Presidente da estatal EPL debate infraestrutura com empresários na Fiesp

Edgar Marcel, Agência Indusnet Fiesp

Imagem relacionada a matéria - Id: 1540321751

Bernardo Figuereido (EPL) e Carlos Cavalcanti (Deinfra e Coinfra/Fiesp). Foto: Everton Amaro

A participação da iniciativa privada na infraestrutura brasileira é necessária não só na atração de capital de investimento privado, mas na eficiência e na agilidade que ela tem na implementação dos programas contemplados no pacote de concessões para incentivar investimentos. A afirmação é de Bernardo Figueiredo, diretor-presidente da Empresa de Planejamento e Logística (EPL), estatal criada pelo governo por ocasião do “Plano Nacional de Logística: Rodovias e Ferrovias”, anunciado no dia 15 de agosto pela presidente Dilma Rousseff.

Figueiredo participou nesta quinta-feira (13/09), na sede da entidade, da reunião do Conselho Superior Temático de Infraestrutura (Coinfra) da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).

“Um dos problemas na área de concessões é que se cria expectativas na sociedade, de que determinado projeto vai criar melhorias imediatas por exemplo, e o programa contratado não gera esse resultado”, explicou o diretor-presidente da EPL ao ressaltar que é preciso analisar o que está causando problemas e encontrar soluções rápidas.

O presidente da EPL recebeu ainda sugestões de empresários do setor de infraestrutura, que expuseram queixas referentes às questões burocráticas e entraves na integração dos modais de transporte.

Imagem relacionada a matéria - Id: 1540321751

Bernardo Figueiredo, presidente da EPL (4º da dir. p/a esq.), fala a dirigentes da Fiesp e empresários durante reunião do Conselho Superior Temático de Infraestrutura (Coinfra) da Fiesp. Foto: Everton Amaro

Mão de obra

Bernardo Figueiredo afirmou que há possibilidade de absorver técnicos formados no exterior para colaborar no processo de desenvolvimento das obras. “Temos um problema de limitação de mão de obra disponível, e para que isso se resolva, uma das formas é buscar colaboração internacional”, detalhou o presidente da EPL, ao explicar que existem técnicos “bem formados” disponíveis em função da crise financeira, em especial na Europa .

“Podemos também mandá-los a outros países para serem formados de modo mais rápido que no Brasil, e trazer técnicos do exterior é também uma forma de habilitar técnicos aqui no país”, ressaltou Figueiredo ao ressaltar a necessidade de um contingente de profissionais qualificados no Brasil.

Energia e transportes

Imagem relacionada a matéria - Id: 1540321751

Bernardo Figueiredo. Ao fundo, Rodolpho Tourinho, presidente do Coinfra. Foto: Everton Amaro

O diretor-titular do Departamento de Infraestrutura (Deinfra) da Fiesp e vice-presidente do Conselho Superior Temático de Infraestrutura (Coinfra) da entidade, Carlos Cavalcanti, afirmou que a Fiesp está “obviamente satisfeita” com a parte econômica do anunciado pela presidenta Dilma Rousseff. “Ela teve coragem e um senso de justiça muito grande em relação às teses que defendemos na Fiesp há um ano e meio, pela campanha ‘Energia a Preço Justo’”, afirmou.

Cavalcanti afirmou ainda que o setor de transportes está “completamente atomizado” com as decisões que estão sendo tomadas em diferentes ministérios, agências e empresas sem integração. “Quando se mexe no aeroporto, não se mexe na rodovia e na ferrovia e vice-versa, e me parece evidente que esses modais de transporte precisam trabalhar de uma forma integrada, racional e que obedeça a uma lógica.”

De acordo com o diretor do Deinfra, de todo o pacote anunciado pelo governo federal em 15 de agosto, o mais importante foi a criação da EPL. “Se nós criarmos um planejamento logístico no Brasil que condicione o investimento para expansão da malha como no setor elétrico, em relação a rodovias, estará tudo dentro da nossa expectativa. A infraestrutura deve estar a serviço da sociedade”, completou.

Para Rodolpho Tourinho, presidente do Coinfra, o planejamento na área de transportes está sob retomada. “É um ponto importante, mas com uma empresa que tem o poder de fazer. O setor elétrico nunca deixou de planejar, mas não tinha o poder de fazer, e só passou a ter esse poder quando surgiu a EPL e a nossa crença neste modelo”, explanou.

Tourinho acredita que é o momento de discutir os entraves nas parcerias público-privadas (PPPs). “É função nossa levar para o governo não só nossa preocupação, mas nossa opinião para ser discutida e apontar possíveis soluções, é o que vamos tentar junto ao governo”, ressaltou.