‘Homem que é homem cuida de si’, diz oncologista em palestra para colaboradores da Fiesp e do Sesi-SP

Isabela Barros, Agência Indusnet Fiesp

“Homem que é homem cuida de si, não acha que o toque retal vai afetar a sua masculinidade”. Foi com esse alerta que o oncologista Fernando Maluf, chefe do Centro Avançado de Oncologia Clínica do Hospital São José, de São Paulo, abriu a sua palestra sobre o câncer de próstata para os colaboradores da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) e do Serviço Social da Indústria de São Paulo (Sesi-SP), na manhã desta terça-feira (26/11), no Teatro do Sesi-SP, na Avenida Paulista.

O evento fez parte das atividades da campanha Novembro Azul, de prevenção à doença. Com direito à plateia lotada. “O cuidado com a saúde deve ir além do mês de novembro e durar os 12 meses do ano”, afirmou Maluf. “O Brasil é um país marcado pelo preconceito em relação à prevenção do câncer de próstata”, disse. “É na hora da doença, no hospital, que o paciente reflete por que não foi homem consigo mesmo e com a sua família, por que não se fez o exame preventivo”.

Dessa forma, o médico lembrou que 50% dos homens brasileiros nunca procuraram um urologista. “Para cada homem que procura assistência médica sem sintomas, oito mulheres fazem a mesma coisa”, afirmou. “É por isso que os homens vivem, em média, sete anos menos que as mulheres no país”.

Maluf explicou aos participantes que a próstata é um órgão do tamanho de uma noz localizado na região da pelve. Sua função no corpo? Produzir uma parte do sêmen, o líquido que contém os espermatozoides e é liberado no ato sexual.

Maluf, à esquerda, e Skaf: campanha em nome da prevenção que salva vidas. Foto: Ayrton Vignola/Fiesp

Maluf, à esquerda, e Skaf: campanha em nome da prevenção que salva vidas. Foto: Ayrton Vignola/Fiesp


De acordo com o oncologista, surgem, todos os anos, 1 milhão de casos novos de câncer de próstata em todo o mundo. A cada seis homens, um tem chances de desenvolver a enfermidade, proporção que aumenta de um a cada três entre aqueles com parentes próximos que tiveram a doença, os de raça negra (que têm os tumores mais agressivos) e os obesos.

A boa notícia é que as chances de cura são grandes. “Entre 80% e 95% dos casos o câncer de próstata é curável”, explicou o médico. “Mas tudo fica mais difícil quando os sintomas levam o médico ao paciente, por isso a prevenção é tão importante”.

Prevenir é preciso

Por falar em prevenção, o oncologista lembrou que, para pacientes sem parentes próximos com a doença, não obesos e não negros, é preciso realizar exames anuais a partir dos 50 anos. Para os que têm mais chance de desenvolver a doença, os exames devem ser feitos a partir dos 40 anos.

Que exames são esses? O PSA, um exame de sangue que mede os níveis da enzima de mesmo nome produzida pelas células da próstata e o toque retal. Mas o médico avisou: “Há tumores que não se expressam bem pelo PSA”.

Segundo Maluf, o câncer de próstata tem como característica a grande variedade dos tumores. “A sua doença não é igual a do seu amigo”, afirmou. “Há pacientes com tumores que não se desenvolvem há 30 anos e outros morrem com um ano de tratamento, por isso é preciso avaliar bem cada caso”.

O tratamento da doença é feito basicamente por cirurgia, radioterapia ou observação continuada. “A nossa vontade é curar todos os pacientes, de preferência com tratamentos simples, baratos e com poucos efeitos colaterais”, disse Maluf.

Ao final da palestra,  o presidente da Fiesp e do Sesi-SP, Paulo Skaf, subiu ao palco para agradecer pela apresentação do médico, a quem pediu aplausos. “O câncer de próstata, assim como o de mama, é de grande risco, mas, diagnosticado a tempo, pode salvar vidas”, afirmou.

Vicioni Gonçalves: fim dos “preconceitos arraigados” em nome da qualidade de vida. Foto: Ayrton Vignola/Fiesp

Vicioni Gonçalves: fim dos “preconceitos arraigados” em nome da felicidade. Foto: Ayrton Vignola/Fiesp

Também presente ao evento, o superintendente do Sesi-SP e diretor regional do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial de São Paulo (Senai-SP), Walter Vicioni Gonçalves, é preciso substituir os “preconceitos arraigados” por uma “atitude preventiva em benefício da vida com qualidade”. “Vamos ser todos nós felizes”.