Balança comercial de SP registra superávit de US$ 2,9 bi no 1º semestre

Mayara Baggio, Agência Indusnet Fiesp
Nos primeiros seis meses deste ano, a balança comercial do Estado de São Paulo teve um superávit de US$ 2,9 bilhões. Houve crescimento de 11,8% das exportações, para US$ 28,7 bilhões, e alta de 4% das importações, para US$ 25,8 bilhões, ambos em relação ao primeiro semestre de 2016. A análise é do Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos (Depecon) e do Departamento de Relações Internacionais e Comércio Exterior (Derex) da Fiesp sobre o desempenho das 39 diretorias regionais do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp).

No mesmo período, a balança comercial do país registrou superávit de US$ 36,2 bilhões, crescimento significativo na comparação com os US$ 23,7 bilhões registrados no primeiro semestre de 2016, segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC). A venda de produtos brasileiros no mercado internacional foi responsável pela entrada de US$ 107,7 bilhões no período, uma expansão de 19,3% também na comparação anual. Já as importações acumularam US$ 71,5 bilhões, uma alta de 7,3% contra o primeiro semestre do ano passado.

Segundo o diretor titular do Derex, Thomaz Zanotto, o aumento das exportações refletiu a existência de um Plano Nacional de Exportações (PNE), que há dois anos integra ações estratégicas como o Reintegra, os mecanismos de financiamento às exportações e as atividades da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex).

Ele afirmou que pela primeira vez em algum tempo a taxa de câmbio apresenta previsibilidade, mesmo que siga apreciada em relação a outras moedas. “A conjunção destes dois fatores resultou no aumento das exportações de diversos setores da indústria da transformação”, completou. Além disso, a safra recorde na agricultura também é um fator importante para o resultado positivo.

Líder do Estado em volume de exportações, o município de São José dos Campos acumulou US$ 4,3 bilhões de janeiro a junho, um avanço de 48% contra os US$ 2,9 bilhões registrados no primeiro semestre do ano passado. A região foi destaque na venda de combustíveis minerais, óleos minerais e produtos da sua destilação, matérias betuminosas, ceras minerais (49% da pauta exportadora), além de aeronaves e aparelhos espaciais e suas partes (39,2%). Na outra ponta, as importações da diretoria regional de São José dos Campos representaram US$ 1,2 bilhão, um recuo de 45,9% contra os primeiros meses de 2016. Este ano, a cidade ficou com a 7ª colocação em volume importado pelo Estado.

Na segunda posição do ranking de exportações, a capital paulista somou US$ 3,9 bilhões, valor 10% menor que os US$ 4,3 bilhões vistos em 2016. A pauta de São Paulo foi puxada pelos açúcares e produtos de confeitaria (32,1% do total vendido). Na pauta importadora, a diretoria regional ficou com o primeiro lugar do Estado, com um aumento de 11,2% das compras no exterior, principalmente no setor de máquinas, aparelhos e materiais elétricos, para US$ 4,9 bilhões.

Finalmente, Santos ficou com o terceiro lugar em exportações no primeiro semestre, com US$ 2,4 bilhões, 18,9% mais do que os US$ 2 bilhões exportados nos mesmos meses do ano anterior. As vendas de destaque do município foram os açúcares e produtos de confeitaria (36,5%). Sobre as importações, a diretoria regional totalizou US$ 541,2 milhões, um aumento de 50,2% sobre os US$ 360,3 milhões importados no primeiro semestre de 2016, sob pressão dos combustíveis (68,7% da pauta). Ainda assim, Santos conquistou o segundo maior superávit da balança comercial de janeiro a junho deste ano, com US$ 1,9 bilhão, 12,1% superior ao superávit do mesmo período do ano passado.

Clique aqui para ter acesso ao levantamento completo e a sua série histórica.

Balança comercial paulista registra superávit de US$ 407,4 milhões no 1º tri

Mayara Baggio, Agência Indusnet Fiesp

De janeiro a março deste ano, a balança comercial do Estado de São Paulo registrou um superávit US$ 407,4 milhões. No período, as exportações somaram US$ 13,2 bilhões, um avanço de 9,4% na comparação com os mesmos meses de 2016. Já as importações do trimestre registraram US$ 12,8 bilhões, um crescimento de 5,4% ante o ano anterior. Os dados municipais foram divulgados pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC).

Na análise de cada uma das 39 diretorias regionais (DR) do Ciesp realizada pelo Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos (Depecon) e pelo Departamento de Relações Internacionais e Comércio Exterior (Derex) da Fiesp, São José dos Campos ficou em primeiro lugar no Estado em volume de exportações, que foram puxadas pelas rubricas de combustíveis minerais, aeronaves e aparelhos espaciais e também veículos automóveis. Foram US$ 2 bilhões entre janeiro e março de 2017, um aumento de 54,9% ante US$ 1,3 bilhão exportados em 2016. As importações, por sua vez, totalizaram US$ 697,6 milhões, 34,5% menos do que no primeiro trimestre de 2016.

Na segunda posição do levantamento, a região de São Paulo alcançou US$ 1,8 bilhão em exportações no acumulado de janeiro a março de 2017, cifra 10,4% menor que o acumulado no mesmo período de 2016, US$ 2 bilhões. Os principais produtos da pauta foram os açúcares e produtos de confeitaria (32,4% do total vendido).

Além disso, a região ficou com o primeiro lugar em volume de importações, com US$ 2,4 bilhões, um crescimento de 9,7% em relação ao importado no primeiro trimestre do ano passado, dessa vez com ajuda das vendas de máquinas, aparelhos e materiais elétricos. A balança comercial da DR de São Paulo teve o quarto pior desempenho entre as diretorias, um déficit de US$ 632 milhões contra um déficit de US$ 204,8 milhões no acumulado de janeiro a março de 2016.

Por fim, a DR de Santos ficou com o terceiro lugar no ranking de exportações, com um volume de US$ 1 bilhão no primeiro trimestre de 2017, 10,7% mais do que foi exportado no mesmo período do ano anterior, US$ 918,9 milhões.

No primeiro trimestre de 2017, o saldo da balança brasileira também ficou superavitária, em US$ 14,4 bilhões, contra um superávit de US$ 8,4 bilhões em 2016. As exportações do país bateram em US$ 50,5 bilhões de janeiro a março, uma alta de 24,4% ante o ano passado, enquanto as importações acumularam US$ 36 bilhões, um crescimento de 12% na análise trimestral.

De acordo com diretor titular do Derex, Thomaz Zanotto, o resultado da balança comercial do Estado reflete a importância de um câmbio equilibrado. “Desde janeiro do ano passado, o real se valorizou mais de 20% ante o dólar, o que já provoca uma recuperação das importações. Por outro lado, seguimos competitivos em exportações de maior valor agregado, como aviões e automóveis. O câmbio apreciado segue um problema brasileiro que compromete as exportações e subsidia as importações.”

Clique aqui para ter acesso ao levantamento na íntegra e à série histórica.

Balança comercial paulista tem superávit de US$ 842,3 milhões no acumulado dos 9 primeiros meses de 2016

Agência Indusnet Fiesp

O saldo da Balança Comercial do Estado de São Paulo foi superavitário em US$ 842,3 milhões no acumulado dos 9 primeiros meses de 2016. As exportações somaram US$ 39,5 bilhões, registrando crescimento de 3,5% em relação ao mesmo período de 2015. As importações acumularam US$ 38,7 bilhões, queda de 22,1% em relação ao acumulado de janeiro a setembro de 2015.

Para efeito de comparação, o saldo da Balança Comercial do Brasil nos 9 primeiros meses de 2016 foi superavitário em US$ 36,2 bilhões, ante um superávit de US$ 10,3 bilhões no mesmo período em 2015. As exportações brasileiras atingiram US$ 139,4 bilhões no acumulado de janeiro a setembro de 2016, queda de 3,5% em relação ao mesmo período de 2015. Já as importações acumularam US$ 103,2 bilhões, 23,1% a menos que no acumulado de janeiro a setembro de 2015.

Das 39 Diretorias Regionais analisadas, as Diretorias Distritais de São Paulo obtiveram a 1ª colocação do Estado no volume de exportações, atingindo US$ 6,6 bilhões no acumulado de janeiro a setembro de 2016. Esse valor representou um aumento de 22,2% em relação aos US$ 5,4 bilhões exportados no mesmo período de 2015. Os pesos principais ficaram por conta das exportações de açúcar (27,2% da pauta) e de sementes e grãos (16,5%). A região também ficou em primeiro no volume importado pelo Estado, com total de US$ 7,0 bilhões, 20,6% menor que nos 9 primeiros meses de 2015. Os aparelhos e instrumentos mecânicos aparecem como destaque, respondendo por 11,3% da pauta importada, seguido por máquinas, aparelhos e materiais elétricos (10,8%). Com esses resultados, o saldo da balança comercial da DR de São Paulo foi o 7º maior déficit entre as diretorias. A balança comercial registrou no período saldo negativo de US$ 387,7 milhões.

Em segundo lugar no ranking de exportações ficou a DR de São José dos Campos, que alcançou US$ 4,7 bilhões no acumulado de janeiro a setembro de 2016, alta de 5,3% em relação ao acumulado no mesmo período de 2015, US$ 4,5 bilhões. O principal responsável foram as aeronaves, com 59,2% da pauta exportadora da região. Essa mesma diretoria obteve o 3º lugar em volume de importações, com um total de US$ 3,2 bilhões, queda de 37,3% em relação ao importado no acumulado dos 9 primeiros meses de 2015. O setor de combustíveis foi o mais expressivo entre os desembarques do período (26,0% da pauta importadora). Assim, o saldo da balança comercial da DR de São José dos Campos foi o 2º maior dentre as diretorias, com um superávit de US$ 1,5 bilhões, contra déficit de US$ 683,9 milhões no acumulado de janeiro a setembro de 2015.

A DR de Santos obteve o 3º lugar no ranking de exportações, com volume de US$ 2,8 bilhões nos 9 primeiros meses de 2016, ou 9,8% a mais do que foi exportado no mesmo período do ano anterior, US$ 2,6 bilhões. O destaque foram as sementes e frutos (30,0% da pauta). Quanto às importações, a DR de Santos totalizou US$ 578,4 milhões nos 9 primeiros meses de 2016, aumento de 0,8% em relação aos US$ 573,5 milhões importados no mesmo período de 2015. O destaque foi a importação de combustíveis (54,1% da pauta). Essa diretoria teve o maior superávit da balança comercial de janeiro a setembro de 2016, com US$ 2,2 bilhões de saldo positivo, 12,3% a mais que o superávit do mesmo período do ano passado.

A DR de Campinas ficou em 2º lugar no ranking de importações, com US$ 6,1 bilhões nos 9 primeiros meses de 2016, queda de 18,5% em relação ao mesmo período de 2015. Os destaques das importações ficaram por conta de máquinas, aparelhos e materiais elétricos (30,1% da pauta) e dos produtos químicos orgânicos (16,5%). Essa diretoria também teve o maior déficit comercial entre as regionais, com US$ 3,9 bilhões nos 9 primeiros meses de 2016.

Clique aqui para ter acesso aos resultados de exportação, importação, saldo da balança comercial, corrente de comércio e aos números regionais.

 

 

Para 72% das empresas brasileiras câmbio é o maior limitante das exportações, aponta estudo da Fiesp

Agência Indusnet Fiesp

O temor de nova sobrevalorização do câmbio é o maior obstáculo às exportações para 72% das empresas brasileiras, segundo mostra a pesquisa “Expectativas e Obstáculos Para Exportações e Substituição de Importações da Indústria em 2016”, elaborada pelo Departamento de Competitividade e Tecnologia (Decomtec), em parceria com o Departamento de Relações Internacionais e Comércio Exterior da Fiesp (Derex).

Para Thomaz Zanotto, diretor titular do Derex, a influência do câmbio é um fator preocupante para o setor, pois diminui a competitividade das exportações brasileiras.  “No Brasil, a taxa de câmbio passou muito tempo sobrevalorizada, o que subsidiava a entrada de produtos importados. Assim que alcançou um patamar mais realista, em torno dos R$ 3,70, o manufaturado brasileiro voltou a ganhar mercado externo.”

Além do câmbio, outros fatores foram citados como obstáculos para a exportação. Entre os cinco fatores que dificultam na hora de exportar, o financiamento aparece por três vezes, devido ao alto custo, difícil acesso e restrita oferta, segundo 67%, 64% e 60% das empresas, respectivamente.

Zanotto explica que a taxa de juros para crédito de curto prazo no Brasil é de 32% ao ano, frente a 8,1% no Chile, 5,6% na China e 3,3% nos EUA. Dos entrevistados, 63% apontaram que é muito alto o investimento necessário para criar uma estrutura de exportação, refletindo os diversos fatores do Custo Brasil, e 45% consideram que os preços dos seus produtos não são competitivos no mercado externo.

Segundo o diretor do Derex, há também outros pontos determinantes que limitam as empresas na hora de exportar, como a tributação, por exemplo. “A margem de lucro das exportações é baixa e, na impossibilidade de se exportar tributos, o acúmulo de impostos ao longo da cadeia produtiva tem que ser compensado de alguma forma. Nenhum país exporta tributos”.

De acordo com a pesquisa, somente 35% das empresas entrevistadas exportam anualmente, das quais 43% pretendem ampliar as exportações. Mesmo considerando isso, a previsão de aumento de exportações em 2016 é de 6%. Cinquenta e dois por cento nunca exportaram, e 98% dessas devem continuar sem exportar. Desta forma, empresas que já exportam tendem a elevar suas vendas externas de forma pouco expressiva, realizando poucos investimentos.

Zanotto afirma que exportar produtos da indústria de transformação demanda esforços comerciais e uma série de investimentos específicos que somente podem ser viabilizados com um ambiente de negócios regular, estável e previsível. Para ele, isso abrange desde a sobrevalorização e volatilidade da taxa de câmbio até a incertezas no âmbito macroeconômico, jurídico, tributário, regulatório e trabalhista, principalmente.

Importações

O estudo revelou que 37% das indústrias reduzirão as importações de insumos, incluindo máquinas e equipamentos. A queda será, em média, de 44%. Das indústrias que diminuirão a importação de insumos, 43,5% substituirão fornecedores externos por internos (em média, 24% do que se deixará de importar).

Já as importações de produtos acabados para revenda pelo setor devem cair cerca de 9%. Cerca de 32% das entrevistadas vão reduzir as compras externas para revenda, com queda média de 37,8%. E entre elas, 41% deixarão de vender esses produtos, de forma que a substituição pela produção doméstica tende a ser pequena.

Na análise de Zanotto, “a queda das importações reflete o atual quadro recessivo do Brasil. A redução nas compras de bens acabados mostra que os indivíduos deixaram de consumir. Por outro lado, a queda na compra de insumos também mostra que a indústria deixou de produzir”.

Metodologia

Com objetivo de identificar os fatores que limitam a atuação no mercado externo, identificar estratégias predominantes do setor para a importação de insumos e produtos prontos para revenda e sua eventual substituição por produtos fornecidos localmente, foram ouvidas 1.120 empresas da indústria de transformação, sendo 534 pequenas, 405 médias e 181 grandes, entre os dias 14 de março e 22 de abril de 2016.

Fiesp e Ciesp apresentam ferramentas para ajudar pequenas e médias nas exportações

Graciliano Toni, Agência Indusnet Fiesp

O seminário Ferramentas Online para Acesso das Pequenas e Médias Indústrias ao Comércio Exterior, realizado nesta quinta-feira (25/8) na Fiesp, reuniu centenas de empresários para lhes mostrar formas de iniciar ou melhorar a internacionalização dos negócios.

Vladimir Guilhamat, diretor titular adjunto do Departamento de Relações Internacionais e Comércio Exterior da Fiesp e diretor titular de comércio exterior do Ciesp, explicou as ações de ambas entidades no auxílio à exportação, destacando a promoção comercial, que inclui feiras, missões comerciais e rodadas de negócios. As 41 diretorias regionais e distritais do Ciesp no Estado distribuem o Certificado de Origem, necessário para todas as exportações, especialmente de manufaturados. As regionais, frisou, também são local de networking, pondo os empreendedores em contato com empresas com mais experiência em exportação.

Guilhamat explicou os dois tipos de certificados de origem, o primeiro deles para países com os quais haja acordos comerciais. Concede tratamento preferencial nas exportações. O Certificado Comum, também emitido pela Fiesp e pelo Ciesp, é um comprovante de procedência da mercadoria exportada.

Líder na emissão de Certificado de Origem no Brasil, a Fiesp é uma das poucas entidades a ter sistema próprio de emissão do documento, que considera as especificidades do Estado de São Paulo. Há também treinamento gratuito para o uso do Certificado de Origem. Guilhamat destacou a simplicidade de uso do site.

Falou também sobre o pioneirismo na adoção da tecnologia QR-Ccode, para identificação. Permite ganho de 40% no tempo de emissão do certificado de origem e possibilita a validação online. Destacou a importância do QR-code para o projeto de certificado de origem digital (COD).

Desenvolvido pelos países da Associação Latino-Americana de Integração (Aladi), o COD elimina completamente o papel. Projeto piloto com a Argentina está programado para começar em setembro. A Fiesp e o Ciesp participam do processo com algumas empresas. Até final de novembro a exportação para a Argentina deverá passar a usar o sistema digital, disse Guilhamat. As empresas (que precisam ter certificado digital A3) ou operadores logísticos com procuração podem usar o sistema.

Guilhamat explicou a Jornada São Paulo Exporta (SPEx), que já teve sete edições, destinada a disseminar a cultura exportadora para micro, pequenas e médias indústrias. Também há as Rodadas de Negócios entre indústrias e comerciais exportadoras, para facilitar a venda fora do Brasil.

Uma novidade é o balcão de atendimento sobre exportação que será instalado no aeroporto de Viracopos, voltado a empresas do Simples. Guilhamat destacou que a receita de exportação não é contada no limite do Simples.

Maurício Golfette de Paula, consultor de comércio exterior do Sebrae, explicou as ferramentas eletrônicas da entidade para apoio ao comércio exterior. Destacou a importância para a indústria de conhecer bem seus próprios processos para ser competitiva no mercado externo.

São quatro os produtos eletrônicos do Sebrae voltados ao comércio exterior, incluindo um aplicativo simulador de custo de importação, que permite calcular impostos e chegar ao valor limite de câmbio que permite lucro.

Outro produto são os cursos à distância (EAD) sobre importação e exportação. Exemplificou com o módulo Iniciando na Exportação, gratuito, com duração de três horas. O Diagnóstico de Internacionalização permite ao empresário analisar seu negócio – e sua própria capacidade de se voltar ao mercado externo. Gera um relatório para orientar ações para o planejamento da internacionalização de negócios (www.internacionalizacao.sebrae.com.br). A análise abrange produto, produção, logística, custos e competitividade, planejamento empresarial, promoção e comunicação.

Por último, há o Observatório Internacional Sebrae tem diversas informações sobre o tema. O consultor do Sebrae destacou que tudo nasce a partir do autoconhecimento.

Renato Lage, do sistema de pagamentos PayPal, destacou as novas formas de vender produtos, como loja virtuais, e de pagar, como celulares. Explicou o funcionamento do PayPal, destacando a segurança de seu uso. Nas transações online do PayPal pode ser usado o débito em conta corrente, cartões de crédito e o saldo na própria conta PayPal. As vendas podem ser feitas em 100 moedas, e o saldo pode incluir 26 moedas – por exemplo, vendas feitas no Brasil ficam em reais, mas as exportações geram saldo em dólares. As soluções são o e-commerce, com a opção de PayPal no encerramento da compra; o aplicativo e o celular; pagamentos por e-mail. Parceria com a Fiesp há desconto nas taxas (de 4,99% mais R$ 0,60, para 4% mais R$ 0,60 por transação). Nos pagamentos internacionais, a taxa cai para 3% mais R$ 0,60, contra 5,99% mais R$ 0,60).

Marco Antonio dos Reis, Diretor Titular Adjunto do Departamento da Micro, Pequena e Média Indústria da Fiesp (Dempi) fez a abertura e conduziu o seminário, que teve ainda palestra sobre produtos Serasa-Experian (relatórios internacionais). Rogério Rodrigues, economista e especialista de segmentos da empresa, disse que já se percebe o início de uma guinada no Brasil. Apresentou dados sobre as exportações do país. Houve ainda palestras do Banco do Brasil e do Google, sempre voltadas ao auxílio aos empresários que desejam a internacionalização.

Mesa de abertura do seminário Ferramentas Online para Acesso das Pequenas e Médias Indústrias ao Comércio Exterior. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

Skaf leva a Meirelles proposta de retomada do Reintegra

Agência Indusnet Fiesp

O presidente da Fiesp e do Ciesp, Paulo Skaf, disse nesta sexta-feira (29/7) em Brasília, após reunião com o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, que a volta do programa de devolução de impostos sobre produtos exportados, o Reintegra, pode evitar queda nas exportações. “Nossa proposta foi a retomada do Reintegra.” A lei permite compensar até 3% dos impostos embutidos nos produtos exportados, mas atualmente só compensa 0,1%. “Se o Brasil quer ser um país exportador –e precisa ser um país exportador- não pode insistir em ser exportador de impostos.”

“Estamos muito preocupados com o câmbio”, disse Skaf, explicando que a excessiva valorização do real rouba a competitividade brasileira. Lembrou que diversos fatores, como o provável fim do processo de impeachment e consequente retomada da confiança, a entrada de investimentos estrangeiros e a repatriação de recursos pressionam o dólar para baixo.

Skaf relatou a Meirelles também sua grande preocupação com o crédito. “As instituições financeiras, mesmo as oficiais, estão muito retraídas”, explicou. Mesmo a renovação de contratos está difícil. “É preciso pelo menos manter o que as empresas têm.”

Em relação aos gastos públicos, Skaf manifestou total apoio à PEC que impõe seu limite. “É fundamental para o Brasil”, disse Skaf. “Vamos apoiar a PEC” no Congresso, afirmou. Se o dispositivo estivesse em vigor, a dívida pública estaria atualmente em cerca de R$ 700 bilhões, em vez de perto de R$ 4 trilhões. Menor, a dívida permitiria a redução da taxa Selic, o que levaria ao crescimento. “O Brasil seria outro.”

Skaf disse a Meirelles que “em hipótese nenhuma” a indústria vai aceitar aumento de impostos. “O ajuste fiscal tem que ser feito pela redução das despesas, não pelo aumento de impostos.” A inadimplência já é alta, explicou Skaf, porque as empresas não têm fôlego para pagar os impostos. “Nossa posição é radical contra a CPMF e contra qualquer aumento de impostos. O governo tem que apertar o cinto.”

Serra e Skaf criam canal direto de comunicação entre Itamaraty e Fiesp

Graciliano Toni, Agência Indusnet Fiesp

O ministro das Relações Exteriores, José Serra, participou nesta segunda-feira (20/6) de reunião na sede da Fiesp. Fez a proposta – aceita pelo presidente da Fiesp e do Ciesp, Paulo Skaf – de criar um canal direto de comunicação entre o Itamaraty e a Fiesp, por meio do Conselho Superior de Comércio Exterior da entidade (Coscex).

Presidido pelo embaixador José Rubens Barbosa, o Coscex será o elo de ligação entre a Fiesp e o Ministério das Relações Exteriores (MRE) para encaminhar com agilidade problemas e propostas para sua solução, explicou Skaf em entrevista coletiva após a reunião.

Serra e Skaf também assinaram memorando de parceria entre MRE e Fiesp para cooperação na promoção comercial e negociação de acordos, buscando maximizar os recursos que possam ser usados para fortalecer a economia brasileira.

Skaf ressaltou a apresentação feita por Serra da nova estrutura do Itamaraty, com a mudança na Camex (Câmara de Comércio Exterior). “A Camex estava sem poder de decisão”, afirmou Skaf. Agora será presidida por Michel Temer, com José Serra na vice-presidência. A Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos  (Apex) – “acertadamente”, lembrou Skaf – foi para o MRE.

Skaf destacou também a importância dada por Serra ao ataque ao custo Brasil. Serra disse que quer introduzir a dimensão da competitividade e do custo de produção no país nas discussões de comércio exterior. “Infraestrutura e tributação são questões críticas”, disse o ministro. Em relação ao custo Brasil, Serra disse que aprendeu a dimensioná-lo na Fiesp e afirmou que, na média ponderada entre os parceiros comerciais, o custo Brasil representa um sobrepreço de 25%. “Ou nos centramos nisso ou o Brasil não tem jeito”, afirmou, dizendo que acordos liberam o comércio, mas isso não adianta se não houver competividade no preço.

O embaixador Rubens Barbosa Fiesp também destacou o posicionamento de Serra em relação ao custo Brasil e à competitividade. Ao incorporar esse aspecto no Itamaraty, disse, recoloca o órgão em papel central na discussão de políticas macroeconômicas. Há anos, lembrou, a Fiesp acentua a necessidade de coordenar MDIC e Itamaraty na promoção das exportações.

Skaf afirmou que “da porta para dentro, as empresas brasileiras são bem competitivas”, explicando que há um problema conjuntural, representado pelo câmbio, que estava sobrevalorizado, e que há outras questões, como infraestrutura, juros, crédito, impostos e outros, que compõem o custo Brasil. “Ter na Camex uma visão que discuta a competitividade brasileira é certíssima”, afirmou.

Serra defendeu concessões, para a infraestrutura, com a participação do BNDES, e atenção à tributação. Também afirmou que o Reintegra (Regime especial de reintegração de valores tributários para empresas exportadoras) precisa ser rediscutido. Lembrou que é procedimento aceito pela OMC, que “limpa de impostos os produtos”. “Temos que rever” o Reintegra na Camex, junto com o empresariado, disse. Não deve ser compensação cambial, mas mecanismo de longo prazo, afirmou.

Serra disse também que o governo e o Itamaraty deveriam ter área dedicada à China, principal parceiro comercial do Brasil– e que, como lembrou Skaf, enfrenta polêmica em relação a seu reconhecimento como economia de mercado, mas é destino de exportações que precisa ser considerado. “Os chineses sempre sabem o que querem quando sentam numa mesa de negociação”, afirmou Serra. “O Brasil não”, completou. “Vamos depender muito dos empresários nesse cuidado especial com a China.”

>> Ouça reportagem sobre reunião de Serra com Skaf

O presidente da Fiesp e do Ciesp destacou a importância do tema da reunião e disse que Serra, no atual cargo, pode ajudar muito as empresas e a economia brasileira. “Nos ministérios pelos quais passou, deixou marcas. E boas marcas.”

Skaf explicou que a reunião integrou diversos conselhos superiores da Fiesp. Na mesa principal estavam, além de Serra e Skaf, Benjamin Steinbruch (1º vice-presidente da Fiesp), Josué Gomes da Silva (3º vice-presidente da entidade), Rubens Barbosa (Coscex), Delfim Netto (presidente do Conselho Superior de Economia da Fiesp), Alencar Burti (presidente da Associação Comercial de São Paulo), Sydney Sanches (presidente do Conselho Superior de Assuntos Jurídicos e Legislativos da Fiesp), Carlos Eduardo Moreira Ferreira (presidente emérito da Fiesp e do Ciesp), Marcos da Costa (presidente da OAB-SP) e Albano Franco, presidente emérito da CNI.

“Vim fazer a pregação de uma aliança, que tem que se estreitar na prática”, afirmou Serra, que enxerga uma desindustrialização prematura no Brasil, não seguindo o padrão de economias ainda em desenvolvimento. Nelas a indústria puxa o crescimento. “Vamos trabalhar juntos. De verdade”, afirmou Serra no encerramento.

Acordos comerciais

Na reunião, Thomaz Zanotto, diretor titular do Departamento de Relações Internacionais e Comércio Exterior da Fiesp, fez análise do Tratado Trans-Pacífico (TPP). Ele ressaltou a abrangência do acordo, e disse que a conclusão de estudo feito pela Fiesp é que as perdas de não participar do acordo, tanto para o Brasil quanto para a Argentina, são maiores que as perdas por participar – ressalvando que participar significa negociar duramente. O TPP, disse, precisa ser analisado.

Reunião na Fiesp com a participação de José Serra, ministro das Relações Exteriores. Foto: Everton Amaro/Fiesp

Missões empresariais da Fiesp ajudam a prospectar mercados internacionais

Katya Manira, Agência Indusnet Fiesp

Aproveitar a alta do dólar para tornar seu produto mais competitivo em mercados estrangeiros é a estratégia de muitas empresas brasileiras para contornar a crise e conseguir diminuir os impactos da queda de vendas no mercado interno. Porém, a falta de expertise e conhecimento dos processos de exportações e de contatos com empresas internacionais acaba, muitas vezes, inibindo empresários com pouca experiência nessa área.

As missões empresariais promovidas pela Fiesp auxiliam empresas a alcançar o mercado internacional, fornecendo-lhes informações sobre acesso e exigências técnicas e regulatórias, preferências dos consumidores locais, prospecção in loco e oportunidades para inserção de produtos brasileiros. Entre os dias 2 e 7 de maio, por exemplo, a entidade levou 40 empresários de 29 empresas para a China, onde participaram da maior feira de alimentos do país, a Sial.

Durante palestras realizadas antes da feira, os empresários brasileiros puderam conhecer melhor as características do mercado consumidor chinês. Quais as exigências para poder exportar produtos ao país, hábitos de consumo e dicas sobre como se aproximar e fechar negócios com empresas locais.

Presente na feira, o diretor administrativo e financeiro da Ofner, Mário Martins da Costa Jr, conta que a missão foi muito importante para poder conhecer de perto as tendências atuais, fazer a aproximação com possíveis fornecedores e futuros clientes, além de tirar dúvidas sobre acesso ao mercado.

“Já fazíamos a outra ponta do processo, que é a importação de embalagens chinesas. Agora viemos com objetivo de estender nossa linha de produtos e procurar espaço no mercado externo, internacionalizar a empresa”, conta. “A missão foi maravilhosa para a empresa. Saímos com muitos contatos e agora é chegar no Brasil, filtrar as oportunidades e dar sequência a cada um.”

Costa Jr diz ainda que pretende voltar ao país, para fazer “algo mais exclusivo” como, “visitas pontuais, principalmente na linha de chocolates, para a qual houve bastante procura”.

De acordo com a gerente do Departamento de Relações Internacionais e Comércio Exterior da Fiesp (Derex), Magaly Menezes, ao preparar cada nova missão, o departamento leva sempre em conta o monitoramento das demandas setoriais. “Durante nossos encontros com os sindicatos e outros departamentos da casa, apontamos quais setores demandam suporte para estruturação de ações no exterior”, explica. “O contrário também funciona, quando identificamos eventos e feiras internacionais que possam ser de interesse e levamos ao conhecimento do setor. O mais importante é manter escolhas que reflitam demandas empresariais.”

Baseado nesses argumentos, o departamento organizou, para 2016, quatro missões prospectivas, uma missão empresarial e uma missão de defesa de interesses. São elas:

– Missão Prospectiva à Feira Bauma, Alemanha. De 10 a 15 abril, para o setor da construção;

– Missão Prospectiva à Feira Sial, China. De 2 a 7 de maio, para o setor de alimentos e bebidas;

– Missão Prospectiva à Feira Summer Fancy Food, Estados Unidos. De 25 a 29 de junho, para o setor de alimentos e bebidas;

– Missão Prospectiva à Feira FIHAV, Cuba. De 31 de outubro a 4 de novembro, multissetorial;

– Missão de Defesa de Interesses da seção brasileira no Conselho Empresarial Brasil – Estados Unidos (Cebeu) e encontro “Brazil on the Hill”, Estados Unidos. De 10 a 18 de setembro;

– Missão Empresarial à Argentina, multissetorial (sem data confirmada).

Sobre as diferenças entre cada missão, Menezes explica que a “prospectiva” permite ao empresário sem muita experiência em exportações “conhecer e prospectar in loco tendências de mercado, preferências dos consumidores, oportunidades para inserção de produtos brasileiros e formas de acesso ao mercado, além da intensificação do relacionamento com possíveis clientes”. Já as missões “comerciais” possuem foco na geração de negócios para a empresa brasileira, permitindo a participação em rodadas de negócios. E, por fim, as missões “institucionais” têm como objetivo fomentar as relações bilaterais comerciais com o país-alvo e contam, prioritariamente, com a participação da presidência e diretores da Fiesp.

Delegação da missão empresarial à feira Sial, na China. Foto: Divulgação/Fiesp

 

Balanço

Desde 1999, a Fiesp já realizou 125 missões em mais de 32 países. A partir de setembro de 2004, as ações foram intensificadas em 100%, resultando em uma média de, aproximadamente, 9 missões ao ano. Mais de 3.000 empresários já participaram das missões da entidade, conseguindo prospectar novos clientes e fornecedores e ampliar seus conhecimentos em exportação e mercados internacionais.

O Derex divulga, regularmente, informações e convites para as missões. As empresas interessadas em participar podem acompanhar as novidades pelo site da Fiesp ou encaminhar suas dúvidas para o e-mail promocaocomercial@fiesp.com.br .

Outras missões

Além do Derex, outros departamentos da Fiesp também promovem missões específicas para os setores que representam. Um exemplo é a missão à Batimat, promovida pelo Departamento da Construção Civil (Deconcic) desde 2009.

Em 2015, a missão à feira da França conduziu ao país 30 empresários interessados em aprimorar seus conhecimentos sobre novas tecnologias para o setor. Em Paris, eles participaram de visitas técnicas, cursos na Universidade de Sorbonne, rodadas de negócios e encontros empresariais com órgãos públicos.

O empresário e consultor da área de construção Eduardo Francisco Nogueira participou por duas vezes da feira, em 2013 e 2015, e conta que se inscreveu pois “precisava ver alguns aspectos novos no que diz respeito a materiais e equipamentos”.

“Vi várias novidades no setor que talvez sozinho eu não conseguiria aproveitar tanto, já que a Fiesp proporcionou visitas técnicas e seminários. A agenda foi ótima, o evento, um sucesso, e trouxe tanto conhecimento que fiz até algumas explanações no meu trabalho”, relembra o empresário que, atualmente, presta serviço na linha 5 do metrô de São Paulo.

Balança comercial paulista é deficitária em US$ 75,3 milhões no primeiro trimestre do ano

Agência Indusnet Fiesp/Ciesp

O saldo da Balança Comercial do Estado de São Paulo foi deficitário em US$ 75,3 milhões no acumulado do 1º trimestre de 2016, mostra pesquisa da Fiesp e do Ciesp. As exportações somaram US$ 12,1 bilhões, registrando crescimento de 1,5% em relação ao mesmo período de 2015. Por sua vez, as importações acumularam US$ 12,2 bilhões, uma queda de 30,8% em relação ao acumulado de janeiro a março de 2015.

Para efeito de comparação, o saldo da Balança Comercial do Brasil no 1º trimestre de 2016 foi superavitária em US$ 8,4 bilhões, ante um déficit de US$ 5,6 bilhões no mesmo período em 2015. As exportações brasileiras atingiram US$ 40,6 bilhões no acumulado de janeiro a março de 2016, uma queda de 5,1% em relação ao mesmo período de 2015. Já as importações acumularam US$ 32,2 bilhões, uma queda de 33,4% em relação ao acumulado de janeiro a março de 2015.

Análise por Diretoria Regional 

As Diretorias Distritais de São Paulo ficaram em primeiro lugar do Estado no volume de exportações entre as 39 Diretorias Regionais analisadas, atingindo US$ 2,0 bilhões no acumulado de janeiro a março de 2016. Este valor representou um crescimento de 15,5% em relação ao US$ 1,7 bilhão exportado no mesmo período de 2015. Os pesos principais ficaram por conta das exportações de açúcares e produtos de confeitaria (22,4% da pauta) e de sementes e frutos oleaginosos, grãos, sementes e frutos diversos, plantas industriais ou medicinais, palhas e forragens (16,7%). Já as importações das DR’s de São Paulo totalizaram US$ 2,2 bilhões, valor 29,2% menor que no 1º trimestre de 2015.

A região também ficou na 1ª colocação no volume importado pelo Estado. Os reatores nucleares, caldeiras, máquinas, aparelhos e instrumentos mecânicos e suas partes aparecem como destaque, respondendo por 12,7% da pauta importada, seguido por máquinas, aparelhos e materiais elétricos, e suas partes, aparelhos de gravação ou de reprodução de som, aparelhos de gravação ou de reprodução de imagens e de som em televisão, e suas partes e acessórios (12,0%). Com esses resultados, o saldo da balança comercial da DR de São Paulo foi o 6º maior déficit entre as diretorias. A balança comercial registrou no período saldo negativo de US$ 222,5 milhões.

Em segundo lugar no ranking de exportações ficou a DR de São José dos Campos, que alcançou US$ 1,3 bilhão no acumulado de janeiro a março de 2016, 8,7% superior ao acumulado no mesmo período de 2015 (US$ 1,2 bilhão). Os principais responsáveis foram as aeronaves e aparelhos espaciais, e suas partes, com 65,1% da pauta exportadora da região. Essa mesma diretoria obteve o 3º lugar em volume de importações, com um total de US$ 1,1 bilhão, uma queda de 47,7% em relação ao importado no acumulado do 1º trimestre de 2015. Os combustíveis minerais, óleos minerais e produtos da sua destilação, matérias betuminosas, ceras minerais foram os principais responsáveis pelos desembarques do período (28,6% da pauta importadora). Assim, o saldo da balança comercial da DR de São José dos Campos foi o 6º mais positivo dentre as diretorias, com um superávit de US$ 246,5 milhões, ante um déficit de US$ 828,6 milhões no acumulado de janeiro a março de 2015.

A DR de Santos obteve o 3º lugar no ranking de exportações, com um volume de US$ 892,3 milhões no 1º trimestre de 2016, 12,5% a mais do que foi exportado no mesmo período do ano anterior (US$ 792,9 milhões). O destaque foi para os açúcares e produtos de confeitaria (29,3% da pauta). Quanto às importações, a DR de Santos totalizou US$ 180,9 milhões no 1º trimestre de 2016, uma queda de 14,2% em relação aos US$ 210,9 milhões importados no mesmo período de 2015. O destaque foi a importação de combustíveis minerais, óleos minerais e produtos da sua destilação, matérias betuminosas, ceras minerais (43,3% da pauta). Essa diretoria teve o destaque em superávit da balança comercial de janeiro a março de 2016, com US$ 711,4 milhões de saldo positivo, 22,3% a mais que o superávit do mesmo período do ano passado.

A DR de Campinas ficou em 2º lugar no ranking de importações, com US$ 1,8 bilhão no 1º trimestre de 2016, uma queda de 24,7% em relação ao mesmo período de 2015. Os destaques das importações ficaram por conta de máquinas, aparelhos e materiais elétricos, e suas partes, aparelhos de gravação ou de reprodução de som, aparelhos de gravação ou de reprodução de imagens e de som em televisão, e suas partes e acessórios (35,0% da pauta) e dos reatores nucleares, caldeiras, máquinas, aparelhos e instrumentos mecânicos e suas partes (13,8%). Essa diretoria também teve o maior déficit comercial entre as regionais, com US$ 1,1 bilhão no 1º trimestre de 2016.

O Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC) divulgou o saldo comercial por município do Estado de São Paulo referente ao acumulado do 1º trimestre de 2016. O Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos (Depecon) e o Departamento de Relações Internacionais e Comércio Exterior (Derex) da Fiesp e do Ciesp fizeram uso desses dados para elaborar uma análise do comércio exterior de cada uma das 39 Diretorias Regionais (DR) do Ciesp.

Clique aqui para acessar a pesquisa.

Raio X do Comércio Exterior Brasileiro

O Raio X  é um levantamento mensal do comércio exterior brasileiro por setor e parceiros comerciais. Estudo realizado pela área de Análise Econômica do Departamento de Relações Internacionais e Comércio Exterior da Fiesp (Derex).

Em seminário sobre barreiras técnicas, MDIC pede mais participação do setor privado

Katya Manira, Agência Indusnet Fiesp

O cumprimento das exigências regulatórias (técnicas, sanitárias e fitossanitárias) é, hoje, o principal fator para o acesso a terceiros mercados. As medidas podem incidir sobre diversas etapas do processo produtivo e, apesar de possuírem objetivos legítimos, como a proteção da vida, muitas vezes são utilizadas para provocar restrições ao comércio.

Preocupada com os possíveis custos de produção dos setores afetados por essas barreiras, a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), por meio do Departamento de Relações Internacionais e Comércio Exterior (Derex), realizou na manhã desta quarta-feira (23/3) o Seminário de Barreiras Técnicas ao Comércio.

Durante o evento, as analistas de Comércio Exterior do Ministério de Desenvolvimento, Indústria e Comércio (MDIC) Juliana Ghizzi Pires e Lúcia Darós pediram uma maior participação do setor privado quanto à identificação de barreiras técnicas ou qualquer irregularidade encontrada na hora de exportar.

Já o chefe da divisão de Superação de Barreiras Técnicas do Inmetro (Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia), Rogério de Oliveira Corrêa, falou sobre os processos de certificação de produtos e adequação a exigências técnicas, esse também tema de Renato Fonseca e Gustavo Marques, do Sebrae (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas).

A Fiesp tem permanentemente atuado para viabilizar o acesso das empresas aos canais governamentais atuantes na superação de barreiras técnicas. Com o intuito de obter subsídios dos diversos setores da indústria, o Derex promove diálogos com entidades setoriais quanto às restrições comerciais de natureza técnica observadas nos países de destino de exportações (“Diálogos sobre Exigências Regulatórias”).

Seminário de Barreiras Técnicas ao Comércio, realizado na Fiesp. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

Omã pode ser centro logístico para o Brasil, afirma diretor da Fiesp

Katya Manira, Agência Indusnet Fiesp

“O Brasil precisa alavancar as exportações, e Omã pode ser parceiro estratégico”, afirmou o diretor do Departamento de Relações Internacionais e Comércio Exterior da Fiesp (Derex), Thomaz Zanotto, nesta quarta-feira (3/2), durante o Seminário Empresarial Brasil – Omã.

O país é o quinto maior destino das exportações brasileiras entre os 22 membros da Liga Árabe e, em 2015, o fluxo comercial entre os dois países foi de US$ 656,1 milhões, um valor significativamente menor do que o referente ao ano anterior. Mesmo assim, o saldo foi positivo em US$ 511,8 milhões a favor do Brasil, sendo minérios e carnes os principais produtos da pauta. No entanto, para o diretor, a maior vantagem do país árabe está na sua localização.

“A curto prazo, o que interessa de fato é tê-lo como um centro logístico para apoiar as exportações brasileiras para toda a região do Golfo Pérsico. Recentemente, tivemos a entrada do Irã no mercado como consumidor, são 80 milhões de pessoas. Somado ao Iraque, Arábia Saudita, Sudão, Somália, Etiópia e outros países próximos já são quase 300 milhões de consumidores”, explica Zanotto. “Para acessá-los você precisa passar pelo Golfo. Então é óbvio que é preciso um apoio logístico para centralizar e distribuir as mercadorias, e o Omã é essencial para isso.”

O Seminário Empresarial Brasil – Omã foi realizado pela Fiesp, com o apoio da Embaixada do Sultanato de Omã em Brasília e da Câmara de Comércio Árabe-Brasileira. Durante a abertura, o vice-presidente da Fiesp Elias Miguel Haddad falou ainda sobre as oportunidades de diversificar o fluxo de comércio bilateral. “O seminário será um ponto de partida para novos negócios, investimentos e uma maior aproximação entre os dois países.”

Thomaz Zanotto fala na abertura do Seminário Empresarial Brasil – Omã, na Fiesp, ao lado de Elias Miguel Haddad. Foto:Helcio Nagamine/Fiesp

Em visita do presidente da Bulgária à Fiesp, Skaf destaca papel do país na aproximação com União Europeia

Graciliano Toni, Agência Indusnet Fiesp

Paulo Skaf, presidente da Fiesp e do Ciesp, afirmou nesta quarta-feira (3/2) durante visita à casa da indústria paulista do presidente da Bulgária, Rosen Plevneliev, que o país pode dar impulso às negociações entre o Mercosul e a União Europeia. A aproximação entre Bulgária e Brasil é estratégica, disse.

Ressaltou também as vantagens da Bulgária em logística por sua localização – facilitando inclusive o comércio com a China. “Teremos um divisor de água nas relações com a Bulgária a partir desta visita”, afimou Skaf. “Vai mudar o rumo e fazer muito bem aos dois países.” Segundo o presidente da Fiesp e do Ciesp, deve haver um reforço da corrente de comércio. Lembrou que a falta de conhecimento entre clientes e fornecedores pode ser obstáculo nas relações entre países e que a presença e a abertura de canais de relacionamento devem ajudar a movimentar o comércio. “Aqui nasce um relacionamento em que faremos o possível para incrementar os negócios entre os países.”

Plevneliev se disse honrado em estar na Fiesp, para o Fórum de Negócios Brasil-Bulgária, e declarou que seu país está de portas abertas para os empresários. Afirmou que trabalhará para acelerar o acordo Mercosul-União Europeia, antes ainda de ocupar a presidência da união, em 2018. Lembrou que seu país está no centro do comércio entre Europa e Ásia e citou como vantagem a máxima simplificação do sistema tributário búlgaro, com uma alíquota única de impostos de 10%.

Dizendo-se defensor da abertura das fronteiras, declarou que atuar na Bulgária dá às empresas brasileiras acesso ao maior mercado do mundo, o europeu. A influência mais ampla na UE desejada pelo Brasil será apoiada pela Bulgária, disse, lembrando que também as empresas búlgaras querem atuar mais no Brasil. Mineração e alimentos estão entre os destaques de sua economia – por exemplo, a Bulgária produz alimentos para a estação espacial. Citou também o protagonismo do país em empreendedorismo (terceiro país em startups da Europa) e em tecnologia da informação. E há um boom de outsourcing rumo ao país, disse, citando Coca-Cola e Lufthansa como empresas que usam os serviços búlgaros. Destacou ainda que a parceria com o Brasil é lógica, mas também humana, em razão da comunidade búlgara que vive em São Paulo.

Plevneliev foi homenageado com a Ordem do Mérito Industrial, concedida pela Fiesp a personalidades e instituições dignas do reconhecimento ou da admiração da indústria.

Paulo Skaf discursa na abertura do Fórum de Negócios Brasil-Bulgária, com a presença de Rosen Plevneliev. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

Thomas Zanotto, diretor do Departamento de Relações Internacionais e Comércio Exterior da Fiesp (Derex) abriu o encontro destacando o momento e as afinidades e complementaridades entre Bulgária e Brasil, lembrando que a Fiesp valoriza a inserção internacional. Entre os diferenciais da Bulgária, disse, estão seu posicionamento estratégico, no Mar Negro, o fato de pertencer à UE e estar preparada para ocupar sua presidência. No curto prazo, explicou Zanotto depois do Fórum, a Bulgária pode ser um centro de distribuição e logística para a região. “Você olha ali e tem a Ucrânia, a Romênia, Rússia, que são países onde a logística é complexa. Conversei hoje cedo com um presidente de uma empresa, perguntei se ele vendia para essa região e ele disse ‘olha, a gente chega até a Turquia, mas quando entra no Mar Negro a logística fica complicada e cara’.” Mesmo não tendo uma economia muito grande, a Bulgária se posiciona “plenamente” para ser um hub logístico, explicou Zanotto. “Para nós, Comércio Exterior, esse é o principal interesse.”

O ministro de Economia da Bulgária, Bozhidar Lukarski, declarou que o Brasil é prioritário para seu país na América Latina. Tsvetan Simeonov, presidente da Câmara Búlgara de Comércio e Indústria foi direto: “Estamos aqui para fazer negócios.” Assim como tinha feito o presidente búlgaro, também frisou a baixa carga tributária –e a simplicidade das regras- na Bulgária, além de seu baixo índice de inflação. Clique aqui para ter acesso à apresentação (em inglês) feita por Simeonov.

Zanotto mostrou o peso do Brasil no agronegócio mundial, com sua liderança na exportação de diversos produtos. Frisou, apesar do fim do atual ciclo econômico, a força dos fundamentos econômicos do Brasil. Explicou que o erro no câmbio levou o Brasil por 15 anos a se tornar exportador de produtos primários, o que começa a ser corrigido pelo novo patamar da moeda. Falou sobre os desafios ao setor exportador, que deve puxar a indústria, mas não de forma fácil nem rápida. Como oportunidade de negócios citou o papel central do Plano Nacional de Exportações, que cobre praticamente todos os pontos importantes para alavancar os negócios, como remoção de barreiras comerciais. Destacou também a atratividade dos projetos de infraestrutura no país.

Balança comercial paulista fecha 2015 com déficit de US$ 12,1 bilhões

Agência Indusnet Fiesp

O saldo da balança comercial do Estado de São Paulo foi deficitário em US$ 12,1 bilhões no acumulado do ano de 2015, no âmbito agregado (cálculo feito a partir da soma das exportações e importações dos municípios paulistas). As exportações somaram US$ 51,7 bilhões, com queda de 10,6% em relação ao mesmo período de 2014. As importações acumularam US$ 63,8 bilhões, uma queda de 24,8% em relação ao ano de 2014. Os números foram divulgados nesta terça-feira (2) pela Fiesp e pelo Ciesp.

Para efeito de comparação, o saldo da balança comercial do Brasil no acumulado do ano de 2015 foi superavitário em US$ 19,7 bilhões, ante um déficit de US$ 4,1 bilhões no mesmo período em 2014. As exportações brasileiras atingiram US$ 191,1 bilhões no acumulado no ano de 2015, uma queda de 15,1% em relação ao mesmo período de 2014. Já as importações acumularam US$ 171,5 bilhões (25,2% a menos que em 2014).

Análise por Diretoria Regional

As Diretorias Distritais de São Paulo ficaram em primeiro lugar no Estado no volume de exportações entre as 39 Diretorias Regionais analisadas, atingindo US$ 7,5 bilhões no acumulado do ano de 2015. Este valor representou um crescimento de 0,8% em relação aos US$ 7,4 bilhões exportados no mesmo período de 2014. Os pesos principais ficaram por conta das exportações de açúcar (17,8% da pauta) e de sementes e grãos (15,5%). A região também ficou em primeiro no volume importado pelo Estado, com US$ 11,3 bilhões, 19,7% menos que no ano de 2014. Os aparelhos e instrumentos mecânicos aparecem como destaque, respondendo por 13,2% da pauta importada, seguidos por máquinas, aparelhos e materiais elétricos (12,1%). Com esses resultados, o saldo da balança comercial da DR de São Paulo foi o 2º maior déficit entre as diretorias. A balança comercial registrou no período saldo negativo de US$ 3,8 bilhões.

Em segundo lugar no ranking de exportações ficou a DR de São José dos Campos, que alcançou US$ 6,5 bilhões no acumulado do ano de 2015, 4,9% superior ao acumulado no mesmo período de 2014 (US$ 6,2 bilhões). O principal responsável foram as aeronaves, com 57,8% da pauta exportadora da região. A mesma diretoria obteve o 3º lugar em volume de importações, com um total de US$ 7,4 bilhões, uma queda de 49,8% em relação ao importado no acumulado do ano de 2014. O saldo da balança comercial da DR de São José dos Campos foi o 8º mais negativo entre as diretorias, com um déficit de US$ 898,5 milhões, menor que no ano de 2014, que foi de US$ 8,6 bilhões.

A DR de São Bernardo do Campo obteve o 3º lugar no ranking de exportações, com um volume de US$ 3,4 bilhões no ano de 2015, 6,2% a menos do que foi exportado no mesmo período do ano anterior (US$ 3,6 bilhões). O destaque foram os veículos e suas partes (73,8% da pauta).

Quanto às importações, a DR de São Bernardo do Campo totalizou US$ 2,2 bilhão no acumulado do ano de 2015, uma queda de 31,4% em relação aos US$ 3,2 bilhões em importações no mesmo período de 2014. O destaque foi a importação de veículos e suas partes (29,3% da pauta). Essa diretoria teve o 3º maior superávit da balança comercial no ano de 2015, com US$ 1,2 bilhão de saldo positivo, 186,7% a mais que o superávit do mesmo período do ano anterior.

A DR de Campinas ficou em 2º lugar no ranking de importações, com US$ 9,7 bilhões no acumulado do ano de 2015, uma queda de 15,1% em relação ao mesmo período de 2014. Os destaques das importações ficaram por conta de máquinas, aparelhos e materiais elétricos (30,2% da pauta) e dos aparelhos e instrumentos mecânicos (15,3%). Essa diretoria também teve o maior déficit comercial entre as regionais, com US$ 6,7 bilhões no ano de 2015.

Como é feito o levantamento

O Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC) divulgou o saldo comercial por município do Estado de São Paulo referente ao acumulado do ano de 2015. O Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos (Depecon) e o Departamento de Relações Internacionais e Comércio Exterior (Derex) da Fiesp e do Ciesp fizeram uso desses dados para elaborar uma análise do comércio exterior de cada uma das 39 Diretorias Regionais (DR) do Ciesp.

Há diferenças de metodologia no cômputo das exportações por Unidade de Federação e Município. Segundo definição da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) para a Unidade da Federação, o critério para as exportações leva em conta o Estado produtor da mercadoria, independentemente de onde está localizada a empresa exportadora. No critério para as exportações por municípios leva-se em conta o domicílio fiscal da empresa exportadora, ou seja, os produtos contabilizados são de empresas com sede no município, independentemente de onde a mercadoria foi produzida.

Para efeito de comparação com as Diretorias Regionais, os dados de comércio exterior para o Estado de São Paulo, neste trabalho, são calculados a partir da soma das exportações e importações dos municípios paulistas.

Clique aqui para ter acesso à pesquisa completa.

Tom para 2016 é azul, mostra reunião do Comtextil

Graciliano Toni, Agência Indusnet Fiesp

Na reunião plenária do Comitê da Cadeia Produtiva da Indústria Têxtil, Confecções e Vestuário da Fiesp (Comtextil) realizada nesta terça-feira (8/12), seu coordenador adjunto, Marcelo Prado, fez o balanço de 2015 e apresentou as perspectivas para 2016 – que são boas, para quem souber aproveitá-las. “2015 é uma tela vermelha, e 2016, uma azul”, disse Prado, que mostrou estimativas para ano que vem. A produção de têxteis, segundo Prado, deve crescer 12,4% em 2016 (em volume). Vestuário deve crescer 5,5%, mas o varejo deve vender apenas 0,8% a mais, também em volume. Em cama, mesa e banho, espera-se elevação de 5,3% na produção e 0,5% no volume no varejo.

Prado lembrou que a substituição das importações é uma oportunidade, mas não será capitalizada por todos. Além do preço, há preocupação com a qualidade. Vai ser grande desafio, disse.

Elias Miguel Haddad, coordenador do Comtextil, conduziu a reunião e falou sobre a percepção de estar na véspera de uma grande virada. “Temos tudo para ter um ano brilhante em 2016”, disse. “Mas vamos ter que fazer nossa parte, nossa lição de casa”, lembrando que é preciso considerar outros fatores, como qualidade e logística.

Segundo Prado, quem quiser crescer terá que fazer algo diferente, “tomar o manche na mão e enfrentar a turbulência”.

Possibilidades são explorar novos mercados regionais; criar novas formas de comercialização (chegar antes, chegar mais longe); adicionar novos canais de distribuição (o que dá mais comodidade ao consumidor e mais oportunidades para comprar a marca); explorar novos nichos de mercado ou segmentos consumidores; lançamento de novas linhas de produtos ou marcas (para encantar o cliente com o “novo”).

Desafios

Prado falou na sensação de imobilidade devido à crise, mas que não é bem assim. “Tem mercado muito grande aí.” Lembrou que o Brasil é o quinto maior mercado do mundo. Apesar da queda, continua a ser muito maior que a maioria dos outros. Foram R$ 184 bilhões em 2015 – número a ser lembrado.

Explicou que na crise, o mercado passa de demandado para ofertado, acirrando a concorrência. Cresce muito o desinteresse dos consumidores e lojistas por produtos “mais do mesmo”. Venda se dá só por oportunidade ou por encantamento, disse.

Na crise, um grupo de empresas cresce – e outro não cresce. O mesmo acontece fora dos períodos de crise, lembrou, acrescentando que são as decisões da própria empresa que determinam se ela ficará num grupo ou noutro.

Frisou que o principal ponto é ter seus próprios diferenciais. Renda cresceu nos últimos anos, e consumidor pode e quer mais. Consumidor de menor renda quer inclusão social, e o de maior renda, exclusividade – e todos querem o melhor que seu dinheiro pode pagar. “Cabe no orçamento, compra”, disse Prado.

Estratégias de precificação, combinadas com diferenciais e inovação de produtos, são parte da resposta na agregação de valor e giro dos produtos no ponto de venda.

Oferecer produto diferenciado, inovador, original, dá a oportunidade de encantar e atrair consumidores.

O que limita o cliente, nesse caso, não é o preço do concorrente, e sim a capacidade de pagar pelo produto.

Deixou como considerações finais algumas máximas:

Crie produtos para o mercado, não para você…

Para encantar um cliente não basta pensar nele, é preciso pensar como ele…

Você não escolhe o cliente, é o cliente que escolhe você…

Se a sua empresa pensa diferente do mercado, mude a sua empresa…

 

Reunião do Comtextil, com balanço de 2015 e perspectivas para 2016. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

 

Houve mais manifestações otimistas sobre o próximo ano. Francisco Ferraroli disse que 2016 tem tudo para ser ano melhor. Antônio Valter Trombeta lembrou que dólar aproximou preços internacionais dos possíveis no Brasil no caso das camisas. Nelson Grunembaum acha possível que indústria não consiga suprir a demanda.

Exportações

Na opinião de Prado, o setor têxtil deve ser o mais beneficiado pela queda nas importações. A exportação deve se recuperar, disse, lembrando que basicamente é de índigo (90% dos tecidos planos, que são 90% das exportações).

Mencionou potencial de exportação de US$ 600 milhões da Coteminas, em cama, mesa e banho, por substituição de produtos asiáticos vendidos nos EUA.

Prado disse que a exportação de vestuário tem potencial, mas não para competir em preço com asiáticos. É coisas para produtos muito inovadores, criativos, para longo prazo.

Balanço

Prado começou sua apresentação pelo balanço do setor. O varejo do vestuário vendeu R$ 183,9 bilhões em 2014, com crescimento de 6,7% sobre 2013. Em volume, crescimento foi de 0,6%, com a distribuição de 92,3% de toda a disponibilidade interna desses artigos no país.

Para 2015 estimativa é de queda de 4,2% em volume e de 0,1% em valores – descontando a inflação, queda de 10%.

Destacou que as lojas independentes são ainda o principal canal de varejo do vestuário com 37% dos volumes e 29% dos valores em 2014. Em 2015 devem perder posto para lojas de departamento especializado, atualmente com 30% do mercado em volume e valor.

Lojas independentes movimentam R$ 53,3 bilhões, contra R$ 54,6 bilhões das lojas de departamento especializado. As redes de pequenas lojas movimentam R$ 50 bilhões. Essas duas últimas cresceram de 2009 a 2014 16,5% e 18%, respectivamente.

Comparação das curvas de vendas de 2013 a 2015 mostra descolamento das linhas, com inverno de vendas baixas, mas fim do ano deve ser ótimo – com isso a queda, que era de 7,3% até setembro, deve ficar em 4,2%. Estimativa, a partir de diversas fontes, é que 75% de todos os presentes devem ser roupas.

Indústria

Desde 2010, quando atingiu o recorde de 6,4 bilhões de peças, a produção brasileira vem caindo. Em 2014, explicou Prado, a Copa atrapalhou. Em 2015, o varejo empurrou o estoque para dentro da indústria. Queda de 12,8% até setembro deve ficar em 7,1% no ano.

Boa queda nas importações esperada para 2015, mas continuará a ser importante. Das 890 milhões de peças vendidas em 2015, 13,4% devem ser importadas.

Em têxteis a curva acompanhou a de vestuário em 2014.

Fiesp realiza curso sobre superação de barreiras técnicas ao comércio exterior

Agência Indusnet Fiesp

A Fiesp, em parceria com o Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (Inmetro), realiza no dia 25 de agosto, das 9h às 17h30, o 1º Curso de Superação de Barreiras Técnicas ao Comércio Exterior. A exposição do tema fica a cargo de Rogerio de Oliveira Corrêa, chefe da Divisão de Superação de Barreiras Técnicas do Inmetro.

O curso tem o objetivo de difundir os conceitos a respeito das exigências técnicas e seu impacto no acesso brasileiro a terceiros mercados; apresentar as principais discussões e iniciativas brasileiras visando à harmonização de exigências técnicas com parceiros comerciais; esclarecer dúvidas frequentes no processo de exportação a respeito da necessidade de atendimento a exigências técnicas em mercados de destino; e apresentar os principais mecanismos destinados à superação de eventuais entraves regulatórios.

Outra ação da Fiesp em relação ao tema das barreiras técnicas ao comércio é a realização, no dia 3 de setembro da 3ª Reunião Extraordinária de 2015 do Comitê Brasileiro de Barreiras Técnicas ao Comércio (CBTC). O CBTC tem como principais objetivos coordenar as ações do governo e do setor privado relacionadas à participação do Brasil no Acordo sobre Barreiras Técnicas ao Comércio da OMC e analisar e compatibilizar programas regulatórios, com vistas a superar “barreiras” impostas a produtos brasileiros no comércio internacional.

Também fazem parte das iniciativas da Fiesp para auxiliar as exportações brasileiras:

Diálogos sobre Exigências Regulatórias: Iniciativa de interlocução setorial com o objetivo de estreitar o canal de comunicação com os associados a fim de ampliar a compreensão sobre os principais entraves regulatórios enfrentados pelos diversos setores no acesso a mercados externos, bem como auxiliar no reconhecimento de entraves dessa natureza, apresentando-se os principais canais de interlocução disponíveis para sua superação.

Guia de Medidas Regulatórias: Lançado em outubro de 2014, o documento tem como objetivo contribuir para o fomento das discussões relativas ao tema e para a conscientização dos exportadores brasileiros sobre os canais de comunicação pelos quais eventuais restrições desta natureza podem ser superadas.

Panorama de Medidas Regulatórias: Boletim periódico (quadrimestral) que contém informações a respeito das principais iniciativas de natureza regulatória empreendidas no âmbito do comércio internacional. O documento também dispõe sobre as discussões relevantes tratadas em fóruns multilaterais de comércio sobre o tema ou em negociações internacionais em curso.

“Exportar neste momento é algo irrecusável”, afirma ministro Armando Monteiro na Fiesp

Katya Manira, Agência Indusnet Fiesp

O ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio (MDIC), Armando Monteiro, informou nesta terça-feira (14/4) que o governo está trabalhando “incessantemente” no Plano de Exportação Nacional para garantir o nível de atividade de diversos setores da indústria brasileira.

“A exportação é uma forma de garantir, na pior das hipóteses, a manutenção de muitos setores que podem ser afetados com a retração do mercado doméstico”, disse Monteiro. “Exportar neste momento é algo irrecusável. O Brasil tem de fazer isso”, completou.

Ele participou da reunião conjunta dos Conselhos Superiores de Economia (Cosec), Inovação e Competitividade (Conic) e de Comércio Exterior (Coscex) da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).

Ministro Armando Monteiro após reunião na sede da Fiesp. Foto: Ayrton Vignola/Fiesp

 

Após a reunião, o ministro afirmou que o próximo resultado da Balança Comercial brasileira deve ser positivo em consequência das taxas atuais do câmbio, que estimulam a exportação e inibem, em alguns casos, a importação.

“É claro que eu gostaria que o resultado [positivo] se desse pela ampliação da corrente de comércio. Mas, isso não será possível dado o contexto da conjuntura interna e, em certo grau, externa também”, comentou. “No entanto, não teremos déficit e geraremos um pequeno superávit.”

Para Skaf, efeito do câmbio nas exportações leva de "60 a 90 dias para acontecer". Foto:Ayrton Vignola/Fiesp

 

Para o presidente da Fiesp, Paulo Skaf, apesar de ajudar a melhorar a competitividade da indústria brasileira, a nova relação cambial – com o dólar operando acima de R$3 – não causa um efeito imediato no aumento das exportações. Tal movimento levaria de “60 a 90 dias para acontecer”.

“Quando o dólar sobe, imediatamente há uma reação negativa às importações, uma vez que o consumidor prefere comprar produtos fabricados aqui. Só que o mesmo não acontece com as exportações”, afirmou. “Não adianta só acertar o dólar e esperar que no mês seguinte haja uma reação expressiva no volume de produtos vendidos para fora do país. Isso leva mais tempo.”

Skaf defendeu ainda a ampliação do acesso a mercados internacionais como o norte-americano. “Temos que aproveitar a reação da economia dos Estados Unidos para incrementarmos ainda mais nossas exportações para lá, que já o principal destino das nossas manufaturas”, disse. “Precisamos reforçar essa tendência, buscando com que o aumento de exportações para outros países gere empregos aqui no Brasil.”

30% dos produtos exportados por São Paulo são de baixa tecnologia

Katya Manira, Agência Indusnet Fiesp

Em 2014, o estado de São Paulo foi responsável por movimentar uma corrente de comércio de US$ 142,7 bilhões, ou 30,0% de todo o fluxo comercial do país. No entanto, apenas 11,1% do total exportado pelo estado são produtos de alta intensidade tecnológica. A maior parte das exportações (30,4% do total) corresponde a produtos de baixa tecnologia, segundo classificação da OCDE e do MDIC.

Os dados são resultado de levantamento feito pelo Departamento de Relações Internacionais e Comércio Exterior (Derex), da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).

O Perfil do Exportador Paulista (PEP) mostra que, em contrapartida, as importações das indústrias do estado se concentram em produtos de alta tecnologia (25,2%). O diretor titular-adjunto do Derex, Vladimir Guilhamat, explica que importar tecnologia não é um problema, já que isso faz parte da inserção da indústria nas cadeias regionais e globais de valor. A questão é não ter um setor produtivo capaz de impulsionar, da mesma forma, as exportações de manufaturados e produtos de alto valor agregado.

“Uma indústria competitiva e com elevada capacidade de inovação técnica fomenta a qualificação da mão-de-obra, gera melhores empregos internamente e tende a ganhar espaço em diferentes mercados. Essa dinâmica é fundamental para desenvolvimento de toda a região na qual está instalada.”

O estudo mapeou 14 regiões do estado, traçando uma perspectiva detalhada do que cada uma exporta, apontando quais são os pontos “fortes” e onde há espaços para melhorias. Duas grandes referências de média-alta e alta tecnologia são as regiões de São José dos Campos, no setor aeronáutico, e a Capital (impulsionada pela região do ABC), no setor automobilístico. No entanto, o PEP aponta outras regiões que, se estimuladas, também podem se tornar polos tecnológicos.

“É preciso incitar políticas públicas regionais adequadas, específicas para setores e diferentes para cada região, de modo a fortalecer e ajudar o desenvolvimento industrial no estado”, afirma Guilhamat. “É esse a principal proposta do PEP.”

Para acessar o estudo completo, clique aqui.

Desempenho Saldo Comercial Brasileiro 2006 a 2014

Em 2014, a Indústria de Transformação apresentou o maior déficit comercial da história (US$ 58,8 bi). A fim de analisar tal resultado, o estudo decompõe o saldo comercial do setor em 10 categorias que combinam o uso dos fatores produtivos e a intensidade tecnológica. Os resultados apontam para uma reprimarização da pauta exportadora e a substituição do consumo interno de produtos nacionais por importados, especialmente nos setores intensivos em escala de média-alta tecnologia.

Outlook Fiesp: o agronegócio deve ganhar mercado nas exportações na próxima década

Alice Assunção, Agência Indusnet Fiesp

Mesmo com um crescimento projetado aquém do registrado na última década, o agronegócio brasileiro seguirá com desempenho superior ao restante do mundo em relação às exportações e deve aumentar sua participação no mercado mundial em diversas culturas nos próximos dez anos.

A avaliação é da equipe do Departamento de Agronegócio (Deagro) da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), responsável pela elaboração do Outlook 2024, que reúne diagnósticos e projeções para o setor na próxima década.

Segundo a nova versão do Outlook, atualizado a cada ano, as exportações brasileiras de soja devem crescer a uma taxa de 5,2% ao ano até 2024. Neste período, a soja brasileira responderá por 50% das exportações globais. Atualmente, o Brasil participa com 41%.

>> Saiba mais sobre o Outlook Fiesp 2024

>> Acesse o estudo Outlook 2024 na íntegra

“Quanto ao milho, fica a dúvida em relação ao seu desempenho exportador em um cenário menos favorável em termos de preços”, diz Antonio Carlos Costa, gerente do Deagro/Fiesp. “O grão vem de anos favoráveis, aproveitando-se de janelas importantes, como a quebra de safra nos Estados Unidos (EUA), e ganhando espaço no marcado internacional. No entanto, em um momento de inflexão de preços, o custo logístico ganha ainda mais importância e castiga a competitividade da cultura”, conclui Costa.

As vendas externas de carne de frango do Brasil também devem continuar crescendo pelos próximos 10 anos. O Deagro estima que as exportações devem ter um aumento anual de 2,7%, alcançando 42% de participação no mercado mundial, contra atuais 40%. Embora o crescimento se dê acima da média mundial para o período (2%), é inferior à expansão verificada na década anterior (7,1% ao ano).

No que se refere à carne suína, o setor deve experimentar uma década melhor do que o período de 2003 a 2013. Segundo o relatório da Fiesp, as exportações do produto devem subir 2,6% ao ano na próxima década.

Atualmente, o Brasil se aproveita de um momento em que importantes produtores e exportadores, como os EUA, apresentaram sérios problemas sanitários, como o Vírus da Diarreia Epidêmica (PED).

“O país é o único entre os quatro maiores exportadores mundiais sem problemas com doenças e isso confere uma grande oportunidade ao setor, afirma Benedito Ferreira, diretor titular do Deagro/Fiesp. “Além disso, há muito espaço para crescer no mercado doméstico”, complementa Ferreira, mencionando que, entre as três carnes, a suína é a que apresentará a maior variação do consumo no Brasil na próxima década.

No entanto, o estudo lança um alerta em relação ao desempenho da economia brasileira: como o mercado doméstico é o vetor de crescimento para grande parte do agronegócio, em especial as proteínas animais, como o leite, ovos e as carnes, a retomada da confiança e o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) passam a ser fundamentais para assegurar o bom desempenho do setor.

Açúcar, crise e exportações

O setor sucroenergético vivencia a pior crise de sua história, com o fechamento de mais de 60 usinas no centro-sul do país nos últimos anos, com um endividamento total do setor de R$ 66 bilhões em 2013. O cenário é explicado em grande parte por problemas climáticos, quebras de safra, adaptação à colheita mecanizada, mas especialmente pela incapacidade do setor de repassar aos preços do etanol os aumentos do custo de produção, em razão da política do governo federal para a gasolina.

Além do prejuízo direto ao etanol, toda essa situação tem um grave efeito colateral no açúcar, pois causa um aumento significativo da produção do produto.

Ainda assim, o relatório aponta para a perspectiva de um novo ciclo em 2015, com uma relação mais favorável entre oferta e demanda de açúcar, em meio a uma provável recuperação de preços.

Segundo Costa, “as medidas do governo em relação ao setor serão determinantes para os rumos deste segmento para os próximos anos”.

O ambiente de forte preocupação é reforçado pelos números. Entre a safra 2009/10 e 2012/13, a redução no consumo do etanol hidratado foi de 5,5 bilhões de litros. “O problema é que esse etanol que deixa de ser consumido vira açúcar nas usinas, o que deprime os preços internacionais do produto. A conta é simples: esse volume a menos no consumo do combustível representou cerca de 5,6 milhões de toneladas a mais na oferta de açúcar. Para se ter uma ideia de grandeza, isso significa 83% do volume exportado pela Tailândia em 2012/13, segundo exportador mundial. Isso configura uma situação insustentável.”


Uso da terra

O bom desempenho da pecuária deve favorecer os investimentos na concentração do rebanho, com consequentes ganhos de produtividade. De acordo com Benedito Ferreira, isso permitirá que a pecuária ceda 4,5 milhões de hectares de pastagens para a agricultura.

Além disso, o aumento de 14% da produtividade média de grãos entre 2014 e 2024 ajudará a poupar áreas, já que o percentual equivale a uma preservação de 8,9 milhões de hectares. “No entanto, sabemos que existe um potencial para ir além na pecuária, caso o cenário se mantenha favorável por um período maior de tempo, aumentando ainda mais o efeito poupa-área”, conclui Ferreira.