Retrospectiva 2013 – Fiesp reforça contatos internacionais e apoio aos exportadores

Guilherme Abati, Agência Indusnet Fiesp

“O Departamento de Relações Internacionais e Comércio Exterior (Derex)  se empenhou para dar encaminhamento à agenda de competitividade e inserção internacional da indústria brasileira. Acredito que cumprimos o nosso papel”, analisou Roberto Giannetti da Fonseca, diretor-titular do departamento, sobre o desempenho da área em 2013.

Ao longo do ano, o Derex realizou 220 reuniões, dentre elas, 56 seminários, que contaram com a presença de sete chefes de estado, de governo e autoridade real, 15 ministros, sete governadores e 37 embaixadores.

De acordo com o presidente da Fiesp, Paulo Skaf, 2013 trouxe grandes desafios para o Derex que “desempenhou um importante papel na coordenação da ampla agenda internacional e de comércio exterior da Fiesp. Em sintonia com o objetivo de fortalecimento da indústria, o departamento intensificou os contatos internacionais da entidade”.

Além disso, o departamento esteve envolvido em muitas outras iniciativas, que contaram com autoridades de grandes países.

Encontro Econômico Franco-Brasileiro

Em dezembro, a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) recebeu a visita da presidente Dilma Rousseff e do presidente da França, François Hollande. Os dois participaram do Encontro Econômico Franco-Brasileiro.

Dilma afirmou durante o evento que um futuro acordo entre o Mercosul e a União Europeia vai contribuir para o potencial “ainda inexplorado” de intercâmbio comercial entre o Brasil e a Europa. Ela acrescentou que o Mercosul e os parceiros brasileiros estão prontos para fazer uma “oferta comercial”.

“Esperamos que a troca de ofertas se realize em janeiro”, afirmou. O evento também contou com o presidente da federação, Paulo Skaf.

Skaf, Hollande e Dilma no Encontro Econômico Franco-Brasileiro, realizado na Fiesp. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

Skaf, Hollande e Dilma no Encontro Econômico Franco-Brasileiro, na Fiesp. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

 

Já Hollande afirmou que a França espera dobrar o intercâmbio monetário com o Brasil até 2020. “Quero ver maiores investimentos franceses no Brasil, que já são elevados, em torno de dois bilhões de euros”, disse.  “Desejo, também, multiplicar o investimento brasileiro na França”, acrescentou o presidente da nação europeia.

Para Skaf, é fundamental que o acordo entre o Mercosul e a União Europeia prospere. O pre3sidente da Fiesp destacou a importância da França enquanto “uma das fundadoras da União Europeia” e uma das nações “líderes do grupo” para o fechamento de um acordo comercial entre os dois blocos de países. “Uma posição francesa favorável vai fazer uma grande diferença”.

31º Encontro Econômico Brasil-Alemanha

Dilma e Paulo Skaf também participaram do 31º Encontro Econômico Brasil-Alemanha, ao lado do presidente da Alemanha, Joachim Gauck.

Na ocasião, Dilma reiterou o interesse em aprofundar parcerias estratégicas com a nação germânica e aumentar a reciprocidade de comércio entre os dois países.

“Esse encontro, com líderes da indústria e da economia dos dois países, é uma grande ponte entre a maior nação econômica da América Latina e a maior nação do ponto de vista econômico da Europa”, enfatizou Gauck.

Para Gauck, o evento reúne pessoas importantes para que a relação entre os dois países se consolide. “São testemunhas e atores da amizade entre Brasil e Alemanha, porque puderam conviver com os bons frutos dos contatos entre os dois países desde o início”, afirmou.

Skaf afirmou que o Brasil deve aprender com modelo alemão que fortalece pequenas e médias empresas. “O modelo alemão das pequenas e médias empresas é muito importante e devemos trazê-lo para o Brasil e aprender com ele”, afirmou Skaf. Segundo ele, as PMEs representam 66% do Produto Interno Bruto (PIB) alemão. “Estudos mostram que uma das razões para a resistência à crise da Alemanha é graças à política de pequena e média empresa”, completou.

Expo 2020

Ao longo de 2013, a Fiesp apoiou a candidatura da cidade de São Paulo para receber a Expo 2020 – terceiro maior evento internacional em termos de impacto cultural e econômico, atrás apenas da Copa do Mundo e dos Jogos Olímpicos.

As cidades concorrentes, além de São Paulo, foram: Dubai (Emirados Árabes Unidos); Ecaterimburgo (Rússia) e Izmir (Turquia).

Em novembro, Dubai foi escolhida como a cidade-sede.

Roberto Azevêdo visita Fiesp

Em maio, o diretor-geral da Organização Mundial do Comércio (OMC), o embaixador Roberto Azevêdo, se reuniu com Paulo Skaf e outros representantes do setor produtivo.

No encontro, representantes do agronegócio e da indústria de transformação falaram sobre negociações internacionais como a Rodada de Doha e incremento da participação da indústria brasileira como competidora no mercado global.

Segundo Azevêdo, o principal desafio levantado durante a reunião foi a inserção da indústria brasileira no mundo.

“Toda conversa foi exatamente em imaginar como melhorar a competitividade da indústria e como fazer que esse seja o caminho que vamos traçar daqui para frente”, afirmou o diretor da OMC.

Necessidade de reformulação da OMC

Para o embaixador Rubens Barbosa, a OMC precisa passar por reformulação. A opinião foi dada durante reunião do Conselho de Comércio Exterior em dezembro.

Segundo Barbosa, o problema atual da OMC não é isolado. “O multilateralismo como um todo vive uma crise geral”, afirmou Barbosa.

A sobrevivência da Organização Mundial do Comércio (OMC) é importante, mas a instituição precisa passar por mudanças, opinou o dirigente.

Acordo entre Mercosul e União Europeia

Acordo entre Mercosul e UE só acontece se houver vantagens para o Brasil, afirmou o secretário de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC )Daniel Godinho na Fiesp.

O governo brasileiro decidiu avançar nas negociações da proposta de acordo comercial do Mercosul com a União Europeia (UE), mas ainda falta muito para que o acesso ao mercado europeu seja garantido, disse ele.

Visitas de autoridades e missões empresariais

Japão

Ao menos 80 empresários japoneses visitaram a sede da Fiesp no dia 30 de janeiro, para um encontro com Paulo Skaf. Em pauta, o incremento das relações comerciais entre o Japão e o Brasil.

Representantes de empresas japonesas estiveram na sede da Avenida Paulista para discutir temas como competitividade, tarifas de importação, infraestrutura e processos jurídicos.  O encontro culminou na apresentação de uma ampla proposta de acordo de parceria econômica entre os países, liderada pelas entidades industriais de ambas as partes.

Nova Zelândia

Primeiro-ministro da Nova Zelândia, John Key, encontrou-se com o presidente da entidade, Paulo Skaf, e com o prefeito da cidade de São Paulo, Fernando Haddad.

Na ocasião, Skaf concedeu medalha da Ordem do Mérito Industrial ao premiê da Nova Zelândia.

O comércio entre Brasil e Nova Zelândia tem muito espaço para expansão, afirmou o 2º vice-presidente da Fiesp, João Guilherme Sabino Ometto, na ocasião.

“O Brasil, que atualmente é uma das maiores economias do mundo, não está nem um pouco satisfeito em ser o 47º principal parceiro comercial da Nova Zelândia. Queremos avançar e temos certeza que esse é também o objetivo dos senhores”, disse Ometto.

Pensilvânia, Estados Unidos

Em abril, o governador Thomas Corbett, do estado da Pensilvânia, nos Estados Unidos, visitou a entidade para conversar com o empresariado local. No encontro, Corbett apresentou as oportunidades de investimentos existentes na região e as possibilidades de cooperação entre o estado e empresas brasileiras.

Thomas Corbett apresentou as vantagens competitivas da Pensilvânia na Fiesp. Foto: Julia Moraes/Fiesp

 

Novo decreto antidumping

O Derex presta assistência técnica aos sindicatos no combate às práticas desleais no comércio exterior e na interlocução de seus interesses perante o governo.  Também busca contribuir para a formulação de políticas públicas que defendam a indústria brasileira em face de irregularidades nas importações, bem como o acesso a mercados.

Dentre as principais ações promovidas pela área em 2013, destaca-se a publicação do “Guia antidumping”, visando apresentar ao público empresarial os principais aspectos relativos ao mecanismo antidumping.

O documento foi inserido no site do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio exterior (MDIC) para consulta e solicitado pela Receita Federal para disponibilizar aos seus servidores. O trabalho foi precedido de uma consulta pública na qual a Fiesp coordenou uma manifestação com entidades do setor privado para alterar a principal regra relativa às medidas antidumping.

Para aprofundar o conhecimento sobre a questão, a Fiesp promoveu o seminário “Novo Decreto Antidumping: mudanças e impactos”, em setembro.

Para Felipe Hees, diretor do Departamento de Defesa Comercial (Decom) do ministério, o decreto é uma etapa na evolução da defesa comercial no Brasil, afirmou durante o seminário “Novo Decreto Antidumping: mudanças e impactos”.

195 mil certificados de origem

A Área de Certificado de Origem, cujo objetivo é fornecer aos exportadores um dos principais documentos nos processos de vendas externas, beneficiando os empresários com a redução ou isenção do imposto de importação nos países com os quais o Brasil possui acordos de comércio, foi outra área que conquistou ótimos resultados em 2013.

Foram cerca de 195.000 processos de certificação, permanecendo a Fiesp como a maior prestadora de serviço deste produto no Brasil.

Apex aponta mercados não tradicionais como oportunidade de negócios para exportadores brasileiros

Flávia Dias, Agência Indusnet Fiesp

Ana Repezza, gerente geral da Apex, durante reunião do Coscex/Fiesp. Foto: Everton Amaro

Ana Repezza, gerente geral de negócios da Apex, durante reunião do Coscex/Fiesp. Foto: Everton Amaro

O crescimento das exportações para os mercados não tradicionais – formados pelos países da América Latina, Oriente Médio, África, China e Índia – pode ser uma excelente oportunidade de negócios para empresários brasileiros, na avaliação da gerente geral de negócios da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil), Ana Repezza.

Segundo ela, com as restrições dos produtos brasileiros nos mercados tradicionais – Estados Unidos e países da Europa –, a Apex adotou uma estratégia de explorar os mercados não tradicionais, que possibilitam o aumento do volume de vendas dos exportadores nacionais.

“Nós temos tido um sucesso muito grande com a chegada das empresas brasileiras [nos mercados não tradicionais], porque eles são pouco explorados e permitem que as nossas empresas entrem com uma posição mais competitiva”, disse Ana Repezza, durante a reunião mensal do Conselho Superior de Comércio Exterior (Coscex) da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), realizada nesta terça-feira (18/09).

A gerente geral Apex-Brasil deixou claro, porém, que Apex não abandonou os mercados tradicionais, que, no seu entendimento, têm um forte poder de compra. “Estamos buscando estratégias de diluir o risco com novas oportunidades”, explicou.

De acordo com Ana Repezza, atualmente o Brasil conta com 22 mil empresas exportadoras, dentre as quais 13 mil são atendidas pela Apex. Em 2011, informou, a instituição teve participação de 21,24% no índice de exportações indústrias do país – resultado dos 977 eventos realizados pela instituição que beneficiaram 81 setores produtivos. “Nós temos um desafio muito forte de sensibilizar os empresários para as oportunidades do mercado internacional”, enfatizou a gerente geral.

Parcerias comerciais com o Paraguai

Embaixador Rubens Barbosa, presidente do Coscex da Fiesp. Foto: Everton Amaro

Embaixador Rubens Barbosa, presidente do Coscex da Fiesp. Foto: Everton Amaro

O presidente do Coscex/Fiesp, embaixador Rubens Barbosa, aproveitou a oportunidade para relatar aos conselheiros sua visita ao Paraguai, onde conversou com empresários locais e concluiu que o país vizinho pode ser “um excelente parceiro comercial do Brasil”.

Algumas das vantagens apontadas pelo embaixador são os incentivos fiscais e “impostos baixíssimos” oferecidos pelo país. “Se fizermos isso, estaremos beneficiando a economia brasileira e ajudando um parceiro pequeno que, por uma série de questões políticas e ideológicas, sofreu uma violência muito grande”, salientou, referindo-se aos últimos conflitos políticos que desencadearam o impeachment do presidente Fernando Lugo.

Barbosa defendeu, por exemplo, a criação do corredor ferroviário interoceânico entre a cidade de Paranaguá (Brasil) até o município de Antofagasta (Chile): “Para o Paraguai é importante porque abre mais um canal para o Pacífico e Atlântico”, afirmou.

Opinião compartilhada pelo diretor-titular-adjunto do Departamento de Relações Internacionais e Comércio Exterior (Derex), Thomaz Zanotto: “Nos precisamos enxergar o Paraguai como um instrumento da competitividade da indústria brasileira”, disse.