Fiesp e Ciesp apresentam as oportunidades do setor de petróleo e gás para pequenas e médias empresas em Campinas

Ariett Gouveia, Agência Indusnet Fiesp, de Campinas

Apresentar as demandas do setor de petróleo e gás para as micro, pequenas e médias empresas foi o objetivo do evento “As oportunidades do pré-sal: como participar deste mercado?”, realizado nesta terça-feira (26/11), pela Federação das indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) e pelo Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp). As palestras aconteceram na sede do Ciesp de Campinas, com abertura feita pelo diretor de negócios do Ciesp Campinas, Fabiano Grespi.

Virgílio Calças, especialista no setor, com uma carreira de 40 anos na Petrobrás, apresentou as oportunidades e também as exigências que o setor demanda das pequenas e médias empresas que pretendem se tornar fornecedoras da cadeia.

“A área de petróleo e gás é o maior orçamento que a América do Sul tem hoje em um determinado segmento da indústria”, disse. “Se a gente não fizer nada, quem vai fornecer material para o pré-sal são as indústrias estrangeiras. Mas nós temos capacidade de fazer gestão de inovação dos nossos processos para atender esse setor”.

De acordo com Calças, para desenvolver e estruturar o setor de P&G no Brasil é preciso inovação, busca de novas tecnologias, cooperação de setor público e iniciativa privada, ganho de escala de bens e serviços, promoção de competitividade e qualificação de recursos humanos.

“A quantidade de produtos, serviços e conhecimento envolvidos na exploração no pré-sal é muito grande, por isso há tanto investimento e tantas oportunidades”, explicou. “Precisamos que as indústrias de São Paulo trabalhem também nessa direção. Mesmo atendendo seus segmentos, usem seu expertise para o petróleo e gás, diversificando seus clientes e entrando em um novo setor.”

Bacia de Santos

Representando a Petrobrás, o gerente de fornecimento da Unidade de Operação da Bacia de Santos (UO-BS), Victor Saboya, contou a história da descoberta e  início da exploração na área, a atuação da empresa e a produção atual. “A Bacia de Santos já é uma realidade. Hoje, são 200 mil barris no pré-sal e, em sete anos, vamos produzir mais de 1 milhão de barris por ano, quase metade do total da produção da Petrobrás atualmente”, afirmou. “A produção de petróleo no pré-sal não tem mais nenhum requisito tecnológico que impeça. Só tem melhorias a serem feitas.”

Saboya destacou a questão da manutenção das plataformas e equipamentos. “São muitas as demandas, valores enormes sendo investidos. E o principal: serão muitos e muitos anos de operação de todas as unidades.”

Sucesso na área

Exemplo de sucesso na área, o diretor da AR – Ar condicionado e engenharia, Antonio Luiz Schiliró, contou como sua empresa passou a fornecer para o setor de P&G. Segundo ele, o projeto começou por meio de um evento da Fiesp, de mobilização da indústria paulista na cadeia de óleo e gás. “Na área de offshore, constatamos que vários ambientes necessitavam de nossos equipamentos e serviços.”

Schiliró conta que os primeiros desafios foram a necessidade da capacitação técnica e de certificações, o cadastramento na Petrobrás e o caminho para chegar às informações estratégicas do setor. Foi quando a empresa integrou o Núcleo de Apoio de gestão à Inovação da Cadeia de Petróleo e Gás (Nagi), uma parceria da Fiesp, do Ciesp e da USP. E começou a entender melhor o setor.

“Em julho de 2012, novamente por meio de convite da Fiesp, participamos de uma  missão empresarial à Finlândia e à Noruega, voltada ao setor de óleo e gás”, disse. “A missão teve encontros com indústrias locais, visitamos estaleiros, participamos de workshops e entendemos como funcionam os cluster das unidades navais na Noruega”, contou. “Foi lá que descobrimos a força da pequena e média empresa na cadeia.”

Hoje, a AR já trabalha em diversas áreas no setor de P&G, como fornecimento de sistema de ar-condicionado para sub-estações elétricas na nova refinaria Comperj e trabalhos offshore  em Macaé.

Núcleo de Apoio

A gestão da inovação e sua importância para aproveitar as oportunidades do pré-sal foi o tema apresentado pela consultora da PGT/USP, Claudia Pavani. “Ter uma bela ideia não é inovação. Inovar é implementar um produto novo, um processo, um método de marketing ou organizacional”, explicou. “A empresa consegue inovar quando tem ideias, converte essas ideias em produtos e serviços e as vende. Se não funcionar bem em um desses três aspectos, não há inovação.”

Gestão da inovação é um dos módulos do programa Nagi, que tem de 12 a 14 meses de duração. O programa busca sensibilizar para a inovação, capacitar profissionais e também indústrias da cadeia PG e assessorar planos de gestão da inovação e projetos inovadores.  Além disso, as empresas participantes são orientadas com relação a parceiros e linhas de financiamento, metodologia e normatização, construção de propostas de plano de gestão e projeto de inovação.

Com atuação em seis regiões do Estado, o Nagi pretende iniciar seu trabalho em Campinas em janeiro de 2014. A apresentação do programa foi feita pelo analista de projetos do Departamento de Competitividade e Tecnologia (Decomtec) Fiesp, Egídio Zardo Jr.

“A gente tem a força da Fiesp, do Ciesp e da USP para mostrar que a indústria paulista se mobilizou e tem projetos para a área de petróleo e gás. O objetivo do Nagi é dar ajuda para que isso aconteça de forma integrada”, afirmou Zardo.