Um mais antigo, outro mais novo, educadores falam de sua trajetória no Sesi-SP

Alice Assunção e Ariett Gouveia, Agência Indusnet Fiesp

São anos, até décadas, de dedicação. E uma missão: contribuir para elevar o nível da educação de crianças e jovens. Esse é o desafio diário de mais de 5,9 mil educadores que atendem a mais de 170 mil alunos em pelo menos de 175 escolas em mais de 110 municípios do Serviço Social da Indústria de São Paulo (Sesi-SP), de acordo com dados do Relatório de Atividades de 2013 da instituição.

É o caso de Marco Antônio Belmonte, 64, professor de educação física do Sesi-SP há 27 anos. Ele começou lecionar em 1979 e ingressou na instituição em 1987. Hoje, Belmonte é professor no Centro de Atividades de Santo André (SP), na região do ABC.

Sua trajetória profissional começou cedo, aos 20 anos. Foi com essa idade que ele foi aprovado em concurso da Petrobras. EM paralelo, deu início a uma faculdade de educação física em Santos (SP). Depois de seis anos na empresa pública, resolveu ir atrás do que realmente queria: trabalhar em uma escola. Para isso, prestou concurso estadual.

“Quando entrei na Petrobras, cheguei a pensar: ‘daqui eu não saio mais’, porque é o emprego dos sonhos de muita gente. Mas trabalhava em turnos e não me adaptei com o trabalho noturno. Foi quando resolvi trocar dinheiro por qualidade de vida.”

Ele ainda ficou um ano se dividindo entre a Petrobras e a escola estadual. “Depois de passar no concurso para professor, fiquei entre a cruz e a espada. Para dar aula, escolhi uma escola perto da Petrobras e fiquei trabalhando nos dois lugares. Quando o diretor viu que eu era funcionário da Petrobras, achou que eu não ia aparecer na escola, mas nunca faltei um dia.”

Oito anos depois, veio o convite para trabalhar no Sesi-SP, onde é professor desde 1987 e hoje dá aulas para turmas do 6º ano do fundamental ao 3º ano do ensino médio.

“Cheguei a ser convidado para ser coordenador do CAT, mas preferi continuar como professor. Adoro a interação com os alunos, tenho uma boa convivência com eles. Mesmo com a grande diferença de idade, não há falta de respeito. Eu me sinto bem fisicamente e pretendo continuar dando aula.”

Da rede estadual ele se aposentou em 2008, quando passou a se dedicar exclusivamente ao Sesi-SP, instituição que admira. “O Sesi-SP é uma instituição fantástica. Não vejo outra instituição no país, nem escolas particulares, que tenham condições de fazer o ensino integral como o Sesi-SP. Por causa da estrutura, dos equipamentos, sem falar da equipe maravilhosa”, elogia.

O professor de educação física conta que deu aula para os muitos pais de alunos que hoje estão se formando no ensino médio com ele.

“Apesar de ter visto o professor ter sido colocado em segundo plano pelos governos e pela sociedade, não conheço nenhum médico, engenheiro ou qualquer outra profissão que não tenha passado por um professor. Por isso, não me arrependo em nenhum momento das escolhas que eu fiz”, avalia Marco.

Recém chegado

Fabio Teruo Takashi, 30 anos, também é professor do Sesi-SP. Mas, ao contrário de Belmonte, ingressou na instituição em meados de 2013.

Professor de biologia nas escolas de Santo Anastácio e Alvares Machado, municípios na região oeste do estado, Fábio leva até 25 minutos para chegar às unidades, partindo de Presidente Prudente, onde ele mora.

Formado em biologia há oito anos, o educador lecionou em escolas particulares em Presidente Prudente até ser chamado para ingressar no Sesi-SP. A oportunidade apareceu ao menos três anos depois de ele ter participado de um processo seletivo para trabalhar na escola.

“Eu nem esperava mais ser chamado”, conta o professor. “Eu conhecia o Sesi-SP por meio de amigos que trabalhavam lá. Tem muita estrutura”.

Takahashi tem mais de 270 alunos nas escolas de Santo Anastácio, onde leciona às terças, quartas e sextas-feiras, e de Alvares Machado, para onde segue às segundas e quintas-feiras. E, assim como Belmonte, ele acredita que para construir carreiras profissionais bem sucedidas, a educação básica é fundamental.

“Como educador, gosto de transmitir que na vida a gente só consegue algo na base de muito estudo, esforço e muito trabalho”, avalia.

Ele admite, no entanto, que a sala de aula proporciona desafios mesmo em escolas bem estruturadas.

“Os pais colocam em nós professores a responsabilidade de educar os filhos deles. Ou seja, além de dar conhecimento tem de educar a criança. Uma responsabilidade deles acaba virando nossa responsabilidade”, afirma.

Embora sinta um peso maior em sua função, Takahashi se sente realizado ao lecionar no convívio com os seus alunos do Sesi-SP –a maioria entre 12 e 17 anos.

“Quando eles dizem: ‘professor eu esperei sua aula’ é muito prazeroso”, diz.

Takahashi trabalha e convive com educadores que têm até 18 anos de casa. E acredita que essa convivência é saudável tanto para os que acabaram de chegar como para os mais experientes da escola.

“Funciona, não só no Sesi-SP como em todos os lugares, ter essa troca de experiência do novo com o antigo. Tem coisas novas que não funcionam e o tradicional funciona muito bem. Mas às vezes é bom tentar algo diferente e também funciona. A convivência é boa.”