Benjamin Steinbruch comenta diferenças nas decisões dos Bancos Centrais do Brasil e dos EUA

Agência Indusnet Fiesp

Em “Assim será”, artigo publicado no jornal Folha de S. Paulo desta terça-feira (22/10), o vice-presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Benjamin Steinbruch, faz uma previsão: as taxas de juros no Brasil – que estavam em outubro do ano passado em 7,5% a.a e, a partir do último abril, chegaram a 9,5% a.a – devem chegar a dois dígitos até o fim deste ano. “Assim espera o mercado e assim deverá ser”, completa.

Steinbruch avalia que, com uma opção conservadora e ortodoxa, o Banco Central brasileiro está conduzindo o Brasil a um caminho desconfortável. “Aos poucos o país vai retomando a incômoda posição que ocupou durante muitos anos, de campeão mundial dos juros altos”, afirma.  Ele relembrou ainda que, com a taxa básica de 9,5% ao ano, o Brasil já tem o maior juro real (descontada a inflação prevista em 12 meses) do mundo, de 3,5%, à frente do Chile, com 3,2%, e da China, com 3%. “Em termos nominais, fica em terceiro lugar, atrás da Venezuela, com 15,5%, e da Argentina, com 12%”, diz.

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O vice-presidente da Fiesp faz um comparativo entre as decisões tomadas pelas autoridades econômicas norte-americanas e brasileiras. “Nos EUA, ao contrário do que ocorre no Brasil, o BC tem a dupla missão de garantir a estabilidade de preços e de promover o crescimento econômico e do emprego. Aqui, a prioridade da autoridade monetária diz respeito à inflação”.

Ele comenta ainda que, em qualquer país, é comum usar as políticas disponíveis em favor do crescimento e do emprego. Por outro lado, os mercados financeiros, apesar de gostarem de crescimento, adoram, antes de tudo, dinheiro caro, juros altos.

Leia o artigo na íntegra, no site do Jornal Folha de São Paulo.

Crise é tão intensa quanto a de 2008 e afeta mais a indústria, afirma Guido Mantega

Alice Assunção, Agência Indusnet Fiesp

Apesar de ter começado de forma mais lenta, a crise financeira que se propagou pela Europa apresenta um quadro tão grave quanto o colapso de 2008 e prejudica principalmente a indústria, avaliou nesta quarta-feira (04/07) o ministro da Fazenda, Guido Mantega, na sede da Fiesp.

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Ministro da Fazenda, Guido Mantega: 'Maior prejudicado com a crise internacional é indústria, não só do Brasil, mas também no mundo inteiro'

Ele participou da abertura do Seminário Econômico Fiesp e Lide – “Agenda Brasil, Proposta para o Avanço Acelerado do País”, que reuniu centenas de empresários para discutir eficiência no setor público, transformação de juros em infraestrutura local, inovação e sustentabilidade, entre outros assuntos.

“Essa crise parece menos intensa que a de 2008, mas não é. Ela tem um formato diferente. A crise de 2008 começou com um grande estresse, uma parada súbita do crédito e do comércio e por isso todo mundo ficou impactado. Agora ela começa mais lentamente e vai se agravando e produzindo os mesmos efeitos deletérios da crise daquele momento”, afirmou Mantega.

Segundo o ministro da Fazenda, o grande complicador, e que afasta a possibilidade de um fim da turbulência no curto prazo, é a lentidão com a qual o Banco Central Europeu conduz as medidas para sair da crise.

“A diferença é que em 2008 nós tínhamos o epicentro nos Estados Unidos e o Fed (banco central norte-americano) tinha agilidade e rapidez para enfrentar a crise. Coisa que o Banco Central Europeu não tem, porque são vários países que não se entendem, e aí a crise vai sendo empurrada com a barrigada”, comparou o ministro.

Indústria

Para Mantega, o maior prejudicado com a crise internacional é indústria, não só do Brasil, mas também no mundo inteiro. Ele comentou os resultados do PMI (Purchasing Managers’ Index) de manufatura – medido pelo Markit Economics em conjunto com o HSBC –, divulgados no início da semana.

Segundo o levantamento com gerentes de compras da produção indústria no mundo, o PMI da Zona Euro permaneceu em 45,1 na leitura de junho, enquanto o Brasil atingiu patamar de 48,5 no mês passado.  Conforme o indicador, pontuação abaixo de 50 indica retração do setor produtivo. De acordo com o Markit, ao menos 17% das empresas registraram queda de novos pedidos.

“Essa crise atinge mais a indústria, o setor mais afetado no mundo. Quando o PMI fica abaixo de 50%, significa que os gerentes de compra estão prevendo que a indústria vai desacelerar. E ela vai desacelerar não só nos países europeus, mas também na China e no Brasil. Este é o panorama da economia mundial”, concluiu Mantega.