Paulo Skaf defende mais prazo para recolher impostos como meio de aquecer a economia

Juan Saavedra e Talita Camargo Agência Indusnet Fiesp

Se quiserem estimular a atividade econômica brasileira, os governos devem aumentar o prazo para o recolhimento dos impostos federais e estaduais. A sugestão é do presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Paulo Skaf.

Paulo Skaf, presidente da Fiesp e do Ciesp

Paulo Skaf, presidente da Fiesp e do Ciesp

“Para aquecer a economia de forma justa, correta e democrática é necessário o aumento do prazo para recolhimento dos impostos, pois, ao invés de as empresas usarem recursos para financiar o Estado, pagando impostos antecipadamente, poderão trabalhar com esse dinheiro”, disse Skaf em entrevista logo após a homenagem ao vice-presidente da República Michel Temer, na noite de quinta-feira (28/06), em São Paulo.

Apesar de reconhecer os benefícios do pacote de estímulos de R$ 8,4 bilhões, anunciado na véspera (27/06) pelo ministro da Fazenda Guido Mantega, o presidente da Fiesp afirmou que as medidas não são suficientes para resolver o problema do baixo crescimento da indústria ainda em 2012.

“A economia brasileira vai crescer menos de 2% em 2012. E a indústria está dentro deste contexto: o crescimento da indústria de manufaturas vai ser perto de zero”, informou Skaf, destacando que o cenário é motivado pelo alto custo de produção no Brasil.

Skaf disse acreditar que, se adotada no curto prazo, a ampliação do prazo para recolhimento de impostos federais e estaduais imediatamente teria como efeito a “irrigação” da economia.

Segundo estudos da Fiesp, as empresas recolhem os impostos, em média, 49 dias antes de receber dos seus clientes. “Isso é uma distorção e precisa ser corrigido. Quando se aumenta o prazo para recolher os impostos, atinge a todos de forma democrática e linear, beneficiando a todos”, concluiu Skaf.

Na análise técnica da Fiesp, cada 10 dias a mais no prazo de recolhimento de impostos equivale a injetar um volume de capital de giro superior a R$ 2 bilhões ao longo da cadeia produtiva da Indústria de transformação.