Atividade industrial paulista interrompe trajetória de queda e fecha 3º tri em alta de 1,2%

Alice Assunção, Agência Indusnet Fiesp

Diretor do Departamento de Economia da Fiesp/Ciesp, Paulo Francini. Foto: Julia Moraes

Depois de cair por cinco trimestres seguidos, a indústria paulista encerrou o terceiro trimestre de 2012 em alta de 1,2% em relação ao período anterior, motivada principalmente pela indústria automobilística, em meio a incentivos concedidos pelo governo – como a redução do IPI para veículos, que contribuiu em 34% para crescimento da atividade econômica entre maio e agosto.  O mês de setembro registrou uma elevação de 0,2%.

O diagnóstico é fruto da pesquisa Indicador de Nível de Atividade (INA) da indústria, realizada mensalmente pelo Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos (Depecon) da Federação e o Centro das Indústrias do Estado São Paulo (Fiesp e Ciesp), e divulgada nesta quarta-feira (31/10).

Apesar da alta no trimestre acima do esperado, as projeções para a atividade da indústria em 2012 e para o desempenho da economia em geral continuam pessimistas, uma vez que a persistente crise financeira no mundo, principalmente nos países da Europa, minimiza o impacto positivo de políticas de incentivo do governo sobre a produção nacional.

“Existe uma indústria de transformação com capacidade excedente para o atual nível de demanda do mundo”, disse Paulo Francini, diretor do Depecon.

Segundo a Fiesp/Ciesp, o nível de atividade da indústria paulista deve encerrar o ano de 2012 negativo em 4,5%, enquanto o Produto Interno Bruto (PIB) deve crescer apenas 1,4% no mesmo ano e o PIB industrial deve apresentar uma variação negativa de 2,5%.

Para Francini, medidas como a redução da taxa Selic para níveis mais baixos da história, controle sobre o spread bancário e intervenções para elevar o patamar do dólar versus o real estão na direção correta, mas a indústria não conseguiu reagir este ano com a força que se esperava dado o aprofundamento da desindustrialização no país.

“Todos estes fatores estão na direção correta. Nós esperávamos que a indústria reagisse a eles com um pouco mais de vigor. Os resultados não têm o vigor que teriam se o mundo estivesse bombando. Nós temos que lembrar que o mundo bombava no inicio dos anos 2000”, afirmou.

Segundo o diretor da Fiesp/Ciesp, a recuperação da atividade industrial em 2013 deve acontecer e será “resistente”.

Menor Participação da indústria no PIB

De acordo com cálculos da Fiesp/Ciesp, a participação da indústria de transformação no PIB, atualmente em 14,6%, deve diminuir em 0,6 ponto percentual até o final de 2012 para 14%.

“Se em 2012 ocorrer o que nós estamos prevendo em relação ao PIB e à evolução do PIB da indústria de transformação, a participação há de ser 14%, aprofundando o processo de desindustrialização”, afirmou Francini. A participação industrial no PIB já chegou ao patamar de quase 25% no início dos anos 1980.

Atividade em São Paulo

INA – Setembro/2012 from Fiesp Federação das Indústrias do Estado de SP

Segundo o Depecon, a atividade industrial paulista aumentou 0,2% em setembro. Já o desempenho do setor produtivo entre janeiro e setembro deste ano foi negativo em 5,9%, sem ajuste sazonal – a maior queda desde 2003, ano de início da pesquisa. A exceção foi registrada em 2009, quando o INA chegou a -10,6%. No acumulado de 12 meses, o nível atividade da indústria, sem ajuste sazonal, foi negativo em 5,3%. 

O Nível de Utilização da Capacidade Instalada (Nuci) se manteve estável na comparação mensal, permanecendo em 81,3% em setembro. Já na leitura sem ajuste sazonal, o componente caiu um ponto percentual para 82% no mês passado, contra 83,1% em agosto.

Dos setores avaliados pela pesquisa em setembro, o segmento de Máquinas e Equipamentos apresentou queda de 3% na leitura mensal, considerando os efeitos sazonais. Já o de Celulose, Papel e Produtos de Papel registrou ganhos de 1,3% sobre agosto, em termos ajustados, enquanto a atividade da indústria de Artigos de Borracha e Plástico anotou variação positiva de 1,5%, com ajuste, na comparação com agosto.

Expectativa

A percepção geral dos empresários com relação ao cenário econômico no mês de outubro, medida pelo Sensor Fiesp, ficou em 50,6 pontos no mês corrente, contra 52,3 pontos em setembro, indicando estabilidade na expectativa do empresário.

Pesquisa Sensor – Outubro 2012 from Fiesp Federação das Indústrias do Estado de SP

O item Mercado caiu quase quatro pontos no mês corrente e chegou a 55,5 pontos, versus 59,3 pontos em setembro, enquanto o indicador Vendas manteve-se estável em 55,9 pontos no mês corrente, ante 55,8 no mês passado.

O indicador de Estoque passou para 44,7 pontos em outubro, ante 40,8 pontos em setembro. O grupo Emprego registrou queda de mais de três pontos percentuais para 46,2 este mês, versus 49,8 no mês passado.

A percepção dos empresários quanto ao Investimento apresentou queda de mais de quatro pontos, passando de 54,7 em setembro para 50,7 pontos em outubro.