Comtextil/Fiesp discute oportunidades de inovação em biotecnologia para indústria têxtil

Talita Camargo, Agência Indusnet Fiesp

A última reunião plenária do ano do Comitê da Cadeia Produtiva da Indústria Têxtil, Confecções e Vestuário (Comtextil) da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), realizada nesta terça-feira (04/12), contou com a participação do coordenador-adjunto do Comitê da Cadeia Produtiva da Bioindústria (Combio), Eduardo Giacomazzi.

Convidado a falar sobre Biotecnologia em Produtos Têxteis, o palestrante ilustrou as oportunidades de negócios em biotecnologia para a indústria têxtil no Brasil. Ele destacou que o Brasil é o país com o maior celeiro da biodiversidade mundial, o maior produtor de energia limpa (renovável) do mundo, o maior produtor agrícola em vários setores e líder em diversos segmentos da bioeconomia. No entanto, “parte da indústria não consegue enxergar isso”.

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Eduardo Giacomazzi, coordenador-adjunto do Combio, durante palestra em reunião plenária do Comtextil. Foto: Julia Moraes

Conforme números apresentados por Giacomazzi, 85% das empresas de biotecnologia no país são de pequeno porte. Desse total, 55% concentram-se no Estado de São Paulo e 90% delas na capital paulista. “São Paulo, Campinas e Piracicaba representam quase 98% do mercado de biotecnologia nacional. Por isso, [o Brasil] é o lugar ideal para se fazer biotecnologia hoje no Hemisfério Sul”, afirmou.

Mobilização

Giacomazzi salientou que hoje o país não tem uma mobilização em biotecnologia. E nesse sentido, disse, é “muito importante” a atuação tanto do Comitê da Cadeia Produtiva da Bioindústria quanto da Fiesp.“Em menos de quatro meses, conseguimos reunir membros de diversos setores”, destacou, elencando os temas prioritários do Combio: educação, para que a sociedade entenda o conceito de biotecnologia; internacionalização; biodiversidade e inovação; investimento e políticas públicas; e comunicação e mobilização.

Para o coordenador-adjunto do Combio, porém, “dificilmente” a biotecnologia terá sucesso se não estiver globalizada. “O Brasil está fora do mapa internacional dos grandes centros de biotecnologia, como Estados Unidos, Inglaterra, Alemanha, Paris, Japão, entre outros”, alertou.

Na visão de Giacomazzi, a biotecnologia é mais que uma conjunção de ciências (engenharia, química e biologia): é uma “convergência para o futuro das indústrias em geral”. E as novas tecnologias, a redução de custo e o ganho ambiental “são o caminho das indústrias brasileiras”.

Sobre as aplicações práticas da biotecnologia na indústria têxtil, ele citou alguns exemplos, como os tecidos fluorescentes, ou bioluminescências; e o wine textiles, tecidos produzidos a partir da fermentação de vinhos que são biodegradáveis. Ele ressaltou ainda a importância de observar a inovação e investimento em pesquisas como elemento de competitividade. “Aproximação da indústria aos acadêmicos e aos centros de pesquisa mundiais.”

Giacomazzi enfatizou também o papel do Combio em estabelecer a ponte entre pesquisa e desenvolvimento. “A presença da indústria como um indutor nessa construção é muito importante. Temos um grande potencial de desenvolvimento no Brasil”, concluiu.