Em artigo no Diário de S.Paulo, Paulo Skaf fala sobre apoio da Fiesp ao AfroReggae

Agência Indusnet Fiesp

No artigo “Parceria do Bem”, publicado nesta segunda-feira (15/04) no jornal Diário de S.Paulo e nos jornais da Rede Bom Dia, o presidente da Federação e do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp e Ciesp), Paulo Skaf, enfatizou a importância de iniciativas como a do grupo AfroReggae que, com projetos sociais e culturais, promove a reinserção de ex-detentos na sociedade.

Para Skaf, apoiar ações como essa é um  ganho para toda a população brasileira. “Quanto mais pessoas conseguirmos capacitar e dar condições de trabalho, mais estaremos contribuindo para a diminuição da violência, que tantas tragédias têm causado às famílias brasileiras”, afirma.

Ele destacou o projeto “Empregabilidade”, através do qual os egressos do sistema prisional terão oportunidade de se capacitarem profissionalmente por meio dos cursos do Senai-SP.

Leia abaixo o artigo na íntegra ou acesse os sites do Diário de S.Paulo ou Rede Bom Dia:


Parceria do bem

* Paulo Skaf

Uma pesquisa feita pela Fiesp – Federação das Indústrias do Estado de São Paulo – em 2012 mostrou que cerca de 80% dos egressos das penitenciárias do Estado voltam a praticar delitos por falta de oportunidade de emprego, de formação profissional, de chance de mudar de vida.

Com essa pesquisa, nasceu na Fiesp um projeto para inserir essa população no mercado de trabalho, com o objetivo de capacitar ex-detentos e também aqueles que cumprem pena em regime semi-aberto, para que sejam ressocializados e não voltem ao mundo do crime.

Ao colocar esse projeto em prática, ganha toda a população brasileira. Porque, quanto mais pessoas conseguirmos capacitar e dar condições de trabalho, mais estaremos contribuindo para a diminuição da violência, que tantas tragédias têm causado às famílias brasileiras.

Sempre tive a convicção de que quando as pessoas têm oportunidades, elas progridem, vão pra frente, tomam o rumo certo. E, ao conhecer o grupo AfroReggae, que se dedica há vinte anos, na cidade do Rio de Janeiro a projetos sociais e culturais de reinserção de ex-detentos na sociedade, tive certeza de que juntos poderíamos fazer mais. Essa, sem dúvida é uma iniciativa e uma parceria que renderá muitos frutos

Vários projetos foram pensados no sentido de beneficiar toda a comunidade. Dentre eles um dos projetos que considero da mais alta relevância é o da Empregabilidade, pois é voltado para os egressos da penitenciária, para que tenham a oportunidade de se capacitarem profissionalmente por meio dos cursos do Senai.

Ao formar pedreiros, carpinteiros, marceneiros, armadores, eletricistas, pintores, entre outras profissões, estamos dando oportunidade para ex-detentos ingressarem novamente no mercado de trabalho.

Esta é, sem dúvida, uma maneira de dar nossa contribuição à questão da segurança pública do estado de São Paulo.

*Paulo Skaf
Presidente da Federação e do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp/Ciesp)

Igualdade de um ex-detento começa na contratação profissional, diz executivo da Odebrecht

Alice Assunção, Agência Indusnet Fiesp

A variável de se empregar um ex-detento é a resistência por parte dos funcionários, mas é no processo de contratação que essa diferença diminui e o egresso que está disposto a se reintegrar à sociedade começa a se recuperar, afirmou Luciano Alfredo Bonaccini, executivo da Odebrecht.

Durante o segundo dia do Encontro Nacional do Programa Começar de Novo na sede da Fiesp, Bonaccini compartilhou com empresários e autoridades a experiência da construtora com sete apenados, ex-detentos, em uma obra no Estado de Minas Gerais entre 2007 e 2010.

“Os encarregados avaliaram bem essas pessoas. Trabalharam, se desenvolveram e tiveram sua oportunidade. Após o término da obra, os egressos voltaram ao mercado de trabalho”, afirmou o representante da companhia.

Ele alertou, no entanto, que cabe ao Estado desenvolver outros programas de reintegração depois que uma oportunidade profissional foi dada ao apenado.
“A obra terminou, e como dar continuidade a reintegração? Através de programas de oportunidade do Estado.”

O Conselho Nacional de Justiça (CNJ), idealizador do Programa Começar de Novo, concede um selo às empresas que oferecem oportunidades de trabalho para ex-detentos. A Odebrecht recebeu na manhã desta terça-feira (5) o selo do CNJ, após o trabalho realizado com os regressos em Minas Gerais.

Tranquilidade da obra

Bonaccini ainda afirmou que o maior desafio para a construtora durante o trabalho com egressos foi como manter a tranquilidade entre o quadro de funcionários da obra: “O ambiente de uma obra é relativamente tenso, são de duas a três mil pessoas em um ambiente restrito… em alguns casos temos obras com até dez mil funcionários.”

Antes da contratação de apenados, o departamento de Recursos Humanos da Odebrecht fez um levantamento para selecionar os encarregados de obra com perfil para realizar um trabalho com ex-detentos. “A pessoa que vai estar no dia a dia com o apenado tem que estar preparada para isso”, explicou Bonaccini.

Segundo o executivo, os operários se sentem receosos em trabalhar com apenados, principalmente, por conta de rotineiros momentos de tensão: “No momento de estresse, o apenado pode se declarar como ex-detento e dizer, por exemplo ‘toma cuidado comigo’. Isso já aconteceu. Então você precisa desarmar o espírito de postura de cárcere dele para o trabalho.”

Senai e governo de São Paulo assinam convênio para capacitação profissional de ex-detento

Alice Assunção, Agência Indusnet Fiesp

O presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Paulo Skaf, e o secretário de Administração Penitenciária do Estado de São Paulo, Lourival Gomes, assinaram na manhã desta terça-feira (6) o termo de cooperação para o convênio de trabalho entre o Estado e o Senai para capacitação profissional para ex-detentos.

“Temos que fazer isso aqui na Fiesp porque é o lugar que reúne as indústrias de São Paulo e o melhor lugar para oferecer oportunidades de emprego a presos que estão em fase final de cumprimento da pena ou já cumpriram sua pena”, disse Lourival Gomes.

A parceria entre a Fiesp/Senai e a Secretaria de Administração Penitenciária prevê a capacitação profissional de 1.500 detentos no Estado de São Paulo.

Governança

Segundo o executivo da Odebrecht, Luciano Alfredo Bonacinni, uma palavra que resume o Programa Começar de Novo é “governança”. Ele reafirmou a necessidade de um estreitamento da relação entre o setor privado, na oferta de oportunidades, Organizações Não Governamentais (ONGs), com a assistência social, e do Estado, com programas de oportunidades.

“O apenado precisa de suporte emocional, da família, da preparação para o trabalho e para a convivência. Nós, enquanto empresa, oferecemos estrutura de trabalho, o Senai oferece a qualificação profissional, mas ainda é necessário um lado humano, realizado com ONGs e governo.”

Por falta de oportunidade, 70% dos ex-detentos retornam a criminalidade

Flávia Dias, Agência Indusnet Fiesp 

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Paulo Skaf discursa durante evento do programa Começar de Novo da Fiesp e do CNJ. Foto: Everton Amaro.

Sensibilização de órgãos públicos e entidades da sociedade civil para que sejam fornecidos postos de trabalho e cursos de capacitação para os ex-detentos, promovendo a cidadania e, consequentemente, uma diminuição dos índices de criminalidade.

Este é o objetivo do Projeto Começar de Novo, inciativa do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), com apoio da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) e Senai-SP.

Durante a abertura do Encontro Nacional do projeto nesta segunda-feira (5), Paulo Skaf, presidente da Fiesp e Senai-SP, e o ministro Cezar Peluso, presidente do Superior Tribunal da Justiça (STJ) e do CNJ, assinaram, no Teatro do Sesi São Paulo, a renovação do convênio entre as entidades para manutenção do projeto.

Skaf afirmou que o principal objetivo do projeto é romper o ciclo da criminalidade, ofertando aos detentos e regressos uma oportunidade de retomar os estudos, por meio do Telecurso, e dos cursos de capacitação profissional oferecidos pelo Senai-SP.

“O acesso a educação é uma forma correta e eficiente de combater a criminalidade. E também daremos uma chance para aqueles que cometeram um erro e desejam começar suas vidas de novo. Isso é o que toda a sociedade quer”, disse.

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Ministro Cezar Peluso, presidente do STJ e do CNJ

“Existe uma resistência muito grande para contratação de ex-detentos. Os regressos estão pouco preparados para trabalhar numa empresa e se comportar em sociedade”, afirmou Peluso, completando que “a melhor maneira de combater a criminalidade é acolher o ex-detento na sociedade.”Segundo o ministro Cezar Peluso, um dos pilares da democracia moderna é garantir a dignidade da pessoa humana, e este principio inclui os indivíduos que cometeram algum delito.

De acordo com o presidente do CNJ, 500 mil pessoas cumprem pena no Brasil. Quando libertos, 70% retornam à criminalidade. Para reduzir esses índices, Peluso acredita que o Estado e a sociedade civil precisam criar e fomentar politicas públicas sólidas que propiciem a reintegração do infrator.

Cartilha

Durante o evento, Peluso lançou a cartilha Programa Alocação de Mão de Obra Prisional no Estado de São Paulo. O documento deve orientar os detentos e futuros empregadores sobre seus direitos e deveres no mercado de trabalho e na convivência em sociedade.

“Precisamos promover a reinserção social dos infratores ao meio social como finalidade educativa e social, possibilitando a recuperação da autoestima e dignidade humana”, acrescentou.

“Prisão é um lugar extremamente caro para deixar as pessoas piores”, diz Milton Gonçalves

Flávia Dias, Agência Indusnet Fiesp

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Milton Gonçalves afirmou que os investimentos na área de educação são importantes para o combate a criminalidade

“Eu poderia ter sido um criminoso, dadas as adversidades que a vida me trouxe, mas arte me salvou. Basta empenho de cada um de nós para que a sociedade seja mais justa”, declarou o ator Milton Gonçalves, aos mais de 400 participantes do Encontro Nacional do Projeto Começar de Novo, iniciativa do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), com apoio da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) e Senai-SP, nesta segunda-feira (5), no Teatro do Sesi São Paulo.

O ator lembrou que a população carcerária brasileira dobra a cada oito anos, um número alarmante comparado ao crescimento da população. E observou que se o Estado e a sociedade civil não adotarem medidas eficazes até 2080, mais de 90% da população brasileira estará atrás das grades. “Noventa por cento da população morará em um condomínio fechado. Esta é a aposentadoria que vocês desejam? Este é o futuro que vocês sonham para os seus filhos e netos?”, questionou.

Na avaliação de Gonçalves, a falta de acesso da comunidade carente ao ensino básico, somada ao preconceito contra os negros, estimula os jovens a ingressarem na criminalidade. “A nossa grande missão é educar os meninos. É preciso educação em todas as esferas da sociedade para que o desenvolvimento intelectual se dê por completo provendo ao individuo desde cedo os implementos necessários para o seu crescimento enquanto cidadão ativo no seu grupo social”, apontou. E completou: “É preciso oferecer, minimamente, alimentação adequada para crianças e substratos para que ela possa seguir a diante com sua evolução individual com condições minimamente iguais das crianças abastardas”.

Durante a apresentação, Gonçalves afirmou que já sofreu discriminação racial e relatou um episódio marcante durante a sua adolescência, quando foi barrado por um guarda metropolitano, na Avenida Paulista, com a justificativa de que o lugar não era adequado para pessoas negras e pobres.

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Valmir Salaro, apresentador e repórter da Rede Globo

“Hoje estou aqui, em plena Avenida Paulista, e preciso dizer a vocês que é possível mudar o processo; basta vontade política e empenho social. O Brasil somos todos nós, não é uma entidade fantasma aos nossos interesses”. Emocionado, o ator completou: “Hoje eu digo: eu não vou sair da Paulista, meu senhor; meu lugar é aqui”.

Cobertura jornalistíca

Valmir Salaro, apresentador e repórter da Rede Globo, confidenciou que ao longo dos seus 30 anos de carreira, ele realizou poucas matérias valorizando a reintegração de ex-detentos a sociedade.

“Relatar apenas o aumento dos crimes é um erro gravíssimo que nós (jornalistas) cometemos e influenciamos a sociedade”, afirmou. E parabenizou a inciativa da federação: “Eu não conhecia o belo trabalho realizado pela Fiesp de reintegrar e dar educação a pessoas que nunca tiveram acesso”.

Público e privado unem esforços em reabilitação

Cesar Augusto, Agência Indusnet Fiesp

Experiências tanto no setor público quanto privado se mostram eficazes na luta contra a reincidência e reestruturação da cidadania do indivíduo que cumpre ou já cumpriu pena de prisão. Em Goiás, a Cia. Hering implantou fábricas intramuros, que empregam detentos em regime fechado no Estado. A experiência beneficia os apenados com ajuda de custo e remissão de pena proporcional aos dias trabalhados.

Para o gerente da Plataforma Goiás da Cia. Hering, Cláudio Schwaderer, é impressionante a diferença que a capacitação e o trabalho fazem na vida das pessoas. “Muitas vezes um banho de água quente, um sabonete, um par de sapatos já têm um significado enorme. É incrível para quem está longe dessa realidade como são coisas importantes para eles”, observou. “Essas coisas ajudam a resgatar a cidadania.”

O prefeito de Sorocaba, Vitor Lippi, é outro que empolga ao falar dos resultados dos programas implantados na cidade, no modelo de cooperativas. “Temos dois tipos, por onde já passaram mais de 800 pessoas nos últimos anos.” Segundo Lippi, 80% dos cooperados acabam conseguindo se reinserir no mercado de trabalho e, até o momento, nenhum voltou a cometer crimes. Todos eles recebem ajuda de custo e remissão de pena.