Aloysio Nunes Ferreira defende esforço em marcas e marketing para o agronegócio

Graciliano Toni, Agência Indusnet Fiesp

Reunião conjunta nesta sexta-feira (13 de julho) dos Conselhos Superiores do Agronegócio (Cosag) e de Comércio Exterior (Coscex) da Fiesp teve a participação do ministro Aloysio Nunes Ferreira (Relações Exteriores) como expositor, em palestra com o tema Acordos Comerciais e consequências para o Agronegócio Brasileiro.

José Ricardo Roriz Coelho, presidente em exercício da Fiesp e do Ciesp, abriu a reunião, coordenada por Jacyr Costa, presidente do Cosag. O Brasil, e principalmente São Paulo, tem no agronegócio um grande exportador, destacou Jacyr Costa.

Roriz alertou que o cálculo do coeficiente de penetração do Brasil mostra o país em posição semelhante à do Japão e dos EUA, mas a comparação é feita com países como a Coreia do Sul, que não têm matérias-primas e alimentos. O presidente em exercício da Fiesp e do Ciesp também disse que o governo deve ficar atento, no processo de abertura comercial, à agregação de valor aos produtos brasileiros.

Aloysio Nunes Ferreira, ministro de Estado das Relações Exteriores, destacou que manter mercados e abrir novos mercados são desafios para o agronegócio do Brasil, que é uma grande potência agrícola e ambiental. “Nossos clientes ficam mais exigentes”, afirmou, e há um esforço a ser feito em marketing e marcas. Deu como exemplo a Argentina em relação à carne. Temos os atributos para continuar a ser uma grande potência agroindustrial, mas há concorrentes fortes, como os Estados Unidos. Hoje em disputa com a China, pode mudar o jogo e virar exportador de carne e soja para o país. O que interessa ao Brasil é ter regras claras. A guerra comercial é ruim, mesmo que represente ganhos no curto prazo, disse o ministro. “É um desastre no longo prazo. Vai deprimir o comércio mundial.”

Há um problema de fechamento de mercados em países europeus, que se tenta resolver em negociações com a União Europeia. A Apex tem feito trabalho importante em relação às exportações do agronegócio, destacou o ministro.

Arrasta-se há muitos anos a negociação do Mercosul com a União Europeia, lembrou. “Espero que esteja numa fase final, não terminal”, disse. Houve avanços importantes, como o capítulo de defesa sanitária, mas sobram temas como o setor automotivo, origem em máquinas equipamentos, vinho, denominação de origem.

Entre os negociadores europeus gera certa insegurança a onda de nacionalista e xenofobia que atravessa a Europa.

Em relação ao próprio Mercosul, Aloysio destacou que houve o início de tratativas para acordos comerciais em outros formatos, com outros países. “O Mercosul”, com essas mudanças, “passa a ser uma noiva cobiçada”, atraindo países como Coreia do Sul, Canadá e Cingapura. E fechar um acordo relevante abre portas e estimula outros países a procurar um acordo, afirmou, exemplificando com o interesse japonês demonstrado depois de bem-sucedidas conversações do Brasil com a Coreia do Sul.

As articulações para acordos não param nunca, afirmou o ministro, porque sempre surgem barreiras e há temas que se arrastam há tempos, como a rodada Doha da OMC.

Há fatos como as tecnologias digitais e a ascensão da China que alteram o panorama mundial. Aumenta a importância de acordos regionais, devido a turbulências globais.

Qualquer estratégia de desenvolvimento exige a inserção internacional do Brasil, afirmou. O atual governo retoma um esforço de maior integração, de abertura para o mundo, explicou.

Rubens Barbosa, presidente do Coscex, disse na abertura do evento que o ministro “vestiu a camisa do Itamaraty”, apesar de não ser oriundo dele, conseguindo superar a complexidade dos temas de política externa. Tomou medidas de modernização, instituindo planejamento de médio e longo prazo, em que havia deficiência. Em relação aos problemas de fronteira, a gestão de Aloysio tomou iniciativas importantes, afirmou Barbosa. O Itamaraty, lembrou, tem papel importante no comércio exterior.

Também fizeram parte da mesa principal da reunião Débora Vainer Barenboim-Salej, embaixadora-chefe do Escritório em São Paulo do Ministério das Relações Exteriores; Pedro Miguel da Costa e Silva, diretor do Departamento Econômico do Ministério; Roberto Ignacio Betancourt, vice-presidente do Cosag e diretor titular do Departamento do Agronegócio da Fiesp; Thomaz Zanotto, diretor titular do Departamento de Relações Internacionais e Comércio Exterior da Fiesp e vice-presidente do Coscex.

Reunião de Cosag e Coscex da Fiesp com a participação de Aloysio Nunes Ferreira. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

Prepare sua Empresa para Atender Novos Mercados

Seminário Prepare sua Empresa para Atender Novos Mercados  realizado pela FIESP – IPT em 26/09/2017 no IPT – Auditório da Bionano, teve apresentações de como a empresa prepara seus produtos para atender novos mercados, superando as exigências técnicas de qualificação e certificação, bem como conhecer programas subsidiados de apoio às micro, pequenas e médias empresas. Visitas a laboratórios e atendimentos individuais também foram realizados no dia.

 

 

Para rever toda a programação realizada, clique aqui.

APRESENTAÇÕES DE PALESTRAS:

Programa de Apoio Tecnológico às MPMEs para superar as exigências técnicas de mercados

  • Mari Tomita Katayama – IPT

Como qualificar tecnicamente produtos para novos mercados

  • João Carlos Martins Coelho IPT

 

Para visualizar ou baixar as apresentações realizadas no dia, acesse o menu ao lado

Governo lança na Fiesp ambiente de validação do Novo Processo de Exportações

Graciliano Toni, Agência Indusnet Fiesp

O ambiente de validação do Novo Processo de Exportações do Portal Único de Comércio Exterior foi lançado oficialmente nesta terça-feira (20/12) na Fiesp. O sistema está disponível para o setor privado, permitindo às empresas testar as soluções de tecnologia da informação desenvolvidas para amparar o Novo Processo de Exportações. Com isso, elas podem preparar os sistemas corporativos para se comunicar com a nova interface, explicou Renato Agostinho, secretário substituto de Comércio Exterior do Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços (MDIC). Há redução de 60% no total de dados a digitar, explicou. Até o final do primeiro trimestre de 2017 deverá ser lançado, para o modal aéreo, o piloto do Novo Processo de Exportações.

No evento, o diretor titular do Departamento de Relações Internacionais e Comércio Exterior da Fiesp (Derex), Thomaz Zanotto, explicou que a entidade há alguns anos coloca como prioridade absoluta o projeto do Portal Único de Comércio Exterior. Reduzindo à metade o tempo de saída dos portos, economiza, de forma muito conservadora, US$ 15 bilhões por ano, disse. “Não há projeto de infraestrutura que dê esse retorno.” Zanotto destacou a importância dada pelo tema ao presidente da Fiesp e do Ciesp, Paulo Skaf.

Os países têm investido muito em infraestrutura de internet, de tecnologia da informação, explicou. É um tipo de infraestrutura que facilita e nivela o país, integrando o Brasil ao mundo, afirmou Zanotto.  Sempre lutamos, disse, pelo projeto do Portal Único, para que não perca o vapor, não perca os recursos necessários. Destacando que o comércio exterior volta à centralidade na política econômica brasileira, Zanotto lembrou que cada vez mais o comércio exterior é a facilitação do comércio.

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José Guilherme Vasconcelos, superintendente regional da Receita Federal em São Paulo, explicou que a instituição trabalha pela facilitação do comércio exterior, que é do interesse do Estado, mas não perde o foco no controle alfandegário, para combater práticas ilícitas, que prejudicam as empresas nacionais.

São Paulo faz fronteira com o mundo, lembrou, com a maior alfândega portuária da América do Sul, em Santos. O Estado, disse, concentra 60% das trocas brasileiras.

John Mein, coordenador executivo da Procomex, destacou a ampliação do escopo do evento de apresentação do projeto, indo além do caráter técnico.

Redesenho

Renato Agostinho, secretário substituto da Secretaria de Comércio Exterior do MDIC, destacou a receptividade da Fiesp às iniciativas do governo para facilitação de comércio exterior, que tem no Portal Único sua iniciativa mais expressiva. Explicou que ele não é somente um novo sistema, e sim um redesenho de processos, num trabalho feito em estreita cooperação com o setor privado.

É muito mais, afirmou, do que informatizar a burocracia existente. Reduz tempo e custos no comércio exterior, dando mais competitividade aos operadores. Hoje, numa operação de comércio exterior, o CNPJ de uma empresa pode ser exigido 18 vezes, exemplo que Agostinho escolheu para ilustrar a burocracia atual.

Com o portal único há atuação coordenada dos órgãos ligados ao comércio exterior, com uma interface única com o governo. Sua implantação começou em 2014. Espera-se redução de 40% dos tempos médios de importação e exportação quando estiver concluído. Isso, explicou Agostinho, colocará o Brasil em igualdade com os principais atores do comércio internacional. Ele citou ganhos para a economia brasileira graças a isso, com o PIB crescendo 1,52% no primeiro ano de sua implementação, segundo estudo da FGV. E chegaria a 2,52% em 14 anos.

O Novo Processo de Exportação permite redução de 60% no total de dados a digitar, explicou. Até o final do primeiro trimestre de 2017 deverá ser lançado, para o modo aéreo, o piloto do Novo Processo de Exportação. E também o Novo Processo de Importação começará em 2017.

As operações deixam de ser sequenciais e podem ser feitas paralelamente, permitindo ganho de agilidade. A Declaração Única de Exportação (DU-E) substitui RE, DE e DSE. Há integração com a Nota Fiscal Eletrônica, e as inspeções físicas ganham celeridade e coordenação, frisou Agostinho.

Vladimir Guilhamat, diretor titular adjunto do Derex, ressaltou a importância de permitir a empresas de menor porte o acesso às novas ferramentas de comércio exterior. Guilhamat destacou que a Fiesp também trabalha no piloto do Certificado Único de Origem Digital.

Sandra Magnavita, gerente do projeto de exportação do Portal Único na Receita Federal, destacou a importância da participação do setor privado na validação do novo ambiente.

Abertura do evento na Fiesp em que foi lançado o ambiente de validação do Novo Processo de Exportação. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

‘Vivemos um processo de retomada das exportações’, afirma diretor da Fiesp em Seminário sobre Financiamento à Exportação

Isabela Barros, Agência Indusnet Fiesp

Hora de voltar os olhos para o mundo. Nesse sentido e com o objetivo de estimular as vendas externas dos produtos brasileiros, foi realizado, na manhã desta quinta-feira (27/10), na Fiesp, o Seminário sobre Financiamento à Exportação Brasileira. O evento foi organizado pelo Departamento de Relações Internacionais e Comércio Exterior (Derex) da federação,

“Vivemos um processo de retomada das exportações”, disse Thomaz Zanotto, diretor-titular do Derex. “Temos aqui hoje empresas de todos os tamanhos e não só do setor da manufatura”.

Para Zanotto, exportar é como “entrar na academia”. “Você começa e acha que fez uma loucura, mas, depois, percebe como a sua empresa fica melhor”, explicou. “É realmente como entrar em forma”.

Zanotto, ao centro: "Exportar é como entrar na academia". Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

 

“O objetivo agora é colocar o comércio exterior na centralidade das políticas de governo”, explicou Tatiana Rosito, secretária-executiva da Câmara de Comércio Exterior (Camex). “Estamos focados na produtividade das empresas”.

>> Ouça boletim sobre o seminário

Nessa linha, além da produtividade, segundo Tatiana existe uma preocupação com o aprofundamento da inserção internacional, com mais promoção comercial e assinaturas de acordos de cooperação. “Outro ponto importante é o apoio às micro, pequenas e médias empresas que querem exportar, existe um esforço para ampliar o acesso desses grupos à informação”.

Para a secretária, é preciso “quebrar barreiras”. “O maior acesso ao financiamento é fundamental nesse sentido”, afirmou.

Ao longo do seminário, foram debatidos pontos como a visão dos bancos e dos exportadores sobre as principais demandas do setor exportador; o chamado Sistema de Moeda Local (SML); o seguro de crédito à exportação; programas de financiamento e o trabalho do Sebrae  junto às micro e pequenas empresas, entre outros assuntos.

 

Diretor-presidente da Anvisa se reúne com Skaf

Graciliano Toni, Agência Indusnet Fiesp

O diretor-presidente da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), Jarbas Barbosa, esteve na Fiesp nesta quinta-feira (1º de setembro) para discutir temas relacionados à produção, importação e exportação de diversos tipos de produtos, incluindo os agropecuários e sanitários. A reunião teve a participação do presidente da Fiesp e do Ciesp, Paulo Skaf.

O coordenador titular do Comitê da Bioindústria da Fiesp (BioBrasil), Ruy Baumer, disse que a Fiesp tem boa e longa relação com a Anvisa. Lembrou que o trabalho da Anvisa afeta vários setores, e os empresários tentam melhorar os procedimentos que os afetam. Há um alinhamento de pensamentos, disse, mas é preciso transformar em realidade essas ideias. Há questões de legislação, políticas e orçamentárias a superar.

Uma proposta é usar a força da casa para apoiar essas demandas em que há acordo, para ajudar sua tramitação no Congresso.

>> Ouça boletim sobre a reunião entre Anvisa e Fiesp

Uma questão é a descentralização de autorização de funcionamento, que a Anvisa não aceita, obrigando as empresas a, após a aprovação municipal ou estadual, passar também pelo seu crivo.

Nas importações sem registros, devido à judicialização, há dano à competitividade, lembrou Baumer.

Em relação a portos e aeroportos, os produtos regulados pela Anvisa são submetidos a uma inspeção adicional, estendendo o tempo necessário para a liberação. Alocação de técnicos é um dos entraves, porque não estão necessariamente nos aeroportos com maior movimentação de carga.

São questões burocráticas, que precisam ser enfrentadas, explicou Baumer. Produtos médicos são prioritários, e os atrasos representam custo adicional, e pode haver perda de produtos, pelo vencimento de sua validade.

O presidente da Anvisa tem a mesma visão. O corte de tempo nos procedimentos é importante, disse, porque insumos médicos, e até matérias-primas, são importados para virar produto final. Sem processo mais ágil, a produção pode ser prejudicada, afetando inclusive a exportação. É preciso agilizar os procedimentos em portos e aeroportos, que têm processos muito burocráticos.

Barbosa disse que o diálogo com a Fiesp é muito construtivo e produtivo. Reuniões como esta são excelente oportunidade para conversar com diferentes setores da indústria, com temas transversais, afirmou.

Ele defendeu a criação de uma agenda para fortalecer o ambiente regulatório brasileiro, de forma a que haja segurança para o consumidor em relação ao que é produzido. A adequação aos padrões internacionais, lembrou, ajuda também nas exportações.

Em relação à simplificação de processos, Barbosa destacou que a Anvisa foi o primeiro órgão a integrar o Sistema Integrado de Comércio Exterior (Siscomex) para registro, acompanhamento e controle das operações de comércio exterior. E a Anvisa permite o uso de petição eletrônica para a importação, evitando a intermediação de despachantes.

Jarbas Barbosa, diretor-presidente da Anvisa, participou de reunião na Fiesp com Paulo Skaf. Foto: Ayrton Vignola/Fiesp

Balança comercial paulista tem superávit de US$ 823,3 milhões no primeiro semestre de 2016

Agência Indusnet Fiesp/Ciesp

O saldo da Balança Comercial do Estado de São Paulo foi superavitário em US$ 823,3 milhões no acumulado do 1º semestre de 2016, de acordo com a pesquisa Ranking de Exportações da Federação e do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp e Ciesp), que também mede aparticipação das 39 regiões do Estado no total da balança comercial paulista.

As exportações do Estado de São Paulo somaram US$ 25,7 bilhões, registrando crescimento de 2,9% em relação ao mesmo período de 2015, enquanto as importações acumularam US$ 24,8 bilhões, uma queda de 26,8% em relação ao acumulado de janeiro a junho de 2015.

Para efeito de comparação, o saldo da Balança Comercial do Brasil no 1º semestre de 2016 foi superavitário em US$ 23,7 bilhões, ante um superávit de US$ 2,2 bilhões no mesmo período em 2015. As exportações brasileiras atingiram US$ 90,3 bilhões no acumulado de janeiro a junho 2016, uma queda de 4,3% em relação ao mesmo período de 2015. Já as importações acumularam US$ 66,6 bilhões, uma queda de 27,7% em relação ao acumulado de janeiro a junho de 2015.

Análise do 1º semestre de 2016 por diretoria regional do Ciesp

As diretorias distritais de São Paulo obtiveram a 1ª colocação do Estado no volume de exportações, atingindo US$ 4,3 bilhões no acumulado de janeiro a junho de 2016. Esse valor representou um crescimento de 26,9% em relação aos US$ 3,4 bilhões exportados no mesmo período de 2015. Os pesos principais ficaram por conta das exportações de semente e grãos (22,8% da pauta) e de açúcar (22,7%). Já as importações das diretorias distritais de São Paulo totalizaram US$ 4,4 bilhões, 27,3% menor que no 1º semestre de 2015. A região também ficou em 1ª colocação no volume importado pelo Estado. Os aparelhos e instrumentos mecânicos aparecem como destaque, respondendo por 12,1% da pauta importada, seguido por máquinas, aparelhos e materiais elétricos (11,9%). Com estes resultados, o saldo da balança comercial da diretoria regional (DR) de São Paulo foi o 9º maior déficit entre as diretorias. A balança comercial registrou no período um saldo negativo de US$ 124,9 milhões.

Em segundo lugar no ranking de exportações ficou a DR de São José dos Campos, que alcançou US$ 2,92 bilhões no acumulado de janeiro a junho de 2016, 1,1% superior ao acumulado no mesmo período de 2015, US$ 2,89 bilhões. O principal responsável foram as aeronaves, com 60,9% da pauta exportadora da região. Esta mesma diretoria obteve o 3º lugar em volume de importações, com um total de US$ 2,2 bilhões, uma queda de 35,4% em relação ao importado no acumulado do 1º semestre de 2015. O setor de combustíveis foi responsável pela maioria dos desembarques do período (29,9% da pauta importadora). Assim, o saldo da balança comercial da DR de São José dos Campos foi o 2º mais positivo dentre as diretorias, com superávit de US$ 708,2 milhões, ante déficit de US$ 538,2 milhões no acumulado de janeiro a junho de 2015.

A diretoria regional de Santos obteve o 3º lugar no ranking de exportações, com um volume de US$ 2,0 bilhões no 1º semestre de 2016, 9,0% a mais do que foi exportado no mesmo período do ano anterior, US$ 1,8 bilhão. O destaque foram as exportações de sementes e grãos (38,6% da pauta). Quanto às importações, a DR de Santos totalizou US$ 360,4 milhões no 1º semestre de 2016, uma queda de 16,8% em relação aos US$ 433,1 milhões importados no mesmo período de 2015. O destaque foi a importação de combustíveis (49,6% da pauta). Essa diretoria teve o destaque em superávit da balança comercial de janeiro a junho de 2016, com US$ 1,6 bilhão de saldo positivo, 17,2% a mais que o superávit do mesmo período do ano passado.

A DR de Campinas ficou em 2º lugar no ranking de importações com US$ 3,7 bilhões no 1º semestre de 2016, uma queda de 23,3% em relação ao mesmo período de 2015. Os destaques das importações ficaram por conta de máquinas, aparelhos e materiais elétricos (32,0% da pauta) e de produtos químicos orgânicos (15,8%). Essa diretoria também teve o maior déficit comercial entre as regionais, com US$ 2,3 bilhões no 1º semestre de 2016.

O Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC) divulgou o saldo comercial por município do Estado de São Paulo referente ao 1º semestre de 2016. O Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos (Depecon) e o Departamento de Relações Internacionais e Comércio Exterior (Derex) da Fiesp e do Ciesp fizeram uso dessa informação para elaborar uma análise do comércio exterior de cada uma das 39 Diretorias Regionais (DR) do Ciesp.

Clique aqui para ver a pesquisa completa. 

Fiesp e Ciesp são referência latino-americana em emissão de Certificado de Origem

Amanda Viana, Agência Indusnet Fiesp/Ciesp

A Federação e o Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp e Ciesp) já utilizam a tecnologia proposta pela Associação Latino-Americana de Integração (Aladi) para a emissão de Certificado de Origem entre os países da América Latina. O Certificado de Origem é um dos principais documentos no processo de exportação, beneficiando o exportador brasileiro com a redução ou isenção do imposto de importação nos países com os quais o Brasil possui acordos de comércio. O sistema oferecido pela Fiesp possibilita a emissão pelo país exportador e a recepção pela aduana do país importador de certificados de origem em formato eletrônico assinados digitalmente. As entidades estão preparadas e apenas aguardam a aprovação do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC) para iniciar as transmissões eletrônicas do Certificado de Origem.

Mais tecnologia e rapidez

As entidades da indústria paulista têm avançado no desenvolvimento do sistema de certificação digital. Desde o começo deste ano, têm emitido Certificados de Origem identificados por QR-Code, que permitem menos burocracia e redução de custo.  Essa tecnologia pioneira em Certificação de Origem gerou ganhos de produtividade e eficiência em todo o Estado de São Paulo. Registrou-se, desde a implantação do projeto, uma redução de 40% no tempo investido pelas empresas para a emissão de seus Certificados de Origem. No Brasil, são 57 entidades habilitadas pelo Governo brasileiro a emitir certificados de origem. A Fiesp e o Ciesp contam com 42 postos de atendimento de emissão de certificado de origem em todo o estado de São Paulo e capital.

Por meio da tecnologia QR-Code, autoridades aduaneiras dos países com os quais o Brasil possui acordos de comércio podem consultar a autenticidade do Certificado de Origem emitido pela Fiesp instantaneamente. A consulta pode ser feita por meio do site da entidade (www.certificadoecool.com.br/qrcode) e/ou dispositivos leitores de QR-Code disponíveis gratuitamente no mercado. A veracidade dos Certificados emitidos pode ser consultada em quatro idiomas: português, espanhol, inglês e francês.

Essa ação possibilita que as empresas emissoras de Certificados de Origem com a Fiesp e o Ciesp – e que eventualmente sejam interceptadas por autoridades aduaneiras para a confirmação da autenticidade do documento – possam obter a liberação imediata da exportação, já que a consulta sobre a veracidade dos Certificados pode ser realizada on-line, a qualquer momento, de qualquer aparelho conectado à internet.

Variação do dólar impacta Coeficientes de Exportação e Importação

Katya Manira, Agência Indusnet Fiesp

A desvalorização do real frente ao dólar ajudou a elevar as exportações no primeiro trimestre deste ano. O Coeficiente de Exportação (CE), medido pelos departamentos de Pesquisas e Estudos Econômicos (Depecon) e Relações Internacionais e Comércio Exterior (Derex) da Fiesp, fechou o período em 21%, variação de 1,4 ponto percentual no acumulado de janeiro a março de 2016 na comparação com os últimos três meses de 2015.

O relatório mostra que a participação do mercado externo na produção aumentou devido não apenas ao melhor desempenho da exportação, mas também devido à redução da produção externa. Durante o período analisado, o envio de produtos brasileiros para o exterior cresceu 6,4% (em quantum) enquanto a produção nacional registrou queda de 0,6%. Ou seja, a exportação ganhou representatividade em face a um menor volume de produção.

O diretor do Derex, Thomaz Zanotto, ressalta que o CE apresenta forte crescimento desde o final de 2014, o que é bom sinal para a indústria brasileira. “A exportação é um dos pilares para a recuperação econômica do país, pois estimula o emprego e a produção”, explica. “O aumento do coeficiente no período também mostra como uma taxa de câmbio mais realista é fundamental para a competividade do manufaturado brasileiro. ”

O Coeficiente de Importação (CI), por outro lado, também registrou alta, embora mais tímida, de 0,3 p.p. na comparação entre o trimestre imediatamente anterior. No final de 2015, o CI registrava 18,9% contra 19,2% aferidos nos três primeiros meses deste ano. No entanto, na comparação interanual, houve queda do CI. A variação foi negativa, de 2,2 p.p.

Analisando as variáveis que compõem o coeficiente, sua expansão pode ser explicada, em grande parte, pela retração de 1,9% no consumo aparente. O preço alto dos produtos importados afeta o bolso do consumidor, que devido à crise, tem evitado gastos.

A redução do coeficiente de importação mostra que houve uma substituição do produto importado pelo nacional”, ressalta Zanotto. “Embora tal movimento não tenha sido suficiente para uma retomada substancial da produção. ”

Setores

Dos 21 setores analisados pelo Coeficiente de Exportação e Importação (CEI) da Fiesp, 14 apresentaram crescimento do CE no primeiro trimestre de 2016, na comparação com o trimestre anterior. Quatro registraram estabilidade, e três tiveram quedas. Os destaques mais positivos foram os setores de têxteis (alta de 4,4 p.p.) e metalurgia (4,3 p.p.), do lado negativo, a retração mais acentuada ocorreu no setor de fumo (queda de 6,8 p.p.).

Já o CI apresentou crescimento em oito dos setores analisados, dois ficaram estáveis e onze tiveram queda. As maiores variações positivas foram registradas pelos setores de produtos farmoquímicos e farmacêuticos (4, 6p.p.) e máquinas e equipamentos (3,2 p.p.). Já as maiores quedas foram do setor de vestuário (-2,5 p.p.) e indústrias diversas (- 1,2 p.p.).

Clique aqui para ver a tabela completa dos setores.

Metodologia

Depecon e Derex relançaram neste ano os Coeficientes de Importação e Exportação da indústria brasileira (CEI).

O levantamento tem como objetivo analisar de forma integrada a produção industrial e o comércio exterior. O Coeficiente de Exportação (CE) mede a proporção da produção que é enviada para fora do Brasil, enquanto o Coeficiente de Importação (CI) mede a proporção de produtos consumidos internamente, porém fabricados fora das fronteiras do país.

A nova metodologia desconsidera as sazonalidades, permitindo uma comparação entre meses sem influência de fatores pontuais e característicos de certas épocas do ano.

Além das médias trimestrais, o CEI será atualizado mensalmente e pode ser conferido no site da Fiesp.

Em Taubaté, Skaf defende ajuste fiscal e estímulo a obras de infraestrutura e à exportação

Agência Indusnet Fiesp

Durante entrevista coletiva depois de inaugurar em Taubaté nesta quinta-feira (2/6) as novas instalações esportivas do Centro de Atividades do Sesi-SP “Luiz Dumont Villares”, Paulo Skaf, presidente da Fiesp, do Ciesp e do Sesi-SP, voltou a defender o ajuste fiscal por meio do corte de despesas, sem aumento de impostos.

“Esperamos do governo Temer que ajuste as contas do governo pela redução de gastos e desperdícios – que há muito, no governo.” Skaf lembrou que o governo herdou um déficit de R$ 170 bilhões da gestão anterior, mas disse que se “apertar o cinto, acerta as contas, sem aumento de impostos”.

O presidente das entidades da indústria lembrou que a campanha “Não Vou Pagar o Pato”, com forte apoio da sociedade, tem conseguido impedir o aumento de impostos.

Paralelamente ao ajuste, o governo, defendeu Skaf, precisa estimular as obras de infraestrutura, com regras claras para concessões e parcerias público-privadas (PPPs). Também tem que incentivar as exportações, para a retomada do crescimento econômico. “Precisamos rapidamente voltar a gerar empregos, renda, fortalecer as empresas – e daí, sim, aumentar a arrecadação, pelo crescimento.”

Empreendedores e investidores, no Brasil e no exterior, voltarão a investir no país, quando houver a retomada da confiança, perdida pelo governo anterior, disse Skaf. “Quando há investimento e consumo, há crescimento da economia, o que gera empregos e riqueza no país. É o que queremos.”

Paulo Skaf durante a inauguração de novo parque esportivo do Sesi-SP em Taubaté. Foto: Ayrton Vignola/Fiesp

 

Educação integral

Na inauguração do novo parque esportivo, Skaf destacou o papel dos funcionários do Sesi-SP e do Senai-SP na formação de crianças e jovens. “Trabalham com amor, com dedicação, têm uma missão. Saem felizes por ter passado seu conhecimento, por ter cuidado de milhares de crianças, que ganham oportunidades na vida”, disse o presidente das entidades da indústria. “Aproveitem muito o Sesi. Ele oferece muito.”

Os professores, destacou Skaf, ficam realizados ao ver as crianças – e adultos – aprendendo. “Em país de primeiro mundo, a grande autoridade é o professor”, disse, pedindo aplausos para os educadores brasileiros.

Walter Vicioni, superintendente do Sesi-SP, também participou da cerimônia, que além da inauguração das instalações esportivas incluiu a assinatura de diversos convênios na área de educação. “O Sesi-SP ensina as crianças a pensar, a fazer. E não é só na sala de aula. É em todos os lugares”, disse, destacando a importância do esporte, da boa alimentação e da qualidade de vida na formação das crianças.

Levantamento da Fiesp mostra melhora nas expectativas de exportação para a pequena indústria

Agência Indusnet Fiesp

Na passagem de fevereiro para março as expectativas para os próximos 6 meses em relação à exportação por parte da pequena indústria paulista avançaram 7,1 pontos. Com a recuperação, o indicador chegou a 50 pontos, o que mostra que o pequeno industrial está menos assustado com as oscilações no câmbio. A análise é do Departamento da Micro, Pequena e Média Indústria da Fiesp (Dempi), responsável pelo levantamento. A Sondagem das Pequenas e Médias Indústrias do Estado de São Paulo indica também melhora nas expectativas para os próximos 6 meses em relação à demanda por produtos, ao número de empregados, à compra de matéria-prima e aos investimentos.

Houve melhora ainda no volume de produção, que avançou 1,0 ponto em março, para 39,1 pontos, mas a Utilização da Capacidade Instalada (UCI) se manteve em 54%.

A evolução do número de empregados da empresa recuou 0,3 ponto, para 38,5 pontos, abaixo da estabilidade (50 pontos) e 5,9 pontos inferior à média histórica. O nível de estoques de produtos finais, recuou 2,4 pontos, para 47,6 pontos.

 

Situação financeira

O índice de satisfação com a situação financeira avançou 2,2 pontos, passando para 32,8 pontos em março, mas ainda longe da estabilidade (50 pontos). O último dado positivo ocorreu no quarto trimestre de 2011, quando o indicador de satisfação financeira alcançou 50,2 pontos.

O indicador de acesso ao crédito avançou 1,6 ponto em março, para 25,0 pontos. Apesar da melhora, o indicador está 25 pontos longe da estabilidade, indicando que os empresários das pequenas indústrias estão com muita dificuldade ou já não conseguem o crédito desejável.

O índice de satisfação com a margem de lucro operacional registrou no primeiro trimestre de 2016 um recuo de 1,3 ponto, passando para 25,8 pontos em março, indicando debilidade. Esse resultado é o segundo pior já registrado pelo índice, acima apenas dos 25,0 pontos do último trimestre de 2014 e do segundo trimestre de 2015.

Produção instável na média indústria

O volume de produção da média indústria de São Paulo avançou 0,3 ponto em março, para 42,6 pontos. O indicador está 3,4 pontos distante da média histórica (46,0 pontos) e 7,4 pontos abaixo da estabilidade. A instabilidade tem predominado nos últimos meses, e não há boas perspectivas para os empresários.

O índice de satisfação com a situação financeira recuou para 35,1 pontos em março (queda de 0,7 ponto), indicando piora, e segue longe da estabilidade (50 pontos). O último dado positivo ocorreu no terceiro trimestre de 2011 (50,9 pontos).

As expectativas para os próximos seis meses não se alteraram na passagem de fevereiro para março, com todo os indicadores abaixo dos 50 pontos, exceto o de perspectiva de exportação, que recuou para 55,4 pontos, o que demonstra ainda a existência de boas perspectivas para exportar.

Seminário na Fiesp tira dúvidas de participantes sobre financiamento à exportação

Agência Indusnet Fiesp

O Brasil está passando por uma instabilidade financeira, com crise econômica, por isso é preciso tentar ajudar as empresas, neste momento, a ter a exportação como um pilar de aquecimento e de retomada da produção para as indústrias, avaliou Vladimir Guilhamat, diretor titular adjunto do Departamento de Relações Internacionais e Comércio Exterior da Fiesp e do Ciesp (Derex), nesta quinta-feira (7/4), durante o seminário sobre financiamento à exportação brasileira.

Guilhamat lembrou que a crise já vem de alguns anos, principalmente a partir da política econômica que manteve o dólar baixo e, segundo ele, desindustrializou o país. “Hoje em dia isso causa um desespero e todos querem retomar a exportação, porque a maioria das indústrias perdeu os seus mercados, o seu espaço”, disse. “Nós precisamos ter apoio do governo e novas oportunidades, como o crédito de exportação e o seguro de crédito”, explicou Guilhamat. De acordo com ele, o objetivo do seminário é facilitar e passar informações sobre o crédito, que ainda é pouco utilizado no Brasil e de difícil acesso.

Neste sentido, Guilherme Laux, subsecretário de Crédito e Garantia Às Exportações do Ministério da Fazenda, sugeriu que o seminário fosse mais interativo, dinâmico e menos expositivo, com a intenção de sanar todas as dúvidas dos participantes sobre o tema. “Vamos lembrar que o governo não tem que ser a primeira opção dos exportadores”, explicou Laux, “a gente está aqui para ajudar e para impulsionar as exportações, mas a primeira opção de vocês tem de ser os bancos e as seguradoras privadas”. Laux assegurou aos participantes que eles têm o papel de pressionar e criticar o governo, apontando erros e acertos. “Uma política pública bem feita deve ser horizontal, deve atender o maior número de pessoas e empresas possível”. O subsecretário afirmou ainda que em termos de política pública, o Governo não visa ganhar dinheiro com isso, mas sim auxiliar a exportação, desde que isso não onere o contribuinte.

Para Rodrigo Dourado, gerente de Projeto de Operações de Fomento às Exportações da Secretaria do Tesouro Nacional do Ministério da Fazenda, o seminário é uma oportunidade única para o Tesouro. No caso do Programa de Financiamento às Exportações (PROEX), explicou Dourado, eles gerenciam o programa, mas quem tem o contato direto como os exportadores e instituições financeiras é o Banco do Brasil, que é o agente financeiro exclusivo do programa.

“Esse tipo de evento é importante para termos um contato mais próximo com os exportadores e com as instituições financeiras, que são o principal público alvo do programa, para ter essa sensibilidade de quais são as principais demandas, que podem subsidiar a nossa análise do programa e futuros aprimoramentos que precisam ser feitos”, comentou.

Clique aqui para ter acesso às apresentações feitas no seminário.

Seminário na Fiesp sobre financiamento à exportação priorizou respostas para dúvidas do público. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

Fiesp assina com Inmetro convênio para manter exportadores atualizados sobre barreiras técnicas

Katya Manira, Agência Indusnet Fiesp

A Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) assinou, na manhã desta terça-feira (15/3), acordo de cooperação técnica com o Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (Inmetro). O documento prevê a difusão das exigências técnicas impostas pelos parceiros comerciais do Brasil, permitindo, assim, a adaptação ágil do exportador brasileiro e o reconhecimento, em estágio inicial, de eventuais restrições desproporcionais no comércio internacional.

A assinatura foi realizada durante a abertura da reunião mensal do Conselho Superior de Comércio Exterior (Coscex), com a presença do presidente do conselho, o embaixador Rubens Barbosa, e do presidente do Inmetro, Luis Fernando Panelli Cesar.

“É algo muito importante e que irá beneficiar todo o setor privado”, reforçou Barbosa ao expor que, segundo o acordo, as duas entidades se comprometem a acompanhar e analisar conjuntamente as tendências e práticas regulatórias internacionais, bem como promover o intercâmbio de subsídios técnicos.

As ações visam facilitar e estimular a obtenção de informações sobre barreiras técnicas. “A exportação virou fundamental para o Brasil, por isso a necessidade das convergências regulatórias, por exemplo”, explicou Cesar.

Dando sequência à reunião do Coscex, ele fez uma exposição sobre o instituto e as dificuldades que enfrenta. Também explicou regulamentações e técnicas de metrologia. César falou sobre a multiplicidade do instituto, que testa “desde cocaína, boa noite cinderela, metanfetamina – para que a Polícia Federal consiga determinar os produtos durante uma apreensão – até próteses para implantes.”

Já o coordenador geral de Articulação Internacional do Inmetro, Jorge Antonio da Paz Cruz, falou sobre o trabalho constante de aproximação com os Estados Unidos em prol da convergência regulatória. Apresentou os resultados do diálogo comercial entre o Ministério de Desenvolvimento da Indústria e Comércio (MDIC) e o Departament Of Commerce (DOC), como o plano de implementação do portal de normas e regulamentos técnicos entre Inmetro, ABNT e American National Standards Institute (Ansi) e assinaturas de memorandos de intenção que visam a padronização.

“Também já iniciamos o diálogo com a União Europeia e não deixamos de lado o trabalho com o Mercosul”, finalizou Cruz.

Barreiras técnicas e o TPP

“A palavra ‘convergência’ irá mudar completamente a diplomacia mundial”, declarou Vera Thortensen, presidente do Comitê de Barreiras Técnicas de Comércio e professora da Fundação Getúlio Vargas. “Hoje, toda a área de negociação passa não só pelo comércio, mas também, e principalmente, por coerência e convergência regulatória. Esqueçam tarifas e antidumping. É um novo mundo!”

A implementação do Tratado Transpacífico (TPP na sigla em inglês), ela diz, irá definir um novo padrão de regra de comércio, o qual será multiplicado pelo resto do mundo. Um mundo “sem fronteiras”, define Thortensen, no qual a “maior tragédia é a inserção de padrões privados, que estão fora da Organização Mundial de Comércio (OMC), [padrões] sem dono e manejados por grandes cadeias privadas”.

“O Brasil ainda está preocupado com tarifas, regras de origem. São coisas importantes, mas não dá mais. O MDIC e o Itamaraty não estão preparados”, alertou Thortensen. “Temos que fazer com que as instituições, como o Inmetro e Anvisa, se juntem para criar um novo modelo de negociação. É preciso reciclar tudo o que já fizemos, ou ficaremos de fora”, finalizou.

Reunião do Coscex em que foi firmado convênio entre Fiesp e Inmetro para auxiliar exportadores. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

Diretor do Derex destaca importância das exportações para ajudar Brasil a sair da crise

Graciliano Toni, Agência Indusnet Fiesp

Thomaz Zanotto, diretor titular do Departamento de Relações Internacionais e Comércio Exterior (Derex) da Fiesp, abriu nesta quinta-feira (3/9) a 3ª Reunião Ordinária do Comitê Brasileiro de Barreiras Técnicas ao Comércio (CBTC) destacando a importância que as exportações têm para ajudar o Brasil a sair da crise. “A gente já está no buraco e precisa sair dele – e é através do comércio exterior que isso vai acontecer”, afirmou. E no comércio exterior, na avaliação de Zanotto, é cada vez maior a influência de barreiras técnicas e de regras. “Nos últimos 10 anos elas vêm ganhando momento”, disse.

“A guerra [do comércio exterior] vai ser travada e vai ser decidida na questão das barreiras técnicas”, afirmou. Isso vai exigir que o Brasil tenha equipes “com altíssimo gabarito técnico”, o que começa a ser encaminhado. “Fico satisfeito porque vejo no governo brasileiro diversos setores com gente de alto gabarito, gente jovem, com bastante gás. Isso é necessário, porque o assunto que estamos tratando é bastante complexo.”

Também no mercado o assunto recebe atenção crescente. “Já temos sentido na Fiesp, em vários eventos sobre assuntos mais técnicos ligados ao comércio exterior, a presença muito grande de gente qualificada e de empresas qualificadas. O assunto tem despertado bastante atenção da casa, inclusive do presidente [Paulo Skaf].”

Zanotto listou exemplos de exigências regulatórias, como o COOL labeling norte-americano, de rotulagem para produtos agropecuários, considerado discriminatório por alguns países, e o plain-packaging (que bane as marcas nas embalagens de cigarros). Citou também o Equador, país em que há o aumento de exigências técnicas restritivas e a falta de laboratórios para fazer a comprovação, o que impede a exportação.

O diretor titular do Derex lembrou também que nos três mais recentes encontros da Presidência brasileira com chefes de Estado de países importantes (China, Rússia e EUA), foram discutidas barreiras não tarifárias sobre a carne. Mesmo não sendo tratadas no Inmetro, explicou Zanotto, essas barreiras mostram que regras jogadas a favor e contra e os padrões privados que começam a surgir vão pautar cada vez mais o comércio internacional. Para o Brasil relançar as exportações precisa dominar esse assunto, não só na ofensiva, mas também na defensiva. Deu como exemplo trava criada pela Anvisa contra a presença de chumbo em brinquedos, “que salvou a indústria brasileira de brinquedos”.

“Não vejo outro começo de saída para a crise em que estamos que não seja o comércio exterior”, reforçou, frisando que isso se aplica também às importações. “Quando a Fiesp estava montando suas propostas para um plano nacional de exportação, surgiu muito frequentemente a questão de poder importar mais facilmente, para poder exportar mais”, revelou. Zanotto também mencionou a importância da convergência regulatória com os EUA, “de certa forma uma maneira de reduzir barreiras”.

Vera Thorstensen, presidente do CBTC, demonstrou preocupação com o enorme crescimento de padrões privados, criados por ONGs, sem responsabilidade governamental e sem foro para discussão. Vera propõe que o Brasil leve à OMC a questão das barreiras regulatórias. Ela considera essencial a existência de uma plataforma internacional para legitimar selos de certificação.

Rogerio Corrêa, chefe da Divisão de Superação de Barreiras Técnicas da Coordenação-Geral de Articulação Internacional (Caint) do Inmetro, também participou do evento.

O papel da Anvisa

Ivo Bucaresky, diretor de Coordenação e Articulação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), fez apresentação sobre o trabalho da instituição. Ele disse que considera fundamental para o país a questão das barreiras técnicas, que a Anvisa transformou em tema da diretoria, por sua importância. Em sua opinião, “o Brasil usa muito pouco a Anvisa e as barreiras sanitárias para proteção da produção nacional”.

Bucaresky destacou que Anvisa é nova (nasceu em 1999), mas já é considerada uma das 5 agências de seu tipo mais importantes do mundo. É tida como a mais rigorosa do mundo em relação a produtos farmacêuticos. Ele atribui ao trabalho da Anvisa a melhora na qualidade de produtos havida no Brasil nos últimos 15 anos. Além da atuação da Anvisa e da política de genéricos houve outros fatores que permitiram a recuperação da indústria farmacêutica, em sua análise. Ele lembrou que atualmente, dos 10 maiores laboratórios no Brasil, 5 são nacionais.

Além de certificar os produtos, a Anvisa também registra todo o processo produtivo, inspecionando a fábrica para certificar que siga as boas práticas de produção. É algo demorado – leva 4 anos para certificar o processo produtivo no caso de produtos para saúde, o que leva a muitos questionamentos no exterior. A inspeção nacional é feita em no máximo 6 meses. “Sem querer, nos tornamos uma barreira técnica à entrada de produtos para saúde no Brasil”, afirmou, ressaltando que Europa e EUA também têm fila para essas inspeções. Bucaresky explicou que está em discussão a implantação de inspeções coletivas, para certificar uma mesma fábrica para diversos países – problema disso é que o Brasil não tem escritório internacional.

No mundo inteiro, disse Bucaresky, há prazos que são relativamente demorados, mas no Brasil há demora além da razoável, um pouco por questões jurídicas, um pouco pela falta de pessoal e pelos procedimentos. E há também a questão jurídica no Brasil. “Vou ser claro: no Brasil o crime compensa. Somos mais rigorosos no pré-mercado para compensar a dificuldade de punição depois que o produto é aprovado”, declarou.

O processo é mais demorado porque tem que ser rigoroso, mas o amadurecimento de mercados permite certa aceleração. É o caso do setor farmacêutico, maduro o bastante para que se abra mão de certas fiscalizações prévias. Vai ser permitida a autoavaliação. Com isso, a fila deve cair pela metade.

Em seus primeiros anos Anvisa teve o que Bucaresky chamou de “sanha regulatória”, mas agora muda sua metodologia (por exemplo, separando lista e norma, permitindo alterar anexos). E prepara sistema de facilitação do acesso a normas da Anvisa. São cerca de mil normas, de medicamentos a saneantes. Mas, frisou, “não se pode abrir mão do rigor sanitário”.

Os números da Anvisa são grandes. São 81 mil farmácias, 6.000 distribuidoras, mais de 6.000 hospitais, 450 indústrias farmacêuticas sob sua supervisão. “De 25% a 33% do PIB brasileiro é regulado pela Anvisa”, destacou Bucaresky. E a quantidade de servidores é muito pequena (2.200, dos quais 800 podem se aposentar nos próximos anos). “Temos que ter equipe muito maior.”

O enorme volume de pedidos de registro de produtos se deve, explicou, ao baixo valor cobrado. Deu como exemplo o registro de uma molécula empregada em agrotóxicos, que no Brasil custa R$ 1.800, contra US$ 2 milhões nos EUA.

A Anvisa também precisa dar anuência à exportação de produtos que não têm registro no Brasil, certificando que foi produzido segundo boas práticas. Isso, explicou Bucaresky, é feito por preocupação com a saúde da população não só do Brasil. E também com a imagem brasileira.

Vera Thorstensen, presidente do CBTC, perguntou se a Anvisa tem algum setor que se dedique a usar a regulação como elemento de negociação. Essa negociação ofensiva, explicou Bucaresky, é feita apenas do ponto de vista sanitário. “Do ponto de vista econômico, não. É preciso pensar numa inteligência regulatória. O governo brasileiro precisa ser capaz de perceber e utilizar esse instrumento regulatório. Precisa virar política de Estado”, disse. Vera acrescentou que tem que ser usada como instrumento de negociação. “Precisa de mentalidade para mudar o MDIC, o NRE, porque o mundo mudou.”

3ª Reunião Ordinária do Comitê Brasileiro de Barreiras Técnicas ao Comércio (CBTC). Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

 

Casos de barreiras técnicas às exportações

Renato Jardim, representando a Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (ABIT), disse que no caso de produtos têxteis, surgem cada vez mais normas, além da etiquetagem, que a própria Abit não conhece. Ele revelou que está sendo organizado grupo para comparar normas em vigor no Brasil e nos EUA, começando pela etiquetagem, para checar onde há convergência e divergência. Se tiver sucesso, acredita, a iniciativa pode ser estendida para outros mercados.

Jardim citou pesquisa da Abit que mostra que 85% das empresas nunca tiveram problemas com barreiras técnicas para exportar para os EUA – o que não é necessariamente boa notícia, visto que 88% delas nem sabiam que existiam as normas, no maior mercado do mundo. As 12% que sabiam conheciam apenas a de etiquetagem, única norma existente no Brasil.

Produtos florestais

Guilherme Cassaro, da Indústria Brasileira de Árvores (IBÁ), falou sobre barreiras fitossanitárias à exportação de produtos de madeira. Um dos problemas apontados é a dificuldade de acesso ao mercado em função dos produtos usados para tratamento da madeira. Explicou que há situação semelhante em relação à Índia e à Malásia para a exportação de toras e madeira serrada. Ambos exigem o uso de substância proibida no Brasil.

Também houve problema nas exportações para a União Europeia em função de produto usado no setor de celulose e papel. Instituto alemão (BFE) deixou de recomendar a antracnona, usada para melhorar o processo de produção de celulose e papel. Só que o BFE usou dados de pesquisa feita nos EUA e desacreditada por ter usado amostras contaminadas. Produtores nacionais acataram a norma, o que encareceu a produção.

Como exemplo de novos padrões que dificultam as exportações, citou o Eco Label, selo da União Europeia, que indica produto como sustentável. Exige certificação anual por planta de produção. Não pode usar combustível fóssil na produção. Cassaro lembrou também que a União Europeia prepara nova regulamentação de organismos geneticamente modificados.

Linha branca

Jaqueline Bellini, gerente de assuntos regulatórios da Whirlpool Latin America, unidade de negócios com foco na América do Sul, falou sobre problemas na exportação. Ela disse que sete países demandam certificação de produtos (El Salvador, Equador, Chile, Venezuela, Uruguai, Colômbia e Argentina).

Destacou problemas com o Equador, que não tem laboratórios, não permite influência do Brasil e endureceu normas nos últimos anos. Disse que a “Argentina também é mercado difícil”. A Whirpool, revelou, mapeia os mercados e identificou 60 novos regulamentos a caminho.

O Chile, em sua opinião, é o país mais completo e complexo de certificação. Exige análise por tipo e por lote (amostras de cada lote que chega) e leva de 2 a 4 semanas para liberar venda. Jaqueline destacou também a quantidade de etiquetas exigidas pelo Chile, “40% maior que para outros países”, o que acaba sendo barreira devido ao pequeno tamanho do mercado chileno.

Sobre o Comitê Brasileiro de Barreiras Técnicas ao Comércio (CBTC)

Instituído no âmbito do Conselho Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial (Conmetro), o Comitê visa, dentre outros objetivos, coordenar as ações do governo brasileiro e do setor privado relacionadas à participação do Brasil no Acordo sobre Barreiras Técnicas ao Comércio da Organização Mundial do Comércio (OMC), bem como analisar, avaliar e compatibilizar projetos de normas e regulamentos notificados à organização, de modo a superar restrições regulatórias impostas a produtos brasileiros em terceiros mercados.

Perfil Exportador Paulista

O Perfil Exportador Paulista (PEP) é um relatório anual que oferece uma perspectiva mais detalhada das exportações do Estado, por meio de uma abertura setorial e também regional.  O estudo classifica os produtos conforme seu nível de intensidade tecnológica e tem por objetivo contribuir para a elaboração de políticas públicas, que aumentem a competitividade do comércio exterior paulista. As informações foram cedidas pelo Departamento de Estatística e Apoio à Exportação (Deaex) do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio (Mdic). A elaboração da análise é do Departamento de Relações Internacionais e Comércio Exterior (Derex) da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).

Representantes dos EUA apresentam práticas de conformidade, revenda e reexportação

Patrícia Ribeiro, Agência Indusnet Fiesp

A Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) sediou nesta quarta-feira (4/3) o seminário Controle de Exportação e Importação dos Estados Unidos e Brasil.

No encontro, os representantes norte-americanos apresentaram aos empresários brasileiros materiais controlados utilizados pelas indústrias de defesa e civil. Também foram discutidas a reforma do controle de exportação, importação e reexportação dos produtos de defesa dos Estados Unidos.

Seminário da Fiesp discute práticas de revenda e conformidade na exportação. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

O seminário contou com a participação do diretor-titular adjunto do Departamento de Defesa (Comdefesa) da Fiesp, Sérgio Vaquelli, do cônsul geral dos EUA, Dennis Hankins, do coordenador geral de Bens Sensíveis do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, Sérgio Antônio Frazão Araujo, do diretor da Secretaria de Não-Proliferação e Observância dos Tratados, Alex Lopes e do secretário adjunto para a Administração de Exportação, Kevin Wolf.

Para Sérgio Vaquelli, o seminário é importante porque “traz novidades dos EUA, que é um grande parceiro”. Enquanto, o cônsul Hankins afirmou que é fundamental entender os principais problemas que a indústria brasileira enfrenta para importação de produtos.

Na avaliação de Alex Lopes, o encontro pode favorecer as conversações sobre exportação e importação de produtos entre os países.

“Esperamos que este seja um diálogo contínuo entre as agências, para que haja melhores práticas de comércio entre Brasil e EUA”, disse Lopes.

Os palestrantes concluíram o seminário mostrando as facilidades na exportação e importação. E o consulado dos EUA se colocou à disposição para eventuais dúvidas.

 

Exportação é fundamental para crescimento da indústria, afirma diretor da Fiesp

Guilherme Abati, Agência Indusnet Fiesp

A Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), por meio do Departamento de Relações Internacionais e Comércio Exterior (Derex), realiza ao longo desta terça-feira (02/12), na sede da instituição, o “Seminário sobre Financiamento à Exportação Brasileira”.

Zanotto: “É consenso que a retomada da indústria passa pelo crescimento das exportações.” Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

 

Na abertura do encontro, Thomaz Zanotto, diretor titular do Derex, ressaltou a importância do estabelecimento de uma política integrada de comércio exterior, com foco na promoção das exportações de manufaturados.

“Exportação é fundamental para a indústria, garante o giro, faz com a empresa melhore seus produtos, compre equipamentos. É como a academia da indústria”, sustentou Zanotto.

Segundo ele, as exportações funcionam como um “complemento fundamental” para a retomada da indústria. “É consenso que a retomada da indústria passa pelo crescimento das exportações.”

Zanotto afirmou que o governo vem tomando medidas importantes para a facilitação do comércio. Entre as ações, ele destacou o Portal Único de Comercio Exterior que deve reduzir pela metade o tempo de permanência dos produtos nos portos brasileiros. “Gerará uma economia de US$ 25 bilhões por ano”, afirmou.

Embaixador Carlos Márcio Bicalho Cozendey: interação entre os diversos atores da iniciativa privada e do setor público é fundamental para encontrar gargalos e promover políticas de estímulo. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

 

Em seguida, o embaixador Carlos Márcio Bicalho Cozendey, secretário de Assuntos Internacionais do Ministério da Fazenda, sublinhou a importância do evento.  “É importante discutir programas de estimulo e garantia às exportações. A ideia do seminário é ir além dessa discussão e tornar compreensível os instrumentos disponíveis de apoio”, analisou.

Cozendey disse ser importante a identificação de soluções conjuntas a partir da interação com seguradoras, bancos, exportadoras, iniciativa privada e órgãos do governo. “Precisamos encontrar gargalos e promover políticas de estímulo”, concluiu.

No encerramento da abertura do seminário, Rodrigo Toledo Cabral Cota, subsecretário de Crédito e Garantias às Exportações do Ministério da Fazenda, abordou o funcionamento do Fundo de Garantia à Exportação (FGE). “O fundo é regido pela Lei 9.818. É um fundo contável, parte da estrutura do patrimônio da União, cujo objetivo é cobertura de riscos comerciais ligados à exportação brasileira”, explicou.

Rodrigo Toledo Cabral Cota: um dos objetivos é ampliar exportações de bens e serviços para África e América Latina. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

Segundo ele, o FGE é um recurso “sobre o qual se assenta o Seguro de Crédito à Exportação”.

Entretanto, em sua visão, são necessários avanços na cobertura de risco comercial. “Precisa haver um avanço na lei”, afirmou.

De acordo com Cota, os objetivos estratégicos do FGE e do Seguro de Crédito à Exportação (SCE) são ampliar exportações de bens e serviços para África e América Latina, além de ampliar o financiamento de bancos privados à exportação brasileira e ampliar o número de empresas exportadoras.

“O objetivo é que exportações se desconcentrem”, analisou – uma vez que 50% das exportações brasileiras são realizadas por apenas 50 empresas.

Ele abordou ainda as formas de financiamento do SCE/FGE e detalhou o volume de recursos abarcados pelos dois mecanismos.

Cota aproveitou para alertar sobre as possibilidades de comércio com a África. “Temos que trabalhar esse mercado.”

A abertura do evento também contou com a presença de Guilherme Laux, coordenador-geral de Seguro de Crédito à Exportação do Ministério da Fazenda.

Desafios

Com a presença de diretores do Derex da Fiesp, fez parte da programação do seminário o painel “Desafios na obtenção de crédito à exportação”. Os diretores Mario Marconini, Vladimir Guilhamat e Gustavo Cortês, todos do Derex, abriram espaço para que os empresários falassem sobre as maiores dificuldades e tirassem suas dúvidas.

>> Instituições financeiras apresentam produtos bancários de crédito à exportação em seminário na Fiesp

>> Acesse as apresentações realizadas no “Seminário sobre financiamento à exportação brasileira”

>> Especialistas explicam como funciona o seguro de crédito para a exportação 

Vídeo: confira o INDestaque, resumo do que aconteceu na Fiesp entre 09/09/2013 e 20/09/2013

Agência Indusnet Fiesp,

Entre outros assuntos, o boletim da última quinzena destaca a Pesquisa de Nível de Emprego do Estado de São Paulo, que apurou o fechamento de 14,5 mil postos de trabalho da indústria paulista.  Outro destaque foi a análise dos Coeficientes de Exportação e Importação (CE e CI) elaborada pelo Departamento de Relações Internacionais e Comércio Exterior (Derex) da Fiesp. Segundo o levantamento, apesar de o coeficiente de exportação da indústria brasileira ter fechado o segundo trimestre do ano em 21%, a participação de produtos importados no consumo doméstico bateu novo recorde, atingindo 24,8%.

Na quinzena passada, a Fiesp recebeu ainda a visita da vice-secretária de Comércio dos Estados Unidos, Miriam Sapiro, do governador do Mississipi, Phil Bryan, e do Ministro dos Transportes, Cesar Augusto Rabello Borges.

Outros destaques do período foram a realização do 19o  Seminário de Operações de Comércio Exterior, e do Seminário Novo Decreto Antidumping.

Confira todos os acontecimentos de 09/09/2013 a 20/09/2013:

Exportação da indústria cresce, mas participação de importados bate novo recorde

Katya Manira, Agência Indusnet Fiesp

Os resultados da análise dos Coeficientes de Exportação e Importação (CE e CI) da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), divulgados nesta terça-feira (17/09), pelo Departamento de Relações Internacionais e Comércio Exterior (Derex) da entidade, mostram que apesar de o CE da indústria brasileira ter fechado o segundo trimestre do ano em 21%, a participação de produtos importados no consumo doméstico bateu novo recorde, atingindo 24,8%.

Na comparação com o mesmo período de 2012, o CE mostrou um acréscimo de 0,5 ponto percentual, registrando, assim, o quarto maior resultado da série histórica trimestral, que começou em 2006. O maior resultado para o CE foi o registrado no terceiro trimestre deste mesmo ano, com 22,3%. O CE para a indústria de transformação também atingiu um bom resultado, fechando o período entre abril e junho de 2013 em 18,8%.

Segundo a análise do Derex, o indicador referente às exportações brasileiras interrompeu a trajetória de arrefecimento do setor industrial, mas isso não significa que a indústria se recuperou totalmente do período difícil pelo qual está passando. “Essa elevação pode ter sido motivada pelo efeito cambial que, ao desvalorizar o Real, garantiu uma vantagem às exportações de produtos brasileiros”, explica o diretor do departamento, Roberto Giannetti. “Porém, a dificuldade da indústria doméstica continua bastante evidente. Basta notar o crescimento permanente – semestre por semestre – e de forma gradual do Coeficiente de Importação.”

Apesar de ter crescido apenas 0,8 p.p na comparação interanual, o CI já representa quase um quarto (24,8%) de tudo o que é consumido no Brasil. Ou seja, a cada quatro produtos vendidos em território brasileiro, um é produzido fora do país. O indicador para indústria geral bate, novamente, seu recorde na série história. Já o CI da indústria de transformação fechou o período em 23,4%, registrando aumento de 0,8 p.p..

“Isso é uma prova inconteste da desindustrialização do país. Não conseguimos competir com os produtos importados, seja por causa do dólar ou pelas dificuldades do Custo Brasil”, explica Giannetti que acrescenta à lista de dificuldades da indústria brasileira os “elevados custos com logística, impostos e oneradas taxas de juros no mercado financeiro”. “Com isso, o empresário não consegue competir de maneira e condições ideais com seus colegas do exterior.”

Setores

Dos 33 setores analisados, metade registrou aumento do Coeficiente de Importação no segundo trimestre de 2013 frente ao mesmo período do ano passado. O setor de outros equipamentos de transporte foi, novamente, o de maior destaque com alta de 7,4 p.p., seguidos pelos setores de produtos farmacêuticos (+ 7,36 p.p.) e autopeças (+ 3,3 p.p.).

Entre os segmentos que registraram redução do coeficiente, destaca-se, outra vez, o de aeronaves, com baixa de 12 p.p. em bases anuais. Segundo análise da Fiesp, tal resultado se alinha ao desempenho das exportações de aviões, uma vez que o setor é intensivo em insumos importados.

Já na análise do Coeficiente de Exportação, 14 apresentaram alta em relação a 2012, com destaque para equipamentos de transporte (+ 41 p.p.) e metalurgia de metais não ferrosos ( +7,8 p.p.). As reduções mais significativas do CE ocorreram na divisão de aeronaves (- 16,8 p.p.) e ferro-gusa e ferroligas (- 14 p.p.) na mesma base de comparação.

Veja o índice na íntegra abaixo ou acesse aqui.

 

Fiesp quer estimular vendas para a China, diz vice-presidente da entidade em reunião sobre a feira Chimport

Isabela Barros, Agência Indusnet Fiesp

Em vez de apenas importar produtos da China, o Brasil precisa vender mais para o gigante asiático, de acordo com o vice-presidente e coordenador do Comitê da Cadeia Produtiva da Indústria Têxtil, Confecção e Vestuário (Comtextil) da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Elias Miguel Haddad.

“Queremos vender para a China”, resumiu Haddad em reunião realizada nesta terça-feira (13/06) na sede da entidade, convocada para apresentar a feira Chimport na cidade.

“A Fiesp quer estimular as vendas para termos superávit nas nossas relações comerciais e não para sermos invadidos por produtos da China e dos países asiáticos”, explicou.

Haddad: mais estímulo às exportações para a China. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

Haddad: Fiesp quer mais estímulo às exportações do Brasil para a China. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

A feira Chimport, programada para o período entre os dias 26 e 28 de setembro em Guangzou, tem por objetivo estimular as exportações de empresas do mundo inteiro para a terra da Grande Muralha.

A palestra “A Chimport e suas possibilidades de negócios para a indústria nacional” foi apresentada pelo CEO da ChinaInvest, Thomaz Machado. A empresa representa a feira chinesa no Brasil. “A China foi responsável por 16% das trocas comerciais brasileiras em 2012, é o nosso principal parceiro comercial”, afirmou Machado. “Temos que conhecer o mercado chinês, saber quem é quem e fazer tentativas de vendas. Precisamos conhecer os nomes dos nossos possíveis clientes”, disse. “Há muito desconhecimento dos dois lados.”

Machado destacou a intenção do governo chinês de abrir o mercado para a entrada de produtos importados. Isso porque os chineses são grandes consumidores de artigos feitos em todas as partes do mundo em suas viagens ao exterior. “O governo prefere que esses cidadãos comprem importados na China e deixem os impostos por essas compras dentro do país”, explicou. Assim, conforme o CEO da ChinaInvest, será possível ver, na etiqueta de muitos produtos, nos próximos anos, a expressão “Made for China”, ou feito para a China.

Bolachas portuguesas

De acordo com o CEO da ChinaInvest, a classe média e média alta na China é formada por 460 milhões de pessoas, para uma população total de 1,3 bilhão de habitantes. “Não é preciso vender para todo o país”, explicou. “Na China, muitas vezes, em algumas províncias se tem uma população de consumidores do tamanho do Brasil”.

Machado, da ChinaInvest: governo chinês quer mais importados no país. Foto:  Helcio Nagamine/Fiesp

Machado, da ChinaInvest: governo chinês quer mais importados no país. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

Entre as nações que já conseguem bons resultados com o mercado chinês está Portugal. Na pauta de exportações lusitanas destinadas ao gigante asiático estão itens como azeite e até bolachas doces “do tipo Maria”. “Uma única empresa portuguesa tem 30% da sua produção de bolachas voltada para a China”, disse Machado. “Foram 50 milhões de bolachas vendidas para lá em dois anos. A China faz questão de importar alguns produtos, até por questões sanitárias.”

Plataforma de negócios

Segundo Machado, a Chimport é uma evento voltado para a importação, ou seja, para atrair importadores para a China. Nos dois primeiros dias de feira, circularão pelo Pazhou International Trade Expo Hall apenas representantes, importadores, investidores e distribuidores do país asiático, com abertura para o público em geral somente no terceiro dia. “Vamos criar uma plataforma de informação dizendo quem é quem no mercado chinês e expondo os produtos das empresas brasileiras para os chineses”, disse o executivo da ChinaInvest.

No caso da Chimport, são particularmente bem-vindas indústrias dos setores de alimentos, bebidas, agronegócio, moda, casa, construção, tecnologia e saúde.

Aos interessados, Machado lembra que, acima de tudo, é preciso investir em relacionamentos para vender para a China. “Toda negociação lá é fechada à mesa”, explicou. “Os chineses perguntam sobre características pessoais e família, por exemplo.”

Outra dica importante: nunca dispense a ajuda de um bom tradutor. “Certa vez, achando que já tinha mandarim fluente, decidi fazer uma apresentação sem o intermédio da minha tradutora”, contou Machado. “Em dado momento, em vez de dizer ‘eu gostaria de perguntar a vocês’, acabei falando ‘eu gostaria de beijar você’ por uma sutileza na pronúncia”, lembrou.

Indústria de Defesa brasileira precisa aumentar exportações, afirma diretor da Abimde

Guilherme Abati, Agência Indusnet Fiesp

Segundo Lemos, expectativa é de crescimento do mercado interno. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

O cenário interno é positivo, mas é preciso estabelecer parcerias para o crescimento das exportações da indústria de defesa nacional, disse o Coronel Armando Lemos, diretor técnico da Associação Brasileira das Indústrias de Materiais de Defesa e Segurança (Abimde), nesta sexta-feira (05/04), durante o último dia do Defense Industry Day, evento que acontece na sede da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).

O diretor da Abimde, entidade criada em 1985 que congrega 185 empresas de alta especialização tecnológica de segurança e defesa, alertou para a pouca expressividade das exportações brasileiras no cenário global. “Na década de 1980, o Brasil estava entre os dez maiores exportadores do mundo. Hoje estamos em 76º lugar. Exportamos 1,7 bilhões de dólares. O que é pouco para um mercado grande como esse”, disse.

Para Lemos, o caminho para o crescimento das exportações é a criação de parcerias, principalmente com os Estados Unidos. “O Brasil não abre mão de sua soberania, mas é necessário criar parcerias com os Estados Unidos. O Brasil é um bom parceiro e temos grandes oportunidades.”

Entretanto, na visão de Lemos, o futuro do setor é positivo devido ao aumento da demanda interna.  “O futuro é favorável. Há grande expectativa de crescimento interno e de geração de empregos. A sociedade brasileira entendeu que a questão de segurança não é responsabilidade apenas do governo e das forças armadas”, afirmou.

Lemos apontou as razões para o crescimento do setor nos próximos anos. “As recentes descobertas de reservas na camada do pré-sal criaram a necessidade de investimentos na indústria petrolífera, o que demandará maior consumo de produtos de segurança. Grandes eventos como a Copa do Mundo e as Olimpíadas também fomentarão o crescimento do setor nos próximos anos.“

O diretor destacou a importância do crescimento do setor para o desenvolvimento da nação. “O crescimento contribui para o desenvolvimento nacional e promove uma maior independência do país. Gera capacitação, autonomia e crescimento”, encerrou.