Personalidades do cinema nacional prestigiam cerimônia de entrega do Prêmio Fiesp/Sesi-SP

Ariett Gouveia, Agência Indusnet Fiesp

A entrega do IX Prêmio Fiesp/Sesi-SP de Cinema reuniu atores, diretores e personalidades do cinema brasileiro, nesta terça-feira (11/06), no Teatro do Sesi-SP.

Com o objetivo de incentivar a produção cinematográfica nacional, o evento premiou filmes brasileiros produzidos em 2012, como “Xingu”, “Eu receberia as piores notícias dos seus lindos lábios”, “Dois Coelhos”, “Área Q” e “Gonzaga, de pai para filho”.

Terceiro da esquerda para a direita, o ator Felipe Camargo destacou a importância da indústria do cinema. Foto: Julia Moraes

Terceiro da esquerda para a direita, Felipe Camargo destacou a indústria do cinema. Foto: Julia Moraes

Protagonista de “Xingu”, premiado como melhor filme, Felipe Camargo participou da premiação e foi convidado pelo diretor do filme, Cao Hamburger, para receber o troféu. “O cinema brasileiro está caminhando para se tornar uma indústria. Temos que nos espelhar no que os Estados Unidos fazem de bom. O mundo inteiro conhece a história dos Estados Unidos por meio do cinema e é na Califórnia que está o maior PIB [Produto Interno Bruto] americano. Também temos que pensar no cinema como indústria”, afirmou o ator.

Domingos Montagner: mais público para o cinema brasileiro. Foto: Julia Moraes/Fiesp

Domingos Montagner: prêmio ajuda a atrair público para o cinema brasileiro. Foto: Julia Moraes/Fiesp

Outro premiado da noite, o ator Domingos Montagner integrou o elenco de “A noite dos palhaços mudos”, eleito melhor curta-metragem. “É importantíssimo ter um prêmio que fomenta a criação que não está vinculada à competição do cinema comercial. É preciso incentivar novos criadores, novos autores e todos os profissionais envolvidos na produção de cinema”, declarou o ator. “Precisamos criar condições para que o cinema brasileiro encontre o público. Eventos como esse também colaboram com essa busca.”

Do elenco de “Dois Coelhos”, Caco Ciocler afirmou ser fundamental contar com iniciativas como o Prêmio Fiesp/Sesi-SP. “Qualquer iniciativa que promova, divulgue, reúna os amigos do cinema é sempre muito bem-vinda. A gente ainda é muito carente de tudo”, disse.

Caco Ciocler: Prêmio Fiesp/Sesi é iniciativa 'bem-vinda'. Foto: Julia Moraes/Fiesp

Caco Ciocler: Prêmio Fiesp/Sesi é uma iniciativa 'bem-vinda'. Foto: Julia Moraes/Fiesp

Para Marçal Aquino, autor de “Eu receberia as piores notícias dos seus lindos lábios” e roteirista do filme, foi ótima a experiência de ver seu livro transformado em longa-metragem. “Quando a gente escreve algo, não sabe até onde ele vai chegar. É motivo de felicidade ver um livro, que é tão especial para mim, chegar nesse prêmio, indicado em todas as categorias.”

O escritor lamentou a falta de público para filmes feitos no país. “O cinema nacional vive um momento estranho porque há produções maravilhosas, mas que não estão sendo vistas. Essa equação tem que ser vencida. O público brasileiro precisa descobrir o cinema brasileiro.”

O ator Murilo Rosa, que participou do filme “Área Q” e foi indicado na categoria melhor ator coadjuvante, também fez questão de prestigiar a cerimônia. “Estou muito feliz em estar aqui, participando do prêmio, que é muito importante para o cinema brasileiro”, comentou Murilo, que adiantou que seu novo filme, “Aplauso e solidão”, tem estreia prevista para em setembro.


‘Xingu’ e ‘Eu receberia…’ são os grandes vencedores do Prêmio Fiesp/Sesi-SP de Cinema

Ariett Gouveia, Isabela Barros e Juan Saavedra, Agência Indusnet Fiesp

Em uma noite de festa para o cinema brasileiro, foram divulgados nesta terça-feira (11/06), no Centro Cultural Fiesp, os nomes dos melhores filmes nas 13 categorias do IX Prêmio Fiesp/Sesi-SP de Cinema.

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Cao Hamburger: prêmios de melhor diretor e melhor filme por 'Xingu'. Foto: Julia Moraes/Fiesp


Os grandes vencedores foram os filmes “Xingu”, que recebeu prêmios em três categorias: longa-metragem de ficção, direção (Cao Hamburger) e trilha sonora, e “Eu receberia as piores notícias dos seus lindos lábios”, também com tripla premiação: atriz (Camila Pitanga), ator coadjuvante (Zé Carlos Machado) e fotografia (Lula Araújo).

Concorreram ao prêmio 126 produções nacionais – 83 longas e 43 curtas. A cerimônia de premiação, conduzida pelo apresentador, escritor e jornalista Cadão Volpato, foi marcada ainda pela gratidão e pelos elogios à iniciativa da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) e do Serviço Social da Indústria de São Paulo (Sesi-SP).

Em Paris, onde acompanha a defesa da candidatura de São Paulo como cidade sede da Expo 2020, o presidente da Fiesp e do Sesi-SP, Paulo Skaf, gravou um vídeo explicando por que as instituições ampliaram o alcance do evento – até a oitava edição,  restrito a produções estaduais. “O cinema nacional é do tamanho do Brasil”, afirmou. “Queremos facilitar o acesso do público aos filmes e ajudar a formar plateias”, disse. “Os meus parabéns aos premiados.”

O evento contou com a presença de personalidades do cinema e da televisão como os atores Caco Ciocler, Murilo Rosa, Felipe Camargo, Irandhir Santos e Silvia Buarque, além dos diretores Cao Hamburger e Beto Brant.

Muito emocionada por ter levado o prêmio de melhor atriz coadjuvante por seu trabalho em “Gonzaga, de pai para filho”, Silvia Buarque dedicou a conquista ao diretor do filme, Breno Silveira, ao marido, o ator Chico Diaz, e à mãe, a atriz Marieta Severo. “Estou super nervosa e super grata. Essa é a primeira que vez que eu ganho um prêmio”, afirmou.

Irandhir Santos: melhor ator por seu papel em 'Febre do Rato'. Foto: Julia Moraes

Irandhir Santos: melhor ator por seu papel em 'Febre do Rato'. Foto: Julia Moraes

Melhor ator por seu papel em “Febre do rato”, Irandhir Santos destacou Cláudio Assis e Hilton Lacerda, respectivamente diretor e roteirista do filme, em seu discurso de agradecimento. “Estou feliz da vida. Foi incrível fazer esse filme com o Cláudio”, disse.

O ganhador na categoria melhor diretor, Cao Hamburger comemorou ainda a escolha de “Xingu” como melhor filme. “Muito significativo e importante para o cinema brasileiro o prêmio ser dado pela Fiesp e pelo Sesi-SP nesta casa, porque, quem sabe, um dia a gente vire uma indústria de verdade. O reconhecimento da Fiesp e do Sesi-SP é muito importante. Ganhar o prêmio é o de menos. O importante é fazer parte dessa comunidade. Tenho só agradecimentos à cabeça aberta da Fiesp”, disse em meio a cumprimentos do também cineasta André Sturm, presidente em exercício do Sindicato da Indústria Audiovisual do Estado de São Paulo (Siaesp).

“Esses três irmãos, os Villas-Bôas, são personagens muito complexos, profundos e interessantes. E a vida deles, como diria o Darcy Ribeiro, foram vidas que a natureza vai demorar mais de um século, um milênio, para criar outras. Assim que eu tive o contato com vida deles, em me apaixonei e tive que fazer [o filme], mesmo com todas as dificuldades”, explicou Hamburger. “Foi um mergulho coletivo na vida dos irmãos Villas Boas e nesse universo dos índios brasileiros que é muito apaixonante”.

Além dos prêmios, a cerimônia teve uma homenagem ao sociólogo e fundador do Espaço Itaú de Cinema, Cinearte e Cinespaço, Adhemar Oliveira, um dos principais responsáveis por diversificar a exibição de filmes no eixo São Paulo-Rio de Janeiro. “Estou nessa estrada há 30 anos. Essa é a minha primeira homenagem”, disse Oliveira. “Dedico esse reconhecimento aos cineastas e artistas, aos trabalhadores do cinema e à minha mulher, Patrícia, que se arriscou comigo nesse caminho”, completou.

A programação contou ainda com show da banda Del Rey, destaque na cena cultural por seu repertório em homenagem a Erasmo e Roberto Carlos. Entre as canções tocadas para a plateia do Prêmio, clássicos como “Detalhes” e “Eu te darei o céu”, entre outros.

O IX Prêmio Fiesp/Sesi-SP de Cinema é uma iniciativa da Fiesp, do Sesi-SP e Siaesp.

O objetivo é incentivar a produção cinematográfica nacional, divulgar o cinema brasileiro, facilitar o acesso público às produções de filmes nacionais e formar novas plateias. O projeto tem curadoria de André Sturm.

Conheça a lista de profissionais e filmes premiados:

Filme longa-metragem ficção: ‘Xingu’

Filme longa-metragem documentário: ‘Tropicália’

Diretor: Cao Hamburger (‘Xingu’)

Ator: Irandhir Santos (‘Febre do rato’)

Atriz: Camila Pitanga (‘Eu receberia as piores notícias dos seus lindos lábios’)

Roteiro: Afonso Poyart (‘Dois Coelhos’)

Ator Coadjuvante: Zé Carlos Machado ‘(Eu receberia as piores notícias dos seus lindos lábios’)

Atriz Coadjuvante: Silvia Buarque (‘Gonzaga, de pai para filho’)

Direção de Arte: Daniel Flaksman (‘Corações sujos’)

Fotografia: Lula Araújo (‘Eu receberia as piores notícias dos seus lindos lábios’)

Trilha Sonora: Beto Villares (‘Xingu’)

Montagem: Helgi Thor e David Davidson (‘Área Q’)

Curta-metragem: ‘A Noite dos Palhaços Mudos’