Prejuízo causado por fraude nos pescados é tema de reunião de comitê da Fiesp

Guilherme Abati, Agência Indusnet Fiesp

A fraude nos pescados, uma questão importante para o setor da pesca, que afeta a credibilidade de seus produtos, gera desconfiança no consumidor e perda da competitividade da cadeia produtiva, foi o tema principal da reunião do Comitê da Cadeia Produtiva da Pesca e da Aquicultura (Compesca) da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp). O encontro foi realizado na manhã  desta sexta-feira (18/07), realizada na sede da federação.

Paulo Humberto de Lima Araújo, representante da Divisão de Inspeção de Pescado e Derivados (Dipes) do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, detalhou os principais casos de fraude que ocorrem no país a convite do comitê da Fiesp.

Segundo ele, há uma série de problemas hoje no comércio de pescados e “muitas vezes o consumidor não sabe o que realmente está comprando”. “Nosso objetivo é que as pessoas parem de ser enganadas”, disse Araújo, resumindo o principal objetivo do Dips.

De acordo com ele, as principais fraudes e encontradas hoje no mercado brasileiro são a fraude por trocas de espécies, fraude econômica de glaciamento e a fraude por adição de tripolifosfatos.

A reunião do Compesca: irregularidades que afetam o mercado. Foto: Beto Moussalli/Fiesp

A reunião do Compesca: irregularidades que afetam o mercado. Foto: Beto Moussalli/Fiesp

 

Na fraude por glaciamento, a empresa adiciona uma camada de gelo ao pescado congelado, que precisa desse resfriamento para proteção contra a desidratação e oxidação pelo frio. A questão é que esse peso precisa ser descontado do produto final, o que nem todas as empresas fazem.

Já o problema com  os tripolifosfatos acontece quando os produtores inserem um componente químico para o peixe ficar com peso maior. Depois de um tempo, esse produto químico vira água.

“A fraude por adição de tripolifosfatos está adquirindo caráter epidêmico no Brasil, e não só no produto nacional. É um tema muito controverso, porque em alguns países isso é permitido”, afirmou.

Outro problema citado por Araújo é o caso de mistura e substituição de espécies no produto que chega ao consumidor, fraude de ocorrência mundial. “Algumas empresas colocam espécies mais baratas no mesmo produto em que há um espécie nobre”. De acordo com o dirigente, isso acontece por motivação econômica e por escassez de determinada espécie.

Para Roberto Imai, coordenador do Compesca, a fraude é um problema, pois afeta a imagem do setor e a competitividade de toda a cadeia produtiva. “É preciso superar esse problema para que o setor brasileiro prospere, algo que ainda não está acontecendo”, disse.

Na próxima reunião plenária do comitê, marcada para 15 de agosto, serão discutidos meios de financiamento para o setor da pesca, com a presença do ministro da Pesca e Aquicultura, Eduardo Lopes.  “É importante entender essa questão, já que existem linhas especificas para atividades inovadoras dentro do setor”, opinou Imai.

Comitê da Pesca da Fiesp discute tributação no setor

Alice Assunção, Agência Indusnet Fiesp

O pescado é uma proteína nobre e essencial para a saúde, mas sofre desigualdade em relação a outras proteínas animais na tributação, afirmou o coordenador-titular do Comitê da Cadeia Produtiva da Pesca e da Aquicultura (Compesca) da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Roberto Imai.

“O governo poderia economizar com saúde se incentivasse  a indústria de pescado, e mesmo assim somos mais tributados”, afirmou Imai.

Imai: investir na pesca é investir em saúde. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

Imai: investir na pesca é investir em saúde. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

Ele acrescentou que o consumo de pescado no país está apoiado nas importações. “Hoje se pesca o peixe no Alasca, manda para a China, lá eles processam e mandam em condições mais competitivas do que as que eu processo aqui”, afirmou. “Que viesse direto do Alasca e eu processo aqui, mas eu não posso competir com a China”, completou.

Presente na reunião do Compesca, o deputado federal João Dado, sugeriu que o comitê pressione o governo no sentido de impulsionar a produção local em vez de aumentar imposto dos importados.

Dado: necessidade de estimular a produção nacional. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

Dado: necessidade de estimular a produção nacional. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

“Reduzir a tributação de importação talvez não seja o melhor caminho, talvez seja melhor fomentar a produção nacional e reduzir a tributação da produção no país”, afirmou Dado.

Embora os pescados tenham sido incluídos dentro da Cesta Básica e, a partir de janeiro de 2013, isentos de PIS e Cofins, Imai afirmou que o benefício não abrange toda a cadeia da produção. “No caso da ração, por exemplo, não conseguimos comprar com isenção de impostos”, disse o coordenador do Compesca.