Workshop de Inovação Tecnológica: Finep, Desenvolve SP e FAPESP celebram Dia Nacional da Inovação na FIESP

Foi realizado no último dia 19 de outubro na FIESP o Workshop de Inovação Tecnológica na FIESP   A Finep, a Desenvolve SP e a FAPESP trouxeram suas equipes de especialistas à Fiesp que apresentaram as linhas de ação e programas a empresas paulistas interessadas em construir Planos Estratégicos de Inovação.

O objetivo do evento foi celebrar o Dia Nacional da Inovação na Fiesp com o setor industrial e fortalecer ainda mais o Sistema Paulista de Inovação além de impulsionar investimentos privados em Pesquisa & Desenvolvimento (P&D) neste momento em que a economia brasileira começa a dar sinais de retomada do crescimento. A Finep possui recursos de R$ 7 bilhões disponíveis para projetos privados na área.

Neste encontro foi apresentado o recém-lançado programa Finep Conecta vai além: o prazo de retorno do empréstimo chega a 16 anos. Ao todo, esta iniciativa vai disponibilizar R$ 500 milhões para projetos desenvolvidos em parceria entre empresas e Instituições de Pesquisa Científica e Tecnológica (ICTs). Ocorreu também a Assinatura do acordo de cooperação FINEP e FAPESP O presente Acordo destina-se a estabelecer a cooperação técnica entre os partícipes para promover a atuação conjunta destas instituições com vistas ao desenvolvimento tecnológico, científico e socioeconômico do Estado de São Paulo e do país

Além das linhas de financiamento correntes a FINEP ainda apresentou três novas ações, que serão detalhadas durante o evento: o Finep Startup (cuja primeira chamada vai destinar até R$ 50 milhões a 50 empresas em estágio inicial), o novo programa de telecomunicações (linha de financiamento exclusiva para aquisição de equipamentos de 100% nacionais) e o seguro garantia financeira (alternativa menos custosa para operações de crédito: até 60% inferior ao custo da fiança bancária).

Veja as apresentações Abaixo:

caf fiesp leonardo roriz

decomtec roriz

fapesp_19out2017_pacheco

finep – diretor ronaldo

finep – diretoria de inovacao 2

finep – diretoria inovacao 1

finep conecta – marcos cintra

 

No Dia Nacional da Inovação, Fiesp pede mais ação do governo em prol da tecnologia

Roseli Lopes, Agência Indusnet Fiesp

Em 2016, a Totvs labs, laboratório de pesquisa da maior empresa de software empresarial da América Latina, elegeu a robótica como uma das oito tecnologias que mudarão o mundo até 2020. Mas um estudo, também do ano passado, da Delloite apontou que para cada 10 mil trabalhadores da indústria o Brasil tem apenas 11 robôs. A China tem 36, na mesma base comparativa, a Coreia do Sul, 531, o Japão, 305, a Alemanha, 301 e os Estados Unidos, 176. Por trás dos números há uma mensagem negativa: essa densidade robótica revela a distância do Brasil em relação a países que estão na vanguarda da inovação industrial, afirmou José Ricardo Roriz Coelho, vice-presidente e diretor titular do Departamento de Competitividade e Tecnologia (Decomtec) da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) na abertura do workshop de Inovação Tecnológica realizado, nesta terça-feira (19 de outubro), na sede da Federação, celebrando o Dia Nacional da Inovação.

Vencer essa distância é, hoje, o principal desafio do Brasil para entrar definitivamente na indústria 4.0, ou quarta revolução industrial, disse Roriz. Para isso, no entanto, o país, ressalta o diretor da Fiesp, precisa de políticas públicas, a exemplo de outros países, que promovam o desenvolvimento da tecnologia e inovação. “Neste momento em que a questão fiscal domina as discussões cabe a todos nós alertar sobre a importância que deve ser dada ao tema inovação e chamar a atenção do governo e da equipe econômica para que não faltem recursos voltados à inovação tecnológica”, disse Roriz. “Apesar da crise econômica brasileira, é fundamental criar condições de investimento sob o risco de agravamento do setor industrial”, falou o vice-presidente da Fiesp, lembrando a política forte do governo dos Estados Unidos voltada à industrialização com manufatura avançada, a estratégia da Alemanha, que investiu 250 bilhões de euros nos últimos 15 anos na inovação industrial e o 1,8 trilhão de euros que está sendo aplicado pela China nos próximos anos, de olho nos desdobramentos e avanços da quarta revolução industrial.

Nesse movimento, Roriz diz que o Brasil precisa acelerar o passo para aproveitar essa oportunidade temporal, para que o país embarque no desenvolvimento tecnológico que tem sido feito no mundo. E quanto antes o Brasil entrar nesse movimento mais terá voz nas questões de regulação e na criação de plataformas que serão organizadas dentro dessa nova indústria, a 4.0, ou quarta revolução industrial, avaliou. “Até 2020, o mundo investirá US$ 907 bilhões em inovação e o Brasil não pode ficar para trás”, disse. Álvaro Sedlacek, diretor financeiro e de negócios da agência de fomentos paulista Desenvolve SP, fez coro dizendo que é preciso que aqueles que governam o país percebam que talvez esta seja a última oportunidade de o Brasil se reinserir no contexto mundial  em relação à inovação industrial, porque está perdendo espaço.

“Não consigo imaginar um país competitivo globalmente que não tenha uma base industrial sólida. “Até os Estados Unidos, que foram a primeira nação que se tornou basicamente um país de serviços, estão revendo um pouco esse conceito. No mundo inteiro a indústria lidera os investimentos em P&D e não podemos perder isso. Temos vários exemplos de países dentro da América Latina que se desindustrializaram de tal maneira que hoje estão reduzidos a farrapos e não queremos isso para o Brasil”, ressaltou Sedlacek.

Carlos Américo Pacheco, diretor-presidente do Conselho Técnico Administrativo da Fapesp e membro do Conselho Superior de Inovação e Competitividade (Conic) da Fiesp reforçou a cobrança de mais investimentos lembrando que hoje o mundo assiste a uma transformação gigantesca da indústria, com tecnologias que convergem, que são disruptivas em vários aspectos. Essas rupturas, diz Pacheco, são oportunidades que o Brasil tem de olhar para a frente e ver que rumo tomar, pois as novas tecnologias transformam de forma radical a base técnica da indústria e seus modelos de negócios e nisso o Brasil está muito atrasado, avalia. “Temos um país grande, com um mercado consumidor relevante e portanto pronto para enfrentar esse desafio. O gasto em P&D agregado no estado de São Paulo é de 1,7% do PIB, bem menos do que no Brasil, de menos de 1% em relação a seu PIB. Desse 1,7% do PIB, 60% são gastos privados. diferentemente do resto do Brasil. É o único lugar da América Latina em que o gasto privado é maior do que o público e ainda assim a maior parte desse gasto público é feito com recursos do governo estadual e não federal”, diz o diretor-presidente do Conic.

Fiesp celebra o Dia da Inovação com debates sobre as oportunidades e os desafios no Brasil e com a assinatura de acordo para o programa de crédito da Finep. Foto: Fiesp

Finep Conecta

Se o índice de utilização de robôs no Brasil é um indicador do atraso brasileiro em relação a outros países, Marcos Cintra, presidente da Financiadora de Estudos e Projetos da Finep chama a atenção para outro fato que considera contraditório e que ajuda a emperrar os programas de inovação no país: “Embora 70% dos investimentos em tecnologia e inovação em São Paulo sejam feitos por empresas, hoje, apenas 26% dos pesquisadores no Brasil estão nas empresas. O restante, 74%, está no setor público. “Apesar de termos quase toda nossa capacidade de trabalho em termos de geração de P&D e inovação concentrada no setor público, essa interação com empresas é muito baixa comparativamente à de outros países, como por exemplo a Finlândia, onde 28% das empresas inovadoras têm profunda interação com universidades ou institutos públicos de pesquisa. No Brasil, são apenas 6%, número que denuncia falta de sintonia entre quem investe e quem gera o conhecimento básico para a sustentação desse investimento.

Pensando em aproximar a empresas e os centros geradores de P&D, que, no Brasil, estão concentrados no setor público ou nas instituições de ensino, a Finep lançou nesta quinta-feira, durante o evento na Fiesp e com a parceria da Federação, o Programa Finep Conecta, para financiar a inovação em empresas paulistas. “Do ponto de vista operacional, o Finep Conecta não tem novidade. É uma operação de crédito, com taxas de juros, carências, um plano estratégico de inovação conhecido. A grande novidade que ele traz é o foco na aproximação das empresas aos centros geradores de P&D, ou seja, as Instituições de Ciência e Tecnologia (ICTs)”, conta Cintra. O objetivo, diz o presidente da Finep, é levar o conhecimento gerado nas ICTs e universidades para as empresas e também fazer com que as ICTs e as universidades desenvolvam linhas de atividade e de pesquisa demandadas pelas empresas. “Queremos proporcionar uma via de duas mãos, que as empresas busquem conhecimento nas ITCs, mas também que as instituições sejam motivadas a atender demandas geradas pelo setor privado para resolver seus problemas específicos.

O volume disponível inicialmente será de R$ 500 milhões, reembolsáveis. O prazo de financiamento é de até 16 anos, com correção dos valores pela Taxa de Juros de Longo Prazo (TJLP) mais 1,5% ao ano. Vale lembrar aqui que a medida provisória que mudou a TJLP para TLP não inclui a Finep, que pode manter a TJLP em suas operações. Para incentivar o diálogo entre a empresa e as ITCs, a Finep dará incentivos ao tomador do crédito. A empresa que usar 15% dos recursos do financiamento em ações colaborativas com as ITCs ou as universidades terão vantagens relativas às linhas tradicionais. “Se a empresa usar 50% dos recursos em ações colaborativas, além da carência de 6 anos e prazo de pagamento de até 16 anos, a empresa terá correção dos valores apenas pela TJLP. Outro ponto fundamental é que o Finep Conecta é uma linha de crédito de longo prazo, não encontrado no mercado.

“Estamos oferecendo taxa de juros reduzida, longo prazo de carência, longo prazo de amortização e sobretudo a oportunidade de estimular a maior interação entre o setor produto e os ITCs para atender o modelo brasileiro onde existe a assintonia entre quem investe e quem produz conhecimento”, disse Cintra. O programa começou a funcionar nesta quinta-feira, logo após a assinatura do convênio entre a Fiesp e a Finep. “O problema no setor de inovação no Brasil não é desconhecimento, não é estrutura, não é capacidade de investimento nem de mobilização, não é qualidade da mão de obra, de falta de recurso, é puramente institucional. É um problema que precisa ser resolvido junto ás instituições.”, conclui Cintra.

 

Fiesp debate manufatura avançada e digitalização de indústrias

Patrícia Ribeiro, Agência Indusnet Fiesp

Carlos Américo Pacheco, diretor-presidente do Conselho Técnico-Administrativo da Fapesp, falou nesta sexta-feira (9 de junho) em reunião do Conselho Superior de Inovação e Competitividade da Fiesp (Conic) sobre a criação de um Centro de Pesquisa em Engenharia em Manufatura Avançada.

Segundo Pacheco, a Fapesp tem o objetivo de promover o avanço tecnológico em São Paulo para que o Estado possa se tornar cada vez mais competitivo. “Queremos criar o centro para fortalecer ainda mais a inovação. Precisamos de empresas que consigam competir”, enfatizou.

“Ninguém inova só pela necessidade. É a emergência do mercado que faz as empresas se mobilizarem para a inovação”, afirmou José Borges Frias Junior, head of strategy, Market Intelligence & Business Excellence – Digital Factory and Process Industries and Drives- Siemens, em sua apresentação.

“De que forma a tecnologia pode te ajudar a chegar mais próximo dos resultados?”, questionou Borges. Segundo ele, é preciso mudar os modelos negócios e entender qual o potencial que as tecnologias têm para trazer ao mercado.

Pensando no processo, ele apresentou a seguinte linha de pensamento: eficiência; flexibilidade; qualidade e tempo de mercado. “Este é o percurso que a digitalização promove de forma positiva nas empresas.”

Ele também explicou os ciclos quando uma empresa inova por meio da digitalização. São eles: produto, planejamento de produção, engenharia de produção, evolução da produção e serviços. “Com a programação deste ciclo fechado de manufatura, é possível saber previamente e de forma organizada tecnologicamente quanto tempo leva a produção e entrega de um projeto/produto customizado.”

Na apresentação, Borges mostrou que é possível, com a digitalização, ter em uma mesma linha de produção, vários modelos e marcas de carros fabricados.

Ao final, ele alertou que não existe uma receita igual para todos. “Não adianta fazer um processo de digitalização sem ter o plano diretor, o horizonte a seguir e um nível de maturidade.”

Roberto Aloísio Paranhos do Rio Branco, vice-presidente do Conic, destacou os temas de interesse do conselho e também abordou os eventos programados para este ano, entre eles o “Bioeconomia Steering Committee”.

Também participaram da reunião o conselheiro do Conic e do Conjur, Paulo Roberto Barreto Bornhausen; o vice-presidente do Conic, Antonio Carlos Teixeira Álvares; a conselheira do Conic Andrea Matarazzo e o vice-presidente do Ciesp, José Eduardo Camargo.

Comitê da Cadeia Produtiva do Desporto da Fiesp tem lançamento de guia sobre leis de incentivo

Agência Indusnet Fiesp

Reunião plenária do Comitê da Cadeia Produtiva do Desporto da Fiesp (Code) nesta quinta-feira (23/6) teve o lançamento dos Guias das Leis de Incentivo ao Esporte. Também contou com a participação de Carlos Eduardo Negrão, coordenador da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), que apresentou dados sobre a instituição e relatou os resultados da cooperação com a Holanda em torno do tema vida saudável. O Code tem como coordenador Mario Frugiuele, que conduziu a reunião plenária.

Reunião plenária do Comitê da Cadeia Produtiva do Desporto da Fiesp. Foto: Everton Amaro/Fiesp

Na Fiesp, José Goldemberg fala em “injeção de adrenalina” na Fapesp

Graciliano Toni, Agência Indusnet Fiesp

Em reunião na Fiesp, o novo presidente da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), José Goldemberg,  afirmou que o órgão que dirige “recebeu uma injeção de adrenalina” para ter papel mais atuante no incentivo à inovação. Goldemberg disse no evento – do Conselho Superior de Inovação e Competitividade (Conic) – que queria ouvir empresários. E ouviu. Os empresários e representantes de outras entidades fizeram sugestões e questionamentos.

Goldemberg ouviu de Rodrigo Costa da Rocha Loures, presidente do Conic, que os programas da Fapesp para startups (Pipe) e para grandes empresas (Pite) são igualmente importantes e devem ser articulados. O Conic, explicou Loures, aposta no fomento ao empreendedorismo de classe mundial, para o que há a disposição, mas é preciso haver um ambiente propício.

Do conselheiro Flavio Grynzpan, Goldemberg ouviu que para as empresas seria bom que a Fapesp mudasse sua interpretação sobre o que pode receber recursos, passando a aceitar a inovação empresarial propriamente dita, e não apenas a pesquisa. Goldemberg lhe pediu um breve relato escrito sobre esse conceito de inovação.

De Wilson Nobre, da Fundação Getúlio Vargas, Goldemberg ouviu que é preciso estimular o ecossistema para o desenvolvimento de startups, que, diferentemente de grandes empresas, funcionam à base de muitas conexões fracas. É preciso, explicou, enxergar todos os elementos desses ecossistemas, caracterizados por várias startups testando muitas ideias de baixo custo. Goldemberg perguntou como fazer isso, e Nobre disse que isso acontece quando há uma cultura da sociedade como um todo, com as relações sociais levando a múltiplas conexões.

De José Ricardo Roriz Coelho, diretor titular do Departamento de Competitividade e Tecnologia (Decomtec) da Fiesp e vice-presidente do Conic, Goldemberg ouviu que 65% do investimento em pesquisa e desenvolvimento no Brasil vem do setor industrial, mesmo com a queda de sua participação no PIB. E a pergunta sobre como reverter esse processo de perda. Ouviu também que houve queda de 14% dos recursos da Fapesp de 2009 para 2104, e que o programa Pite fica com apenas 0,6% do orçamento da fundação. Segundo Goldemberg, a baixa demanda é responsável pelo orçamento baixo. O presidente da Fapesp sugeriu aos representantes de universidades presentes que enviassem a suas comunidades uma explicação sobre os recursos para empreendedorismo disponíveis.

De Fernando Landgraf, do IPT, Goldemberg ouviu que seria bom a Fapesp estudar o caso da Embrapii (Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial), que tem tido “enorme crescimento da demanda” por recursos – possivelmente em razão da agilidade na aprovação de projetos.

Goldemberg ouviu também de Loures que foi excelente sua participação na reunião do Conic. Prevista para 40 minutos, estendeu-se por cerca de uma hora e meia, tamanho o interesse da plateia e da mesa no tema.

Reunião do Conselho Superior de Inovação e Competitividade da Fiesp com a participação de José Goldemberg. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

 

Bioeconomia

Loures defendeu na reunião a criação de grandes parques tecnológicos na Grande São Paulo – um deles ligado à Saúde, no eixo Paulista/Dr. Arnaldo, pela concentração de hospitais e entidades de ensino de medicina. Em sua opinião, há lugar para 4 ou 5 ecossistemas. “Coisas poderosíssimas acontecem espontaneamente em São Paulo”, disse. Dando o exemplo de Nova York, que já rivaliza com o Vale do Silício em ambiente propício ao empreendedorismo, afirmou que é preciso acelerar o processo de criação desses ecossistemas.

A reunião do Conic teve também a participação de Monica Rosina, professora da FGV Direito São Paulo e coordenadora do Grupo de Estudo e Pesquisa em Inovação, que apresentou junto com Alexandre Pacheco da Silva, coordenador executivo do Laboratório de Empresas Nascentes de Tecnologia, o trabalho feito na instituição para criar uma nova mentalidade no direito, para formar advogados voltados ao empreendedorismo, como contraponto ao advogado que sempre diz “não” a quem quer empreender.

José Borges Frias, Head of Strategy, Market Intelligence & Business Excellence da Siemens, falou sobre a Indústria 4.0, plataforma criada na Alemanha para ser um grande programa que leve a indústria do país a dar um salto de competitividade e ser capaz de fazer frente ao que acontece no mundo. Lembrou que a Alemanha manteve localmente seu núcleo industrial e tem se saído bem. Segundo o especialista, o Brasil também pode dar este salto, cuidando de gestão e oferecendo ambiente jurídico, regulatório, mais propício. Foi convidado a voltar à Fiesp para uma exposição alongada sobre a Indústria 4.0.

Celso Lafer, ex-presidente da Fapesp, fala na Fiesp sobre importância do amparo à pesquisa

Solange Sólon Borges, Agência Indusnet Fiesp

Ao frisar que “é pela ciência que se vence” e que conhecimento é poder, frase do filósofo e ensaísta Francis Bacon, o professor Celso Lafer, ex-presidente da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), abriu sua participação no Conselho de Estudos Avançados (Consea), em 21 de setembro, para tratar da importância do amparo à pesquisa. O presidente do Consea, Ruy Martins Altenfelder, reforçou a importância de discutir pesquisa e desenvolvimento no âmbito da indústria paulista.

Acadêmico, em sua introdução Lafer frisou que a pesquisa é um dos pilares do mundo contemporâneo – em parte, em função da velocidade com que a cultura científica da pesquisa básica e aplicada impacta e amplia o horizonte do conhecimento. Outro fator apontado é a transposição de barreiras, como a clonagem e a espacial, que modifica a vida do ser humano. Por isso, “a possibilidade de uma sociedade exercer o controle dos seus rumos passa pela capacitação cientifica e tecnológica, ou seja, pela sua capacidade de avaliar e produzir conhecimento e explorar o seu potencial de aplicação”. Lafer exemplificou com temas sociais e essenciais, tais como matriz energética, oferta de alimentos, redução da pobreza, escassez de água e mudança climática, que passam pela capacitação cientifica e tecnológica.

Com essa avaliação em perspectiva, o professor demonstrou que hoje não se vende mais caixa de papelão, há um conhecimento agregado aliado à eficácia. “Vende-se o projeto de uma caixa de papelão ondulado capaz de transportar frutas, de manter sua qualidade, de suportar a refrigeração, de poder ser transportada em containers”, avaliando que a academia não está alheia ao que afeta a competitividade da indústria.

Ao refletir sobre o pioneirismo do Estado de São Paulo no reconhecimento da importância ao respaldo à pesquisa no País, rumo a novos conhecimentos, citou a criação da Universidade de São Paulo (USP) e a própria Fapesp.

A proximidade entre os campi e o parque industrial distingue São Paulo de outros parques brasileiros. Segundo Lafer, o Estado produz quase metade da ciência feita no País, e as empresas são a principal fonte de recursos no Estado, respondendo por aproximadamente 61%. Em contraponto, a participação do governo estadual na composição do financiamento total da pesquisa é superior ao reservado pelo governo federal. “A intensidade da preocupação com a pesquisa medida em participação no Produto Interno Bruto (PIB) é muito mais significativa em São Paulo, que é de 1,6%, comparável à Espanha, Portugal e China. Aqui, os gastos em pesquisa e desenvolvimento são dez vezes maiores do que o segundo colocado nacional, o Rio de Janeiro, e 23 vezes mais do que Minas Gerais, na terceira posição. Com alta produção de artigos científicos, mais do que qualquer outro país da América Latina, São Paulo produz o dobro da Argentina.

Reunião do Consea com a participação do ex-presidente da Fapesp Celso Lafer. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

 

Ao fazer referência a indicadores, o apoio à pesquisa com vistas a sua aplicação recebeu, nos últimos anos, mais da metade dos recursos totais. Em 2014, o valor, de R$ 1 bilhão e 200 milhões, foi voltado a diversas áreas do conhecimento, especialmente a saúde, contemplada com 28% do total. Nesse mesmo ano, a Fundação contratou 11.609 projetos de pesquisa e manteve 11.179 bolsas de iniciação científica ao pós-doutorado.

Nesse balanço, o professor Celso Lafer frisou a conexão entre o mundo da produção e do conhecimento, e exemplificou com o Pesquisa em Parceria para Inovação Tecnológica (PITE), que intensificou o relacionamento entre as universidades e os institutos de pesquisa, com empresas localizadas em São Paulo e no exterior. Desde seu lançamento, em 1995, 340 projetos de instituições foram aprovados com empresas do porte da Petrobras, Braskem, Microsoft, Biolab, CSN, Rhodia, Suzano, entre outras.

Lafer enfatizou alguns programas, como a Pesquisa Inovativa em Pequenas Empresas (PIPE), com foco em inovação que, em 2014, desembolsou R$ 23,4 milhões. Foram 3.410 projetos apoiados desde sua criação, em 1997, em 120 cidades. Entre os benefícios elencados, a geração de empregos e o aumento da atividade econômica nos municípios parceiros.

O campo da Engenharia também mereceu programas de longo prazo, com disponibilidade de recursos, para os centros de excelência aplicados à inovação em gás natural, com a BG Brasil; em química sustentável, com a GSK; em bem-estar e comportamento humano, com a Natura; e engenharia urbana com a Peugeot-Citröen.

O ex-presidente da Fapesp apontou três grandes programas multidisciplinares, em rede, vitais à economia brasileira e ao mundo dos negócios. O primeiro deles é o Biota, voltado à biodiversidade do Estado, a fim de avaliar oportunidades de exploração sustentável e subsídio à formulação das políticas de conservação dos remanescentes industriais. “O Biota tem papel, no plano internacional, com a Convenção da Biodiversidade, que foi assinado no encontro do Rio, em 1992”, avaliou.

O Bioen, Programa de Bioenergia, criado em 2008, “é auxiliar na mudança da produtividade de cana e desenvolvimento de novas oportunidades, com o aproveitamento da biomassa na geração de energia”, sinalizou.

O terceiro, a Mudança do Clima, programa surgido também em 2008, fundamental na compreensão das consequências econômicas do fenômeno e como ele incide na América do Sul e no Brasil. Ao citar o papel da ciência na diplomacia, Lafer lembrou que, quando esteve à frente da Rio 92, demonstrou-se a necessidade do domínio dos dados de base da mudança climática, sem os quais não se poderia ter capacitação diplomática na condução do processo.

Como grande capital nos oitos anos que esteve à frente da Fapesp, Lafer citou a internacionalização da Fundação. “A ciência não se faz hoje de maneira isolada”, apontando para a interação com pesquisadores de outros países diante do nível alcançado por São Paulo que pode fazer essa troca hoje “em pé de igualdade”. Em sua gestão, foram celebrados mais de 130 novos acordos de cooperação com universidades, agências de financiamento, institutos de pesquisa e empresas de outros países, colocando o Estado no mapa mundial da Ciência, repercutindo na pesquisa produzida em São Paulo. “O Conselho Nacional de Pesquisa, CNPq, seu equivalente federal, tem 46, quase três vezes menos do que a Fapesp”, exemplificou.

Celso Lafer esteve à frente da Fapesp desde 2007 até este ano. Advogado, membro da Academia Brasileira de Letras, foi ex-ministro das Relações Exteriores em duas ocasiões e, ainda, ex-ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio. Também foi embaixador do Brasil junto à Organização Mundial do Comércio (OMC) e junto à Organização das Nações Unidas (ONU). À frente do Itamaraty, foi responsável pela organização da Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente e o Desenvolvimento (a Rio 92, ou ECO92) que, no Rio de Janeiro, reuniu mais de cem chefes de Estado.

Homenagem

O presidente da Fiesp e do Ciesp, Paulo Skaf, participou do final da reunião para cumprimentar o professor Lafer, que foi homenageado pelo presidente do Consea, Ruy Altenfelder, por sua dinâmica e competente gestão na presidência da Fapesp.

Seminário destaca iniciativas de parceria entre Brasil e Europa para pesquisa e inovação

Isabela Barros, Agência Indusnet Fiesp

O Velho Mundo está de portas abertas para os pesquisadores brasileiros, que são bem-vindos na tarefa de promover a inovação tecnológica. Para reforçar esse convite, foi realizado, na manhã desta quinta-feira (22/05), na sede da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), na capital paulista, o Seminário Brasil – União Europeia, Cooperação para Inovação Tecnológica. O evento contou com a participação de representantes daquele continente, que vieram destacar ações na área de pesquisa como os programas Horizonte 2020 e Euraxess.

Coordenado pelo diretor titular do Departamento de Relações Internacionais e Comércio Exterior (Derex) da Fiesp, Thomaz Zanotto, o seminário teve a presença ainda do vice-presidente do Conselho Superior de Inovação e Competitividade (Conic) da federação, Roberto Paranhos do Rio Branco. O coordenador adjunto de Pesquisa para Inovação da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), Sérgio Queiroz, foi outro convidado.

“A inovação é a chave do progresso e da competitividade em nível global”, explicou a embaixadora da Delegação da União Europeia (UE) no Brasil, Ana Paula Zacarias. “Por isso, 3% do PIB [Produto Interno Bruto]  europeu até 2020 será voltado para ciência e inovação”.

Ana Paula: “A inovação é a chave do progresso e da competitividade em nível global”. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

Ana Paula: “A inovação é a chave do progresso e da competitividade em nível global”. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

Segundo ela, por isso, o esforço em divulgar as iniciativas europeias nesse sentido em todos os países. “Precisamos por em conjunto os centros de pesquisa”, disse. “Custa muito caro construir uma estrutura assim, por isso a importância das parcerias”.

Horizonte 2020

Em termos de pesquisa, inovação e parcerias, o programa Horizonte 2020 é destaque. A iniciativa prevê um montante de 80 bilhões de euros para o financiamento de atividades na área entre 2014 e 2020. “Não queremos que essas atividades fiquem restritas aos laboratórios, mas que cheguem ao povo”, explicou o chefe do setor de Ciência, Tecnologia e Inovação da Delegação da União Europeia no Brasil, Piero Venturi.

De acordo com Venturi, a UE é hoje um destaque mundial em termos de inovação, ficando à frente de nações com muita tradição na área, como o Japão. “Estamos focados em pilares como excelência científica, desafio social e liderança industrial”, afirmou. “Também queremos oferecer subsídios e apoio para pequenas e médias empresas a partir desse trabalho”.

Venturi: “Também queremos oferecer subsídios e apoio para pequenas e médias empresas”. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

Venturi: “Também queremos oferecer subsídios e apoio para pequenas e médias empresas”. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

Dessa forma, o Horizonte 2020 “está aberto a todos os pesquisadores brasileiros dos setores público e privado”. “É preciso apenas seguir os requisitos do programa para participar”, disse Venturi.

Entre as áreas prioritárias para a participação dos brasileiros estão Agricultura e Bioeconomia, Energia e Ciências do Mar. Conforme Venturi, também foram firmados acordos com instituições brasileiras como o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), o Conselho Nacional das Fundações Estaduais de Amparo à Pesquisa (Confap) e o próprio Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI).

 

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Sobre o Euraxess

Oficialmente descrita como uma rede internacional para a mobilidade de pesquisadores, o programa Euraxess foi criado para estimular, proteger e fortalecer o ambiente de pesquisa e inovação a partir do apoio a esses agentes. Isso com a oferta de boas oportunidades de carreira para  esses profissionais.

Para isso, foi criado um portal de empregos online com ofertas de emprego e de financiamento de pesquisa com mais de 8 mil universidades e centros especializados inscritos. “Os brasileiros são bem-vindos”, disse um dos representantes nacional do Euraxess Links Brasil, Paulo Lopes.

Segundo Lopes, há 20 mil currículos cadastrados no portal.

Com o objetivo de divulgar a iniciativa no Brasil, estão sendo realizados workshops e ações como os “saraus científicos”, nos quais os pesquisadores apresentam seus trabalhos em dez minutos, para um público leigo, do modo mais descontraído possível. “Mostramos que ciência e inovação podem sim ser apresentadas de forma divertida”, explicou a outra representante do Euraxess Links Brasil, Charlotte Grawitz.

O exemplo da Fapesp

Coordenador adjunto de Pesquisa para Inovação da Fapesp, Sérgio Queiroz destacou que “é bom ver a indústria paulista engajada nesse esforço de desenvolver a inovação”.

E reforçou que, responsável por 34% do PIB nacional, o estado de São Paulo é dono de “50% da ciência brasileira”. “Hoje, 1,64% do PIB estadual está ligado à pesquisa e desenvolvimento, diante de 1,1% da média do país”, disse.

Nesse cenário, a Fapesp, criada em 1962 para apoiar a pesquisa em todas as áreas do conhecimento, responde por 46% dos recursos disponíveis para a área em São Paulo. A fundação tem orçamento anual em torno de R$ 1 bilhão. “Um terço disso é aplicado na concessão de bolsas”, explicou Queiroz.

Apoio às empresas

Com foco no mercado, a Fapesp possui programas como a Pesquisa Inovativa para a Pequena Empresa (Pipe). O Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp) é parceiro nessa iniciativa. “O Ciesp nos ajuda a divulgar as ações do Pipe no estado”, informou Queiroz.

Segundo Roberto Paranhos do Rio Branco, o Ciesp oferece, com recursos próprios, apoio a 42 projetos de pesquisa em empresas em São Paulo. “Com a aprovação do Paulo Skaf, presidente da Fiesp e do Ciesp, foi feita essa opção”, explicou o vice-presidente do Conic.

Rio Branco: apoio do Ciesp à pesquisa nas empresas. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

Rio Branco: apoio do Ciesp à pesquisa nas empresas. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

São realizados ainda trabalhos em conjunto com grandes corporações, como o Fapesp e Peugeot Citröen, de pesquisa sobre motores e biocombustíveis, e o Fapesp e Natura, com foco em bem estar e comportamento. “O desafio é estimular o desenvolvimento de pesquisas de alto impacto a partir dos temas apontados pelas empresas”, disse Queiroz.

Parceiros naturais  

Zanotto: “É  fundamental que as indústrias de São Paulo e do Brasil avancem com os europeus em inovação e tecnologia”. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

Zanotto: “É fundamental que as indústrias de São Paulo e do Brasil avancem com os europeus em inovação e tecnologia”. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

Para Thomaz Zanotto, a Europa é uma “parceira natural do Brasil” devido, entre outros fatores, à presença de comunidades variadas de imigrantes com essa origem por aqui. “Por isso é fundamental que as indústrias de São Paulo e do Brasil avancem com os europeus em inovação e tecnologia”, disse o diretor titular do Derex.

“Temos que alavancar esse processo”, concluiu.

Para diretor científico da Fapesp, apoio em inovação no estado de São Paulo é diferente do resto do Brasil

Dulce Moraes, Agência Indusnet Fiesp

O diretor científico da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), Carlos Henrique de Brito Cruz, foi um dos debatedores do seminário “São Paulo: Cidade Inovação”, realizado nesta segunda-feira (21/10), na Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).

Carlos Henrique de Brito Cruz, da Fapesp: maior parte das pesquisas no Estado de São Paulo são realizadas em centros próprios, sem depender de instituições estrangeiras. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

 

O painel contou com representantes do Banco Nacional de Desenvolvimento (BNDES), da Agência Brasileira de Inovação (Finep) e da Agência de Desenvolvimento Paulista (Desenvolve SP) e teve a moderação de Robert William Velasquez Salvador, diretor do Departamento de Competitividade e Tecnologia (Decomtec) da Fiesp.

Em uma breve apresentação, Brito Cruz destacou que o trabalho de apoio à pesquisa realizado em São Paulo, tanto na capital como no Estado, é completamente diferente das práticas verificadas nos outras unidades da federação.

“Aqui no Estado de São Paulo, mais da metade do dispêndio de pesquisa é feito por empresas. No Brasil, essa participação é de 35%, mas no Estado de São Paulo é de 65%, sendo que maior parte das nossas pesquisas são realizadas em centros próprios, sem depender de instituições estrangeiras.”

Outra característica paulista é o destino de impostos estaduais para inovação, em relação aos federais. “No estado de São Paulo essa participação de recursos estaduais é 10 vezes mais do que a do Rio de Janeiro [2º no ranking]”, apontou Brito Cruz.

Há quem diga que, no Brasil, há pouca interação entre universidades e empresas. Mas, para o diretor científico da Fapesp, essa “verdade” não se aplica ao estado de São Paulo. Brito Cruz citou a participação de três universidades paulistas, ao lado de 25 universidades norte-americanas, em um levantamento sobre intensidade de participação conjunta entre empresas e universidade.

Ele ressaltou, ainda, que a Fapesp é uma fundação publica financiada pelo contribuinte e que aplica recursos projeto de pesquisas e inovação tanto nas universidades como nas pequenas empresas de todo o estado e, principalmente, na capital paulista. “Do 1 bilhão de reais aplicados pela Fundação no estado de São Paulo no último ano, praticamente a metade foi aplicado à cidade de São Paulo.”


Financiamentos à pesquisa

Ana Paula Bernardino Paschoini apresentou o portfolio de linhas de financiamento do BNDES para a área de inovação. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

Ana Paula Bernardino Paschoini destacou que apoiar o investimento em inovação é uma prática antiga BNDES. Segundo a executiva, o BNDES entende que o conceito de inovação pode ser amplo e, por isso, são oferecidos produtos adequados às várias realidades. “Para uma pequena empresa, inovação pode ser a aquisição de uma máquina, mas, para outras, pode ser a instalação de um laboratório tecnológico.”

Entre os exemplos de linhas de financiamento, ela destacou a Finame, com taxa anual de 3%, específica para empresas que queiram incorporar tecnologias e adquirir equipamentos; o Cartão BNDES, que oferece acesso ao crédito às micro e pequenas empresas; o BNDES Automático, que, em parceria com outras instituições, tem foco em projetos como desenvolvimento de prototipagem, design, entre outros; e o BNDES Funtec, fundo não reembolsável que exige a participação de uma instituição de pesquisa. Este último, disponibilizado por meio de chamadas periódicas, é disponível para setores considerados prioritários pelo governo, como os veículos híbridos.

A representante do BNDES relembrou os requisitos para todas as linhas é que a empresa esteja quite com as obrigações legais, ambientais e fiscais e que, portanto, não pode ser uma empresa em processo de recuperação fiscal.

Igor Bueno, da Finep: atuar em inovação é estratégia para ganhar produtividade. Foto: Foto: Beto Moussalli/Fiesp

Igor Bueno, chefe do departamento de Fármacos e Biotecnologia da Finep, falou das linhas de atuação da instituição do governo federal e das modalidades de apoio oferecido, que permeiam todo o ciclo que compõe o tripé Ciência, Tecnologia e Inovação.

Bueno ressaltou que, em virtude de o país viver períodos de instabilidade econômica, uma das principais preocupações é ampliar produtividade. Para ele, a saída para esse ganho de produtividade, e consequente incremento em competitividade, não pode ser outra que não seja atuar em inovação. “O principal objetivo da Finep é transformar o Brasil por meio da inovação”, ressaltou o executivo.

O diretor da Desenvolve SP, Julio Themes Neto, falou sobre os objetivos e atuação da agência paulista e apresentou um panorama sobre as principais iniciativas a disposição das indústrias paulistas.

O moderador do painel, Robert William Velasquez Salvador, relembrou que durante todo o dia estiveram disponíveis na frente de prédio da Fiesp veículos demonstrando produtos e inovações das entidades parcerias.

Site de inovação industrial

No final do painel, foi apresentado o site Inovação Industrial, desenvolvido pela Federação e o Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp e Ciesp) e pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial de São Paulo (Senai-SP).

O novo canal de comunicação disponibiliza informações relevantes aos empresários que pretendem ampliar sua competitividade por meio da inovação, como linhas de financiamentos disponíveis e um sistema que permite as empresas realizarem sua autoavaliação no quesito inovação.

O site pode ser acessado no endereço: www.fiesp.com.br/inovacao-industrial

Universidades brasileiras não formam empreendedores, critica professor da Unicamp em reunião do Conic

Guilherme Abati, Agencia Indusnet Fiesp

Sergio Salles-Filho, da Unicamp. Foto: Everton Amaro/Fiesp

As universidades brasileiras não têm cursos voltados para a inovação e o empreendedorismo – elas formam somente “empregados”. A avaliação é de Sergio Salles-Filho, do departamento de Política Científica e Tecnológica do o Instituto de Geociências da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e da Fundação e Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp).

O professor esteve nesta sexta-feira (04/10) na sede da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), em reunião do Conselho Superior de Inovação e Competitividade (Conic) da entidade. Em pauta, os resultados das avaliações das atuais politicas realizadas em Ciência Tecnologia e Inovação (CTI) no Estado.

De acordo com Salles-Filho, tais políticas “impactam diretamente na capacitação, na inserção do país no mercado internacional e na criação de emprego”.

Ele citou incialmente a Lei de Informática e seus resultados.  A lei dá amparo às empresas que produzem bens de informática, automação e telecomunicações no Brasil. Essas empresas podem contar com incentivo fiscal para investir em inovação e faculta o uso de parte do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para financiar e investir em projetos de Pesquisa e Desenvolvimento (P&D), por meio de Instituições Científicas e Tecnológicas (ICT).

“É um programa importante para a indústria”, avaliou. “Por ano, temos quatro bilhões de renúncia fiscal, que representa 60% dos incentivos em P&D no país. A lei representa uma enorme base de investimentos”, completou.

Segundo Salles-Filho, muitas empresas investem em P&D acima da cota mínima fixada pela lei.  Isso acontece principalmente na região Sudeste.

“Os indicadores mais positivos encontrados nesse programa são de empresas de médio porte nacional. É nesta área em que a lei encontra seus melhores e mais efetivos resultados.”

De acordo com o docente, a lei de incentivo é acatada, na maioria dos casos, porque reduz o custo das empresas. “A maioria [das médias empresas] compete internamente, dentro do país, e precisa de competitividade tecnológica, produtividade e redução de custos”, analisou.

Antes da formulação da lei, em 1998, conta Salles, 325 multinacionais instaladas no Brasil não possuíam laboratórios dedicados à P&D. “Depois, usufruindo da Lei, quase 70% das empresas têm.”

Para Salles-Filho, a lei trouxe bastante beneficio, principalmente para empresas de Telecomunicações. “A lei tem efeito, curiosamente, na produção de celulares nacionais.”

Pesquisa Inovativa em Pequenas Empresas (Pipe)

Rodrigo Costa da Rocha Loures, presidente do Conic. Everton Amaro/Fiesp

Salles-Filho falou também sobre Pesquisa Inovativa em Pequenas Empresas (Pipe), criado em 1997.  O programa destina-se a apoiar a execução de pesquisa científica e tecnológica em pequenas empresas sediadas no Estado de São Paulo. “O orçamento do programa foi de 54 milhões de reais durante o período.”

Ele afirmou que, se comparado ao Small Business Innovation Research (Sbir), programa do governo americano, o programa da Fapesp não fica atrás. “O resultado, apesar da massa menor, é bastante semelhante.”

Salles-Filho, por fim, divulgou o resultado de um estudo realizado por sua equipe ao longo de um ano. O estudo analisou a trajetória profissional e produção acadêmica de 70 mil alunos de graduação, mestrado e doutorado, ao longo dos últimos 15 anos. O objetivo da análise é saber como bolsas de estudo cedidas pela Fapesp impactam a trajetória profissional do aluno.

“Os principais resultados foram que, mesmo com bolsas, não há crescimento de aporte de doutores nas empresas. E que os alunos mais empreendedores são os de graduação, já que, curiosamente, o número de empreendedores cai a partir de formações superiores”, disse.

Com apoio do Ciesp, Fapesp realiza mais um atendimento a empresas que pretendem apresentar projetos de inovação

Agência Indusnet Fiesp

No intuito de atender os interessados em participar da chamada de propostas para apoiar empresas com até 250 empregados em projetos de inovação, a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), com apoio do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp), realiza nesta quinta-feira (20/12), das 9h às 12h, uma reunião técnica sobre Apoio à Inovação na Pequena Empresa.

As empresas paulistas podem enviar suas propostas até 1º de fevereiro de 2013. Para o primeiro ciclo está previsto aporte de R$ 20 milhões. O evento terá transmissão on-line no horário previsto.

A chamada do Programa Pipe encontra-se no endereço www.fapesp.br/pipe e visa apoiar o desenvolvimento de produtos, processos e serviços inovadores por empresas paulistas de acordo com as regras do Programa Fapesp Pesquisa Inovativa em Pequenas Empresas (Pipe), em todas as fases do programa.

Serão apoiados projetos de pesquisa para inovação em todas as áreas do conhecimento. Podem participar da seleção como proponentes microempresas ou empresas de pequeno porte brasileiras, sediadas no Estado de São Paulo.

O prazo de execução do projeto deverá ser de até 24 meses, dependendo da fase de desenvolvimento. As propostas serão recebidas até o dia 1º de fevereiro de 2013. O Pipe passou a aceitar propostas de empresas de pequeno porte com no máximo 250 empregados – o limite anterior era de 100.

O workshop é gratuito. Para se inscrever, acesse: www.fapesp.br/eventos/pipe/inscricoes.

No horário do evento, clique aqui para acompanhar a transmissão ao vivo.

Serviço
Evento: Diálogo sobre Apoio à Inovação na Pequena Empresa
Data e horário: 20 de dezembro, das 9h às 12h30
Local: Fapesp – Rua Pio XI, 1500, Alto da Lapa, São Paulo
Mais informações: (11) 3838-4216 e 3838-4362

Palestra: Ciência, tecnologia e inovação no estado de São Paulo

Esta palestra foi ministrada por Marie-Anne van Sluys, da Fundação de Amparo a Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) , durante o Seminário “Bioeconomia: O conhecimento e o Sistema de Inovação Holandês”, realizado no dia 26 de outubro de 2012 na Fiesp.

Clique abaixo para acessar a apresentação:

 

Marco civil da Internet é tema de debate na Fiesp com um dos pais da rede

Solange Sólon Borges, Agência Indusnet Fiesp

Na próxima quinta-feira (09/08), a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) promove debate com tema de interesse de toda a sociedade: o marco civil da Internet. O Projeto de Lei nº 2.126/2011, em trâmite na Câmara Federal, estabelece princípios, garantias, direitos e deveres, além de disciplinar seu uso no país.

O assunto será foco da reunião do Grupo de Estudos de Direito Concorrencial da Fiesp/Ciesp, com a participação de três especialistas que deverão responder, por exemplo,  como pode se dar a regulação da neutralidade da rede e a responsabilidade civil dos provedores. Outro ponto de interesse é o uso da Internet em campanhas eleitorais, além da elaboração de Anteprojeto de Lei para Proteção de Dados Pessoais.

Um dos convidados para a discussão é Demi Getschko, considerado um dos pais da Internet no Brasil devido à primeira conexão TCP/IP, em 1991, estabelecida entre a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) e a americana Energy Sciences Network (ESNet).

Engenheiro da Politécnica da USP, Getschko esteve à frente das áreas de tecnologia da Agência Estado e do iG, é membro do Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br) e diretor-presidente do Núcleo de Informação e Coordenação (NIC.br).

Os outros debatedores integram o Centro de Tecnologia e Sociedade, da Fundação Getúlio Vargas-Direito Rio: Carlos Affonso Pereira de Souza participa dos principais fóruns internacionais sobre governança Internet Corporation for Assigned Names and Numbers (Icann) e Internet Governance Forum/IGF da ONU; Bruno Magrani coordena o Observatório da Internet.

Serviço
Marco Civil da Internet
Data/horário: 9 de agosto, quinta-feira, a partir das 14h
Local: Avenida Paulista, 1313, auditório do 10º andar
Mais informações no site da Fiesp

Programa pró-biodiversidade já investiu mais de R$ 120 milhões, afirma especialista

Edgar Marcel, Agência Indusnet Fiesp

Em termos de biodiversidade, o Brasil aparece no topo da lista, somente abaixo da Indonésia, país formado por 8 mil ilhas. E um dos motivos é a história geológica de formação do nosso continente, segundo análise de Carlos Alfredo Joly, coordenador do Biota-Fapesp – sigla do Programa de Pesquisas em Caracterização, Conservação e Uso Sustentável da Biodiversidade do Estado de São Paulo, promovido pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo.

Joly foi um dos principais palestrantes do seminário Biodiversidade no Contexto da Sustentabilidade, agenda desta segunda-feira (18/06) do Humanidade 2012, iniciativa da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) e parceiros no Forte de Copacabana, Rio de Janeiro.

“A faixa que abrange o Rio de Janeiro, passando por São Paulo (Serra do Mar) até o Estado do Paraná, é uma das regiões de maior biodiversidade do mundo. A Serra do Mar é um patrimônio gigantesco que nos cerca”, afirmou Joly no seminário realizado pelo Departamento de Meio Ambiente (DMA) da Fiesp.

Investimentos

O coordenador do Biota-Fapesp explicou que, em 1999, a Fapesp iniciou o programa para estudar a biodiversidade no Estado de São Paulo. Ao longo destes 12 anos foram investidos pela Fapesp cerca de R$ 122 milhões no programa. O resultado é a formação de cerca de 200 mestres e 215 doutores no período.

“É quase um exercito de pessoas trabalhando em prol de biodiversidade. Esse programa gerou um sistema integrado de informações sobre a biodiversidade no Estado de São Paulo, que permite o mapeamento e a distribuição das espécies de diferentes remanescentes”, disse Joly.

Extrativismo

Carlos Alfredo Joly explicou que esta faixa é a região onde, no século 16, os portugueses extraíram o pau-brasil, iniciando um ciclo de extrativismo e retirada de vegetais da Mata Atlântica, persistente até hoje. Ilustrou ainda que dois ciclos econômicos – o da cana de açúcar, que aconteceu primeiramente na região da Mata Atlântica no Nordeste; o do ouro, em Minas Gerais; e o do café em território paulista – contribuíram para a redução da área verde.

“Em São Paulo, a Serra do Mar sobreviveu porque era íngreme demais para o plantio do café”. E emendou: “As capitais das regiões Sul, Sudeste e Nordeste estão dentro do domínio da Mata Atlântica. Portanto, a expansão urbana exerceu um papel importante na redução da área florestal”.

Segundo Joly, a Mata Atlântica ocupa 17 estados e três mil municípios, área em que vivem 125 milhões de brasileiros. “Ou seja, o pouco que restou da Mata atlântica (7,6% de remanescentes da floresta com mais de 100 hectares) é responsável, por exemplo, pela produção de água dos 125 milhões de brasileiros que aqui habitam. Apesar de reduzida, essa floresta ainda presta serviços inestimáveis a nós todos”, concluiu.

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Inovatec: mais pesquisadores nas empresas, mais inovação nas escolas

Cesar Augusto, Agência Indusnet Fiesp

Rafael Cervone representou Paulo Skaf na abertura do Inovatec, em SP

O 1º vice-presidente do Ciesp, Rafael Cervone, comandou nesta segunda-feira (07/11) a abertura da Inovatec, Feira de Negócios em Inovação Tecnológica entre Empresas, Centros de Pesquisa e Universidade.

Representando o presidente da Fiesp/Ciesp, Paulo Skaf, Cervone lembrou a importância da aproximação entre a Pesquisa Científica e a Indústria.

Ele chamou atenção para o crescente, porém lento, crescimento em P&D do país que, como proporção do Produto Interno Bruto (PIB), ainda é inferior ao do estado de São Paulo. “O pesquisador tem de trabalhar dentro da empresa. Assim terá mais chances de desenvolver produtos com viabilidade econômica e coerentes com as possibilidades de produção da nossa indústria.”

Carlos Henrique Brito Cruz, diretor científico da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) também abordou o tema. E informou que nos EUA mais de 80% dos cientistas trabalham em empresas, realidade que não é encontrada no Brasil.

Para José Roberto Cunha Jr., da Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Ciência e Tecnologia do Estado de São Paulo, a integração entre o público, o privado e a universidade forma o tripé essencial para o desenvolvimento da inovação tecnológica no país. Outro ponto importante, no seu entendimento, é a introdução da cultura da inovação no sistema educacional do país. “Enquanto inovação não entrar na escola, não haverá desenvolvimento nessa área”, pontuou.

Carlos Henrique Brito Cruz, diretor científico da Fapesp

Representantes dos Ministérios do Desenvolvimento Indústria e Comércio e da Saúde, além do BNDES, expuseram as iniciativas e a atenção dada pelo governo federal ao tema.

Os representantes da Brasília falaram do desenvolvimento recente da economia brasileira, das oportunidades de investimento e capitais estrangeiros que o país vem atraindo. Somados, esses fatores desenham um cenário propício para investimentos em inovação tecnológica.

No painel Cenários Econômicos e Competitivos Globais e o Desafio da Inovação nas Empresas Brasileiras, o diretor do Departamento de Competitividade e Tecnologia (Decomtec) da Fiesp, José Ricardo Roriz Coelho, demonstrou indicadores de Ciência, Tecnologia e Inovação do Brasil em relação a outros países. Ele falou das oportunidades existentes, dos obstáculos à inovação e explicou algumas das propostas do setor produtivo nestas áreas.

Inovatec acontece no Centro de Convenções do shopping Frei Caneca, em São Paulo, e segue até quarta-feira (9) de manhã e à tarde, discutindo temas relativos à Inovação em salas divididas por setores: Petróleo e Gás; Agroindústria; Defesa e Segurança; Higiene e Beleza; Biocombustíveis; entre outros.