Falta de um acordo global e indefinição marcam Conferência do Clima

Lucas Alves, de Copenhague, na Dinamarca, para Agência Indusnet Fiesp

Somente na manhã do último sábado (19), a Organização das Nações Unidas (ONU) oficializou o encerramento da 15ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas, a COP15.

A Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) acompanhou as tentativas de negociação até os momentos finais, que adentraram a madrugada do sábado, no Bella Center, em Copenhague, Dinamarca.

Foram vários os fatores que contribuíram para um não-acordo global. Entre eles pode-se destacar, fundamentalmente, a quebra da confiança gerada pela Dinamarca ao apresentar um documento alternativo ao texto que vinha sendo negociado, bem como a falta de transparência do processo negociador em vários momentos.

Neste sentido, os acordos previstos sempre tiveram em risco mesmo após duas semanas de intensas negociações técnicas. Isso porque na negociação política não houve empenho por parte nem dos Estados Unidos e nem de China na direção ao objetivo comum que as nações almejavam.

Ao final, um documento negociado fundamentalmente por Brasil, Estados Unidos, China e Índia será submetido às demais partes.

Somente a partir das adesões será possível dizer se serão efetivamente levados adiante os avanços contidos no documento – como os compromissos dos países desenvolvidos em disponibilizar recursos (em torno de US$ 100 bi/ano) para o fundo de combate ao aquecimento global e de reportar à ONU as ações de redução de emissões até o final de janeiro de 2010, ou mesmo o reconhecimento de um mecanismo para a valorização dos recursos florestais.

Participação

A Fiesp se preparou durante vários meses para participar da COP-15. E enviou à Dinamarca uma equipe de técnicos capacitados para integrar as discussões dos diversos grupos de trabalho.

Eles estiveram presentes principalmente nos temas mais relevantes, como as discussões de metas, mitigação e adaptação, Namas, financiamento e REDD Plus.

“Esta participação foi de extrema importância, pois marcou a presença do empresariado da indústria num momento em que as mudanças climáticas afetam de forma crucial, além do meio ambiente e dos processos produtivos, a qualidade de vida da humanidade”, avalia o segundo vice-presidente da Fiesp, João Guilherme Sabino Ometto, que chefiou a comitiva em Copenhague.

A Fiesp considera o debate sobre mudanças climáticas tão relevante que também enviou à capital dinamarquesa seus diretores: Nelson Pereira dos Reis (Meio Ambiente), Carlos Cavalcanti (Energia) e Mário Marconini (Negociações Internacionais).


Avaliação

Na análise da equipe técnica da Fiesp, as divergências existentes entre alguns países, como China, Estados Unidos e União Europeia, relativas a MRV, regras para financiamento de longo prazo e até mesmo sobre a permanência ou não das bases do Protocolo de Kyoto, levaram a COP-15 a ter um resultado insignificante.

Para o grupo, a questão é que sem um acordo o mundo sai perdendo, pois as discussões econômicas se sobrepuseram às de qualidade de vida e de sobrevivência da humanidade.

Os especialistas da Fiesp avaliam ainda que alguns temas avançaram nas discussões técnicas, como REDD Plus. Sua forma de implementação foi delegada ao grupo de trabalho subsidiário técnico-científico da ONU para deliberações posteriores, o que deverá ocorrer somente na próxima Conferência do Clima.

Futuro

“Com esta participação, a Fiesp reconhece a importância destas discussões na economia global e na qualidade de vida dos brasileiros, pois se trata de um caminho sem volta, no qual os próprios agentes financeiros nacionais já se mobilizam na direção de uma economia de baixo carbono”, destaca Ometto.

Vale citar, por exemplo, a iniciativa da BMF&Bovespa e do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) no lançamento do IBRX50. Ou seja, a listagem via bolsa de valores das empresas com ações efetivas na redução de gases de efeito estufa no Brasil.

“Outras iniciativas virão. E a Indústria deverá estar preparada para enfrentar estes novos desafios”, conclui o vice-presidente da Fiesp.