Mercado brasileiro teve maior expansão internacional dos últimos anos

Kacy Lin, Agência Indusnet Fiesp

Alessandro Teixeira, presidente da Apex. Foto: Kênia Hernandes

O equilíbrio da conjuntura internacional vem mudando rapidamente nos últimos dez anos. De acordo com o presidente da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex), Alessandro Teixeira, a internacionalização de empresas da Ásia, América Latina e África aumentou os investimentos e a participação de novos mercados. Mas o país que mais se expandiu foi o Brasil.

Uma prova disso, apontou Teixeira, foi um acordo inédito entre a grande indústria farmacêutica nacional EMS e o governo cubano, que movimentará um montante de US$ 100 milhões. Destacou também a expansão da rede brasileira de comida árabe Habib’s, que no próximo ano vai inaugurar dez lojas na China.

Há oito anos os investimentos externos do Brasil somavam U$ 15 bilhões e ainda neste ano devem fechar entre 25 e 27 bilhões de dólares, com expectativa de alcançar a marca de U$ 35 bilhões em 2010, estimou.

“A capacidade do País de atrair investimentos chega a U$ 40 bilhões hoje em dia, o que representa o poder de competitividade brasileiro”, sublinhou o presidente da Apex durante o seminário “Internacionalização de Empresas Brasileiras”, nesta segunda-feira (7), na sede da Fiesp.

Segundo ele, atualmente a Europa detém 38% da captação de investimentos do mundo, contra 50% em 2000. Já a China, que absorvia apenas 2%, hoje ultrapassou os dez pontos percentuais.

Subsídios ilegais

Alberto Pinto Souza Júnior, assessor especial da Receita Federal. Foto: Kênia Hernandes

O assessor especial da Receita Federal, Alberto Pinto Souza Júnior, chamou atenção aos riscos da desoneração fiscal às exportações. Embora considere a medida importante para a projeção internacional, afirmou que, dependendo do caso, os subsídios podem ser vistos como ilegais para a Organização Mundial do Comércio (OMC).

“Temos que tomar cuidado com os alívios que concedemos, principalmente com os impostos que incidem diretamente sobre os produtos”, destacou.

Outro ponto abordado pelo assessor foi sobre a bitributação dos produtos estrangeiros. Segundo ele, o fato do Brasil não cobrar nenhuma taxa dos parceiros pode prejudicar suas negociações. “Isso é péssimo para nós, porque os dividendos estão a 0%. Perdemos boa parte da capacidade de barganha”, explicou. Países como os Estados Unidos, exemplificou, chegam a cobrar até 30% da alíquota.

Parceria é indispensável

Norton Rapesta, diretor do Ministério de Relações Exteriores. Foto: Kênia Hernandes

Na avaliação do diretor do Ministério de Relações Exteriores (MRE), Norton Rapesta, o maior empecilho à internacionalização física de indústrias nacionais é a insegurança com o mercado externo.

Assim, o representante do Itamaraty disse que o governo tem de aproveitar o bom momento de economia interna para dar apoio às empresas. “Uma das melhores iniciativas que podemos tomar é o mapeamento das oportunidades internacionais”.

Roberto Giannetti, diretor-titular do Derex/Fiesp. Foto: Kênia Hernandes

Neste mesmo sentido, o diretor-titular do Departamento de Relações Internacionais e Comércio Exterior (Derex) da Fiesp, Roberto Giannetti, acrescentou que o Brasil está numa fase de maturidade de sua projeção internacional e que, por isso mesmo, o governo deve aumentar seus esforços para garantir o aproveitamento máximo dos benefícios internacionais.

“Diversos setores do Governo são indispensáveis para este momento da indústria. A Receita Federal com as normas de tributação; o Banco Central com a regulamentação cambial e o Itamaraty mediando os acordos com mercados específicos”, argumentou.