Dados que serão apresentados no Construbusiness 2014 são avaliados

Dulce Moraes, Agência Indusnet Fiesp

O Departamento da Indústria da Construção (Deconcic) realizou, na manhã desta sexta-feira (17/10), mais uma reunião do Programa Compete Brasil.

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Reunião do Programa Compete Brasil reúne representantes da cadeia produtiva da construção na Fiesp. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

De acordo com o diretor titular ajunto do Deconcic e coordenador do Programa Compete Brasil, Mario William Esper, o objetivo do encontro foi conhecer e avaliar os principais dados que irão compor o caderno técnico que será apresentado na 11ª edição do Congresso Brasileiro da Construção – Construbusiness 2014, a ser realizado em 4 de dezembro na Fiesp.

Esper destacou a importante colaboração dos representantes da cadeia produtiva na elaboração do conteúdo e citou os capítulos da publicação que dará um panorama da situação atual do setor, do cenário macroeconômico, além de avaliar temas essenciais como desenvolvimento urbano, com o foco nas necessidades, e os investimentos nas áreas de habitação, saneamento e mobilidade urbana.

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Fernando Garcia: "E como os custos continuam crescendo o PIB da construção vai cair”. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

O economista Fernando Garcia, da Ex-Ante (consultoria econômica que está compilando o caderno técnico), ressaltou que o objetivo da publicação é apresentar os dados mais atuais do setor. “Os dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) trazem informações da cadeia produtiva da construção até 2013. Como o caderno será lançado no final de 2014 e  já temos dados até agosto e setembro de 2014, decidimos fazer uma projeção desses dois meses, e fazer uma apresentação consolidada e preliminar do ano de 2014”, explicou.

De acordo com Garcia,  entre os anos de 2007 a 2012, percebeu-se uma trajetória de crescimento dos investimentos feitos pelas construtoras, saltando de R$ 133 bilhões para R$ 336 bilhões.  “Esse crescimento nominal mostra toda aquela fase de ‘crescimento chinês’ vivida pelo setor, por conta das obras Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), do Minha Casa Minha Vida e toda recuperação de crédito imobiliário que fez o mercado crescer de forma muito intensa nesses anos”, explicou.

Tendência de queda

Contudo, de 2012 a 2014  a tendência verificada foi de redução do ritmo de crescimento do volume das obras, avaliou o especialista: “Tivemos uma expansão ainda boa em 2013, quando se concentrou uma parte grande das obras da Copa do Mundo, mas já em 2014, quando foram acabando essas obras, se percebe que o faturamento e o volume das obras foi ficando abaixo da inflação e caindo em termos reais”.

Sobre o ano de 2014, a estatística preliminar, segundo Garcia, é que o mercado estagnou e apresentou uma ligeira tendência de queda. “Não estamos falando do PIB da Construção, mas de valor de obras e investimentos das construtoras. E como os custos continuam crescendo o PIB da construção vai cair”, afirmou.

Fernando Garcia também comentou os valores da produção nos segmentos de autoconstrução e reformas. “De 2007 a 2012, muito concentrado em 2010 e 2011, houve crescimento econômico e forte expansão do crédito e depois uma tendência de queda”, pontuou.

Para o economista o aumento da taxa Selic afetou bastante o segmento que depende praticamente do crédito de curto prazo. ““Essa evolução crescente da taxa Selic nos últimos dois anos, restringiu esse mercado e teve queda de faturamento nominal. Isso segurou as vendas no comércio varejista e a produção do material de construção”.

Um fator positivo verificado no  período percebeu-se foi o aumento da formalização da mão de obra no setor. “Os construtores passaram a assinar a carteira de uma proporção maior de funcionários. o que refletiu no aumento da atividade formal da cadeia da construção. A atividade informal caiu para 9%, e vale lembrar que na década de 1990 a proporção era meio a meio. De 52% caiu para 9%. E, de fato a informalidade perdeu o sentido”, destacou.

Brasil vai demandar 30 milhões de habitações nos próximos 12 anos, diz professor da FGV

Agência Indusnet Fiesp

O desenvolvimento social brasileiro, com aumento de consumo e geração de novas demandas, é resultado de um ciclo virtuoso positivo, segundo o professor da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Fernando Garcia.

A afirmação foi feita na última segunda-feira (30), durante exposição de um cenário de crescimento econômico e demográfico para o Brasil, na segunda reunião do Grupo de Trabalho de Habitação do Comitê Estratégico Técnico do Construbusiness, do Departamento da Indústria da Construção (Deconcic) da Fiesp. “Com o projetado crescimento do PIB em mais de 5% até 2022, o Brasil vai entrar para o mapa das oportunidades mundiais”, declarou Garcia.

Ele ressaltou que o setor vem batendo recordes de crescimento e de contratação de mão de obra, impulsionados, principalmente pela isenção do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) de alguns itens da cadeia produtiva da construção.

O professor da FGV acredita que a construção civil e o petróleo [pré-sal] serão os grandes atores do crescimento nos próximos 12 anos, se o preço do óleo mantiver sua tendência de aumento. Além disso, ele confia que a Copa do Mundo e as Olimpíadas trarão investimentos para o setor de serviços, comércio e indústria leve, colocando assim a indústria brasileira em posição de competitividade.

“A construção civil deverá crescer 6% ao ano acima do PIB”, Garcia preconizou lembrando, no entanto, que existem ameaças a esse cenário positivo. “Os preços da energia elétrica e do gás natural, por exemplo, podem comprometer as indústrias de cimento, vidro, plástico e metais não ferrosos, já que estes setores consomem muita energia em seu processo produtivo”, pontuou.

Garcia apontou como fator crítico, também, a mão de obra, que, conforme ele, está se tornando escassa na mesma proporção em que os salários aumentam. “Esses fatores podem provocar risco de desindustrialização ou desintegração em alguns setores”, alertou.

O coordenador do GT de Habitação, João Cláudio Robusti, informou que o Grupo vai traçar as metas para o setor de habitação, que integrarão a Agenda de Estado, com projeções até 2022. Elas serão encaminhadas aos poderes Executivo e Legislativo.