Mercado de pescados está mudando, alerta coordenador de Comitê da Pesca da Fiesp

Alice Assunção, Agência Indusnet Fiesp

O mercado de pescados no Brasil está mudando para um patamar mais elevado. Com a penetração de produtos importados, o consumidor brasileiro vem ganhando opções de comprar peixes mais baratos, inclusive, que as espécies brasileiras. Por isso, os produtores do setor devem se preparar aproveitar o momento, alertou nesta sexta-feira (25/4) o coordenador-titular do Comitê da Cadeia Produtiva da Pesca (Compesca) da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Roberto Imai.

“O mercado de peixe está virando coisa de gente grande. Algumas empresas de carne estão trabalhando com marca própria de pescado. O mercado está mudando e temos que estar alerta a isso e saber aproveitar o momento e não ser pego pelo momento”, afirmou Imai aos membros do Compesca, que se reuniram na sede da Fiesp.

Imai: “Mercado está mudando e temos que estar alerta”. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

 

Durante a reunião mensal do comitê, os participantes – a maioria produtores – também discutiram legislação, impacto ao meio ambiente e os desafios para tornar o setor produtivo competitivo, sobretudo, no mercado brasileiro.

“O que eu notei é que graças, talvez, à importação, o consumidor brasileiro tem várias oportunidades de comprar pescados, desde os mais baratos até os mais caros. O bacalhau, por exemplo, não é mais caro que algumas espécies brasileiras”, disse Imai.

Segundo a Secretária de Comércio Exterior, a importação brasileira de pescado subiu 15% no ano passado em comparação com 2012. O volume de 2013 chegou a US$1,3 bilhão.


Semana Santa

Na avaliação de Imai, as vendas de peixe durante a Semana Santa, período típico de maior consumo de peixe, foram movimentadas “mas houve semanas do peixe que foram melhores”.

“Todo ano é a mesma coisa. O pessoal espera a Semana Santa acreditando que vai ser a solução do seus problemas”, afirmou Imai. “Houve, sim, aumento da procura, mas não houve aquele boom”, analisou.

Além de discutir a competitividade da cadeia produtiva da pesca, os membros do Compesca também reviram alguns itens da legislação para produção de pescado.

O criador da Ecoplans Brasil, consultoria em engenharia ambiental, projetos e licenças ambientais, Célio Bertelli, por exemplo, esclareceu o Decreto 58.544, criado em 2012 para orientar o licenciamento ambiental para a aquicultura.