Estudantes do Sesi-SP de Mauá representarão o Brasil em feira de ciências nos EUA

Rosangela Gallardo, Agência Indusnet Fiesp

Determinação e comprometimento do grupo, aliados a uma solução inovadora, foram os ingredientes indispensáveis para que Gustavo Souza Bastos, Felipe Rodrigues Galhardo e Alex Vieira Alencar, formandos do terceiro ano do ensino médio da escola do Serviço Social da Indústria de São Paulo (Sesi-SP) de Mauá, fossem finalistas na 66ª International Science and Engineering Fair (Intel ISEF), que será realizada de 9 a 15 de maio em Pittsburgh, Pensilvânia, nos Estados Unidos.

O convite para apresentar internacionalmente o projeto Revestimento Polimérico para a redução da poluição de lavagem de lastro no oceano, de nome complicado, mas com aplicação prática para reduzir a contaminação de óleo nos oceanos, foi resultado do surpreendente desempenho na Feira Brasileira de Ciências e Engenharia (Febrace 13), organizada pela Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (USP) no mês passado.  Além do convite para expor em Pittsburgh, eles também conquistaram o primeiro lugar na categoria Engenharia, uma das mais concorridas da Febrace, e um prêmio de reconhecimento da Marinha do Brasil.

Adriel Fernandes Sartori, professor da disciplina de física na unidade e orientador dos três garotos, conta que a aventura científica começou como um trabalho de classe ligado ao empreendedorismo. “Um dos alunos também cursava o técnico em química no Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial de São Paulo (Senai-SP) e teve a ideia de dar nova aplicação a um polímero.”

Na prática, o jovem teve a sacada de perceber que se esse tipo de plástico, por ter polaridade diferente do óleo, revestisse o lastro dos navios, a redução de resíduo impregnado no fundo dessas embarcações cairia em 90%, diminuindo drasticamente a contaminação por óleo nos oceanos. A conta para esse desastre ecológico é simples: em cada cem viagens executadas por um petroleiro, um navio inteiro acaba vazando e contribuindo para o desequilíbrio marinho.

“O mais genial de tudo isso é que a solução pode ser viável e rentável se for adotada pelo mercado”, acredita Sartori. Mas o mais importante, segundo ele, foi a iniciativa dos estudantes de transformar a realidade. “O que falta ao jovem é confiar em si mesmo. Os garotos têm ideias geniais que podem e devem ser levadas adiante.”

Chegar até a Febrace não foi tarefa fácil. Foram mais de 4 mil trabalhos inscritos em todo o país para a comissão da feira selecionar 332 projetos executados por 749 estudantes com a orientação de 440 professores orientadores e coorientadores. Desse total, apenas nove projetos representarão o Brasil nos Estados Unidos.