“Diálogo com Cartas” traz correspondências trocadas por 40 anos por gênios da música

Agência Indusnet Fiesp

O livro “Diálogo com Cartas”, da compositora e pianista Jocy de Oliveira, será lançado pela Sesi-SP Editora nesta quarta-feira (06/08), às 19h30, na Livraria Cultura do Shopping Iguatemi, em São Paulo.

O livro traz cartas inéditas de Igor Stravinsky, Robert Craft, John Cage, Luciano Berio, Karlheinz Stockhausen, Iannis Xenakis, Eleazar de Carvalho, Claudio Santoro, Lukas Foss, Robert Craft e Olivier Messiaen, trocadas ao longo de 40 anos com a compositora brasileira. A obra expõe ideias, vivências e realizações desses expoentes da música de concerto do século XX, entremeadas pelas observações da autora.

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Fernanda Montenegro prestigia amiga Jocy de Oliveira. Foto: Divulgação

 
A atriz Fernanda Montenegro, amiga de Jocy, compareceu ao lançamento do livro “Diálogo com Cartas” no Rio de Janeiro, realizado no dia 29 de julho.

Ao longo da vida, Jocy de Oliveira, 78 anos, construiu vasto currículo: pianista, recitalista, compositora, pioneira das artes multimídia no país, autora de oito óperas, de obras para orquestra, câmara e meios eletroacústicos. Tem prêmios concedidos por fundações como Guggenheim e Rockefeller.

Fernanda Montenegro e Daniel Filho relembram obras e histórias de Nelson Rodrigues

Alice Assunção, Agência Indusnet Fiesp

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Daniel Filho, Fernanda Montenegro e Ruy Castro debatem Nelson Rodrigues


Ele colocava as sensações que todo ser humano tem do pecado, do desvio moral. Ele não falava palavrão, mas levava os outros a pensarem. Só colocava o essencial no texto, era um autor difícil de interpretar. No final das contas era um trabalhador atrás do seu dinheiro.

Esse é apenas um trecho da descrição de Nelson Rodrigues (1912-1980) feita por seus amigos e colegas de trabalho Fernanda Montenegro e Daniel Filho. A atriz e o diretor estiveram no Teatro do Sesi-SP na noite de quarta-feira (15/08) para homenagear o autor em debate sobre sua vida e obra.

O debate “Nelson Na Televisão – O Maldito do Horário Nobre” faz parte do projeto Nelson Rodrigues 100 Anos Sesi-SP, e foi mediado pelo jornalista Ruy Castro, biógrafo do autor e curador do projeto.

“Essa geração de hoje está preparada para o Nelson. Essa geração é capaz de entender o Nelson, de respeitar e de botá-lo no lugar que ele merece porque ele era um autor extraordinário”, afirmou Fernanda Montenegro, que foi próxima de Nelson e também um dos principais intérpretes de sua obra.

Fernanda estrelou a controversa peça O Beijo no Asfalto em 1961, foi para o cinema com a obra A Falecida, no papel da protagonista Zulmira, em 1964 e também trabalhou nas novelas Pouco Amor Não é Amor e em Morta Sem Espelho, além de outras obras de Nelson Rodrigues.

“Ele tinha uma coisa extraordinária, ele só punha no diálogo o essencial”, relembrou a atriz ao falar sobre a peça O Beijo no Asfalto, que conta a história de Arandir, um homem que beijou outro homem no momento de sua morte, em um inusitado ato de caridade, e a repercussão dessa cena por meio de um jornalista sensacionalista e um delegado corrupto.

“Eu me lembro que no Beijo no Asfalto o Arandir chega depois de fugir de polícia. Ele está sendo chamado de homossexual no jornal. O cara criou uma situação trágica para a vida dele, estão querendo matá-lo, mas ele chega em casa e diz: ‘Água’. A mulher olha pra ele, pega um copo d’água, ele bebe e diz: ‘Água linda’. Eu nem sei fazer a cena, teria que estudar. É uma coisa incrível, ele não diz: ‘Estou cansado; nossa, foi difícil a vida lá fora’. Ele só diz: ‘água linda’. Entende? Para o intérprete, ele não pode estar se apoiando em nada que não seja essencial”, explicou a atriz.

Nelson proibido

O debate O maldito do Horário Nobre questionou a censura que Nelson Rodrigues sofreu na televisão. Apesar do sucesso de todas as três novelas que o dramaturgo escreveu para a então TV Rio, todas elas foram perseguidas pela censura.

“A gente lutava pra fazer Nelson, ele era um homem perseguido. Em A Morta Sem Espelho, na televisão, a censura disse o seguinte: ‘Nelson Rodrigues não pode às 20h’. Nós fomos para as 22h30”, contou Fernanda. “Hoje ninguém mais se espanta com coisa alguma, mas vocês não têm ideia da convulsão moral que era para a época, as pessoas deixavam o teatro.”

Daniel Filho, diretor de A Vida Como Ela É, minissérie homônima à coluna que Nelson Rodrigues escreveu durante 10 anos para o jornal Última Hora, afirmou que, acima de tudo, Nelson era um “trabalhador atrás do seu dinheirinho”.

“Ele não dizia palavrão, mas de uma forma intuitiva, às vezes subliminar, levava as pessoas a pensarem. O Nelson tinha essa qualidade. O que o Nelson colocava são sensações que todos os humanos têm do pecado, do desvio moral, essa coisa que fica na cabeça das pessoas e as pessoas têm medo de colocar pra fora”, disse Filho.

Vovô

Mario Vitor Rodrigues, neto de Nelson, também prestigiou o encontro de Fernanda Montenegro, Daniel Filho e Ruy Castro. Sobre a homenagem pelo centenário do maior dramaturgo brasileiro, ele afirmou que “o vovô merece tudo e mais um pouco”.

“O centenário do vovô é uma coisa enorme, realmente importantíssima e, para nós, tem um lado muito emotivo. E quando eu soube do eclipse lunar que iria acontecer com Ruy, Fernanda, Daniel juntos, pensei: ‘Tenho que ir’. Tem uma série de eventos homenageando o vovô e eu gostaria de estar em todos, mas é impossível.”

Fernanda Montenegro, Daniel Filho e Ruy Castro relembram Nelson Rodrigues

Agência Indusnet Fiesp

Imagem relacionada a matéria - Id: 1540221822Para relembrar as proezas do ‘adorável maldito do horário nobre’, estarão presentes no Teatro do Sesi São Paulo,  nesta quarta-feira (15/08), às 20h30, Fernanda Montenegro, Daniel Filho, ícones da televisão brasileira, e o biógrafo e jornalista Ruy Castro.

Com atuação marcante na televisão brasileira, Nelson Rodrigues era chamado escreveu telenovelas, apresentou mesas de debates futebolísticos, concedeu entrevistas memoráveis e teve vários programas sobre atualidades. Irreverente, em A Cabra Vadia, contracenava com uma cabra que pastava no campo.

Nelson escreveu três novelas para a poderosa TV Rio; todas fizeram sucesso, embora a censura não lhe desse trégua.

O debate ‘Nelson na Televisão – O maldito do horário nobre’ terá entrada gratuita e é parte da programação do projeto Nelson Rodrigues 100 anos – uma homenagem do Sesi-SP ao centenário de nascimento do dramaturgo.

O projeto inclui espetáculos, leituras dramáticas, exposições, debates e oficinas. Com curadoria de Ruy Castro, biógrafo de Nelson, e direção artística de Marco Antônio Braz, especialista na obra rodriguiana, tem como destaque a abrangência da programação, a participação de personalidades (inclusive de pessoas que conviveram com ele), a abordagem de aspectos menos conhecidos do dramaturgo – como jornalista, escritor, cronista esportivo e folhetinista – e o caráter pedagógico das ações com os mais de 400 alunos de iniciação teatral dos Núcleos de Artes Cênicas do Sesi-SP.

Serviço
Debate: “Nelson na Televisão – O maldito do horário nobre”
Data: 15 de agosto de 2012, às 20h30
Local: Teatro do Sesi São Paulo – Av. Paulista, 1313, São Paulo, SP

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