Brasil deve estimular o investimento produtivo e reter a remuneração do ócio

Kacy Lin, Agência Indusnet Fiesp

Ações como desoneração de investimentos, câmbio competitivo e juros de mercado em níveis internacionais, somadas à política de desenvolvimento produtivo, é o que vai garantir a melhoria das metas de Formação Bruta de Capital Fixo.

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Mário Bernardini, diretor do Decomtec/Fiesp

Afirmação foi feita pelo diretor do Departamento de Competitividade e Tecnologia (Decomtec) da Fiesp, Mário Bernardini, em seminário de “Avaliação da Política de Desenvolvimento Produtivo do Governo Federal”, na sede da Fiesp, nesta quarta-feira (2).

“As metas de FBCF eram previstas para 21% em 2010; agora caíram para 19%. A crise passou, mas seus efeitos ainda vão demorar a passar. As empresas estão saindo endividadas desse processo”, pontuou.

Segundo Bernadini, o Brasil precisa recuperar o tempo perdido, pois a meta prevista já era modesta, porém a atual é insuficiente.

Em relação a créditos, o especialista disse que o País não incentiva o investimento na produção, já que entidades bancárias praticam valores mais atraentes.

“O nosso concorrente é o chinês, não há como negar. Mas o concorrente mais importante é o banco da esquina, que oferece pelo meu dinheiro mais resultado do que se eu investisse no meu próprio negócio”, opinou. E arrematou: “Enquanto a “remuneração do ócio for maior que o investimento produtivo, não conseguiremos praticar o PDP da melhor forma”.

Oportunidades

Já para o presidente da Associação Brasileira da Indústria Têxtil (ABIT), Fernando Pimentel, também palestrante no encontro, o ministro Miguel Jorge (do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior) fez uma colocação muito apropriada, ao afirmar que o grande patrimônio nos próximos três anos é o mercado interno.

“Nosso mercado interno está sendo oferecido de bandeja aos nossos concorrentes, que têm políticas de subsídio e câmbio totalmente diferentes das nossas, além de juros”, disse.

Ao analisar as oportunidades em infraestrutura, Pimentel ressaltou que os tecidos técnicos têm uma oportunidade fantástica com o PAC, as Olimpíadas de 2016, a Copa do Mundo de 2014, entre outros.

“Em relação ao programa Minha Casa, Minha Vida, estamos estudando um pacote para vestir toda a casa. Ou seja, além de móveis e eletrodomésticos, estamos elaborando um projeto que deverá incluir outros itens importantes para as famílias, como colchão, carpete, tapete, cortina […]”, explicou.