Novos rumos para a Comunicação Impressa são debatidos na Fiesp

Dulce Moraes, Agência Indusnet Fiesp

Na manhã desta segunda-feira (07/04), representantes do setor de papel e celulose, da indústria gráfica e embalagem e do mercado editorial avaliaram os novos rumos da comunicação impressa, durante reunião do Comitê da Cadeia Produtiva do Papel, Gráfica e Embalagem (Copagrem) da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).

Em paralelo à reunião, o coordenador do Copagrem, Fabio Arruda Mortara, fez o lançamento da campanha  mundial “Two Sides”, de difusão da sustentabilidade da comunicação impressa, no Brasil. Participaram do evento  jornalistas e diretores dos principais veículos de comunicação brasileiros e representantes do mercado publicitário.

Além de Fabio Mortara, responderam às perguntas dos jornalistas, Martyn Estace, diretor da campanha no Reino Unido, Christiano Nygaard, membro do Conselho de Administração da Associação Nacional de Jornais (ANJ), e Fernando Costa, primeiro vice-presidente da Associação Nacional de Editores de Revistas (Aner).

Futuro do jornal impresso

Ricardo Viveiros fala sobre o futuro da comunicação impressa no jornalismo. Foto: Everton Amaro/Fiesp

O avanço da comunicação digital determinará o fim da comunicação impressa? Para o escritor, empresário e jornalista Ricardo Viveiros, isso dependerá da força da criatividade de quem trabalha no mercado editorial e nos investimentos feitos para se garantir um jornalismo de qualidade. Viveiros ministrou, aos membros do Copagrem, a palestra “O futuro da comunicação impressa no jornalismo”.

“Os números são inquestionáveis. A Pesquisa Brasileira de Mídia mostra que o jornal impresso é o veículo de maior credibilidade para 56% das pessoas pesquisadas. O mesmo percentual afirma confirmar poucas vezes nas notícias veiculadas na web. As redes sociais e blogs nunca são confiáveis para 20% dos entrevistados”, afirmou Viveiros.

O escritor comentou que grandes veículos de comunicação já perceberam que a internet não é a raiz de todos os problemas para o setor impresso. “Como há ouvintes, telespectadores e leitores para todo tipo de assunto, a saída é a segmentação”, afirmou Viveiros.

Segundo ele, as publicações impressas terão um fim se as pessoas acreditarem nisso. Ele relembrou que há um ano e dois meses a revista norte-americana Newsweek, com assinantes em todo mundo e circulação de 1,5 milhão de exemplares, anunciara a sua última publicação impressa. Contudo, no mês de março deste ano, ela  voltou às bancas de Nova York. “Voltou, mas voltou diferente. Voltou melhor, arejada, dinâmica e dentro do gosto do consumidor”, disse.

Defesa do setor

Reunião do Comitê da Cadeia Produtiva do Papel, Gráfica e Embalagem (Copagrem). Foto: Everton Amaro/FIESP

Durante  a reunião do Copagrem, o diretor titular da Central de Serviço (Cser), Paulo Henrique Schoueri, e a gerente do Jurídico Corporativo Estratégico da Fiesp, Luciana Nunes Freire, apresentaram a nova área de acompanhamento legislativo da entidade, criada para atender as necessidades dos diversos setores da indústria.

Schoueri destacou a importância do setor produtivo ter conhecimento do que é decidido no Legislativo. “Dos 60 projetos que semanalmente entram na Câmara, apenas dois beneficiam as empresas e 58 são contrários”.

Segundo Schoueri, por meio do Núcleo e Acompanhamento Legislativo (NAL), a Fiesp busca reverter esse quadro e destacou a importância da participação e reação das indústrias sobre as novas leis em tramitação que prejudicam o setor. “Há uma cultura do brasileiro de não se manifestar. E se você não se manifesta, o outro lado massacra”.

A gerente Luciana Freire esclareceu  que o NAL vem recebendo várias proposições de interesse da indústria e que, no momento, 416 estão sendo monitoradas. “Dentre essas, as que afetam de forma prioritária a indústria, já estamos realizando ações instituicionais.”

Em seguida, ela listou todas as proposições consideradas prioritárias para a indústria e colocou a equipe do NAL à disposição dos membros do Copagrem para esclarecimento de dúvidas e aprofundamento dessas questões.

Desaceleração da economia e investimentos em debate na reunião do Copagrem da Fiesp nesta segunda-feira (30/09)

Isabela Barros, Agência Indusnet Fiesp

A desaceleração da economia foi debatida, na manhã desta segunda-feira (30/09), na reunião do Comitê da Cadeia Produtiva do Papel, Gráfica e Embalagem (Copagrem) da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp). O encontro foi conduzido pelo coordenador do Copagrem, Fabio Arruda Mortara.

Consultora econômica da Associação Brasileira da Indústria Gráfica (Abigraf) e do Sindicato da Indústria Gráfica (Sindigraf) e sócia da Gibraltar Consulting, Zeina Latif apresentou aos membros do Comitê um panorama atual da conjuntura econômica brasileira. “A economia e o mercado de trabalho estão apertados”, explicou Zeina. “Os custos subiram, o que tem impacto nas empresas”.

Numa análise mais específica sobre a situação da indústria, a especialista lembrou que “não existe força para ter contratação no setor”. “O trabalhador está ocioso, tem trabalhador ocioso nas fábricas”, disse. “Iniciamos o segundo semestre com estoque não muito baixo e tendência de estagnação”.

Zeina na reunião do Copagrem: indústria sem força para novas contratações. Foto: Beto Moussalli/Fiesp

Zeina na reunião do Copagrem: indústria sem força para fazer novas contratações. Foto: Beto Moussalli/Fiesp

 

Zeina destacou ainda que a indústria foi o “grande destaque negativo em 2012”. “Os sinais de enfraquecimento da atividade econômica estão cada vez mais disseminados”, explicou. “Outros setores também sentem esse país mais caro, como o setor de serviços”.

Com isso, segundo Zeina, o “mercado de trabalho já mostra sinais de exaustão”.

O foco nas políticas de estímulo à demanda, lembrou Zeina, também tem as suas consequências. “É um erro insistir em políticas de estímulo da demanda quando o problema está na oferta, na falta de infraestrutura e nos gargalos encontrados no país”.

Diretor regional do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial de São Paulo (Senai-SP) e superintendente do Serviço Social da Indústria (Sesi-SP), Walter Vicioni também participou da reunião. E aproveitou para apresentar ações recentes das duas instituições no sentido de aprimorar a oferta de mão de obra qualificada no Brasil. “Estamos vivendo novos tempos no Sesi e no Senai”, disse.

Vicioni destacou o São Paulo Skills, maior torneio do ensino profissional do estado, realizado entre os dias 25 e 29 de setembro no Anhembi, em São Paulo, como uma ação importante nesse sentido. “Numa estrutura de 70 mil metros quadrados montada em três dias, perto de 800 alunos participaram, vindos de diferentes pontos do estado”, afirmou. “E com o lema ‘sei fazendo, faço sabendo’”, explicou.

Segundo Vicioni, a indústria gráfica também é contemplada pelas atividades do Senai-SP. “Nós orientamos as escolas do Senai de acordo com a demanda”, disse. “Todas as escolas da rede devem buscar se transformar em centros de tecnologia e inovação”.

Editoras

Sobre as editoras do Sesi-SP e do Senai-SP, Vicioni lembrou que a primeira tem dois anos de atuação e, a segunda, um ano. “Na soma das duas, temos 150 títulos”, disse.

A indicação de cinco livros das duas editoras para a edição deste ano do Prêmio Jabuti, o mais importante da área no país, também foi lembrada. “A indicação por si só para nós é um estímulo”. Para conferir os livros indicados, só clicar aqui.

Carta de amor

Participaram da reunião ainda profissionais como o diretor da Associação Nacional de Livrarias (ANL), Afonso Martin, que aproveitou para destacar algumas ações da entidade em andamento. “Completamos 35 anos em 2013”, disse.

Para Martin, é preciso acreditar no “papel do papel”. “Se é preciso ter mais coragem para escrever um cartão para uma mulher e mandar para casa dela do  que escrever pela internet isso já mostra o valor do papel”, explicou. “O papel e, por consequência, as livrarias, são fundamentais”.

Nessa linha, a ANL prepara a campanha “Uma livraria pode transformar a sua vida”.  “Precisamos reconhecer a importância cultural da livraria”, afirmou.

Participaram ainda da reunião o presidente do Sindicato Nacional das Empresas de Limpeza Urbana (Selurb) e diretor da Associação Brasileira de Resíduos Sólidos e Limpeza Pública (ABLP), Ariovaldo Caodaglio, e o diretor do Sindicato Nacional dos Editores de Livros (SNEL), Eduardo Salomão, entre outros convidados.

Entrevista: Fabio Mortara, coordenador de novo comitê da Fiesp, fala de desafios da cadeia produtiva gráfica e do papel

Guilherme Abati e Talita Camargo, Agência Indusnet Fiesp

Fabio Mortara: 'entidades nacionais vieram porque acreditam que está na hora da cadeia produtiva conversar'. Foto: Everton Amaro/Fiesp

Pouco antes da primeira reunião do Comitê da Cadeia Produtiva do Papel, Gráfica e Embalagem (Copagrem) da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), na tarde de terça-feira (09/04), o coordenador do organismo, também presidente do Sindicato das Indústrias Gráficas de São Paulo (Sindigraf-SP), atendeu a reportagem do site da Fiesp.

Leia a seguir os principais trechos da entrevista.

Qual o objetivo da criação deste comitê na Fiesp?

Fabio Arruda Mortara – A gente percebeu que a cadeia produtiva do papel, da indústria de comunicação impressa e das embalagens (que também é comunicação impressa) estava precisando se encontrar e começar a discutir suas questões de forma coordenada, integrada e sinérgica.  Então, surgiu a oportunidade, com o apoio fundamental da Fiesp, de reunir mais de trinta entidades da cadeia produtiva – a grande maioria das quais nacionais, que vão de agências de propaganda, jornais, livros e revistas, até a indústria de papel e celulose, de tecnologia da indústria gráfica –, para poder listar as questões mais importantes do setor e passar a tratá-las de forma eficiente e coordenada, como já fizeram, nesta casa, o setor do agronegócio, da construção civil e vários outros setores.

Qual é o maior desafio dessa área?

Fabio Arruda Mortara – A comunicação impressa, sem dúvida, atravessa um momento de grande desafio. Os equipamentos que não são atômicos são eletrônicos e nós vivemos de átomos. A indústria de comunicação impressa e de embalagens lida com átomos e a era da eletrônica, que alguns chamam de digital, são basicamente elétrons. A gente não tem nada contra os elétrons, mas nós temos uma feição muito maior aos átomos. E esse é o grande desafio: entender como a humanidade, a sociedade brasileira vai poder entender, perceber o valor e lidar com isso – sejam atômicas ou, no nosso caso, impressas (em papel ou em outras mídias – nas próximas décadas. E a cadeia produtiva unida vai fazer isso de uma forma, provavelmente, muito mais eficiente.

Jornais e livros têm o risco de acabar com o crescimento das mídias digitais?

Fabio Arruda Mortara – De forma alguma. Nós temos aqui, hoje, presentes, presidentes das principais entidades de livros, presidentes de sindicatos de jornais. Está claríssimo de que essas são mídias que vão permanecer durante muitas décadas, na indústria, na nossa sociedade e mesmo em sociedades desenvolvidas. Então, nós temos certeza de que as formas impressas realmente vão subsistir.  Agora, todas essas mídias vão se acomodar, lógico, mas a gente quer entender isso melhor e esticar o ciclo de vida de todos os produtos, na medida em que isso for possível.

Este encontro é histórico? Por quê?

Fabio Arruda Mortara – Nós temos hoje, aqui, mais de trinta entidades nacionais. Algumas são também sindicatos do estado de São Paulo, mas a grande maioria são entidades nacionais, que vieram porque acreditam que está na hora da cadeia produtiva conversar. E o destino desse grupo, desse comitê, vai depender, basicamente, do tipo de proposta, da consistência do que nós fizermos e dos resultados que a gente conseguir obter.