Ociosidade do setor manufatureiro vai prosseguir, diz economista do Bradesco em reunião do Cosag

Alice Assunção, Agência Indusnet Fiesp

Imagem relacionada a matéria - Id: 1544959798

Octavio de Barros na reunião do Cosag. Foto: Julia Moraes

A indústria mundial deve continuar ociosa durante um bom tempo. A estagnação também vale para o setor industrial chinês, o qual enfrenta uma mudança no modelo de crescimento econômico do país asiático, voltado para o mercado interno. A avaliação é do economista-chefe do Bradesco, Octávio de Barros.

“As matérias primas mais impactadas são as matérias primas industriais, que são as metálicas. Essas são as mais sensíveis porque estamos vivendo uma crise industrial que é global”, afirmou o economista.

Barros trouxe nesta segunda-feira (01/10), na Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), um panorama dos impactos da crise mundial no Brasil e sobre as economias da Zona do Euro para os membros do Conselho Superior de Agronegócio (Cosag) da entidade.

“É importante mencionar que ainda prevemos que a China cresça 7,5% este ano e alguma coisa parecida no ano que vem. Considerando, no entanto, que o modelo de crescimento da China está se voltando mais para dentro, com pressões salariais de custos, menor de taxa de poupança, é razoável supor que, no médio prazo, cresça um pouco menos do que veio crescendo nos últimos anos”, avaliou Barros.

PIB

A previsão do Bradesco para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) do país em 2012 coincide com a estimativa divulgada pelo Banco Central na semana passada, uma expansão de 1,6% para o ano.

Barros reitera, no entanto, que “o mais relevante é reconhecer que este terceiro trimestre que terminou ontem (30/09) deve ter fechado num ritmo de crescimento bem acima de 4%, talvez até 5% anualizado.”


Imagem relacionada a matéria - Id: 1544959798

Reunião do Cosag: na mesa, da esquerda para a direita, Benedito da Silva Ferreira, Jose Eduardo Mendes camargo, João de Almeida Sampaio Filho, Octavio de Barros e Regina Couto Silva. Foto: Julia Moraes

Para especialista da Sorbonne, Euro causou “fissura” entre países da Comunidade Europeia

Katya Manira, Agência Indusnet Fiesp

“O processo de endividamento dos agentes econômicos da Europa começou antes da criação do Euro. A existência da moeda não fez mais do que agravar o processo de alavancagem dos países”, declarou nesta segunda-feira (19) o diretor da cátedra das Américas da Universidade Paris 1 (Panthéon-Sorbonne), Guillermo Hillcoat, em palestra ministrada na sede da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).

Imagem relacionada a matéria - Id: 1544959798

Guillermo Hillcoat analisa a crise internacional, na Fiesp

Acompanhado dos diretores da Fiesp, José Carlos de Oliveira Lima, Mario Frugiuele e Sylvio Gomide, Hillcoat explicou que a criação da moeda única reforçou a diferença de competitividade entre o norte e o sul da Europa, refletida na assimetria dos índices de emprego, déficit público e balança comercial das duas regiões. Na comparação, os países sulistas apresentam dados negativos em todos os itens, ao contrário das nações ao norte, as quais apontam resultados positivos.

“Desde a criação da moeda única, as trajetórias divergentes dos estados membros da Zona do Euro revelam as insuficiências na arquitetura da união monetária e seu caráter incompleto”, afirmou Hillcoat. “Aos poucos se estabeleceu uma fissura entre as regiões norte e sul, o que explica, em parte, a fragilidade do modelo.”

Para o diretor, apesar da aparente contenção da crise financeira após as facilidades concedidas aos bancos pelo Banco Central Europeu (BCE), a incerteza sobre as modalidades de reativação da economia dos países periféricos ao sul ainda permanece.

“Sem a retomada econômica, os ajustes que estão sendo feitos simultaneamente em diversos países correm o risco de se tornar não somente muito penosos, mas fortemente recessivos. Assim, o desacoplamento entre a Zona do Euro e o resto do mundo, incluindo os Estados Unidos, torna-se mais acentuado”, frisou.

Segundo Hillcoat, o cenário é ainda mais grave se levarmos em consideração a política monetária mantida pelo BCE que, “embora generosa com os bancos, é ortodoxa em relação às necessidades de refinanciamento dos Estados”.