Agora como trainees do Senai-SP, medalhistas do WorldSkills esperam vencer como instrutores em 2015, em São Paulo

Guilherme Abati, Agência Indusnet Fiesp

É tempo de mudança para os vencedores do WorldSkills 2013. Muitos dos quais agora circulam pelas unidades Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial de São Paulo (Senai-SP) como instrutores ou trainees.

É o caso do  medalhista de prata na categoria projeto assistido por computador (CAD), o ex-aluno do Senai-SP Paulo Inoue, de 20 anos. Ele  falou sobre os dias passados na Alemanha. Mais precisamente na cidade de Leipzig, onde o evento foi realizado entre os dias 2 e 7 de julho. “Foram quatro dias de competições. Um clima muito sério, no qual todos queriam vencer”, relembra.

Inoue: medalha de prata na Alemanha e salto na carreira. Foto: Arquivo Pessoal

Paulo Inoue: medalha de prata na Alemanha na categoria CAD e salto na carreira. Foto: Arquivo Pessoal


De volta ao Brasil, Inoue já tem uma nova missão. Como trainee contratado pelo Senai-SP, ele passa a ensinar novos alunos. “Já estamos trabalhando com corda total para o estadual de setembro, treinando os futuros medalhistas”, conta.

Para Inoue, a conquista da medalha de prata foi um passo importante em sua carreira. “É uma alavanca profissional. Em uma competição do nível de um WorldSkills, você adquire um conhecimento que demoraria anos para aprender na indústria”, diz.

A prata foi o resultado de oito horas de treinos, durante seis dias por semana, por mais de um ano. De acordo com o jovem, o ouro não veio por pouco. “O primeiro colocado ganhou por menos de um ponto na classificação final”, explica.

Aluno do Senai-SP de 2009 a 2011,  o medalhista lembra um momento especial da viagem à Alemanha, fora da rotina de competições. “Chegamos alguns dias antes para conhecer o país. Em um desses dias, fomos recebidos em uma escola alemã por alunos entre nove e dez anos”, diz. “Eles estavam muito felizes por nos receber, jogamos futebol com eles e alguns até choraram quando fomos embora”.

Superação pelo bronze

Felipe Benício, de 22 anos, aluno que iniciou sua trajetória no Senai-SP em 2009, conquistou a medalha de bronze na categoria refrigeração e ar condicionado. Foram três anos de total dedicação com esse objetivo. “Treinei desde 2010 para Leipzig, é uma competição de alto nível e de muita competitividade”, conta.

Benício: bronze e força de vontade para levar o ouro como instrutor em 2015. Foto: Divulgação

Felipe Benício: bronze em 2013 e força de vontade para levar o ouro como instrutor em 2015. Foto: Divulgação


Dono do bronze, Benício relata que enfrentou um grave problema físico durante a competição, que o impediu de alcançar sua meta de ser o melhor do WorldSkills em sua categoria. “A bancada na qual realizávamos as tarefas era mais baixa na Alemanha do que aquela em que nós treinávamos no Brasil”, explica.

De acordo com Benício, essa diferença de altura impediu que ele realizasse as provas de pé e prejudicou seu desempenho. “No primeiro dia precisei fazer a prova de joelhos. No segundo, curvado, já com o corpo bastante dolorido, perdi muito rendimento”. Com isso, Benício fez a prova em 16 horas, quando seu tempo normal é de 14 horas. Apesar dos problemas, Benicio comemorou muito o resultado. “Foi o auge da minha vida profissional”.

Admitido no Senai-SP desde de março como assistente técnico trainee, Benício inicia uma nova etapa em sua carreira profissional depois do feito na Alemanha. “A partir de agora passo para o outro lado. Trabalharei ensinando novos talentos, dando meu melhor”, diz.

Nessa linha, Benício já se imagina na próxima edição do WorldSkills, a ser realizada em 2015, em São Paulo. “Minha meta ainda é a medalha de ouro. Espero conquistá-la como instrutor”.