Estiagem é um dos desafios para a Cadeia Produtiva da Pesca

Dulce Moraes, Agência Indusnet Fiesp

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Roberto Imai: análise sobre efeitos da estiagem tem que ser feita num comtexto mais amplo. Foto: Everton Amaro/Fiesp

A forte estiagem que o estado de São Paulo vem sofrendo desde o início do ano tem trazido trágicos reflexos para os produtores de pescados. O alerta é do coordenador do Comitê da Cadeia Produtiva da Pesca (Compesca) da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).

“O nível de água dos reservatórios está realmente crítico. Muitos aquicultores tiveram que tirar os seus tanques da água porque chegou no fundo e já perderam a produção. Tem gente que já abateu o peixe antes do tempo e isso desregulou o mercado”, comentou na décima reunião do comitê, realizada na manhã desta sexta-feira (31/10) na sede da entidade.

A preocupação é muito grande, segundo ele, pois a água tem múltiplos usos, não apenas o abastecimento residencial e comercial, mas também para gerar energia e viabilizar transporte de cargas por hidrovias. “Temos toda essa problemática para analisar num contexto muito maior, que não é só o da pesca e aquicultura, e temos que buscar o bom senso e alternativas”.

Outro integrante do Compesca, Silvio Romero de Carvalho Coelho, comentou que institutos meteorológicos internacionais preveem que a estiagem se estenderá até 2016 e sugeriu que o tema “água” seja o foco das discussões do próximo ano.

Por conta do evento El Niño, o excesso de chuva na região Sul do país já tem afetado alguns segmentos do setor como a produção de camarão.

“A questão do clima também levará ao aumento da importação e, consequentemente, dificultar a competitividade e a até a sobrevivência das empresas nacionais”, alertou Imai.

Resíduos Sólidos 

No encontro, o coordenador relembrou as principais ações e defesas do Comitê nos meses de setembro e outubro, como a participação de diálogos em torno da Política Estadual de Resíduos Sólidos, junto com o Grupo de Alimentação do Departamento de Agronegócios (Deagro) e do Meio Ambiente (DMA) da Fiesp.

O trabalho culminou na entrega de um modelo de formulário ao secretário de Meio Ambiente, Rubens Rizek, com o intuito de ajudar a adequações das informação dentro da realidade das empresas do setor.

Imai também informou que o Comitê está elaborando um documento para solicitar maior agilidade no processo de liberação de importação dos pescados. Ele irá a Brasília para entregar a demanda ao ministro.

O maior rigor adotado pelo ministério, segundo ele, tem ampliado a burocracia e provocado dificuldade ao setor. “O peixe é tão representativo nas importações que o ministério, aqui na Superintendência de São Paulo, avalia todos os tipos de alimentos na parte da manhã e no período da tarde eles trabalham só com peixes”, ilustrou.

A pesca artesanal também foi discutida na reunião, especialmente as diferenças de tratamento e de benefícios entre pescadores artesanais e profissionais. Segundo Imai, há uma série de exigências, como as existentes em Áreas de Proteção Ambiental (APAs), que não são aplicadas para a pesca artesanal – somente para os profissionais. “Eles usam o mesmo recurso, mas não as mesmas regras”, lamentou. O coordenador do Compesca apontou ainda irregularidades como a distribuição de carteirinhas de pescador a pescadores não artesanais.

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Cooperativismo e certificação ambiental são alguns dos temas programados para discussão em 2015. Foto: Everton Amaro/Fiesp

Para 2015

Além do impacto das mudanças climáticas e da pesca artesanal, temas como cooperativismo e certificação ambiental foram sugeridos para os debates no ano de 2015. Também foi consenso a necessidade de um planejamento estratégico do setor, com ênfase aos levantamentos de dados estatísticos sobre a cadeia produtiva.