Univesp responde à expansão do Ensino Superior com metodologia virtual e cursos semipresenciais

Solange Sólon Borges

A cultura da atual geração, mediada pelas máquinas e redes sociais em seu cotidiano, é oportunidade vislumbrada para o ensino semipresencial pela Universidade Virtual do Estado de São Paulo (Univesp), segundo seu presidente, Carlos Alberto Vogt.

O professor foi o palestrante do Conselho Superior de Estudos Avançados (Consea) da Fiesp, que se reuniu nesta segunda-feira, 19, ao tratar do uso de ferramentas tecnológicas no Ensino Superior e a difusão compartilhada do conhecimento.

Vogt frisou que a Univesp surgiu, em 2009, como resposta à expansão do Ensino Superior gratuito na USP, Unicamp e Unesp com metodologia inovadora, oferecendo cursos de graduação, licenciatura, extensão e pós-graduação.

As vantagens apontadas incluem o uso intensivo de tecnologia aplicado à educação de qualidade em uma administração corporativa enxuta e com amplo alcance geográfico do ponto de vista da mobilidade do aluno. Outro ponto é a flexibilidade de conteúdos através do Ambiente Virtual de Aprendizagem (AVA), cujas aulas são mescladas com atividades presenciais. A vantagem apontada é o menor nível de evasão: permanência de 73% dos alunos após três semestres cursados, alto comparativamente às instituições de ensino tradicionais, pontuou Vogt, em função da proposta de dinamização de seu projeto integrador com vivência e aplicação de conteúdos.

Transformada em fundação a partir de 2012 (Decreto n. 58.437), com vestibular realizado em junho de 2014, ofereceu mais de 3.300 vagas em 50 polos espalhados em 33 cidades do Estado. Entre os cursos, engenharias de produção e computação e licenciaturas em Biologia, Matemática, Física e Química, atendendo às demandas apontadas no Ensino Médio.

Os cursos são divididos em um ciclo básico de dois anos para que, ao final, o aluno obtenha um diploma de curso sequencial e já posso atuar no mercado, complementando-o com um ciclo profissional de dois ou três anos, dependendo da área escolhida.

Reunião do Consea da Fiesp com a participação do presidente da Univesp, Carlos Alberto Vogt. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

 

O grande desafio que se vislumbra no horizonte refere-se ao Plano Nacional de Educação (PNE) que, de acordo com a Lei n. 13.005/2014, norteará a educação na próxima década. Entre as metas, elevar a taxa bruta de matrícula na educação superior para 50% e a taxa líquida para 33% da população que se encontra na faixa etária de 18 a 24 anos, assegurando-se que 40% das novas matrículas estejam no segmento público.

Para alcançar esta meta, o Estado de São Paulo precisa chegar a 2024 com a oferta de 242 mil novas vagas públicas, uma conta ambiciosa de 50 mil novas vagas anuais a partir de 2019, nos cálculos do presidente da Univesp. As três universidades públicas – USP, Unicamp e Unesp -, mais o Centro Paula Souza, oferecem atualmente em torno de 45 mil vagas. Segundo Vogt, “é um desafio complexo e será preciso adotar tecnologias interativas ou essa meta será cada vez mais utópica”.

Para Vogt, essa interação no ambiente educativo deverá ser estendida ao Ensino Básico, em resposta ao questionamento do presidente do Consea, Ruy Martins Altelfender. É preciso preparar os alunos que se encontram nos níveis básico e médio para que tenham referência e saibam lidar com essa plataforma no Ensino Superior. “Trata-se de uma questão cultural”, afirmou o professor.

A Univesp possui ainda uma revista de divulgação científica voltada ao Ensino Médio, a Pré-Univesp, e, por meio de convênio com a Fundação Padre Anchieta, mantém programas educativos. Também no YouTube é possível acessar o conteúdo da Univesp TV. Com mais de 5 mil vídeos disponíveis, é a 40ª colocada mundial entre as universidades presentes no YouTube.

 

Clique aqui para conhecer a Univesp: www.univesp.br

Conselho da Fiesp debate a privacidade como conquista da liberdade e os limites da transparência

Amanda Viana, Agência Indusnet Fiesp

A questão da transparência política é dever do Estado, mas não diz respeito à vida pública. E a transparência é uma das formas para diferenciarmos uma sociedade livre de uma autoritária, avaliou Eugênio Bucci, jornalista e professor da Universidade de São Paulo (USP), durante encontro com o Conselho Superior de Estudos Avançados (Consea) da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) nesta segunda-feira (18/5).

O encontro foi baseado no livro “O Estado de Narciso – A comunicação pública a serviço da vaidade particular”, de autoria de Bucci.

Segundo o professor, em um regime totalitário, o cidadão não consegue visualizar o nível de investimentos e o trâmite das decisões dentro do governo. Neste caso, o público não é público e o Estado é “opaco”. “Nos regimes totalitários a transparência não existe. A qualquer momento a autoridade invade o lado pessoal de cada cidadão”, disse.

Professor Eugêncio Bucci durante reunião do Conselho Superior de Estudos Avançados (Consea) da Fiesp. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

 

Sobre a linha tênue entre transparência e privacidade, Bucci afirmou que a privacidade deve ser entendida como uma conquista da liberdade, e que devemos tomar cuidado quando falamos de transparência.

“A transparência não é boa em todo lugar. Ela é ideal para um Estado de direito, no âmbito público, mas não pode ser imposta à vida pessoal. A transparência deve garantir a privacidade dos cidadãos”, explicou.

Para ele, a liberdade se materializa na privacidade, que se constrói como um valor para proteger o cidadão contra o poder. Ou seja, a população deveria pensar a liberdade a partir de sua privacidade de checar, verificar e contestar as falas do poder.

“O poder na democracia depende da oposição, para que ele seja de fato virtuoso, para que corresponda à liberdade das pessoas, não colocando a sociedade a seu serviço”, avaliou.

Neste sentido, a imprensa desempenha um papel notável e insubstituível para pensar contra o poder ou de apresentar dúvidas em relação ao discurso oficial que é apresentado, defendeu Bucci.

“Não há democracia sem imprensa livre”, afirmou Bucci. “A imprensa, entre outras coisas, serve para levantar discursos contra o poder, serve para questionar e contestar”.

O professor da USP esclareceu, no entanto, que a imprensa não é um tribunal, e que seu compromisso é baseado em elaborar uma verdade provisória que vai tomando forma com o tempo. “A imprensa não tem o direito de julgar ninguém”, concluiu.

Gestão pública e desenvolvimento de longo prazo são temas de debate na Fiesp

Agência Indusnet Fiesp,

O Conselho Superior de Estudos Avançados (Consea) da Fiesp discutirá, na nesta segunda-feira (21), a “Gestão e Governança do Brasil numa visão de longo prazo”. Para conduzir o debate, Jorge Gerdau, presidente do Conselho de Administração do Grupo Gerdau, fará apresentação sobre as principais metas para aliar o desempenho econômico e social.

Um dos maiores empreendedores brasileiros, Gerdau é fundador do Movimento Brasil Competitivo, no qual participam governantes e outros empresários-chave do cenário brasileiro.

A reunião do Consea será fechada e se realizará na segunda-feira (21), das 10h às 12h30, na Sala Executiva da sede da Fiesp, à Av. Paulista, 1313.