Diálogo regulatório Brasil-Argentina reúne especialistas e empresários na Fiesp

Mayara Baggio, Agência Indusnet Fiesp

Uma integração comercial mais intensa entre Brasil e Argentina foi foco do seminário “Diálogo regulatório Brasil-Argentina”, realizado conjuntamente por Fiesp, Ciesp e Centro de Estudos do Comércio Global e Investimento (CCGI) da FGV nesta segunda-feira (11 de junho). Para além das atuais condições do Mercosul, especialistas e agentes de governo debateram estratégias de expansão e promoção das economias da região no exterior.

Na avaliação do diretor titular do Derex, Thomaz Zanotto, o governo argentino tem mostrado uma grande coerência em suas ações envolvendo o Mercosul, na busca por investimentos e parcerias. “A ideia é que juntos e mais fortes possamos fabricar e vender também produtos de maior valor agregado. Se não conseguimos fazer a convergência regulatória do século 20, como faremos a do século 21?”, questionou.

Zanotto apontou que, para a Fiesp, esse assunto tem sido prioridade desde 2012. Recentemente, a federação publicou uma cartilha técnica com propostas de aprimoramento de regulamentos na América Latina, na tentativa de eliminar obstáculos ao comércio regional. “Temos que caminhar mais rápido, passar por cima da burocracia, encontrando denominador comum”, defendeu.

O embaixador da Argentina no Brasil, Carlos Magariños, por sua vez, detalhou algumas dificuldades enfrentadas pelo seu país por conta de questões de convergência regulatória e os esforços feitos nos últimos anos por ambos os países. Já o subsecretário de Comércio Exterior do Ministério da Produção da Argentina, Shunko Rojas, contou como os argentinos estão trabalhando uma agenda ambiciosa de negócios para o Mercosul, considerando concessões, posições na Organização Mundial do Comércio (OMC) e acordos com a União Europeia (UE).

Para Mario Marconini, diretor de Política Comercial do Derex, o debate sobre cooperação regulatória é prioritário para a agenda de inserção internacional do país, sobretudo em um contexto marcado pela perda de protagonismo exercido pelas tarifas. Nesse sentido, Brasil e Argentina podem exercer um papel central na agilização da discussão regulatória dentro do Mercosul.

Na análise do secretário de Comércio Exterior do Ministério da Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Abrão Miguel Árabe Neto, há um universo extenso de outros temas que impactam o comércio exterior além das tarifas. Dentre eles, está presente a discussão sobre barreiras não tarifárias, incluindo as questões regulatórias. “A discussão sobre cooperação regulatória foi definida nos níveis mais altos de governo como uma prioridade para a aproximação comercial entre Brasil e Argentina”.

O encontro contou ainda com a apresentação de projetos sobre regulação, incluindo as pesquisas da coordenadora do Centro do Comércio Global e Investimento da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Vera Thorstensen, além de estudos sobre perspectivas para o aprofundamento do comércio bilateral, elaboração de propostas políticas e diálogos setoriais: automotivo, industriais, agricultura e alimentos.

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Abertura do Diálogo Regulatório Brasil-Argentina, na Fiesp. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp