. Mas logo percebem que seus universos guardam muito mais semelhanças do que eles imaginam.

Para a atriz Vanessa Prieto, que interpreta a bruxa Morgana, a aproximação destes dois mundos é um universo ilimitado, que proporciona uma infinidade de histórias e aprendizados.

O que mais chama atenção na trama do musical, segundo Vanessa Prieto, é o fato de Lampião e Lancelote serem guerreiros e terem coragem de lutar pelo que acreditam. No entanto, a atriz pondera que, apesar das semelhanças e heranças culturais, os universos ainda são diferentes.

“Aprendi com Vilela que essa relação foi muito explorada por Ariano Suassuna, que nossa cultura nordestina, música e literatura, é herança da cultura medieval, claro que com diferenças e recriações”, destaca a atriz.

Bastidores

Visível nos figurinos e maquiagens, a preparação e a incorporação das personagens da peça envolveram um intenso processo de pesquisa. Foi o caso de Vanessa Prieto. Para compor sua personagem, revela a atriz, foi necessário um estudo detalhado sobre o surgimento da feitiçaria, seus dogmas e credos, além da análise de filmes e séries de TV que apresentavam o Rei Arthur e o reino de Avalon.

“Vi que em cada história Morgana aparecia de forma distinta, ora vilã, ora mocinha, quase vítima. Isso me deixou mais livre para escolher como seria minha Morgana. O Bráulio Tavares, autor da peça, disse num ensaio que esses personagens estão no imaginário das pessoas, que poderíamos fazer o que quiséssemos com eles”, explica a atriz.

Imagens e ritmos

Com um cenário rico e envolvente, construído a partir de ilustrações do próprio Fernando Vilela, a peça é repleta de aventuras e descobertas. As melodias, escritas por Zeca Baleiro, e os versos, rimados a moda de cordéis, também ajudam o público a embarcar nesta viagem de volta ao imaginário medieval e sertanejo.

O espetáculo, fica em cartaz até 30 de junho, no Teatro do Sesi-SP, contou com a adaptação de Bráulio Tavares e direção de Debora Dubois.

O elenco inclui Luciana Carnieli (Maria Bonita) e Cássio Scapin (narrador).

Fique por dentro da programação cultural do Sesi-SP:

 

Acesse o site do SESI-SP Cultura e veja a programação de espetáculos de música, teatro, exposições e filmes.

Para acompanhar a programação direto do seu smartphone ou tablet, clique aqui.

Elenco do espetáculo ‘Lampião e Lancelote’ fala da emoção de compor esse musical brasileiro

Dulce Moraes, Agência Indusnet Fiesp

Em meio à agitação dos últimos preparativos para a estreia do espetáculo “Lampião e Lancelote”, a diretora teatral Debora Dubois e o escritor Fernando Vilela, falaram nesta quinta-feira (07/03) sobre a emoção de participar dessa montagem que reúne dois universos distintos e seculares: o árido sertão nordestino e a medieval Avalon dos tempos do Rei Arthur.

O ator Cassio Scapin (em primeiro plano) é o narrador que faz o fio condutor da história

O espetáculo traz em seu elenco atores bem conhecidos do público – como Cássio Scapin (que fez o Nino, do “Castelo Rá-Tim-Bum” na TV Cultura) e Leonardo Miggiorin (que fez  Zezinho, no seriado “Presença de Anita”, e atualmente é o Leandro do seriado “Malhação”, da rede Globo) –  e atores mais experientes no circuito teatral como Daniel Infantini, Luciana Carniceli, Ale Pessoa e Vanessa Prieto.

A direção musical de Zeca Baleiro é considerada por todo o elenco como um ponto alto do espetáculo.

Leonardo Miggiorin, encenando Lancelote, o primeiro guerreiro de sua carreira. Foto: Julia Moraes/FIESP

“O Zeca conseguiu acompanhar a proposta do (Fernando) Vilela de trazer a Trova Medieval e o Cordel. Ele buscou a sonoridade dos personagens, do Lancelote e do Lampião, esses dois guerreiros que, na realidade, são dois arquétipos que no final se fundem. É muito legal essa completa fusão de imagens, de personagens e da música”, disse Leonardo Miggiorin, o Lancelote na peça.

Miggiorin confessa que está realizando dois sonhos: encenar nos palco do Sesi-SP e trabalhar com o Zeca Baleiro, de quem é fã. “O Zeca Baleiro é um artista que eu gosto muito. Ouço as músicas dele no meu carro, é um grande prazer”, diz.

Um musical brasileiro

A musicalidade foi um grande atrativo para o experiente Cássio Scapin participar do projeto. “Achei muito interessante essa ideia de um musical genuinamente brasileiro. E acho importante pois aqui no Brasil temos um gap quanto a isso”.

Scapin faz o narrador do espetáculo, uma figura que na obra original não existe, mas que na versão para o teatro funciona como um grande catalizador da história.

Lampião (Daniel Infantini) e Maria Bonita (Luciana Carnieli)

A atriz Luciana Carnieli também elogia a direção musical de Zeca Baleiro e o fato de se tentar  fazer um musical com um jeito brasileiro. “É maravilhoso que um compositor brasileiro esteja fazendo música para teatro. E o Zeca é um cantor e compositor muito famoso”.

Luciana comemora a possibilidade de interpretar a musa de Lampião,  Maria Bonita. “Fazer essa mulher emblemática de nossa história, mesmo que na peça ela não esteja tão realista, é maravilhoso”.

Outra forte personagem feminina, a Morgana da lenda do Rei Arthur, será interpretada por Vanessa Prieto, que compartilhou, com Debora Dubois e Zeca Baleiro, há dois anos, a descoberta do livro “Lampião e Lancelote”, de Fernando  Vilela.

Do livro para os palcos

Para Fernando Vilela, autor do livro “Lampião e Lancelote”, a montagem que estreará no Sesi-SP não é apenas uma transposição do papel para o palco. Ele a define como “transcriação”. “Foi trazido não só texto, mas também a estética do livro para os palcos, graças ao trabalho de cenografia e figurino que conseguiu trazer todo o universo cultural da Idade Média e do sertão brasileiro”.

Bráulio Tavares que fez a adaptação do livro para o teatro fez um bem sucedido trabalho de trazer o cordel para a oralidade. Nos palcos se trava um verdadeiro duelo de linguagens, entre um Lancelote trovador e o Lampião repentista.

Mas para Vilela esses dois mundos não são tão distintos assim. Ele explica que a cultura do cordel, do movimento Armorial de Ariano Suassuna, tem inspirações no cordel medieval na Península Ibérica, onde já eram feitos em folhetins.

Enfim, um embate lúdico de linguagens, do prata com o bronze, da trova com o repente, do Sertão com Avalon, dos dois guerreiros mitológicos: Lampião e Lancelote.

É como remata Debora Dubois: “É um musical. Mas é também poesia”.