Integrar segurança, saúde e qualidade de vida é fundamental, diz gerente do Sesi-SP

Ariett Gouveia, Agência Indusnet Fiesp

É muito vantajoso para as indústrias criar uma gestão integrada de segurança, saúde e qualidade de vida, destacou o médico do trabalho e gerente executivo da área de Qualidade de Vida do Sesi-SP, Eduardo Arantes, ao apresentar seu painel no seminário “FAP-RAT-NTEP: efeitos na Gestão Empresarial”, realizado nesta segunda-feira (29/09) pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).

Exemplo disso, de acordo com o gerente do Sesi-SP, é o elevado retorno financeiro de programas de redução de risco cardíaco, transtorno mental e comportamental e vacina de gripe, por conta da economia registrada com licenças médicas, afastamentos e substituição de pessoas.

Eduardo Arantes: gestão integrada pode reduzir licenças e afastamentos. Foto: Tâmna Waqued/Fiesp

 

Usando a experiência de uma empresa, ele mostrou as vantagens de um programa de gestão integrada de segurança, saúde e qualidade de vida, implantado de 2007 a 2011, incluindo programa de redução do risco cardíaco, desenvolvimento comportamental, campanhas entre elas a campanha da gripe, e um programa de estímulo a atividade física.

No programa de redução de risco cardíaco, a empresa gastou R$ 270 mil. O ganho econômico foi, para cada real investido, de R$ 1,62 e a taxa interna de retorno em três anos foi de 61,5%.

No transtorno mental e comportamental, a empresa trabalhou com os líderes conceitos de ética, qualidade de vida, segurança, saúde e responsabilidade social. Foram R$ 265 mil para treinar cerca de 300 pessoas, sendo R$ 5,22 para cada real investido. Uma taxa de retorno de 522% em um ano. Foi um retorno mais alto por se tratar de líderes, nível em que a remuneração é alta.

“O risco psicossocial hoje é a terceira causa de afastamento relacionado ou não ao trabalho. Dados da Organização Mundial de Saúde (OMS) informam que até 2040 o transtorno mental e comportamental vai ser a principal causa de afastamento”, diz Arantes.

A campanha de gripe foi avaliada no ano de 2009, quando aconteceu o auge da gripe suína. O investimento foi feito na  compra e na operação da vacina. Com a eficácia de 90% e o número de pessoas que tomou a vacina, foi estimada a redução dos casos de gripe naquela população, o que resultou em um retorno de 350% naquele ano.

Segundo Arantes, todos os adoecimentos estão relacionados com o trabalho, na causa ou na consequência. “Seja na causa ou na consequência, tudo está relacionado ao trabalho. A gripe de um filho impacta na produtividade”, afirmou. “Hoje o estilo de vida tem espaço muito maior no adoecimento do que a exposição a riscos ocupacionais, acidentes ou doenças profissionais. Promover a mudança no estilo de vida é muito mais barato e traz muito mais resultado.”

Arantes destacou a importância de ações de prevenção, citando os fumantes como exemplo. “Talvez seja mais fácil convencer um tabagista a abrir o peito, fazer quimioterapia e radioterapia do que pedir para ele parar de fumar ”, ilustrou. “O mesmo acontece com o FAP é a mesma coisa: é muito mais difícil contestar.”

Acesse as apresentações disponibilizadas pelos palestrantes do seminário “FAP, RAT, NTEP – Efeitos na Gestão Empresarial”

 

Carga tributária e custo de assistência médica preocupam os RHs na área de saúde

Ariett Gouveia, Agência Indusnet Fiesp

Durante o seminário “FAP-RAT-NTEP: efeitos na Gestão Empresarial”, realizado nesta segunda-feira (29/09) pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), a diretora adjunta do Comitê de Responsabilidade Social (Cores) da entidade, Grácia Fragalá, apresentou os resultados da pesquisa “Rumos sobre a Segurança e Saúde do Trabalho”.

Grácia: pesquisa também mostra que 30% das empresas oferecem benefícios corporativos voltados para a qualidade de vida. Foto: Tâmna Waqued/Fiesp

 

Feita no mês de agosto com 401 indústrias de pequeno, médio e grande porte, a pesquisa teve a finalidade de identificar os desafios de segurança e saúde para a indústria.

A alta carga tributária relacionada à área trabalhista foi identificada como o desafio mais crítico pelas indústrias em geral. Em segundo lugar, os pesquisados citaram como dificuldade o alto custo das assistências médicas. Em terceiro, entre as empresas de pequeno porte ficaram os afastamentos e, entre as indústrias de médio e grande porte, os níveis de produtividade.

Sobre o motivo de investirem em política estruturada de segurança e saúde, entrevistados citaram, pela ordem, o cuidado e a preocupação com os seus trabalhadores, a redução dos custos com assistência médica e aumento de produtividade.

“A pesquisa também mostra que 30% das empresas oferecem benefícios corporativos voltados para a qualidade de vida, como home-office, horário flexível e compensação de horas, aparecendo inclusive em pequenas e médias empresas”, diz Grácia.

“As empresas também demonstraram querem conhecer mais sobre segurança e saúde, o que representa uma oportunidade para a Fiesp, que busca estimular as indústrias a realizar uma gestão estratégica da saúde, unindo ambiente de trabalho seguro e saudável, práticas de promoção de saúde e prevenção de doenças.”

Acesse as apresentações disponibilidades pelos palestrantes do seminário “FAP, RAT, NTEP – Efeitos na Gestão Empresarial”

 

FAP poderá ser contestado de 1º a 31 novembro, informa diretor da ABRH Nacional

Guilherme Abati, Agência Indusnet Fiesp

A área de Recursos Humanos é fundamental para o processo de contestação do Fator de Acidente Previdenciário (FAP), disse o advogado e diretor jurídico da Associação Brasileira de Recursos Humanos (ABRH Nacional), Wolnei Tadeu Ferreira, em seminário na manhã desta segunda-feira (29/09) na sede da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).

O evento reuniu especialistas debater os efeitos na gestão empresarial do Fator de Acidente Previdenciário (FAP), Riscos de Acidente do Trabalho (RAT) e do Nexo Técnico Epidemiológico Previdenciário (NTEP).

Wolnei Tadeu Ferreira: “Envolva o corpo médico do trabalho no acompanhamento dos casos lançados, apure a verdade e questione as dúvidas." Foto: Tâmna Waqued/Fiesp

 

Ferreira informou que o FAP poderá ser contestado administrativamente, de 1º a 31 novembro de 2014, por meio de formulário eletrônico dirigido ao Departamento de Políticas de Segurança e Saúde Ocupacional (DPSSO).

“Compete à Secretaria de Políticas de Previdência Social (SPS) julgar em grau de recurso, ou seja, em segundo e último grau administrativo, as decisões do DPSSO. Contestação aplica-se somente aos casos das situações de Nexo Técnico Epidemiológico Previdenciário (NTEP)”, informou.

Para contestação, Ferreira sugere que as empresas busquem conhecer todos os casos lançados nas estatísticas da empresa e confirme os lançamentos feitos.

“Envolva o corpo médico do trabalho no acompanhamento dos casos lançados, apure a verdade e questione as dúvidas. Acompanhe com o jurídico as datas de divulgação dos fatores de risco da empresa e os prazos para a defesa, subsidiando-os com informações sobre os casos lançados”, disse o representante da ABRH Nacional.

“Os procedimentos de exames médicos e admissionais e demissionários devem ser avaliados, preparados e observados, verificando, inclusive, se a Classificação Nacional de Atividades Econômicas (CNAE) da empresa está corretamente aplicada”, concluiu.

Acesse as apresentações disponibilizadas pelos palestrantes do seminário “FAP, RAT, NTEP – Efeitos na Gestão Empresarial”

 

Empregador tem que conhecer a importância da segurança no trabalho

Guilherme Abati, Agência Indusnet Fiesp

O seminário “FAP-RAT-NTEP: Efeitos na Gestão Empresarial”, realizado na manhã desta segunda-feira (29/09), na sede da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), reuniu especialistas para discussão de direitos trabalhistas na indústria.

Para Rafael Kieckbusch, especialista em Política e Indústria da Confederação Nacional da Indústria (CNI), o entendimento sobre o Fator Acidentário de Prevenção (FAP), os Riscos de Acidente do Trabalho (RAT) e o Nexo Técnico Epidemiológico Previdenciário (NTEP) é importante, uma vez que afeta todas as empresas, empregados e segurados do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).

“É preciso entender o processo de regulação e responsabilidade social”, disse.

Rafael Kieckbusch: com o e-Social muitas empresas terão que revisitar seus processos para atender a demanda. Foto: Tâmna Waqued/Fiesp

 

Segundo ele, os temas estão diretamente ligados à saúde das indústrias. “Estão ligados à produtividade do trabalho, que cresceu 0,9% de 2006 a 2011.”

Na visão de Kieckbusch, o aumento da produtividade ocorre com expansão de renda e emprego. “Grande desafio é aumentar a produtividade, qualificação e inovação. O que depende da legislação trabalhista e questão previdenciária”, informou.

Para ele, “o empregador tem que conhecer a importância da segurança no trabalho e oferecer o instrumento para que ela ocorra”.

Além dessas questões, o especialista abordou temas ligados aos riscos ambientais do trabalho, benefícios previdenciários, atividades de riscos, aposentadoria especial, afastamento temporário e nexos técnicos.

Outro desafio apontado pelo especialista é o e-Social, mecanismo que vem com o propósito de unificar o envio de informações trabalhistas, previdenciárias e fiscais, relativas a contratação e utilização de mão de obra onerosa, com ou sem vínculo empregatício, por canal digital único.

Com o mecanismo, segundo ele, muitas empresas terão que revisitar seus processos para atender a demanda.

“Empregadores precisam estar atentos a esses modelos de regulação”, alertou.

Acesse as apresentações disponibilizadas pelos palestrantes do seminário “FAP, RAT, NTEP – Efeitos na Gestão Empresarial”