Congresso de jovens empreendedores destaca o investimento em Inovação no pós-crise

Agência Indusnet Fiesp

Cerca de 700 jovens compareceram nesta segunda-feira (16), à abertura do V Congresso Paulista de Jovens Empreendedores da Fiesp, na sede da entidade. Este ano, os jovens líderes da federação dedicaram as discussões e debates em torno do tema Inovação, que, segundo o grupo, é ponto essencial para o desenvolvimento empresarial em um cenário pós-crise.

Paulo Skaf, presidente da Fiesp: a poio à formação de jovens líderes e na construção de uma nova identidade empresarial

No entanto, o aporte financeiro destinado à Inovação, Pesquisa e Desenvolvimento no Brasil ainda é muito pequeno. Uma pesquisa da Universidade de Campinas (Unicamp) revela que no Brasil o investimento nestas áreas soma 1,1% do Produto Interno Bruto (PIB) do País, sendo que 0,6% é aplicado pelo governo e apenas 0,5% por empresas.

“Menos de 5% dos jovens empresários não investem em Inovação”, completou o diretor do Comitê de Jovens Empreendedores (CJE) da Fiesp, Sylvio Gomide, na abertura do Congresso, que ainda terá palestras com: o presidente da Google, Alex Dias, do Grupo Spoleto e da Domino´s Pizza, Jeff Kacmarek; o ex-presidente da Tam, David Barioni; o jornalista Marcelo Tas; e o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles.

O CJE foi criado no início da gestão de Paulo Skaf, há cinco anos, com apenas doze empreendedores. Hoje, o grupo já conta com mais de 600 jovens que têm as portas da Fiesp abertas para discussões e tomadas de decisões. “Com o apoio de Skaf, estamos conseguindo construir uma nova identidade empresarial”, afirmou Gomide.


Brasil nos trechos

Henrique Meirelles, presidente do Banco Central: "É preciso discutir manobras do governo para driblar a crise"

Durante os debates iniciais, o presidente do Banco Central (BC), Henrique Meirelles, fez um panorama da atividade econômica do País e disse que os índices econômicos já retomaram fôlego e hoje estão no mesmo patamar do pré-crise.

“O que precisa ser discutido são as manobras do governo para driblar a crise […] Os estímulos fiscais e monetários ajudaram o Brasil a manter a balança de pagamentos equilibrada e as reservas em alta, o que torna o investimento externo mais atrativo”, argumentou Meirelles. Sobre o câmbio, o presidente do BC evitou falar, mas ressaltou a medida de taxar em 2% o capital especulativo.

Na avaliação do presidente da Fiesp, essa medida não freou a valorização do real, mas o cenário poderia estar bem pior. “A confiança no Brasil pode ter seu lado ruim, pois estimula a entrada de dólares no País […] Nem sempre esta entrada é positiva, já que este investimento só chega no Brasil para se aproveitar dos juros altos e da confiança externa. Taxar este tipo de aporte é extremamente válido”, afirmou Paulo Skaf.

Ainda assim, de acordo com ele, o governo precisa adotar ações cambiais mais eficientes. Skaf defende que uma saída seria controlar as importações predatórias e ilegais e aumentar os estímulos aos exportadores com a ampliação do crédito e das linhas de financiamento. “São medidas de estímulo, pois para o câmbio não há uma grande solução”, pontuou.

Sobre as perspectivas para o próximo ano, Skaf prevê um crescimento de 5% a 6% para 2010. “O atual momento somado à Copa do Mundo, Olimpíada e Trem de Alta Velocidade, criará oportunidades que não podemos deixar passar […] Nem precisamos falar muito sobre o Brasil. Eles [investidores externos] fazem isso para nós”, completou o presidente da Fiesp.