No Centro Cultural Fiesp: Sesi-SP abre exposição que mostra todas as fases de Nelson Rodrigues

Talita Camargo, Agência Indusnet Fiesp

Certa vez, Nelson Rodrigues (1912-1980) afirmou: “Sou um menino que vê o amor pelo buraco da fechadura. Nunca fui outra coisa. Nasci menino, hei de morrer menino. E o buraco da fechadura é, realmente, a minha ótica de ficcionista. Sou (e sempre fui) um anjo pornográfico.”

E é exatamente assim que o público pode enxergar Nelson Rodrigues e toda sua obra na exposição Nelson Rodrigues 100 anos: pelo buraco da fechadura. A mostra, apresentada pelo Sesi-SP e com curadoria do escritor Ruy Castro, revela Nelson nas mais diversas facetas: o jornalista, o cronista, o dramaturgo, o folhetinista, o comentarista esportivo, o pai, o marido, o amigo, o irmão, o ‘anjo pornográfico’.

Entrada da Exposição: Nelson Rodrigues 100 anos. Foto: Talita Camargo.

 

“A exposição está maravilhosa! Muito ágil e temos a oportunidade de ver A vida como ela é… em revista em quadrinhos, ver os reclames, as roupas das pessoas, os carros e ver muita coisa do ‘velho’”, afirmou o filho do homenageado, Nelson Rodrigues Filho, o Nelsinho, durante a abertura da mostra, apenas para convidados, que aconteceu na noite desta quarta-feira (10/10).

Painel com frases de Nelson Rodrigues faz parte da exposição. Foto: Talita Camargo.

“Sempre muita coisa do ‘velho’, ainda é sempre pouco, mas [a exposição] é muito bem selecionada”, ressaltou Nelsinho ao completar que o ambiente da mostra provoca boas sensações. “Eu vejo o ‘velho’, eu sinto o ‘velho’.”

A exposição permite que o visitante percorra a vida de Nelson Rodrigues por meio de suas obras, como “Vestido de Noiva”, a peça que revolucionou o teatro moderno brasileiro, apresentada em grande painel com texto e imagens que evocam o cenário da montagem original: um hospital. Além disso, é possível ouvir Nelson por meio da voz de Ruy Castro, narrando suas frases inesquecíveis. Há, também, um filme raro dirigido por João Bethencourt (1924-2006), que recupera cenas do cotidiano de Nelson em casa e na redação, em 1968, aos 56 anos.

Para o superintendente do Sesi-SP e diretor regional do Senai-SP, Walter Vicioni, a exposição este muito bem organizada. “Está maravilhosa porque retrata bem os momentos do cotidiano do Nelson Rodrigues.”

Nelsinho ressaltou a importância do trabalho feito pelo Sesi-SP com o projeto Nelson Rodrigues 100 anos, sob curadoria de Ruy Castro e o Marco Antônio Braz. “É muito importante para a cultura brasileira e fundamental para as novas gerações”, afirmou. Ao concluir, Nelsinho recomendou: “venham ver a exposição, os debates e as peças”.

Nelson mal na fita

Logo após o evento de abertura da exposição, o palco do Teatro do Sesi-SP recebeu Ruy Castro, Walter Lima Jr., Ismail Xavier e Rubens Ewald Filho para o debate “Nelson mal na fita – Por que os críticos desprezavam os seus filmes?”

Apesar de já ter lido todas as peças rodrigueanas e de ter visto todos os filmes baseados na obra do autor, Ewald Filho afirmou não se sentir preparado para comentar Nelson Rodrigues, por considerá-lo genial. “Ele era absolutamente brilhante e foi mal aproveitado pelo cinema, pois era obviamente comercial e as críticas eram sempre para os diretores, que acentuavam o grosseiro e a baixaria”.

Ewald Filho acredita que quando chegou o momento de cineastas mais importantes fazerem jus à obra de Nelson, todos os filmes já tinham sido feitos e refeitos. “O que no Brasil é muito raro, pois praticamente toda a obra dele foi filmada.”

A exposição fica aberta  até 16 de dezembro de 2012 no Centro Cultural Fiesp – Ruth Cardoso.

Serviço

Exposição Nelson Rodrigues 100 anos
Local: Térreo Inferior do Centro Cultural Fiesp – Ruth Cardoso (av. Paulista, 1.313 – Metrô Trianon-Masp)
Período expositivo: de 11 de outubro a 16 de dezembro de 2012
Datas e horários: todos os dias, das 11h às 21h, com entrada até 20 minutos antes do fechamento.
Agendamentos escolares e de grupos: de segunda a sexta-feira, das 10h às 13h e das 14h às 17h, pelo telefone (11) 3146-7396
Classificação indicativa: livre