“Copa do Mundo vai além dos estádios”, afirma jornalista especializado

Edgar Marcel, Agência Indusnet Fiesp

Que o futebol é o esporte mais popular do mundo, não há dúvidas. Entretanto, a pergunta que paira no ar é: o Brasil, país-sede da próxima Copa do Mundo, estará preparado para receber o mundial em 2014?

Para analisar esta e outras questões relativas ao tema, o 2° Congresso Ibero-Americano de Instalações Esportivas e Recreativas que acontece até sexta-feira (22), convidou duas autoridades em futebol para o painel Mega Eventos Esportivos – Copa do Mundo.

Sérgio Miranda Paz, doutor em Turismo e pesquisador de futebol, e o jornalista e criador da publicação Máquina do Esporte, Erich Beting, falaram sobre suas experiências em Copas do Mundo nas quais estiveram presentes e revelaram detalhes estruturais do maior evento do esporte do mundo.

Pedaladas

Se na Copa da Alemanha em 2006 o atacante Robinho não anotou nenhum gol, quem pedalou de verdade foi Sérgio Miranda Paz. Torcedor presente às últimas quatro Copas, decidiu pela primeira vez levar uma bicicleta para se locomover nas cidades alemãs durante o mundial, tendo repetido o feito sobre duas rodas também na África do Sul.

De acordo com ele, ao contrário da Alemanha, o transporte urbano nas cidades sul-africanas é muito deficiente. “A população local utiliza majoritariamente os carros”, frisou. Mas isso não foi obstáculo para ele, que pedalou 700 quilômetros pelo país durante a Copa.

Sérgio chama a atenção para a utilização dos estádios após o término da competição, já que a maioria foi construída especialmente para a competição. Construídos com verbas federais, os municípios não querem arcar com o ônus da manutenção das arenas. “Como alternativa, elas são utilizadas também para eventos, como casamentos e aniversários”, revela o pesquisador.

Além da bola

Com a experiência da cobertura jornalística das últimas duas Copas, Erich Beting sinaliza que por conta do evento, a economia dos países-sede cresce muito mais que o previsto.

Em 1997, a Alemanha já projetava para a Copa de 2006 cerca de 340 mil turistas. Eles injetariam 1 bilhão de euros em consumo ao longo do mês do mundial e, nos setores de construção e turismo, outros 3,5 bilhões de euros.

Pelo fato de o país já ter estrutura para receber o evento, em 2007 vem a constatação: 3,5 milhões de turistas e 3,4 bilhões de euros de receita, muito acima do esperado.

Já a África do Sul estimava investimentos de 3 bilhões de dólares para investimentos em estádios e mais 23 bilhões de dólares para infraestrutura geral. Na realidade, foram gastos 6 bilhões de dólares na construção dos campos esportivos. “Além disso, houve problemas graves com o cronograma de entrega das obras, principalmente as de infraestrutura das cidades”, afirmou Beting.

Brasil 2014

Para a próxima Copa, a projeção atual de investimentos é de 9,5 bilhões de dólares. Erich Beting destacou que este valor será maior e poderá chegar a 18 bilhões até 2014 em aportes esportivos e locais, com recursos do Governo Federal: “A estimativa é que 75% desta conta sejam pagas pelos cofres públicos”, prevê. Ele afirma que ainda há muitos gargalos em relação à infraestrutura no Brasil.

Problemas como rodovias esburacadas, aeroportos sucateados e déficit da rede hoteleira devem ser sanados o quanto antes. “O mundial vai além dos estádios, pois serão necessários também 32 centros de treinamento para as seleções, que atendam às exigências da Fifa”, frisa o jornalista.

Beting conclui que os Jogos Militares, os Jogos Mundiais dos Trabalhadores e, principalmente a Copa das Confederações em 2013 servirão de termômetro para o evento do ano seguinte. ”Haverá nos próximos quatro anos um tsunami de acontecimentos no Brasil para a Copa do Mundo e que servirão também aos Jogos Olímpicos”.