Com taxa de imigração abaixo do normal, Brasil se mostra fechado para estrangeiros, reconhece ministro da SAE

Alice Assunção, Agência Indusnet Fiesp

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Marcelo Neri: é preciso haver uma mudança de cultura em relação às mudanças na política imigratória. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

Dos cerca de 200 milhões de habitantes do Brasil, 600 mil são estrangeiros com residência fixa no país, o equivalente uma taxa de 0,3% de imigração, enquanto a média mundial é de 3%. Para o ministro-chefe da Secretaria de Assuntos Estratégicos da Presidência da República (SAE), Marcelo Cortes Neri, a cifra indica que somos “um país mentalmente fechado”. Ele participou nesta quarta-feira (12/06) do seminário “Política Migratória, Produção e Desenvolvimento”, organizado em conjunto pela Eurocâmaras e pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).

Segundo Neri, para atingir um padrão mais perto do “normal” nesse campo o país teria que atrair ao menos seis milhões de estrangeiros para o seu mercado de trabalho a longo prazo. “O país não aguentaria isso num curto intervalo, mas pode ser um número interessante para se pensar”, ponderou.

O ministro acredita que o principal desafio para atrair mão de obra estrangeira envolva uma mudança de cultura a esse respeito na sociedade brasileira. “É difícil mudar a mentalidade… Nós queremos ser uma sociedade aberta? Por que não ser uma sociedade aberta?”, indagou.

De acordo com informações da SAE, mais de um terço da população imigrante do Brasil está cima da faixa dos 65 anos.  Para Neri, atrair trabalhadores estrangeiros é positivo para a economia do país porque ajudaria a eliminar gargalos de mão de obra e fortaleceria a produtividade das empresas.

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Ricardo Paes: estratégia brasileira é trazer o máximo possível de estrangeiros. Foto: Everton Amaro/Fiesp

O secretário da SAE, Ricardo Paes de Barros, afirmou que o Brasil levaria 25 anos para chegar à média mundial de 3% de imigração se adotasse o ritmo do Canadá, no qual cerca de 250 mil estrangeiros ingressam por ano. No Brasil, não seria a mesma coisa. “A estratégia brasileira é trazer o máximo possível de estrangeiros. Essa é a meta.”

Segundo Barros, já existem propostas de política imigratória se transformando em regulamentações e em mudanças na legislação. “O Conselho Nacional de Migração já modificou várias regras, como, por exemplo, a de poder ter, no prazo de 30 a 60 dias, alguém trabalhando no Brasil sem pré-aprovação. Já é um avanço fantástico”, afirmou o secretário. “Tem um projeto de lei de politica imigratória em tramitação no congresso”, acrescentou.

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Thomaz Zanotto: escassez de mão de obra não é fácil de resolver. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

O diretor-titular adjunto do Departamento de Relações Internacionais e Comércio Exterior (Derex) da Fiesp, Thomaz Zanotto, manifestou o apoio da entidade às propostas da SAE. Ele acredita que a escassez de mão de obra não seja um “gargalo fácil de resolver”. “Se existem pessoas bem preparadas e sem emprego em outros lugares, podemos aproveitar essa oportunidade”, observou Zanotto.