Skaf defende “agenda de progresso e de emprego” ao visitar escola do Senai-SP equipada com usina de etanol

Agência Indusnet Fiesp

O presidente da Fiesp, do Sesi-SP e do Senai-SP, Paulo Skaf, esteve nesta sexta-feira (24 de novembro) em Sertãozinho para visitar a Escola Senai Ettore Zanini, que foi toda readequada para atender aos setores produtivos da região. Os investimentos realizados na unidade nos últimos anos somam R$ 47,3 milhões. “O Brasil está passando por um momento muito especial, o mundo está. Todos precisam prestar atenção. É a quarta revolução industrial. Não é o futuro, já está acontecendo”, disse Skaf.

Apesar do nome, destacou, ela não se refere somente às indústrias. Ela traz uma série de oportunidades, como novos setores e profissões. “Depende de como nós nos portarmos, de como nos adaptarmos para criar oportunidades.”

Em relação à escola do Senai, destacou que ela contém uma usina de açúcar e de álcool. “Os que vão sair daqui vão aprender na prática. E vamos implantar agora o sistema 4.0, vamos inserir inteligência artificial nesta usina.” Isso vai manter os alunos conectados com os melhores do mundo.

Segundo Skaf, a ordem é seguir em frente “sem ter medo de nada”. “Somos brasileiros, somos paulistas. Bandeirantes, somos movidos a desafios”, disse. “Temos que ter uma agenda de progresso e de emprego”.

Unidade de Produção de Etanol

Para atender ao setor sucroenergético, a escola ganhou nova área. É a Unidade Piloto de Produção de Etanol (UPPE), que inclui os setores de Fermentação, Destilaria, Utilidades – Caldeira e tratamento de água, Centro de Operação e a Central de Comando de Motores.

A escola passa a contar com importante recurso para o atendimento das demandas de serviços educacionais de todas as áreas tecnológicas da unidade e prestação de serviços para as empresas do setor sucroalcooleiro, com a possibilidade de realizar desenvolvimento e testes de produtos. A Unidade Piloto de Produção de Etanol tem capacidade de produção de 1.056 litros por dia de etanol, ocupa cerca de 500 metros quadrados e está equipada com recursos tecnológicos de alto nível.

A UPPE permite a realização de diversas pesquisas, simulações e análises. Conta com mais de 130 pontos de medição e diversos encaminhamentos de tubulações que podem ser configurados por meio de mais de 270 válvulas, que permitem diversos arranjos produtivos dentre os equipamentos, que incluem dornas, tanques, centrífuga, colunas de destilação, trocadores de calor, evaporadores, torre de resfriamento e caldeira, entre outros.

Paulo Skaf com alunos do Senai de Sertãozinho. Foto: Everton Amaro/Fiesp

 

Senai de Sertãozinho

A escola ficou aberta para visita pela comunidade, que pôde conversar com alunos e professores do Senai-SP para trocar informações sobre o perfil dos profissionais mais requisitados pelo mercado e receber orientação profissional gratuita.

Com 9.000 metros de área construída, mais do que três vezes a área anterior, a unidade tem 12 salas de aula e 16 laboratórios. Foram atualizados os de Pneumática e Hidráulica, Metrologia, Informática – CAD/CAM e Eletricidade. Além desses, a escola ganhou os novos laboratórios de Informática, Eletrônica/Comados, Instrumentação 1, Instrumentação 2, Automação de Processos, Controle de Processos, Simulação de Processos, Fenômenos de Transporte, Química Geral, Química Via Úmida – incluindo Cromatografia e Espectrofotometria, Controle de Qualidade e de Microbiologia.

A nova unidade também dispõe de três novas oficinas (Caldeiraria, Manutenção Eletromecânica e Instrumentação), e as outras cinco, que já existiam, receberam atualização tecnológica: Mecânica – Tornearia, Mecânica – Fresagem, Mecânica – Ajustagem, CNC e Solda.

A unidade oferece ensino profissionalizante em nível técnico para os cursos de Automação e Química. Também oferece formação nas modalidades de Aprendizagem Industrial para os cursos de Operador de Processos Químicos Industriais, Instrumentista Montador, Eletricista de Manutenção Eletroeletrônica, Mecânico de Manutenção, Caldeireiro, Soldador, Mecânico de Usinagem, Almoxarife e Assistente Administrativo.

E na modalidade de Formação Inicial e Continuada a unidade oferece cursos em diversas áreas tecnológicas da indústria, tais como: Construção Civil, Metalmecânica, Eletroeletrônica, Gestão, Logística e Saúde e Segurança do Trabalho.

Em 2016 a escola realizou 1.783 matrículas em todas as modalidades de ensino profissionalizante disponíveis.

Esporte

Durante a inauguração foi assinado o convênio do Programa Atleta do Futuro, do Sesi-SP, com a Prefeitura Municipal de Pontal. O acordo, em parceria com a empresa TJA Ind. E Com. S/A, beneficiará 630 crianças e adolescentes com a prática de atletismo, futebol, futsal, handebol, patinação artística e voleibol.

Falta de apoio ao etanol foi opção pouco inteligente, analisa pesquisador da Embrapa

Alice Assunção, Agência Indusnet Fiesp

A prioridade ao etanol no Brasil, tanto à produção como ao consumo, seria a melhor escolha do governo para garantir a segurança energética do país e reduzir as emissões de dióxido de carbono (CO2). E a falta de apoio a essa matriz foi uma opção pouco inteligente. A análise é do pesquisador da Embrapa, Eduardo Assad.

Ele participou nesta segunda-feira (03/11) da reunião mensal do Conselho Superior do Agronegócio (Cosag) da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).

Eduardo Assad: “Nós temos que transformar o aquecimento global em desafio à inovação e em oportunidade de mercado”. Foto: Tâmna Waqued/Fiesp

 

“Apesar de ser muito mal tratado nesses últimos anos, temos aí uma solução fantástica, com capilaridade enorme e que reduz em nove vezes mais as emissões de CO2 em comparação com a gasolina”, disse Assad.

Nos últimos anos, para evitar impacto inflacionário, o governo praticamente congelou o preço da gasolina em relação às tarifas cobraras no mercado internacional. Essa medida, de acordo com os produtores de etanol, contribuiu para que o setor padecesse ante a redução de demanda no mercado interno.

Segundo o pesquisador, a produção e consumo de etanol precisa ser foco de discussões mais claras sobre o futuro da matriz.

“Não podemos fazer com o etanol o que nós estamos fazendo. Precisamos dar um jeito nisso e não ficar buscando subterfúgios e ajustes contábeis para poder resolver essa questão. E isso precisa ser dito”, completou.

Assad apresentou aos membros do Cosag um panorama dos eventos climáticos extremos vivenciados no Brasil e ações para mitigar os danos do aquecimento global.

“Nós temos que transformar o aquecimento global em desafio à inovação e em oportunidade de mercado. Mas para isso o setor privado tem de atuar fortemente. O setor público fica muito preocupado com marcos regulatórios, e que são muitos confusos, mas as oportunidades surgem no setor privado”, criticou o pesquisador.

Segundo Assad, o principal problema climático é o fracasso do Brasil – e do mundo – em reduzir as emissões de CO2.

“Se não conseguirmos baixar as emissões de CO2 vamos chegar aos dois graus [de aquecimento do planeta] mais rápido do que estamos pensando. Os Estados Unidos têm feito muito esforço com mudança na frota de veículos, por exemplo. O Brasil também tem feito esforço grande com a redução do desmatamento. Porém, essas emissões não estão baixando”, alertou Assad.

Assad defendeu a inserção mais significativa de agropecuaristas no mercado de créditos de carbono. Foto: Tâmna Waqued/Fiesp.

Boi e mercado de carbono

O pesquisador da Embrapa defendeu a inserção mais significativa de agropecuaristas no mercado de créditos de carbono. Essa medida, segundo ele, representa uma oportunidade, que tanto pode mostrar uma atividade limpa como render pagamentos pela redução de emissão de CO2.

“Há saldo positivo quando você põe o boi em cima de um pasto bom. Estamos fazendo um esforço tremendo para mudar [os critérios do cálculo de emissão de CO2], mas isso exige negociação internacional. A tendência é mostrar que pasto bom não emite. Dos 180 milhões de hectares de pasto, 60 milhões estão degradados e os outros não estão. Então, há uma compensação clara aí”, avaliou o pesquisador.

Ele acredita que atenções voltadas para a emissão de CO2 na agropecuária são positivas para identificar novas oportunidades de mercado.

“São milhões de toneladas de CO2 equivalentes que podemos negociar numa futura bolsa de carbono. No próximo ano em Paris, quando for discutido um novo acordo de redução, esse mercado vai voltar à tona porque não estamos baixando as emissões”, reiterou.


Novidades no Deagro/Fiesp

A reunião do Cosag foi conduzida pelo presidente do conselho, João de Almeida Sampaio Filho.

Na ocasião, o diretor do Departamento de Agronegócio (Deagro) da Fiesp, e vice-presidente do conselho, Benedito da Silva Ferreira, anunciou a criação de uma nova divisão no Deagro, direcionada para o cultivo de castanhas e nozes. Ela será dirigida por José Eduardo Mendes de Camargo, também membro do conselho.

Cosag/Fiesp espera cenário melhor em 2013 com mais etanol na composição da gasolina

Alice Assunção, Agência Indusnet Fiesp

Além de palestras de convidados como Alexandre Mendonça de Barros , diretor da MB Agro, André Pessoa , diretor da Agroconsult, e Plínio Nastari, presidente da Datagro, a reunião de segunda-feira (10/12) do Conselho Superior do Agronegócio (Cosag) da Fiesp teve outra finalidade: a de avaliar o desempenho do setor em 2012 e as perspectivas para 2013.

Reunião Cosag/Fiesp. João Almeida Sampaio. Foto: Everton Amaro

João de Almeida Sampaio Filho, presidente do Cosag/Fiesp. Foto: Everton Amaro

Entre as principais expectativas está o provável aumento da mistura de etanol anidro à gasolina no próximo ano e o impacto positivo da medida na produção açúcar de etanol.

“Para açúcar e etanol, a gente espera que o governo adote algumas medidas em relação ao aumento da adição de etanol anidro na gasolina e, por que não, aumento do preço da gasolina. Isso é importante para o país”, afirmou o presidente do Cosag, João de Almeida Sampaio Filho. “A gente espera que, com isso ocorrendo, um melhor ano para açúcar e etanol”, completou.

Em outubro deste ano, o diretor da Agência Nacional do Petróleo (ANP), Helder Queiroz, confirmou para 1º de junho de 2013 a data prevista pelo governo para elevar a mistura de etanol anidro na gasolina, com o prazo podendo ser antecipado caso haja oferta de etanol suficiente para atender à demanda. A mistura pode sair dos atuais 20% e retornar para o patamar de 25%.

Técnicos da ANP esclarecem na Fiesp novas normas para cadastro de plantas de etanol

Alice Assunção, Agência Indusnet Fiesp

Vice-presidente da Fiesp, João Guilherme Ometto, durante seminário da ANP

Vice-presidente da Fiesp, João Guilherme Ometto, durante seminário da ANP. Foto: Everton Amaro

A Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) sediou na manhã desta quarta-feira (19/09) uma reunião de trabalho entre técnicos da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), a fim de esclarecer quais são os próximos passos para atender à norma de regularização do setor de biocombustíveis prevista pela Resolução 26, sancionada pela ANP em 31 de agosto deste ano.

“Essa reunião é realmente para tirar dúvidas do novo sistema de cadastro de capacidade das empresas produtoras de etanol porque, para regular a comercialização, eles [ANP] precisam de dados da produção dessas empresas”, explicou João Guilherme Sabino Ometto, segundo vice-presidente da Fiesp.

A produção brasileira de etanol amarga uma estagnação, dada a crise que o setor enfrenta com usinas endividadas. Cenário este bem diferente do conferido em 2008, quando a produção de etanol a partir da cana-de-açúcar atingiu 648,85 milhões de toneladas e projeções apontavam para um volume triplicado até 2020, graças à demanda pelo biocombustível com o crescimento da frota flex a partir de 2003.

Ometto considera que resoluções como as da ANP, que normatizam a produção, podem ajudar o setor a se recuperar da crise que, segundo ele, é estimulada, em parte, pelo controle do governo sobre os preços da gasolina, no qual “o etanol sai prejudicado”.

Resolução 26

Para Guilherme Shinohara, técnico da ANP, as normas previstas pelas Disposições Transitórias, no Artigo 19 da resolução, são, num primeiro momento, as mais importantes de serem cumpridas pelos produtores, já que dizem respeito ao cadastro de capacidade de produção das empresas do setor.

Segundo o documento, as plantas têm um prazo de 90 dias desde a data de publicação da Resolução para apresentar informações, como a capacidade máxima de produção e listagem dos tanques de armazenamento de etanol. Caso não apresentem, a usina pode ser “impedida de comercializar sua produção de etanol combustível”.

Clique aqui para saber mais sobre a Resolução 26.

 

Ajuste de preço não resolve problema; etanol precisa de política de longo prazo, afirma diretor do Itaú BBA

Alice Assunção, Agência Indusnet Fiesp

Alexandre Figliolino, diretor comercial do Itaú BBA. Foto: Everton Amaro

Alexandre Figliolino, diretor comercial do Itaú BBA. Foto: Everton Amaro

Cerca de um terço das empresas do setor sucroalcooleiro está a situação financeira não saudável, enquanto os canaviais estão em recuperação, mas apresentam rendimentos abaixo da média histórica, avaliou nesta segunda-feira (03/09) o diretor comercial do Itaú BBA, Alexandre Figliolino, ao apresentar um panorama do segmento e falar sobre perspectivas para a produção de açúcar e álcool, durante reunião do Conselho Superior do Agronegócio (Cosag) da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).

“Não dá para continuar nessa situação. Hoje, a sociedade brasileira está perdendo, o setor está perdendo. A gente já teve no primeiro semestre uma importação de 1,9 bilhão de litros de gasolina. Isso é renda que deixa de ser criada aqui, no Brasil, e vira despesa de divisas com importação enquanto poderíamos fazer combustível”, alertou Figliolino.

Segundo avaliação da União da Indústria de Cana-de-açúcar (Unica), até a primeira quinzena de agosto, foi produzido um total de 9,96 bilhões de litros de etanol da safra 2012/2013, ante 12 bilhões de litros produzidos em 2011/2012, o equivalente a uma queda de 17,5%.

“Ainda não conseguimos chegar a uma política para o etanol de longo de prazo. Não adianta dar reajuste e pronto. Como fica para frente? Precisa criar algo que se tenha segurança”, completou o diretor o executivo do Itaú BBA.

Preço ‘artificial’ da gasolina é entrave para crescimento do setor de etanol

Juan Saavedra, Agência Indusnet Fiesp

A produção brasileira do etanol vive um momento crítico de desaceleração, afirmou Antonio de Padua Rodrigues, presidente da União da Indústria de Cana-de-açúcar (Unica) no painel “Setor Sucroalcooleiro e a Regulação do Etanol”, realizado nesta terça-feira (07/08), durante o 13º Encontro Internacional de Energia da Fiesp.

E o principal motivo, segundo ele, é a política de preços do governo para a gasolina e o óleo diesel. Com a desoneração da Contribuição de Intervenção do Domínio Econômico (Cide) – adotada pelo governo para evitar que o aumento dos preços pela Petrobras chegue aos consumidores –, caiu a demanda pelo etanol.

Antonio de Pádua Rodrigues, presidente da Unica

“O mercado pede competitividade e uma política de preço de gasolina parametrizado no mercado internacional, que é o risco conhecido dos investidores”, disse Rodrigues, pedindo definição clara da participação do etanol na matriz de combustíveis brasileira e políticas de longo prazo para a retomada dos investimentos no setor.

De acordo com dados da Unica, 41 unidades produtoras encerraram suas operações no país desde o início de 2008 – 14 somente no ano de 2012 (entre janeiro e junho). Para sobreviver, a indústria de bens de capitais do setor tem recorrido à diversificação de negócios, à cogeração de energia e à compra de usinas de açúcar.

Rodrigues sugeriu melhorias na regulação, especialmente na definição prévia do nível de mistura de etanol anidro à gasolina. “Que em setembro de cada ano se defina claramente qual é o nível de mistura em cada safra. Não dá para mudar a regra do jogo no meio do caminho. Uma safra que começa com 25 [% de nível de mistura] deve terminar com 25 [%]; uma safra que começa com 20 [% de nível de mistura] deve terminar com 20 [%], não trazendo incerteza para o mercado.”

Especialistas

Luiz Augusto Horta, professor da Unifei

O professor Luiz Augusto Horta, da Universidade Federal de Itajubá (Unifei), reiterou o quadro. Segundo ele, a perda da competitividade do etanol é determinada pela intervenção governamental na formação dos preços da gasolina. “Não há como defender isso”, declarou Horta.

O professor da Unifei alertou que a retomada da produção não se dá de imediato e que existe um prazo para a implantação de canaviais.

Depois de elogiar a “regulação de qualidade” da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), Horta propôs um conjunto de medidas para desenvolver o setor: a revisão do marco tributário; uma possível lei para os biocombustíveis (“há uma cadeia produtiva que tem que ser levada em conta”); e a criação de mecanismos de previsibilidade (“para reduzir as incertezas”).

“O etanol é competitivo e sustentável”, finalizou, reforçando a importância de transparência nas regras.

Plínio Nastari, da Datagro

Plinio Nastari, da consultoria Datagro, reforçou o coro, afirmando que o Brasil está indo na contramão ao privilegiar o uso de combustíveis fósseis. “Infelizmente, o Brasil está retrocedendo e o grande elemento é a política de preços – a gasolina, em particular”.

De acordo com o consultor, a economia histórica do país com a adoção do etanol, e o corte de combustíveis importados, chegou a US$ 266,2 bilhões, o que configura, segundo ele, como fator que deveria ser reconhecido para a formação da reserva de divisas anunciadas pelo governo – de US$ 373 bilhões.

Entre as propostas de melhorias, Nastari sugeriu o fim da tributação sobre operações no mercado futuro de etanol e a criação de mecanismos que induzam compradores e vendedores de firmar contratos com preço definido com base no mercado futuro. “Isso deve diminuir a sazonalidade entre safra e entressafra”, comentou. “Falta pouco para arrumar a casa. A ANP está indo na direção certa”, finalizou o presidente da consultoria Datagro.

ANP

Tatiana Petricorena, da ANP

O painel teve a participação de Tatiana Petricorena, representando a diretora-geral da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), Magda Chambriard, que não pôde comparecer por preparar-se para sabatina no Senado Federal.

De acordo com Tatiana Petricorena, a ANP trabalha com diversos cenários para 2020. E os que apresentam curva mais significativa de crescimento do setor são as que vislumbram um crescimento do nível de mistura, começando em 20% no ano de 2012 e chegando a 50% em 2020. Os estudos consideram o crescimento de veículos flex, o que, segundo ela, permitem uma ampliação sustentável do mercado.

O debate teve a coordenação de Geraldo Coutinho, da Firjan.

Presidente da Petrobras descarta aumento da produção de gasolina para compensar etanol

Alice Assunção, Agência Indusnet Fiesp

A presidente da Petrobras, Maria das Graças Foster, descartou por ora qualquer mudança no plano de negócios 2012-2016 da estatal relacionada ao aumento da capacidade para produção de gasolina para suprir o buraco da oferta de etanol.

Maria das Graças Foster, presidente da Petrobras

“Vamos dar tempo ao tempo. Os grupos estão estudando, mas hoje eu digo para vocês que o que está no plano de negócios e gestão não prevê a incorporação de novas unidades de processo com vocação para gasolina”, afirmou a presidente da petroleira estatal.

Após participar da cerimônia de encerramento do 13º Encontro Internacional de Energia da Fiesp, Graça Foster disse que a Petrobras está “trabalhando forte para que o etanol volte”. Ela ainda sugeriu que os usineiros do setor sucroalcooleiro devem resolver com o Ministério de Minas e Energia “equações” como a formação de política de preços.

Crise do etanol

Depois de comemorar um salto da produção em 2008, chegando 648,85 milhões de toneladas, a produção brasileira de etanol amarga uma forte crise, na qual muitas usinas, endividadas, estão sendo colocadas à venda.

“A gente entende o discurso dos usineiros. Eles colocam que têm algumas dificuldades no mercado e que há um desequilibro entre os preços que podem praticar. Eu considero importante que eles resolvam essa equação junto ao Ministério de Minas e Energia, junto à Agência Nacional de Petróleo”, afirmou a executiva da Petrobras.

Ultimamente, falta etanol para abastecer até mesmo à demanda interna, por conta de quebra de safras, condições climáticas adversas, endividamento e ausência de novos investimentos. Ainda assim, a presidente da Petrobras não considera mudanças nos projetos da estatal para atender à demanda deixada pelo biocombustível.

“Eu sou meio rígida nas questões de mudança de escopo. Li outro dia que está decidido mudar o escopo do projeto das novas refinarias para mudar o perfil. Se a gente faz isso agora, você pode colocar aí mais um atraso expressivo em cima dessas refinarias que nós tanto precisamos e que nós já estamos há um ano e meio trabalhando”, reiterou.

Para Graça Foster, a capacidade aumentada de produção da gasolina oferece um alívio momentâneo, mas criará um novo problema: o excedente de oferta do combustível fóssil quando o etanol retomar o fôlego, comportamento que ela acredita ser possível em 2014.

“E quando o etanol voltar, como é que nós ficamos com esse investimento para uma gasolina que hoje falta, mas com a volta do etanol se completa? O mercado aponta que no próximo ano a oferta já esteja maior e que em 2014 já esteja resolvido”, ponderou a presidente da Petrobras, sem deixar claro se haverá novos ajustes de preço da gasolina. “Preço também é um assunto que está sempre sendo colocado em pauta.”

Brasil precisa reforçar externalidades positivas do seu etanol

Solange Sólon Borges, Agência Indusnet Fiesp

É preciso reduzir a dependência dos combustíveis fósseis, apostar em novas tecnologias na agricultura e na mitigação de Gases de Efeito Estufa (GEE). A bioenergia moderna também deve gerar renda.

As observações feitas pela embaixadora Mariângela Rebuá, do Ministério das Relações Exteriores, abriram o debate sobre “Mercado de Combustíveis no Mundo”. O painel foi mediado pelo vice-presidente da Fiesp, João Guilherme Sabino Ometto, no 13º Encontro Internacional de Energia da Fiesp, em São Paulo.

embaixadora Mariângela Rebuá, do Ministério das Relações Exteriores

Mariângela Rebuá tratou de importantes indicadores que auxiliam na tomada de decisão de políticas públicas e que passam pelo tripé econômico, social e ambiental.

“O Brasil tem produtividade altíssima e trabalhamos mais em desenvolvimento tecnológico”, ressaltou. Ao apontar que a produção de biocombustíveis promove mudanças sociais, somou o fato de que também garante empregos bem pagos.

Atento ao desenvolvimento sustentável e aos países mais vulneráveis, o Banco Interamericano de Desenvolvimento Econômico e Social (BID) investiu em projetos U$ 12 bilhões/ano, em 2007-2001, volume que representa o dobro de empréstimos no período anterior.

Marco Aurélio Castro, especialista em energia do BID para a América Latina e o Caribe, exemplificou o apoio com o financiamento de Tauá, a primeira usina fotovoltaica no Brasil, mais 1MW ao sistema.

Castro também sinalizou com o financiamento de estudos de mecanização da colheita de cana-de-açúcar, que requer requalificação da mão de obra. Por outro lado, apresentou pontos do Scorecard do BID para a sustentabilidade quanto aos biocombustíveis com foco no setor privado.

Ele citou experiências recentes de voos da Azul e da Gol com biocombustível para aviação, em 19 de junho, durante a realização do Humanidade 2012, no Rio de Janeiro. A vantagem é redução de 82% na emissão de Gases de Efeito Estufa (GEE).

João Guilherme Sabino Ometto, vice-presidente da Fiesp

Na avaliação de João Guilherme Sabino Ometto, 2º vice-ppresidente da Fiesp, a exigência de maior carga de biodiesel no diesel, 25% em São Paulo, deverá gerar mais empregos.

No campo internacional, os maiores consumidores de petróleo, Estados Unidos, países desenvolvidos e integrantes do BRICS (bloco formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) dependem de políticas públicas no incentivo aos biocombustíveis, segundo Eduardo Leão, diretor-executivo da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica).

Para ele, os Estados Unidos têm programa audacioso de consumo com uso da segunda geração de biodiesel e de elevação de 10 para 15% da adição de etanol até 2013.

‘Energia da cana-de-açúcar tem tudo a ver com economia sustentável’, afirma Alfred Szwarc

Edgar Marcel, Agência Indusnet Fiesp

A chamada economia verde, na visão de Alfred Szwarc, consultor de emissões e tecnologia da União da Indústria da Cana-de-Açúcar (Unica), é um sistema de valores, politicas, ações e praticas destinada a promover o desenvolvimento sustentável que requer mudança de paradigmas, reconhecimento das externalidades positivas pelos interessados, políticas públicas, inovação tecnológica e comunicação.

Alfred Szwarc, consultor de emissões e tecnologia da Unica: 'Temos as principais formas de gerar energia alternativa'

“Temos as principais formas de gerar energia alternativa e sair de atuais dois EJ [exajoules] para 32 EJ em 2050”, antecipou em sua participação no painel “Energia no Contexto da Economia Sustentável”, um dos doze realizados na tarde de segunda-feira (06/08) no 13º Encontro Internacional de Energia da Fiesp.

Szwarc citou a cana-de-açúcar como a fonte de energia mais interessante. “Do caldo da cana se extrai o etanol, butanol, diesel equivalente, querosene de aviação equivalente, entre outros”, listou, adicionando que do bagaço e da palha da planta é possível obter energia térmica a vapor e elétrica – mesmas fontes de energia que o caldo oferece.

O consultor da Unica acrescentou que o etanol tem tudo a ver com economia de baixo carbono. “Hoje temos aplicações comerciais no Brasil em carros, motos, ônibus (existem 60 em São Paulo andando com etanol), cerca de 300 aviões agrícolas e sistemas de geração, tudo movido a etanol”, detalhou, adicionando que atualmente as usinas são o que classifica de “biorefinarias”.

Saúde

Desde 2003, as emissões evitadas de CO2 no Brasil com uso de etanol em veículos conhecidos como “flex” (movidos por dois ou mais tipos de combustível) são estimadas em cerca de 160 milhões de toneladas.

“A substituição da gasolina pelo etanol fez cair 50% dos atendimentos de saúde por problemas respiratórios e mortalidade infantil”, destacou, ao incluir que o consumidor está atento às formas de energia utilizadas nos produtos que adquire.

“Enquanto não mudarmos a perspectiva de pensamento na mudança de paradigmas, não chegaremos a uma evolução que possamos chamar de economia mais sustentável”, finalizou.

Em reunião na Fiesp, Unica ataca impostos cobrados sobre o etanol

Agência Indusnet Fiesp  

O presidente da União da Agroindústria Canavieira do Estado de São Paulo (Unica), Marcos Jank, criticou na manhã desta segunda-feira (6) a quase paridade entre os impostos que incidem sobre o etanol hidratado e a gasolina na bomba. A análise foi feita durante a 45ª reunião do Conselho Superior do Agronegócio (Cosag) da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).

Marcos Jank, presidente da Unica, durante reunião do Cosag da Fiesp

Para Jank, essa elevada carga tributária faz com que o consumidor acabe optando pela gasolina na hora de abastecer o carro, o que torna o etanol cada vez menos competitivo, apesar de eliminar 90% das emissões em relação ao combustível derivado de petróleo.

“Estamos passando por um momento de dificuldade, consequência da redução dos investimentos em novos canaviais, desde a crise de 2008. Nossos canaviais estão produzindo 70 toneladas por hectare, bem abaixo das 86 toneladas de média histórica as quais estamos acostumados. Enquanto isso, o governo vem reduzindo a Cide [Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico] sobre a gasolina para segurar o preço do produto na bomba. Isso é um absurdo. Sem maior transparência de preços sobre os derivados de petróleo, fica difícil concorrer”, analisou.


Estudo
 Jank trouxe estudos da Unica demonstrando que apenas em São Paulo existe diferença tributária razoável entre gasolina e etanol para o consumidor. No restante do Brasil, essa diferença é mínima. “Se considerarmos a menor eficiência energética do etanol, de 30% em relação à gasolina, é possível verificarmos impostos maiores sobre o etanol que sobre a gasolina, por quilômetro rodado, em grande parte do país.”

Marcos Jank lembrou a importância do setor para a economia brasileira e falou das perspectivas de investimentos para os próximos anos. “Iniciamos este ano muito mais animados do que no ano passado, especialmente em função da abertura do mercado norte-americano, que deixou de sobretaxar o etanol brasileiro. Sonhamos com isso por mais de 30 anos e agora virou realidade. Essa é uma medida que veio pra ficar. As perspectivas de exportação e também de crescimento do mercado interno, com o aumento da participação dos carros flex na frota nacional, são animadoras”, disse.

Para fazer frente a esses desafios, a Unica projeta que o País terá de dobrar a produção de cana até 2020. Hoje, a cana-de-açúcar emprega 1,2 milhão de trabalhadores, representa 18% da matriz energética nacional, cresceu em média 10% ao ano nos últimos dez anos e representa 20% da produção e da exportação mundial de etanol, que no Brasil atende à 50% da frota de veículos leves, formada por carros flex. Quando transformada em açúcar, a cana brasileira ocupa impressionantes 50% do mercado mundial do produto.

“Hoje, a cana-de-açúcar é matéria-prima de etanol, açúcar e energia elétrica, mas já temos diversas outras aplicações em processo acelerado de maturação para a segunda geração que se avizinha. Com o etanol celulósico, haverá transformação nas indústrias de plásticos, biodiesel, cosméticos, químicos, além do aproveitamento crescente da palha e do bagaço.”, concluiu Jank.

Brasil é principal investidor da América Latina, com US$ 7 bi em 2010

Solange Sólon Borges, Agência Indusnet Fiesp

Durante o ano de 2010, o Brasil investiu U$ 7 bilhões em projetos de energia renovável. Embora o valor tenha sido 5% inferior ao número de 2009, o País continuou sendo o maior investidor da América Latina no setor. Em 2010, produziu 36 bilhões de litros de etanol e possui boa capacidade de geração elétrica com biomassa, material constituído por substâncias de origem orgânica, no caso do etanol, o bagaço da cana.

Estes números mostram parte do universo de oportunidades de negócios a partir do combate às mudanças climáticas gerando energia limpa, tema que irá compor uma das mesas de debate da 5ª Mostra Fiesp/Ciesp de Responsabilidade Socioambiental – Desenvolvimento Social e Resultado Econômico.

O professor da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da Universidade de São Paulo (FEA/USP), Jacques Marcovitch, fará a palestra “Mudanças do clima: Custos e Oportunidades”, no segundo dia da Mostra.

Marcovich é autor dos livros Para Mudar o Futuro – Mudanças climáticas, políticas públicas e estratégias empresariaisA Universidade (Im)PossívelUniversidade Viva e da trilogia Pioneiros e Empreendedores – A Saga do Desenvolvimento no Brasil, entre outros.

Serviço
5ª Mostra Fiesp/Ciesp de Responsabilidade Socioambienta
l
Tema: Desenvolvimento Social e Resultado Econômico
Data: 21, 22 e 23/11
Local: sede da Fiesp, Av.Paulista, 1313, capital

Unica não descarta possibilidade de recorrer à OMC contra o ILUC

Fábio Rocha, Agência Indusnet Fiesp

O presidente da União da Indústria de Cana-de-açúcar (Unica), Marcos Jank, disse nesta terça-feira (26) que poderá solicitar um contencioso no Painel de Solução de Controvérsia, da Organização Mundial do Comércio (OMC), contra aqueles países que utilizam o modelo de Mudanças Indiretas no Uso do Solo (ILUC, na sigla em inglês), para barrar a produção do etanol.

Marcos Jank destacou que o País foi o primeiro a adotar medidas para conter o desmatamento, que hoje é zero, ao contrário da Europa que, segundo ele, ainda está muito atrasada em comparação ao Brasil.

O imbróglio comercial começou há três anos, quando países, principalmente a União Europeia e Estados Unidos, começaram a questionar que a produção do biocombustível brasileiro estaria deslocando a produção de alimentos e utilizando áreas da região amazônica para a pecuária.

O presidente da Unica afirmou que a possibilidade de um painel na OMC não está descartada, mas esclareceu que essa será a última tentativa. “Vamos até o fim dessa briga […] Qualquer processo de contencioso é caro e demorado, por isso deixaremos essa alternativa em última instância”, explicou o Jank, durante evento na Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), que discutiu os biocombustíveis e as mudanças climáticas.

De acordo com Jank, no meio dessas implicações há algo que não faz sentido, pois, segundo ele, já está provado que o Brasil não cultiva cana-de-açúcar em áreas da Amazônia e nem se utiliza de remanejamentos nocivos.

Barreiras ao etanol

“No momento em que o mundo discute formas de reduzir as emissões de gases de efeito estufa, alguns países ainda criam barreiras ao etanol que, comprovadamente, emite 89% menos gases de efeito estufa, em comparação à gasolina”, salientou.

Questionado sobre a possibilidade de o ILUC ser uma medida protecionista disfarçada para frear a avanço do etanol, Jank respondeu que ainda não acredita nesta possibilidade, mas não descartou a ideia deste modelo virar uma barreira não tarifária.

O etanol sofre diversas barreiras para entrar em outros países. Para entrar nos Estados Unidos, o produto brasileiro sofre uma tarifa de importação de US$ 0,54 por galão. Por lá, o etanol é produzido à base do milho, altamente defendido pela base agrícola no Congresso norte-americano. Já na União Europeia a tarifa é de 0,19 de euros por litro.

Para o presidente da Fiesp, Paulo Skaf, a tarifa cobrada pelos Estados Unidos é usada como protecionismo – manobra condenada no comércio internacional –, a fim de preservar a produção do milho norte-americano.

“Numa clara demonstração de descaso, os deputados norte-americanos usam essa absurda tarifa como forma de protecionismo para promover seu produto em detrimento do etanol brasileiro. Isso, sem falar que o nosso produto é reconhecido por eles como mais limpo ambientalmente”, concluiu Skaf.

Brasil vai priorizar fontes hidroelétricas na próxima década

Lucas Alves, Agência Indusnet Fiesp

Maurício Tolmasquim, presidente da Empresa de Pesquisa Energética (EPE). Foto: Pedro Ferrarezzi

A perspectiva de crescimento da economia brasileira vem acompanhada do desafio de garantir energia para o desenvolvimento. A Empresa de Pesquisa Energética (EPE), ligada ao Ministério de Minas e Energia, é responsável pelo planejamento do setor no País e prevê investimentos de quase R$ 1 trilhão até 2019.

Na próxima década, o setor passará por transformações significativas, de acordo com informações do presidente da EPE, Maurício Tolmasquim. Para atender à demanda, a geração de energia elétrica terá de crescer 63 mil Megawatts em dez anos e o Brasil passará de importador para exportador de petróleo e derivados. “Até 2019 o Brasil vai priorizar fontes hidroelétricas e alternativas, como as eólicas”, exemplificou Tolmasquim.

Entretanto, ele explicou que 60% do potencial hidroelétrico encontram-se no bioma amazônico e dois terços dele não poderá ser utilizado por conta dos impactos ambientais. “É preciso compatibilizar o aproveitamento do potencial com a preservação do meio ambiente”, pontuou.

A decisão de o País investir na construção de novas usinas hidroelétricas não significa que as termoelétricas estão descartadas. “Se as licenças ambientais não saírem, teremos de recorrer às térmicas”, alertou.

O governo prevê maior geração de bioeletricidade, com aproveitamento do bagaço da cana. “São Paulo tem grande potencial para produção de bioeletricidade e a expansão caminha em direção ao Centro-Oeste”, destacou.

Segundo o presidente da EPE, mesmo com algumas mudanças, a matriz energética brasileira manterá alto índice de renovabilidade, com 72%. “Nossa ideia é que a matriz continue a ser majoritariamente renovável”, acrescentou.

Petróleo

Em dez anos, a previsão é que a produção brasileira de petróleo passe de 2 milhões de barris por dia para 5 milhões de barris por dia. O gás natural, que atualmente tem um volume diário de 100 milhões de metros cúbicos (contando com o insumo importado da Bolívia) para 167 milhões de metros cúbicos em 2019.A partir de 2014, o Brasil também passará de importador para exportador de óleo diesel.

O consumo de etanol também deverá aumentar. De acordo com dados obtidos pela EPE, 93% dos automóveis comercializados têm motor flexfuel e 70% dos proprietários optam por abastecê-los com etanol.

Atualmente o País exporta 3,3 bilhões de litros de etanol e em 2019 deverá atingir a marca de 10 bilhões de litros. A produção, que hoje é de 27 bilhões de litros, deverá alcançar 64 bilhões de litros de etanol em 2019.

Apontado como um dos grandes emissores de gases de efeito estufa, o setor energético se defende. Segundo Tolmasquim, 60% das emissões brasileiras são originadas pelo uso da terra, 26% da agricultura e apenas 14 % do setor energético.

“Se o Brasil resolver o problema do desmatamento seremos um dos países com menores índices de emissão de gases de efeito estufa”, argumentou.

Brasil Eficiente

Carlos Rodolfo Schneider, membro do Cosec da Fiesp. Foto: Pedro Ferrarezzi

Na segunda parte da reunião do Coinfra, o empresário e membro do Conselho Superior de Economia (Cosec) da Fiesp, Carlos Rodolfo Schneider, apresentou a proposta do movimento “Brasil Eficiente”.

O movimento tem por objetivo sensibilizar a população, a classe política e, sobretudo, os candidatos em fase pré-eleitoral sobre a importância de diminuir o peso da carga tributária sobre o setor produtivo, simplificar e racionalizar a complicada estrutura fiscal, melhorando a gestão dos recursos públicos.

“Precisamos trabalhar juntos, unificar as propostas das entidades e da sociedade civil”, argumentou Schneider. Segundo ele, o movimento já tem adesões importantes, como da TV Globo e do cartunista Ziraldo, que desenhou uma cartilha popular.

O movimento defende uma melhor eficiência do Estado brasileiro para concorrer no cenário internacional e desacelerar o crescimento das importações asiáticas. “O Brasil é campeão em horas gastas com pagamentos de impostos”, ilustrou.
Segundo o industrial, o investimento do País vem diminuindo ao mesmo tempo em que a despesa pública está aumentando.

Outra preocupação diz respeito à diminuição da participação da indústria no PIB brasileiro. Há dez anos, este setor representava 25% do PIB total e em 2010 o resultado é de 14,5% com tendência de queda. “É uma luz amarela que se acende”.

Estudo da Fiesp identifica oportunidades de negócios em energia nas Américas

Carlos Cavalcante, diretor-titular do Departamento de Infraestrutura (Deinfra) da Fiesp

Um dos destaques do encerramento do 11º Encontro Internacional de Energia , na tarde desta terça-feira (10), foi a apresentação dos resultados do Panorama Energético das Américas e Caribe, estudo feito pela Fiesp em parceria com o Instituto Interamericano de Cooperação para a Agricultura (IICA).

A pesquisa faz um diagnóstico do comércio mundial de energia e um retrato das matrizes energéticas de cada país.

Para Carlos Cavalcanti, diretor do Departamento de Infraestrutura (Deinfra) da Fiesp, a energia assume papel cada vez mais relevante nas negociações internacionais, em um setor que o Brasil caminha à frente das outras nações.

“O diagnóstico que apresentamos nesse estudo ajuda as empresas brasileiras a identificarem oportunidades comerciais. Temos a melhor escala de produção de biocombustíveis no mundo, engenharia de processo para construir os melhores equipamentos e tecnologias para todas as áreas”, argumentou Cavalcanti.

Os números revelados no Panorama Energético mostram um intenso fluxo comercial de energia no continente e também fora dele. Em 2007, as trocas comerciais regionais atingiram US$ 218,6 bilhões e representaram 11,7% do total mundial. Se contabilizados os valores de exportação e importação extrarregionais, o fluxo alcança US$ 354,5 bilhões, ou 18,9% do comércio internacional de energia no mesmo período.

Além de identificar as vocações dos países na importação e exportação de cada energético – como a concentração de petróleo e derivados principalmente na Venezuela e no Equador, o que deve mudar com o início de exploração do pré-sal no Brasil –, o estudo mostra a relação direta entre fontes de energia e indicadores sociais.

Países com Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) mais baixo têm grande participação de lenha na matriz, enquanto os IDHs mais elevados demonstram mais investimentos em infraestrutura energética, com maior participação de eletricidade e gás natural.

Outros diagnósticos:

O conjunto dos países da América do Sul, Central e Caribe representa apenas metade do consumo da América do Norte. Estados Unidos são os grandes demandantes de energia da região;

Índice de renovabilidade das fontes energéticas, com base no consumo final de cada país, o estudo mostra que as Américas do Sul e Central têm predomínio das renováveis;

Índice de suficiência (produção x oferta interna bruta)- identifica exportadores e dependentes de energia no continente;

Status da energia na região – revela que o Brasil, além de ser grande consumidor, está na zona de equilíbrio na relação entre suficiência e renovabilidade.

Promoção do etanol

A produção total de etanol no mundo chegou a 80,7 bilhões de litros em 2008, um crescimento de 26,3% em relação a 2007. Em parte, este salto se deve ao aumento, em mais de 90%, da produção do combustível nas Américas – só Brasil e Estados Unidos responderam por 78,6% desse volume.

Em 2007, os dois países assinaram um memorando de entendimentos em que reconhecem interesses comuns relacionados com o desenvolvimento de recursos energéticos baratos, limpos e sustentáveis. O documento também expressa intenções de cooperação para incremento e difusão de biocombustiveis, nos níveis bilateral e global.

Importação de etanol poderá beneficiar União Europeia e Estados Unidos

Agência Indusnet Fiesp,

A adoção de mandatos de consumo e mistura de biocombustíveis na Europa e nos Estados Unidos deverão beneficiar produtores agrícolas, consumidores e o meio ambiente. É o que aponta o resultado do estudo “Impactos das políticas de biocombustíveis da União Europeia e dos Estados Unidos nos mercados globais”.

A análise foi produzida pelo International Food Policy Research Institute (IFPRI), com cooperação técnica do Instituto de Estudos do Comércio e Negociações Internacionais (Icone), e teve apoio do Departamento de Infraestrutura da Fiesp e do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID).

O documento simula três cenários que podem servir de orientação para estratégia brasileira de produção de biocombustíveis.

1- Mandatos: aquele em que haverá implementação dos mandatos de biocombustíveis na União Europeia e nos Estados Unidos para alcançar as metas de consumo de etanol e biodiesel em 2020, mantendo as atuais políticas comerciais (incentivos aos produtores locais e barreiras comerciais às importações).

2 – Mandatos e reforma das políticas comerciais: implementação dos mandatos de biocombustíveis na União Européia e nos Estados Unidos nos mesmos moldes, mas com a hipótese de liberalização dos mercados.

3 – Mandatos sem o etanol da cana-de-açúcar: implementação dos mandatos de biocombustíveis na União Européia e nos Estados Unidos nos mesmos moldes, sem importação do etanol da cana-de-açúcar.

Despreparo
Mesmo com a possibilidade de o Brasil produzir mais etanol para exportação, o diretor geral do Ícone, André Nassar, acredita que a indústria brasileira não está preparada para atender uma grande demanda.

Ele acredita que, caso a importação seja liberada para Estados Unidos e União Europeia, o preço do produto será maior no Brasil. “Se o País exportar muito, como num cenário de liberalização, você tem um impacto no consumo doméstico e o preço subiria um pouco”.

O estudo aponta ainda que poderá haver redução das emissões de gases de efeito estufa, principalmente se as reformas das políticas comerciais forem adotadas. “Estas reformas também poderão impactar positivamente no consumo dos alimentos, com queda no preço das commodities”, completa.

Brasil quer incentivar uso de etanol no Chile

Brasil e Chile podem estabelecer, juntos, um mercado mundial de combustíveis renováveis, mais limpos e baratos que os derivados do petróleo, e que gere mais emprego e renda para o trabalhador do campo. A proposta foi feita pelo Presidente Luiz Inácio Lula da Silva à chefe de estado chilena, Michelle Bachelet, que se encontraram nesta quinta (30) na Fiesp.

“Precisamos definir uma data para levar ao Chile uma missão brasileira na área de biocombustíveis. É de extrema importância alcançar uma matriz tecnológica comum, e nós precisamos trabalhar isso”, disse Lula.

O governo brasileiro cobra uma decisão sobre o aumento da adição de etanol à gasolina vendida no Chile, proposta no acordo de cooperação energética assinado pelos países em 2007 – para pesquisa, desenvolvimento e produção de biocombustíveis –, que não avançou.

A presidente chilena não respondeu diretamente à cobrança, mas sinalizou que o governo está “pronto para colaborar com os investimentos de petróleo”. Acredita-se que a presença da Petrobras em território chileno – com a aquisição da rede de distribuidores da petrolífera americana ExxonMobil no país vizinho, anunciada em agosto do ano passado – vá facilitar as negociações para adição de maior percentual de etanol à gasolina, que hoje está aprovado em 5%, mas ainda não foi implementado.


Integração energética

O presidente da Fiesp, Paulo Skaf, também cobrou a efetiva incorporação do etanol brasileiro no combustível chileno, e que o país vizinho começasse a pensar na utilização de veículos “flex fuel”, os bicombustíveis.

“Adicionando apenas 5%, sem que seja necessária qualquer alteração nos motores dos veículos, já seria considerável ajuda no esforço governamental de diminuir a poluição do ar nas grandes cidades chilenas, em especial Santiago”, disse. “Mas esse percentual pode crescer até os 25% praticados no Brasil, de forma progressiva, desde que se façam pequenos investimentos na adaptação dos motores”, sugeriu Skaf.

Roberto Giannetti da Fonseca, diretor de comércio exterior da Fiesp, insistiu na integração energética dos dois países no quesito combustíveis e alegou que o Chile não pode ficar preso ao risco da volatilidade de preços do petróleo. Segundo ele, a experiência brasileira com o etanol pode ser conhecida e repetida com sucesso no país vizinho, basta o tema entrar na agenda dos empresários e políticos chilenos.

“O Brasil tem o know-how tecnológico para ajudar o país a desenvolver etanol de segunda geração, extraído de celulose, madeira e algas marinhas. Nesse momento, o Chile poderá se tornar um exportador do produto”, indicou.

Segundo o dirigente, já existem discussões no governo do país andino para aumentar a parcela de etanol na gasolina para 10%. A rede de aproximadamente 230 postos de combustível que a Petrobras adquiriu no país no ano passado pode ajudar o Brasil a “estabelecer uma política a respeito do combustível”, avaliou Giannetti.

Nigerianos visitam Fiesp para conhecer etanol

Agência Indusnet Fiesp

Pesquisadores do Instituto para Politicas e Estudos Estratégicos da Nigéria visitaram a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), nesta quarta-feira (29), para debater o etanol brasileiro como alternativa à importação de gasolina feita pelo país africano para abastecer seu mercado interno.

“Temos trabalhado para promover o etanol a diversos países. Ao Brasil interessa não somente vender etanol, mas promover a exportação da experiência tecnológica brasileira do biocombustível”, indicou diretor-titular do Departamento de Relações Internacionais e Comércio Exterior (Derex) da Fiesp, Roberto Giannetti da Fonseca.

Conta a favor do Brasil a forte presença da Petrobras na exploração de petróleo na Nigéria. A previsão de investimento da estatal brasileira no parceiro africano até 2012 é de US$ 2 bilhões. O volume reforça a imagem do País como fornecedor de alta tecnologia, e pode facilitar a entrada do etanol.

A comitiva nigeriana também avaliou outros projetos brasileiros que podem ser adaptados ao seu país como ferramentas de desenvolvimento. Entre eles: educação profissional do Senai-SP, experiências de estabilização econômicas, fontes de energia renovável, sistema de urnas eletrônicas, entre outros.