Seminário detalha novo processo de importação no Portal Único de Comércio Exterior

Agência Indusnet Fiesp

Para apresentar o funcionamento do novo processo de importação por meio do Portal Único de Comércio Exterior às empresas associadas e demais participantes do setor, o Departamento de Relações Internacionais e Comércio Exterior (Derex) da Fiesp realizou um seminário nesta quarta-feira (1/8) em sua sede, em São Paulo.

O Portal Único de Comércio Exterior é uma iniciativa de desburocratização do governo brasileiro que promete revolucionar o funcionamento dos processos da área de comércio internacional no país, facilitando os trâmites de importação, exportação e trânsito aduaneiro e unificando em uma plataforma todas as exigências necessárias para fazer negócio fora do país.

Com coordenação do Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços (MDIC) e da Receita Federal, o projeto envolve 22 órgãos de governo. Além de uma economia potencial de US$ 23 bilhões ao ano para os operadores, o tempo de exportação deve ser reduzido em 38%, de 13 para 8 dias, assim como o tempo de importação, que deve cair 41%, de 17 para 10 dias. Os principais benefícios do programa incluem a eliminação de apresentação de documentos físicos, eliminação de etapas processuais, integração com a Nota Fiscal Eletrônica (exportação), redução de 60% no preenchimento de informações, automatização da conferência de dados, guichê único entre operadores e governo, fluxos processuais paralelos e possibilidade de apenas um licenciamento para diversas operações.

Durante a abertura do encontro, o diretor titular do Derex, Thomaz Zanotto, lembrou que o evento está perto de ser o trigésimo sobre o assunto promovido pela Federação nos últimos dois anos, sempre com público bastante interessado e qualificado. “Está cada vez mais claro para nós [Fiesp] que a facilitação de comércio em geral é atualmente, sem dúvida, a principal iniciativa de integração do Brasil com o exterior”, afirmou.

Apesar do atual contexto protecionista global, a Fiesp entende a globalização como um processo irreversível. Segundo Zanotto, independentemente das políticas econômicas de cada país, uma nova máquina empurra essa globalização adiante; as novas tecnologias já mudaram 25 cadeias industriais e de serviços, a chamada Agenda do Século 21 da Organização Mundial do Comércio (OMC).

Para ele, o Portal Único representa o melhor investimento feito pelo governo federal, pelas associações e pelo setor privado brasileiro no que tange à integração do país. “Espera-se uma economia de US$ 23 bilhões com o Portal. Qual grande projeto de infraestrutura brasileiro que dá este tipo de retorno? Nenhum”, apontou.

Zanotto disse ainda que a iniciativa é uma demonstração clara de que com o setor público e privado trabalhando juntos, melhorando procedimentos, os ganhos para o Brasil são enormes. “Comércio exterior e política de inserção externa têm de ser uma política de Estado, ela [política] tem que ter continuidade nos governos, independentemente de coligações e partidos”, completou.

Diretor do Departamento de Operações de Comércio Exterior (Decex) e Secretário substituto de Comércio Exterior, Renato Agostinho da Silva reafirmou como caminho correto a parceria entre governo e setor privado. “A facilitação de comércio pode trazer ganhos substanciais que muitas vezes ultrapassam aqueles decorrentes de desgravações tarifárias que são negociadas com os países”, defendeu.

O superintendente adjunto para Assuntos Aduaneiros da 8ª Distrição (SP) da Receita Federal, Marcos Fernando Prado de Siqueira, contou que a criação do Portal era impensável alguns anos atrás e é um avanço muito grande a sua realização. “Agora estamos repensando um modelo de trabalho, de maneira integrada e facilitando o serviço para todos os órgãos, ouvindo a iniciativa privada”, explicou. Siqueira frisou que o controle aduaneiro não significa burocratizar algum tipo de trabalho, mas ter segurança do que acontece no comércio exterior de forma apropriada, com controles exercidos, sem dificuldades.

Na avaliação do vice-presidente do Sindicato dos Despachantes Aduaneiros de São Paulo (Sindasp), Elson Isayama, a discussão acerca da mudança de visão e de processo no caso da importação com o Portal Único vem se mostrando fundamental em termos de ganho de tempo para a indústria. “A ideia é elevar a posição do Brasil para que o país seja efetivamente um agente importante dentro do comércio internacional”, disse.

Com mediação do diretor titular adjunto do Derex, Vladimir Guilhamat, o coordenador-geral do Sistema de Vigilância Agropecuária Internacional (CGVigiagro), do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), Fernando Mendes, falou da integração do ministério a Portal. “Vivemos um momento muito rico de união de esforços para dinamizar o comércio exterior brasileiro”, pontuou. O Vigiagro é o responsável pela fiscalização dos produtos de interesse agropecuário no país, com uma média de 1,5 milhão de inspeções por ano, na área de fluxo de passageiros atende 8 milhões de pessoas por ano, no universo da carga são US$ 35 bilhões em importações submetidos ao controle da agricultura e nas exportações, de forma direta e indireta, US$ 85 bilhões em produtos do agro distribuídos em 600 terminais de recintos alfandegários e operados por 650 servidores.

Já da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), o gerente substituto de Controle Sanitário de Produtos e Empresas em Portos, Aeroportos, Fronteiras e Recintos Alfandegados, Cristiano Gregis, falou sobre as ações e tentativas de integração da agência com o setor privado. “Estamos definindo novas formas de gerenciar e distribuir os processos para facilitar o entendimento das normas e melhorar a experiência do mercado com a Anvisa”, explicou. De acordo com Gregis, mesmo com uma equipe restrita, a agência se esforça para sistematizar informações dos setores e facilitar os serviços prestados a fim de evitar cargas paradas que, muitas vezes, prejudicam as empresas.

Portal promete economia potencial de US$ 23 bilhões ao ano para os operadores. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

Fiesp e MDIC discutem inovações em operações de comércio exterior

Agência Indusnet Fiesp

Processos administrativos aduaneiros e inovações trazidas pelo portal Único de Comércio Exterior foram tema de debate no Seminário de Operações de Comércio Exterior realizado na manhã desta sexta-feira (18 de maio) pelo Departamento de Relações Internacionais e Comércio Exterior (Derex) da Fiesp.

Em sua fala de abertura, o diretor titular do Derex, Thomaz Zanotto, defendeu a importância da facilitação de comércio em todo o mundo. Segundo ele, no Brasil, com o programa do portal Único, a temática tem ganhado atenção no governo e na esfera privada.

Para Zanotto, essa estratégia representa uma das maiores conquistas do Estado brasileiro nos últimos governos. “A criação do Portal Único vai proporcionar uma redução drástica do tempo de exportações e importações”, disse. Na prática, ele explica, “é um projeto que gera mais ganhos do que qualquer outro projeto de infraestrutura implementado. Além disso, a redução de custos em comércio exterior pode alcançar os US$ 23 bilhões”.

Na avaliação do secretário de Comércio Exterior do Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços (MDIC), Abrão Miguel Árabe Neto, o encontro figurou como uma importante oportunidade de aproximação do governo com os principais participantes do setor privado, recebendo assim as ponderações e sugestões de quem atua no dia a dia do comércio. O secretário apontou a temática sobre facilitação de comércio como um dos principais pilares da política do MDIC, a fim de promover avanços em competitividade, produção e exportação no país. “Será uma mudança estruturante. Todo o caminho para exportar e importar está sendo refeito”, afirmou o secretário.
O diretor do Departamento de Operações de Comércio Exterior (Decex) do MDIC, Renato Agostinho, por sua vez, falou sobre o novo tratamento administrativo dos processos de importação e exportação, que com a implementação completa do Portal Único, irão ocorrer de forma mais ágil se comparados com os processos atuais. Já o analista de Comércio Exterior do MDIC, Samuel Meireles Dias e Sousa, detalhou de forma prática como o governo desenvolveu algumas funcionalidades do sistema do Portal Único para alavancar o desenvolvimento do setor, visando evitar burocracias e facilitar as etapas dos processos.

Também participaram do encontro o coordenador-geral de Importação do MDIC, Maurício Genta Maragni, o auditor fiscal da Receita Federal e gerente do Programa Portal Único pela RFB, Frederico Fróes Fontes, e o coordenador-geral substituto de Exportação e Drawback do MDIC, Marcelo Landau.

Clique aqui para ter acesso às apresentações feitas no seminário.

Thomaz Zanotto fala no Seminário de Operações de Comércio Exterior. Foto: Ayrton Vignola/Fiesp

Coeficiente de Exportação e Importação (CEI)

Os Coeficientes de Exportação e de Importação, desenvolvidos pelo Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos (Depecon) e Departamento de Relações Internacionais e Comércio Exterior (Derex), tem como objetivo analisar de forma integrada a produção industrial e o comércio exterior.

O Coeficiente de Exportação (CE) mede a proporção da produção que é exportada, enquanto o Coeficiente de Importação (CI) mede a proporção dos produtos consumidos internamente que é importada. É importante ressaltar que produtos consumidos internamente é conhecido como consumo aparente e resulta da diferença entre produção e exportação e adicionadas as importações.

Apesar da frequência mensal, os Coeficientes de Exportação e de Importação são médias móveis trimestrais (utilizando dados dessazonalizados) para amenizar o efeito da forte volatilidade. Por isso, os dados são comparados com o trimestre precedente.

Para baixar o texto de divulgação mensal acesse o menu ao lado.

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Portal Único e ferramentas de gestão são foco de seminário sobre operações de comércio exterior

Mayara Baggio, Agência Indusnet Fiesp

Para auxiliar a presença de empresas brasileiras no mercado internacional, o Departamento de Relações Internacionais e Comércio Exterior da Fiesp (Derex) realizou nesta quarta-feira (26 de julho), na sede da entidade, um seminário sobre operações de comércio exterior.

Após a balança comercial brasileira ter fechado o primeiro semestre com o maior saldo dos últimos 17 anos, puxado não apenas pelo agronegócio e pelas commodities industriais, mas pela forte recuperação das exportações de manufaturados, o diretor titular do Derex, Thomaz Zanotto, defendeu que a indústria começa a dar os primeiros sinais de sua importância para a retomada do crescimento econômico do Brasil.

Zanotto destacou como positivo o desenvolvimento do Portal Único de Comércio Exterior, projeto do Ministério de Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC) que visa uma plataforma digital integrada para facilitar a dinâmica do setor. “Uma iniciativa que dará mais retorno do que qualquer projeto de infraestrutura já realizado no país, afirmou.

Segundo ele, o Derex tem atuado alinhado aos pilares do MDIC e dado ênfase às questões de facilitação de comércio, de regras, de padrões e convergência regulatória, tidas como prioritárias no comércio internacional.

Do Departamento de Operações de Comércio Exterior (Decex) do MDIC, Renato Agostinho explicou que o governo tem encarado o setor como vetor estratégico para uma retomada da economia local.

Um dos principais esforços, de acordo com Agostinho, está concentrado no Portal Único. “Trata-se de um grande projeto para reduzir o tempo e o custo das operações das empresas no exterior”, completou.

O diretor do Decex afirmou que trabalha para que os empresários vejam o setor externo não apenas como uma oportunidade de negócio em momentos de crise, mas como “uma estratégia permanente de inserção e consolidação do país no mercado internacional em tamanho condizente com a importância da nossa economia”.

O evento também foi mediado pelo diretor titular adjunto do Derex, Vladimir Guilhamat. Participaram ainda o coordenador de Normas Operacionais e Assuntos Econômicos do Decex, Rafael Arruda de Castro, o coordenador-geral de Importações do Decex, Maurício Genta Maragni, o chefe da divisão de Operações de Similaridade e de Material Usado do Decex, Hamilton Clovis Miranda de Souza, e o analista de Comércio Exterior da coordenação-geral de Exportação e Drawback do Decex, José Carlos de Assis Junior.

Zanotto, sobre o Portal Único: “uma iniciativa que dará mais retorno do que qualquer projeto de infraestrutura já realizado no país” Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

Nota Técnica – Section 232: Restrições norte-americanas às importações de aço por razões de segurança nacional

Em abril de 2017, os Estados Unidos iniciaram uma investigação com o objetivo de avaliar o impacto das importações de aço sobre a segurança nacional do país. No âmbito deste procedimento, intitulado Section 232, o Presidente norte-americano poderá determinar a imposição de restrições às importações de produtos siderúrgicos – o que poderá produzir efeitos sobre o comércio com outros países e, eventualmente, despertar questionamentos quanto à legalidade da medida na esfera multilateral de comércio.

Nesse contexto, o Departamento de Relações Internacionais e Comércio Exterior (Derex) da Fiesp elaborou uma Nota Técnica, disponível no menu ao lado, contendo detalhes a respeito da investigação atualmente em curso, bem como dispondo sobre os principais aspectos procedimentais do instrumento e o seu histórico de utilização pelos Estados Unidos.

Na Fiesp, especialistas em comércio exterior defendem integração entre Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai

Graciliano Toni, Agência Indusnet Fiesp

O presidente do Conselho Superior do Agronegócio da Fiesp (Cosag), Jacyr da Costa Filho, disse nesta segunda-feira (3 de abril) que é uma necessidade a união de Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai para fazer frente ao desafio representado pela crescente complexidade das transações internacionais. A declaração foi feita depois que ele ouviu representantes do Grupo de Países Produtores do Sul (GPS) e o presidente do Conselho Superior de Comércio Exterior da Fiesp (Coscex), Rubens Barbosa.

Roberto Rodrigues, ex-ministro da Agricultura e ex-presidente do Cosag, fez análise semelhante. “O Brasil, para realizar seu potencial de ser o grande fornecedor de alimentos do mundo, precisa se integrar a seus vizinhos”, afirmou. A presença de presidentes na região com visão favorável aos negócios se soma às oportunidades criadas por ações do governo Trump (EUA), disse.

O tempo das reformas econômicas no Brasil e na Argentina é convergente, destacou Barbosa, presidente do Coscex. Das propostas defendidas pelo GPS, destacou como de grande importância a criação de uma frente comum para lidar com os grandes importadores líquidos de alimentos. Ela deve ser implantada, afirmou, em preparação para o que acontecerá alguns anos à frente, quando somente Mercosul e EUA serão capazes de ampliar a oferta agrícola.

“Como vamos fazer para maximizar a receita na área agrícola? Temos que começar a pensar em como fazer a comercialização conjunta da produção do agronegócio e como agregar valor”, disse. É uma das três áreas que podem dar contribuição regional importante, ao lado da integração energética e da logística, especialmente por ferrovia.

Mas Barbosa vê problemas. Há uma desintegração, afirmou, sem revitalização do Mercosul, apesar do discurso dos governos. Efetivamente, discute-se hoje o mesmo que 15 anos atrás. Em sua análise, o Mercosul ficou paralisado e se isolou completamente.

Em relação ao Nafta, considera que não haverá mudanças substanciais – apenas coisas cosméticas. Com isso não serão criadas muitas oportunidades de negócios para os países do Mercosul.

O GPS é uma rede de instituições privadas da Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai, que propõe articular as instituições que a compõem de modo a conseguir o posicionamento em temas relacionados ao agronegócio com uma visão estratégica do mundo e da região. Gera informações e análises sobre temas de interesse dos membros, para fomentar o diálogo público-privado em cada país e entre eles. E também difunde informações e ideias em diversos níveis. Representantes do GPS participaram da reunião do Cosag, que teve como tema “Mercosul: Política, Agronegócio e os Desafios da Integração”.

Reunião do Cosag de 3 de abril, em que foi discutida a integração de Argentina, Brasil, Uruguai e Paraguai. Foto: Everton Amaro/Fiesp

 

Horacio Sánchez Caballero, coordenador do GPS, fez a apresentação “Panorama Político e do Agronegócio na Argentina”. Segundo Caballero, o atual governo argentino se dispôs a se abrir ao mundo, retomando relações com organismos internacionais e se relançando regionalmente. Além disso, defende a abertura ao capital estrangeiro.

O agronegócio é visto como motor do desenvolvimento e foi alvo de uma série de medidas para melhorar o ambiente de negócios, com agenda mais agressiva de abertura de mercados.

Há incerteza no panorama político e econômico mundial, exigindo flexibilidade e atenção, disse. O governo toma medidas de curto prazo para amortecer choques, e no longo prazo quer mudança estrutural econômico-social, e especificamente no agronegócio se espera consolidar o crescimento, agregar valor.

Segundo Juan Ángel de La Fuente, do Comitê Gestor do GPS, o Uruguai, com seu pequeno mercado consumidor interno, precisa se integrar. O país quer mais Mercosul, mas um melhor Mercosul, com a eliminação de entraves ao comércio regional. Em relação às negociações do tratado de livre-comércio entre Mercosul e União Europeia, o Uruguai considera fundamental o tema da agricultura. Com a China, a negociação, sempre dentro do Mercosul, tende a ser mais complexa.

“Desafios da Integração Regional e Terceiros Mercados” foi a apresentação a cargo de Martin Piñeiro, membro do GPS. Há, disse, convergência nas políticas agroindustriais entre os quatro países do GPS, mas todos passam por problemas políticos, e o setor privado deve levar-lhes propostas com uma visão regional. A região deve crescer mais que o resto do mundo na produção de alimentos, ressaltou.

Exportar é imprescindível para a região, que precisa abrir mercados num contexto internacional de crescente complexidade, afirmou Piñeiro. É importante tentar evitar que a OMC se enfraqueça. E é preciso reforçar a capacidade de negociação e a colaboração regional. Novos mercados podem se abrir, destacou.

É preciso, disse, criar uma frente comum em relação aos grandes importadores líquidos (UE, Japão, Oriente Médio e outros).

O segredo é a integração produtiva, como mostra o exemplo da Europa, disse, o que exige a facilitação do comércio de bens intermediários. Também é preciso trabalhar pela integração tecnológica, mais uma vez seguindo o exemplo europeu, para permitir os grandes investimentos necessários no setor.

Alexandre Pontes, secretário substituto de Relações Internacionais do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), fez apresentação intitulada “Desafios da integração: Regional e Terceiros Mercados”.

Defendeu a troca de informações para integração da produção regional, a integração tecnológica, o avanço na propriedade intelectual. Também a promoção em investimentos. Há, lembrou, projetos de infraestrutura de integração regional.

O embaixador do Brasil nos EUA, Sérgio Amaral, participou da reunião do Cosag. O mundo passa por grandes transformações, quase revoluções, disse, e muitas vezes não nos damos conta da profundidade dessas mudanças e de seu efeito sobre nós. A globalização, disse, é contestada, assim como a democracia liberal e a ordem internacional criada após a Segunda Guerra Mundial. Cria-se um grau elevado de incerteza. O governo Trump passa por algo parecido. Aspecto positivo para nós é o forte apoio ao setor privado, disse Amaral. O Brasil não é alvo nem é questionado em suas políticas. Não tem superávit comercial com os EUA. Também não rouba empregos norte-americanos; pelo contrário, brasileiros investem e criam vagas nos EUA.

Nosso grande desafio é pôr em movimento as oportunidades que surgem, afirmou, e o setor privado tem papel fundamental nisso. É preciso ter mais ambição e ajudar a construir as relações entre os dois países e a criar soluções. Empresários brasileiros deveriam conversar com os norte-americanos para tentar o entendimento. Os governos de ambos os países tenderiam a apoiar essas iniciativas. Defesa, energia, saúde estão entre os setores com potencial. E a região também pode se beneficiar.

Coeficiente de importação da indústria cai no 4º tri; consumo recua 1,5%

Mayara Baggio, Agência Indusnet Fiesp

O Coeficiente de Importação da Indústria de Transformação (CI) paulista recuou 0,3 ponto percentual, de 20,6% para 20,3%, no 4º trimestre do ano passado, na comparação com os três meses imediatamente anteriores. Mesmo com a queda, ficou acima do valor registrado no mesmo período de 2015 (19%). Calculado pelo Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos (Depecon) e pelo Departamento de Relações Internacionais e Comércio Exterior (Derex) da Fiesp e do Ciesp, o CI acompanha a quantidade (quantum) de produtos estrangeiros consumidos no Estado.

Segundo o levantamento, a leve queda é explicada pela diminuição de 2,7% das importações no período, além de uma retração no consumo aparente de 1,5%.

Entre 20 setores analisados de outubro a dezembro de 2016, 14 registraram avanços do CI, com destaque para os segmentos de máquinas, aparelhos e materiais elétricos (3,5 pontos percentuais), indústrias diversas (3,2 pontos percentuais) e produtos farmoquímicos e farmacêuticos (3 pontos percentuais).

De acordo com Thomaz Zanotto, diretor titular do Derex, o número de setores cujo coeficiente de importação aumentou é uma consequência da valorização cambial. “Em 2016, a taxa de câmbio se valorizou mais de 20%. Trata-se de um subsídio ao ingresso de produtos importados no mercado doméstico. Infelizmente, é um filme que se repete e prejudica a competitividade do manufaturado nacional.”

Na contramão, outros cinco segmentos tiveram quedas. São eles: derivados de petróleo (-5,2 pontos percentuais), máquinas e equipamentos (-3,7 pontos percentuais), bebidas (-0,5 ponto percentual), produtos químicos (-0,4 ponto percentual) e produtos alimentícios (-0,4 ponto percentual). O setor de madeira se manteve estável.

No caso do CI dos derivados de petróleo, biocombustíveis e coque, a retração de 5,2 pontos percentuais corresponde a 24,7% do total importado por São Paulo. De acordo com o estudo, a contração trimestral do CI foi puxada pelo recuo de 24,4% nas importações e uma contração aparente de 8,2%. No entanto, ante os 12 meses anteriores, houve alta de 3,1 pontos percentuais, para 21,6%.

Já na análise do coeficiente de importação sobre o setor de máquinas e equipamentos houve baixa de 1 ponto percentual, para 30,7%, no quarto trimestre ante os mesmos meses do ano anterior. Na comparação trimestral, a queda foi de 3,7 pontos percentuais, puxada pelo recuo da quantidade (quantum) de importações (-14,7%) e do consumo aparente (-4,2%).
Exportações ficam estáveis

No mesmo ritmo, o Coeficiente de Exportação da Indústria de Transformação (CE) teve ligeira queda de 0,2 ponto percentual, para 19,8%, no quarto trimestre de 2016 contra o trimestre anterior. Para o Depecon e o Derex, a baixa pode ser explicada pela retração de 2,1% das exportações (quantum), enquanto a produção industrial teve retração de 1,3% na análise sobre o trimestre anterior. Ante os mesmos meses de 2015, os dados ficaram estáveis.

Neste cenário, os dez setores com avanços mais expressivos de outubro a novembro de 2016 foram máquinas e aparelhos elétricos (2,6 pontos percentuais), produtos farmoquímicos e farmacêuticos (2 pontos percentuais) e veículos automotores (0,8 ponto percentual). O CE de móveis, bebidas e produtos diversos permaneceu estável, enquanto as quedas mais fortes foram dos produtos alimentícios (-1,8 ponto percentual), equipamentos de informática (-1 ponto percentual) e máquinas e equipamentos (-0,9 ponto percentual).

“A redução no coeficiente de exportações também reflete a valorização cambial. Os produtores têm que reduzir as margens das vendas à medida em que o real se aprecia ante o dólar, até um momento que a exportação se torna inviável”, afirma Zanotto.

Os produtos têxteis registraram baixa para 21,8% no quarto trimestre do ano passado, um recuo de 2,4 pontos percentuais na comparação com o mesmo trimestre um ano antes. Contra o trimestre imediatamente anterior, a queda foi de 1,8 ponto percentual. Na avaliação dos responsáveis pelo levantamento, a baixa trimestral reflete a queda de 9,4% das exportações (quantum) e o recuo de 1,9% da produção.

Finalmente, o CE de máquinas e equipamentos recuou 0,5 ponto percentual para 21,3% contra um ano antes, sob pressão do volume de exportações (-4,3%), já que a produção se manteve estável. No trimestre anterior, o nível havia sido de 22,2%.

Coscex discute perspectivas para as negociações externas em 2017

Mayara Baggio, Agência Indusnet Fiesp

A questão da competitividade da economia e da indústria brasileira deve estar na pauta de comércio internacional do país este ano, defendeu nesta terça-feira (21/2) o embaixador Rubens Barbosa, presidente do Conselho Superior de Comércio Exterior da Fiesp (Coscex).

“Esta agenda [de regras para o comércio exterior] é pesada, como tudo no Brasil, mas deve ser repensada. Estamos isolados do mundo há 15 anos, fazendo uma política de avestruz”, criticou Barbosa durante o primeiro encontro do Coscex do ano.

Segundo ele, os assuntos relacionados às negociações externas do país sofreram um peso ideológico muito grande durante os governos da ex-presidente Dilma Rousseff.

Na avaliação de Welber Barral, da Barral M. Jorge Consultores Associados, expositor convidado pelo Coscex para a reunião, a administração da petista se perdeu nas questões externas, que ganharam recentemente um novo fôlego com a entrada de José Serra no Ministério das Relações Exteriores.

Desafios tecnológicos

Para o diretor titular do Departamento de Relações Internacionais e Comércio Exterior da Fiesp (Derex), Thomaz Zanotto, o mundo está passando por uma fase de troca de paradigmas muito rápida, e as instituições terão de lidar com isso para garantir competitividade.

“As novas tecnologias serão os principais desafios do emprego no futuro, com interrupções estruturais nas cadeias industriais. Precisamos nos preparar para essa realidade”, completou.

Reunião do Conselho Superior de Comércio Exterior da Fiesp em 21 de fevereiro. Foto: Everton Amaro/Fiesp

Governo lança na Fiesp ambiente de validação do Novo Processo de Exportações

Graciliano Toni, Agência Indusnet Fiesp

O ambiente de validação do Novo Processo de Exportações do Portal Único de Comércio Exterior foi lançado oficialmente nesta terça-feira (20/12) na Fiesp. O sistema está disponível para o setor privado, permitindo às empresas testar as soluções de tecnologia da informação desenvolvidas para amparar o Novo Processo de Exportações. Com isso, elas podem preparar os sistemas corporativos para se comunicar com a nova interface, explicou Renato Agostinho, secretário substituto de Comércio Exterior do Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços (MDIC). Há redução de 60% no total de dados a digitar, explicou. Até o final do primeiro trimestre de 2017 deverá ser lançado, para o modal aéreo, o piloto do Novo Processo de Exportações.

No evento, o diretor titular do Departamento de Relações Internacionais e Comércio Exterior da Fiesp (Derex), Thomaz Zanotto, explicou que a entidade há alguns anos coloca como prioridade absoluta o projeto do Portal Único de Comércio Exterior. Reduzindo à metade o tempo de saída dos portos, economiza, de forma muito conservadora, US$ 15 bilhões por ano, disse. “Não há projeto de infraestrutura que dê esse retorno.” Zanotto destacou a importância dada pelo tema ao presidente da Fiesp e do Ciesp, Paulo Skaf.

Os países têm investido muito em infraestrutura de internet, de tecnologia da informação, explicou. É um tipo de infraestrutura que facilita e nivela o país, integrando o Brasil ao mundo, afirmou Zanotto.  Sempre lutamos, disse, pelo projeto do Portal Único, para que não perca o vapor, não perca os recursos necessários. Destacando que o comércio exterior volta à centralidade na política econômica brasileira, Zanotto lembrou que cada vez mais o comércio exterior é a facilitação do comércio.

>> Ouça boletim sobre o Portal Único

José Guilherme Vasconcelos, superintendente regional da Receita Federal em São Paulo, explicou que a instituição trabalha pela facilitação do comércio exterior, que é do interesse do Estado, mas não perde o foco no controle alfandegário, para combater práticas ilícitas, que prejudicam as empresas nacionais.

São Paulo faz fronteira com o mundo, lembrou, com a maior alfândega portuária da América do Sul, em Santos. O Estado, disse, concentra 60% das trocas brasileiras.

John Mein, coordenador executivo da Procomex, destacou a ampliação do escopo do evento de apresentação do projeto, indo além do caráter técnico.

Redesenho

Renato Agostinho, secretário substituto da Secretaria de Comércio Exterior do MDIC, destacou a receptividade da Fiesp às iniciativas do governo para facilitação de comércio exterior, que tem no Portal Único sua iniciativa mais expressiva. Explicou que ele não é somente um novo sistema, e sim um redesenho de processos, num trabalho feito em estreita cooperação com o setor privado.

É muito mais, afirmou, do que informatizar a burocracia existente. Reduz tempo e custos no comércio exterior, dando mais competitividade aos operadores. Hoje, numa operação de comércio exterior, o CNPJ de uma empresa pode ser exigido 18 vezes, exemplo que Agostinho escolheu para ilustrar a burocracia atual.

Com o portal único há atuação coordenada dos órgãos ligados ao comércio exterior, com uma interface única com o governo. Sua implantação começou em 2014. Espera-se redução de 40% dos tempos médios de importação e exportação quando estiver concluído. Isso, explicou Agostinho, colocará o Brasil em igualdade com os principais atores do comércio internacional. Ele citou ganhos para a economia brasileira graças a isso, com o PIB crescendo 1,52% no primeiro ano de sua implementação, segundo estudo da FGV. E chegaria a 2,52% em 14 anos.

O Novo Processo de Exportação permite redução de 60% no total de dados a digitar, explicou. Até o final do primeiro trimestre de 2017 deverá ser lançado, para o modo aéreo, o piloto do Novo Processo de Exportação. E também o Novo Processo de Importação começará em 2017.

As operações deixam de ser sequenciais e podem ser feitas paralelamente, permitindo ganho de agilidade. A Declaração Única de Exportação (DU-E) substitui RE, DE e DSE. Há integração com a Nota Fiscal Eletrônica, e as inspeções físicas ganham celeridade e coordenação, frisou Agostinho.

Vladimir Guilhamat, diretor titular adjunto do Derex, ressaltou a importância de permitir a empresas de menor porte o acesso às novas ferramentas de comércio exterior. Guilhamat destacou que a Fiesp também trabalha no piloto do Certificado Único de Origem Digital.

Sandra Magnavita, gerente do projeto de exportação do Portal Único na Receita Federal, destacou a importância da participação do setor privado na validação do novo ambiente.

Abertura do evento na Fiesp em que foi lançado o ambiente de validação do Novo Processo de Exportação. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

Integração entre Itamaraty e Apex é tema de reunião do Coscex

Agência Indusnet Fiesp

O Conselho Superior de Relações Internacionais e Comércio Exterior da Fiesp (Coscex) recebeu o Ministério de Relações Exteriores (MRE), na manhã desta quarta-feira (16/11), na sede da entidade, para discutir a promoção comercial brasileira.

Santiago Mourão, embaixador e subsecretário-geral de cooperação internacional, promoção comercial e temas culturais do MRE, esteve presente na reunião e falou sobre a integração com a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil) para reforçar a credibilidade do Brasil como parceiro de negócios, alavancando a competitividade do país. “Estamos com um avanço significativo, compartilhando com a Apex nossa base de dados, fazendo uma integração física nos escritórios deles e com os setores comerciais do Itamaraty. A ideia é juntar as duas partes alinhando as prioridades governamentais. É isso que ganhamos com essa nova percepção”, ressaltou.

Mourão falou também em estreitar o diálogo com o empresariado e afirmou que a Fiesp tem um papel central, que permite monitorar qual caminho o Itamaraty deve seguir. “Temos muito o que fazer e estamos abertos e dispostos.” Segundo o embaixador, o ministério vai procurar focar em dois caminhos. “Primeiro é o mercado; queremos aprofundar nosso intercâmbio com economias desenvolvidas, ampliar o foco em relação à Ásia (Índia, China). Dedicar uma atenção e tentar reestruturar o relacionamento com a África. E o segundo foco é com relação ao engajamento. Fazer negociação de acordos comerciais, olhando especialmente para o transatlântico. Esses são os negócios de interesse que precisamos tentar escorar”, disse.

Cooperação Internacional

Durante o encontro, Mourão falou sobre ter uma presença de cooperação mais proativa. “A ideia é que possamos ser catalisadores de um melhor conhecimento do Brasil e ofertas brasileiras. É necessário definir áreas de mercado e regiões para as quais o Brasil possa aportar cooperação e que estejam associadas com a nossa produção. Além disso, precisamos discutir qual modelo de cooperação que nos permita isso para poder seguir adiante.”

A reunião foi mediada pelo embaixador Rubens Barbosa, presidente do Coscex. Participaram também Paula Aguiar Barboza, chefe da divisão comercial com a Europa e América do Norte do MRE e conselheira do Coscex; Thomaz Zanotto, diretor titular do Departamento de Relações Internacionais e Comércio Exterior da Fiesp (Derex) e a embaixadora Debora Vainer Baren hoim-Salej, representante do MRE.

Reunião do Coscex com a participação do embaixador Santiago Mourão. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

Seminário: Ferramentas On-line para Acesso das Pequenas e Médias Indústrias ao Comércio Exterior

 

 

 

Seminário Ferramentas On-line para Acesso das Pequenas e Médias Indústrias ao Comércio Exterior  realizado no dia 25/08/2016 no Edifício Sede da Fiesp foi promovido por intermédio dos departamentos: DEMPI – Departamento da Micro, Pequena e Média Indústria e DEREX – Departamento de Relações Internacionais e Comércio Exterior.

Moderadores:

  • Marco Antonio dos Reis, diretor adjunto do DEMPI
  • Vladimir Guilhamat, diretor do DEREX


Palestras:

1)  Certificado de Origem Online – FIESP – DEREX
Palestrante: Vladimir Guilhamat

2) Soluções Digitais para o Comércio Internacional – SEBRAE-SP
Palestrante: Maurício Golfette de Paula

3) Exportar para driblar a crise – PAYPAL
Palestrante: Renato Lage

4) Relatórios Internacionais Serasa Experian: Informação de Credibilidade para Comércio Exterior – SERASA EXPERIAN
Palestrantes: Douglas Varizo e Rogério Rodrigues

5) Soluções de Comércio Exterior do Banco do Brasil – BANCO DO BRASIL
Palestrante: Cristiano C. Costa

6) Soluções Adwords para novos anunciantes – GOOGLE
Palestrante: Tatiana Sayuri

 

Para visualizar/baixar as apresentações disponibilizadas pelos palestrantes, acesse o menu ao lado

Na Fiesp, Turquia anuncia vinda de missão empresarial a São Paulo em novembro

Graciliano Toni, Agência Indusnet Fiesp

Em reunião do Conselho Superior de Comércio Exterior da Fiesp (Coscex) em 23 de agosto, representantes da Turquia anunciaram a vinda de uma missão comercial do país a São Paulo em novembro. Será a 49ª missão empresarial entre os dois países e terá a Fiesp como base.

Segundo Elias Miguel Haddad, vice-presidente da Fiesp, o comércio bilateral entre Brasil e Turquia está em crescimento (de US$ 600 milhões em 2006 para US$ 3 bilhões), e a meta é que atinja US$ 5 bilhões daqui a cinco anos.

Entre as razões para a cooperação, Mithat Cansız, copresidente do Conselho Empresarial Brasil-Turquia, membro do DEiK (conselho de relações internacionais da Turquia) e presidente e CEO da Turkish Petroleum International Company, citou na reunião do Coscex semelhanças culturais, complementariedade de suas economias, a não existência de conflitos entre ambos e o fato de os dois fazerem parte do G20. Um desafio destacado por ele é a inexistência de um acordo de livre-comércio.

O embaixador Rubens Barbosa, presidente do Coscex, lembrou que há muito a explorar nas oportunidades entre Turquia e Brasil. Ele conduziu a reunião, que teve também exposição feita por Rodrigo de Azeredo Santos, chefe do Departamento de Promoção Comercial e Investimentos do Ministério das Relações Exteriores, sobre “A Promoção Comercial no Novo Cenário Econômico Brasileiro”.

Também participaram da reunião Hüseyin Diriöz, embaixador da Turquia no Brasil, Ömer Tosun, vice-presidente do Conselho Empresarial Brasil-Turquia, membro do DEiK e Presidente da Indigo Group of Companies, e Özgün Arman, cônsul geral da Turquia em São Paulo.

Reunião do Conselho Superior de Comércio Exterior da Fiesp em que foi anunciada missão da Turquia. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

Fiesp e Ciesp apresentam ferramentas para ajudar pequenas e médias nas exportações

Graciliano Toni, Agência Indusnet Fiesp

O seminário Ferramentas Online para Acesso das Pequenas e Médias Indústrias ao Comércio Exterior, realizado nesta quinta-feira (25/8) na Fiesp, reuniu centenas de empresários para lhes mostrar formas de iniciar ou melhorar a internacionalização dos negócios.

Vladimir Guilhamat, diretor titular adjunto do Departamento de Relações Internacionais e Comércio Exterior da Fiesp e diretor titular de comércio exterior do Ciesp, explicou as ações de ambas entidades no auxílio à exportação, destacando a promoção comercial, que inclui feiras, missões comerciais e rodadas de negócios. As 41 diretorias regionais e distritais do Ciesp no Estado distribuem o Certificado de Origem, necessário para todas as exportações, especialmente de manufaturados. As regionais, frisou, também são local de networking, pondo os empreendedores em contato com empresas com mais experiência em exportação.

Guilhamat explicou os dois tipos de certificados de origem, o primeiro deles para países com os quais haja acordos comerciais. Concede tratamento preferencial nas exportações. O Certificado Comum, também emitido pela Fiesp e pelo Ciesp, é um comprovante de procedência da mercadoria exportada.

Líder na emissão de Certificado de Origem no Brasil, a Fiesp é uma das poucas entidades a ter sistema próprio de emissão do documento, que considera as especificidades do Estado de São Paulo. Há também treinamento gratuito para o uso do Certificado de Origem. Guilhamat destacou a simplicidade de uso do site.

Falou também sobre o pioneirismo na adoção da tecnologia QR-Ccode, para identificação. Permite ganho de 40% no tempo de emissão do certificado de origem e possibilita a validação online. Destacou a importância do QR-code para o projeto de certificado de origem digital (COD).

Desenvolvido pelos países da Associação Latino-Americana de Integração (Aladi), o COD elimina completamente o papel. Projeto piloto com a Argentina está programado para começar em setembro. A Fiesp e o Ciesp participam do processo com algumas empresas. Até final de novembro a exportação para a Argentina deverá passar a usar o sistema digital, disse Guilhamat. As empresas (que precisam ter certificado digital A3) ou operadores logísticos com procuração podem usar o sistema.

Guilhamat explicou a Jornada São Paulo Exporta (SPEx), que já teve sete edições, destinada a disseminar a cultura exportadora para micro, pequenas e médias indústrias. Também há as Rodadas de Negócios entre indústrias e comerciais exportadoras, para facilitar a venda fora do Brasil.

Uma novidade é o balcão de atendimento sobre exportação que será instalado no aeroporto de Viracopos, voltado a empresas do Simples. Guilhamat destacou que a receita de exportação não é contada no limite do Simples.

Maurício Golfette de Paula, consultor de comércio exterior do Sebrae, explicou as ferramentas eletrônicas da entidade para apoio ao comércio exterior. Destacou a importância para a indústria de conhecer bem seus próprios processos para ser competitiva no mercado externo.

São quatro os produtos eletrônicos do Sebrae voltados ao comércio exterior, incluindo um aplicativo simulador de custo de importação, que permite calcular impostos e chegar ao valor limite de câmbio que permite lucro.

Outro produto são os cursos à distância (EAD) sobre importação e exportação. Exemplificou com o módulo Iniciando na Exportação, gratuito, com duração de três horas. O Diagnóstico de Internacionalização permite ao empresário analisar seu negócio – e sua própria capacidade de se voltar ao mercado externo. Gera um relatório para orientar ações para o planejamento da internacionalização de negócios (www.internacionalizacao.sebrae.com.br). A análise abrange produto, produção, logística, custos e competitividade, planejamento empresarial, promoção e comunicação.

Por último, há o Observatório Internacional Sebrae tem diversas informações sobre o tema. O consultor do Sebrae destacou que tudo nasce a partir do autoconhecimento.

Renato Lage, do sistema de pagamentos PayPal, destacou as novas formas de vender produtos, como loja virtuais, e de pagar, como celulares. Explicou o funcionamento do PayPal, destacando a segurança de seu uso. Nas transações online do PayPal pode ser usado o débito em conta corrente, cartões de crédito e o saldo na própria conta PayPal. As vendas podem ser feitas em 100 moedas, e o saldo pode incluir 26 moedas – por exemplo, vendas feitas no Brasil ficam em reais, mas as exportações geram saldo em dólares. As soluções são o e-commerce, com a opção de PayPal no encerramento da compra; o aplicativo e o celular; pagamentos por e-mail. Parceria com a Fiesp há desconto nas taxas (de 4,99% mais R$ 0,60, para 4% mais R$ 0,60 por transação). Nos pagamentos internacionais, a taxa cai para 3% mais R$ 0,60, contra 5,99% mais R$ 0,60).

Marco Antonio dos Reis, Diretor Titular Adjunto do Departamento da Micro, Pequena e Média Indústria da Fiesp (Dempi) fez a abertura e conduziu o seminário, que teve ainda palestra sobre produtos Serasa-Experian (relatórios internacionais). Rogério Rodrigues, economista e especialista de segmentos da empresa, disse que já se percebe o início de uma guinada no Brasil. Apresentou dados sobre as exportações do país. Houve ainda palestras do Banco do Brasil e do Google, sempre voltadas ao auxílio aos empresários que desejam a internacionalização.

Mesa de abertura do seminário Ferramentas Online para Acesso das Pequenas e Médias Indústrias ao Comércio Exterior. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

Balança comercial paulista tem superávit de US$ 823,3 milhões no primeiro semestre de 2016

Agência Indusnet Fiesp/Ciesp

O saldo da Balança Comercial do Estado de São Paulo foi superavitário em US$ 823,3 milhões no acumulado do 1º semestre de 2016, de acordo com a pesquisa Ranking de Exportações da Federação e do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp e Ciesp), que também mede aparticipação das 39 regiões do Estado no total da balança comercial paulista.

As exportações do Estado de São Paulo somaram US$ 25,7 bilhões, registrando crescimento de 2,9% em relação ao mesmo período de 2015, enquanto as importações acumularam US$ 24,8 bilhões, uma queda de 26,8% em relação ao acumulado de janeiro a junho de 2015.

Para efeito de comparação, o saldo da Balança Comercial do Brasil no 1º semestre de 2016 foi superavitário em US$ 23,7 bilhões, ante um superávit de US$ 2,2 bilhões no mesmo período em 2015. As exportações brasileiras atingiram US$ 90,3 bilhões no acumulado de janeiro a junho 2016, uma queda de 4,3% em relação ao mesmo período de 2015. Já as importações acumularam US$ 66,6 bilhões, uma queda de 27,7% em relação ao acumulado de janeiro a junho de 2015.

Análise do 1º semestre de 2016 por diretoria regional do Ciesp

As diretorias distritais de São Paulo obtiveram a 1ª colocação do Estado no volume de exportações, atingindo US$ 4,3 bilhões no acumulado de janeiro a junho de 2016. Esse valor representou um crescimento de 26,9% em relação aos US$ 3,4 bilhões exportados no mesmo período de 2015. Os pesos principais ficaram por conta das exportações de semente e grãos (22,8% da pauta) e de açúcar (22,7%). Já as importações das diretorias distritais de São Paulo totalizaram US$ 4,4 bilhões, 27,3% menor que no 1º semestre de 2015. A região também ficou em 1ª colocação no volume importado pelo Estado. Os aparelhos e instrumentos mecânicos aparecem como destaque, respondendo por 12,1% da pauta importada, seguido por máquinas, aparelhos e materiais elétricos (11,9%). Com estes resultados, o saldo da balança comercial da diretoria regional (DR) de São Paulo foi o 9º maior déficit entre as diretorias. A balança comercial registrou no período um saldo negativo de US$ 124,9 milhões.

Em segundo lugar no ranking de exportações ficou a DR de São José dos Campos, que alcançou US$ 2,92 bilhões no acumulado de janeiro a junho de 2016, 1,1% superior ao acumulado no mesmo período de 2015, US$ 2,89 bilhões. O principal responsável foram as aeronaves, com 60,9% da pauta exportadora da região. Esta mesma diretoria obteve o 3º lugar em volume de importações, com um total de US$ 2,2 bilhões, uma queda de 35,4% em relação ao importado no acumulado do 1º semestre de 2015. O setor de combustíveis foi responsável pela maioria dos desembarques do período (29,9% da pauta importadora). Assim, o saldo da balança comercial da DR de São José dos Campos foi o 2º mais positivo dentre as diretorias, com superávit de US$ 708,2 milhões, ante déficit de US$ 538,2 milhões no acumulado de janeiro a junho de 2015.

A diretoria regional de Santos obteve o 3º lugar no ranking de exportações, com um volume de US$ 2,0 bilhões no 1º semestre de 2016, 9,0% a mais do que foi exportado no mesmo período do ano anterior, US$ 1,8 bilhão. O destaque foram as exportações de sementes e grãos (38,6% da pauta). Quanto às importações, a DR de Santos totalizou US$ 360,4 milhões no 1º semestre de 2016, uma queda de 16,8% em relação aos US$ 433,1 milhões importados no mesmo período de 2015. O destaque foi a importação de combustíveis (49,6% da pauta). Essa diretoria teve o destaque em superávit da balança comercial de janeiro a junho de 2016, com US$ 1,6 bilhão de saldo positivo, 17,2% a mais que o superávit do mesmo período do ano passado.

A DR de Campinas ficou em 2º lugar no ranking de importações com US$ 3,7 bilhões no 1º semestre de 2016, uma queda de 23,3% em relação ao mesmo período de 2015. Os destaques das importações ficaram por conta de máquinas, aparelhos e materiais elétricos (32,0% da pauta) e de produtos químicos orgânicos (15,8%). Essa diretoria também teve o maior déficit comercial entre as regionais, com US$ 2,3 bilhões no 1º semestre de 2016.

O Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC) divulgou o saldo comercial por município do Estado de São Paulo referente ao 1º semestre de 2016. O Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos (Depecon) e o Departamento de Relações Internacionais e Comércio Exterior (Derex) da Fiesp e do Ciesp fizeram uso dessa informação para elaborar uma análise do comércio exterior de cada uma das 39 Diretorias Regionais (DR) do Ciesp.

Clique aqui para ver a pesquisa completa. 

Portal Único pode gerar economia de US$ 15 bilhões a US$ 25 bilhões por ano

Katya Manira, Agência Indusnet Fiesp

A Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) sediou nesta terça-feira (26/07) a 42ª edição do Seminário de Operações de Comércio Exterior. Realizado em parceria com o Departamento de Operações de Comércio Exterior (Decex) do Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços (MDIC), o evento vem, desde 2010, disseminando informações sobre controles administrativos nas operações de comércio exterior, drawback, procedimentos e licenciamento de importação.

Na abertura da edição deste ano, o diretor do departamento de Relações Internacionais e Comércio Exterior da Fiesp (Derex), Thomaz Zanotto, destacou a importância do Comércio Exterior para a retomada da economia brasileira.

“Essa foi, provavelmente, a pior recessão dos últimos 80 anos e agora temos sinais de recuperação positiva e não superficial”, disse. “Nesse contexto, o comércio exterior surge como um dos pilares de sustentação dessa nova casa. A exportação [e importação] cria um ciclo virtuoso: o aumento dela gera a retomada de emprego, que gera um incremento na produtividade, que gera o aumento positivo de tributação. Positivo porque decorre do aumento da produção da riqueza e não do aumento de tributos em cima de uma riqueza decrescente, o que só gera mais recessão. ”

Zanotto também elogiou o Plano Nacional de Exportação (PNE) e o projeto do Portal Único – ferramenta que reúne em um único local todas as informações e processos de comércio exterior – ao afirmar que ele “conseguiu passar por todas as turbulências que o governo passou nos últimos tempos”, como a troca de ministros e equipes.

“O PNE é, talvez, uma das mais importantes iniciativas feitas no país, pois, ao se reduzir significativamente o tempo em que as mercadorias ficam nos portos, calculo que se pode gerar um ganho de, aproximadamente, US$ 15 bilhões anuais. Eu pergunto: qual projeto de infraestrutura dá um retorno como este?”

Renato Agostinho, diretor do Decex, ratificou a declaração do diretor, afirmando que “as partes que já estão funcionando no portal mostram que economia que podemos ter é de US$ 25 bilhões”, com ganhos sobre a desburocratização de processos, simplificação e redução de custos de processos. “Estamos eliminando o papel físico para as operações, assim temos agilidade e facilidade. ”

Segundo Agostinho, o MDIC tem “atacado” em dois pontos estratégicos do PNE: a facilitação de comércio, por meio do Portal Único, e o apoio às exportações via regime de atuação do drawback.

“Queremos exportar nossos produtos, e não nossos tributos”, defendeu. “O drawback serve para isso, [mas] muitas empresas não conhecem ou têm concepções equivocadas.  Algumas crenças são criadas no mercado e estamos aqui para mostrar a realidade, que o instrumento é bom e simples de ser utilizado. ”

Já o Portal Único, ele diz, é mais que um sistema, é “um redesenho dos processos de exportação e importação, que implica mudanças de ordem procedimental, sistêmica e normativa”.

“A facilitação de comércio alcançada com o portal é significante. Temos metas alçadas de redução de prazos médios de exportação e importação, por exemplo, em 40%, o que nos coloca no patamar de grandes players do comércio exterior mundial”, afirma Agostinho.

“Acredito que não teremos, nos próximos 20 anos, um momento como este, favorável e positivo para desenvolver uma redefinição de processos”, profetiza. “Temos que aproveitar essa oportunidade. ”

Agostinho ainda apresentou aos presentes todos os processos já em funcionamento no Portal Único. A apresentação pode ser conferida na íntegra aqui.

Outras informações podem ser acessadas no site do governo, www.portalsiscomex.gov.br.

42ª edição do Seminário de Operações de Comércio Exterior, na Fiesp. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

Serra e Skaf criam canal direto de comunicação entre Itamaraty e Fiesp

Graciliano Toni, Agência Indusnet Fiesp

O ministro das Relações Exteriores, José Serra, participou nesta segunda-feira (20/6) de reunião na sede da Fiesp. Fez a proposta – aceita pelo presidente da Fiesp e do Ciesp, Paulo Skaf – de criar um canal direto de comunicação entre o Itamaraty e a Fiesp, por meio do Conselho Superior de Comércio Exterior da entidade (Coscex).

Presidido pelo embaixador José Rubens Barbosa, o Coscex será o elo de ligação entre a Fiesp e o Ministério das Relações Exteriores (MRE) para encaminhar com agilidade problemas e propostas para sua solução, explicou Skaf em entrevista coletiva após a reunião.

Serra e Skaf também assinaram memorando de parceria entre MRE e Fiesp para cooperação na promoção comercial e negociação de acordos, buscando maximizar os recursos que possam ser usados para fortalecer a economia brasileira.

Skaf ressaltou a apresentação feita por Serra da nova estrutura do Itamaraty, com a mudança na Camex (Câmara de Comércio Exterior). “A Camex estava sem poder de decisão”, afirmou Skaf. Agora será presidida por Michel Temer, com José Serra na vice-presidência. A Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos  (Apex) – “acertadamente”, lembrou Skaf – foi para o MRE.

Skaf destacou também a importância dada por Serra ao ataque ao custo Brasil. Serra disse que quer introduzir a dimensão da competitividade e do custo de produção no país nas discussões de comércio exterior. “Infraestrutura e tributação são questões críticas”, disse o ministro. Em relação ao custo Brasil, Serra disse que aprendeu a dimensioná-lo na Fiesp e afirmou que, na média ponderada entre os parceiros comerciais, o custo Brasil representa um sobrepreço de 25%. “Ou nos centramos nisso ou o Brasil não tem jeito”, afirmou, dizendo que acordos liberam o comércio, mas isso não adianta se não houver competividade no preço.

O embaixador Rubens Barbosa Fiesp também destacou o posicionamento de Serra em relação ao custo Brasil e à competitividade. Ao incorporar esse aspecto no Itamaraty, disse, recoloca o órgão em papel central na discussão de políticas macroeconômicas. Há anos, lembrou, a Fiesp acentua a necessidade de coordenar MDIC e Itamaraty na promoção das exportações.

Skaf afirmou que “da porta para dentro, as empresas brasileiras são bem competitivas”, explicando que há um problema conjuntural, representado pelo câmbio, que estava sobrevalorizado, e que há outras questões, como infraestrutura, juros, crédito, impostos e outros, que compõem o custo Brasil. “Ter na Camex uma visão que discuta a competitividade brasileira é certíssima”, afirmou.

Serra defendeu concessões, para a infraestrutura, com a participação do BNDES, e atenção à tributação. Também afirmou que o Reintegra (Regime especial de reintegração de valores tributários para empresas exportadoras) precisa ser rediscutido. Lembrou que é procedimento aceito pela OMC, que “limpa de impostos os produtos”. “Temos que rever” o Reintegra na Camex, junto com o empresariado, disse. Não deve ser compensação cambial, mas mecanismo de longo prazo, afirmou.

Serra disse também que o governo e o Itamaraty deveriam ter área dedicada à China, principal parceiro comercial do Brasil– e que, como lembrou Skaf, enfrenta polêmica em relação a seu reconhecimento como economia de mercado, mas é destino de exportações que precisa ser considerado. “Os chineses sempre sabem o que querem quando sentam numa mesa de negociação”, afirmou Serra. “O Brasil não”, completou. “Vamos depender muito dos empresários nesse cuidado especial com a China.”

>> Ouça reportagem sobre reunião de Serra com Skaf

O presidente da Fiesp e do Ciesp destacou a importância do tema da reunião e disse que Serra, no atual cargo, pode ajudar muito as empresas e a economia brasileira. “Nos ministérios pelos quais passou, deixou marcas. E boas marcas.”

Skaf explicou que a reunião integrou diversos conselhos superiores da Fiesp. Na mesa principal estavam, além de Serra e Skaf, Benjamin Steinbruch (1º vice-presidente da Fiesp), Josué Gomes da Silva (3º vice-presidente da entidade), Rubens Barbosa (Coscex), Delfim Netto (presidente do Conselho Superior de Economia da Fiesp), Alencar Burti (presidente da Associação Comercial de São Paulo), Sydney Sanches (presidente do Conselho Superior de Assuntos Jurídicos e Legislativos da Fiesp), Carlos Eduardo Moreira Ferreira (presidente emérito da Fiesp e do Ciesp), Marcos da Costa (presidente da OAB-SP) e Albano Franco, presidente emérito da CNI.

“Vim fazer a pregação de uma aliança, que tem que se estreitar na prática”, afirmou Serra, que enxerga uma desindustrialização prematura no Brasil, não seguindo o padrão de economias ainda em desenvolvimento. Nelas a indústria puxa o crescimento. “Vamos trabalhar juntos. De verdade”, afirmou Serra no encerramento.

Acordos comerciais

Na reunião, Thomaz Zanotto, diretor titular do Departamento de Relações Internacionais e Comércio Exterior da Fiesp, fez análise do Tratado Trans-Pacífico (TPP). Ele ressaltou a abrangência do acordo, e disse que a conclusão de estudo feito pela Fiesp é que as perdas de não participar do acordo, tanto para o Brasil quanto para a Argentina, são maiores que as perdas por participar – ressalvando que participar significa negociar duramente. O TPP, disse, precisa ser analisado.

Reunião na Fiesp com a participação de José Serra, ministro das Relações Exteriores. Foto: Everton Amaro/Fiesp

Fiesp e Ciesp são referência latino-americana em emissão de Certificado de Origem

Amanda Viana, Agência Indusnet Fiesp/Ciesp

A Federação e o Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp e Ciesp) já utilizam a tecnologia proposta pela Associação Latino-Americana de Integração (Aladi) para a emissão de Certificado de Origem entre os países da América Latina. O Certificado de Origem é um dos principais documentos no processo de exportação, beneficiando o exportador brasileiro com a redução ou isenção do imposto de importação nos países com os quais o Brasil possui acordos de comércio. O sistema oferecido pela Fiesp possibilita a emissão pelo país exportador e a recepção pela aduana do país importador de certificados de origem em formato eletrônico assinados digitalmente. As entidades estão preparadas e apenas aguardam a aprovação do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC) para iniciar as transmissões eletrônicas do Certificado de Origem.

Mais tecnologia e rapidez

As entidades da indústria paulista têm avançado no desenvolvimento do sistema de certificação digital. Desde o começo deste ano, têm emitido Certificados de Origem identificados por QR-Code, que permitem menos burocracia e redução de custo.  Essa tecnologia pioneira em Certificação de Origem gerou ganhos de produtividade e eficiência em todo o Estado de São Paulo. Registrou-se, desde a implantação do projeto, uma redução de 40% no tempo investido pelas empresas para a emissão de seus Certificados de Origem. No Brasil, são 57 entidades habilitadas pelo Governo brasileiro a emitir certificados de origem. A Fiesp e o Ciesp contam com 42 postos de atendimento de emissão de certificado de origem em todo o estado de São Paulo e capital.

Por meio da tecnologia QR-Code, autoridades aduaneiras dos países com os quais o Brasil possui acordos de comércio podem consultar a autenticidade do Certificado de Origem emitido pela Fiesp instantaneamente. A consulta pode ser feita por meio do site da entidade (www.certificadoecool.com.br/qrcode) e/ou dispositivos leitores de QR-Code disponíveis gratuitamente no mercado. A veracidade dos Certificados emitidos pode ser consultada em quatro idiomas: português, espanhol, inglês e francês.

Essa ação possibilita que as empresas emissoras de Certificados de Origem com a Fiesp e o Ciesp – e que eventualmente sejam interceptadas por autoridades aduaneiras para a confirmação da autenticidade do documento – possam obter a liberação imediata da exportação, já que a consulta sobre a veracidade dos Certificados pode ser realizada on-line, a qualquer momento, de qualquer aparelho conectado à internet.

Missões empresariais da Fiesp ajudam a prospectar mercados internacionais

Katya Manira, Agência Indusnet Fiesp

Aproveitar a alta do dólar para tornar seu produto mais competitivo em mercados estrangeiros é a estratégia de muitas empresas brasileiras para contornar a crise e conseguir diminuir os impactos da queda de vendas no mercado interno. Porém, a falta de expertise e conhecimento dos processos de exportações e de contatos com empresas internacionais acaba, muitas vezes, inibindo empresários com pouca experiência nessa área.

As missões empresariais promovidas pela Fiesp auxiliam empresas a alcançar o mercado internacional, fornecendo-lhes informações sobre acesso e exigências técnicas e regulatórias, preferências dos consumidores locais, prospecção in loco e oportunidades para inserção de produtos brasileiros. Entre os dias 2 e 7 de maio, por exemplo, a entidade levou 40 empresários de 29 empresas para a China, onde participaram da maior feira de alimentos do país, a Sial.

Durante palestras realizadas antes da feira, os empresários brasileiros puderam conhecer melhor as características do mercado consumidor chinês. Quais as exigências para poder exportar produtos ao país, hábitos de consumo e dicas sobre como se aproximar e fechar negócios com empresas locais.

Presente na feira, o diretor administrativo e financeiro da Ofner, Mário Martins da Costa Jr, conta que a missão foi muito importante para poder conhecer de perto as tendências atuais, fazer a aproximação com possíveis fornecedores e futuros clientes, além de tirar dúvidas sobre acesso ao mercado.

“Já fazíamos a outra ponta do processo, que é a importação de embalagens chinesas. Agora viemos com objetivo de estender nossa linha de produtos e procurar espaço no mercado externo, internacionalizar a empresa”, conta. “A missão foi maravilhosa para a empresa. Saímos com muitos contatos e agora é chegar no Brasil, filtrar as oportunidades e dar sequência a cada um.”

Costa Jr diz ainda que pretende voltar ao país, para fazer “algo mais exclusivo” como, “visitas pontuais, principalmente na linha de chocolates, para a qual houve bastante procura”.

De acordo com a gerente do Departamento de Relações Internacionais e Comércio Exterior da Fiesp (Derex), Magaly Menezes, ao preparar cada nova missão, o departamento leva sempre em conta o monitoramento das demandas setoriais. “Durante nossos encontros com os sindicatos e outros departamentos da casa, apontamos quais setores demandam suporte para estruturação de ações no exterior”, explica. “O contrário também funciona, quando identificamos eventos e feiras internacionais que possam ser de interesse e levamos ao conhecimento do setor. O mais importante é manter escolhas que reflitam demandas empresariais.”

Baseado nesses argumentos, o departamento organizou, para 2016, quatro missões prospectivas, uma missão empresarial e uma missão de defesa de interesses. São elas:

– Missão Prospectiva à Feira Bauma, Alemanha. De 10 a 15 abril, para o setor da construção;

– Missão Prospectiva à Feira Sial, China. De 2 a 7 de maio, para o setor de alimentos e bebidas;

– Missão Prospectiva à Feira Summer Fancy Food, Estados Unidos. De 25 a 29 de junho, para o setor de alimentos e bebidas;

– Missão Prospectiva à Feira FIHAV, Cuba. De 31 de outubro a 4 de novembro, multissetorial;

– Missão de Defesa de Interesses da seção brasileira no Conselho Empresarial Brasil – Estados Unidos (Cebeu) e encontro “Brazil on the Hill”, Estados Unidos. De 10 a 18 de setembro;

– Missão Empresarial à Argentina, multissetorial (sem data confirmada).

Sobre as diferenças entre cada missão, Menezes explica que a “prospectiva” permite ao empresário sem muita experiência em exportações “conhecer e prospectar in loco tendências de mercado, preferências dos consumidores, oportunidades para inserção de produtos brasileiros e formas de acesso ao mercado, além da intensificação do relacionamento com possíveis clientes”. Já as missões “comerciais” possuem foco na geração de negócios para a empresa brasileira, permitindo a participação em rodadas de negócios. E, por fim, as missões “institucionais” têm como objetivo fomentar as relações bilaterais comerciais com o país-alvo e contam, prioritariamente, com a participação da presidência e diretores da Fiesp.

Delegação da missão empresarial à feira Sial, na China. Foto: Divulgação/Fiesp

 

Balanço

Desde 1999, a Fiesp já realizou 125 missões em mais de 32 países. A partir de setembro de 2004, as ações foram intensificadas em 100%, resultando em uma média de, aproximadamente, 9 missões ao ano. Mais de 3.000 empresários já participaram das missões da entidade, conseguindo prospectar novos clientes e fornecedores e ampliar seus conhecimentos em exportação e mercados internacionais.

O Derex divulga, regularmente, informações e convites para as missões. As empresas interessadas em participar podem acompanhar as novidades pelo site da Fiesp ou encaminhar suas dúvidas para o e-mail promocaocomercial@fiesp.com.br .

Outras missões

Além do Derex, outros departamentos da Fiesp também promovem missões específicas para os setores que representam. Um exemplo é a missão à Batimat, promovida pelo Departamento da Construção Civil (Deconcic) desde 2009.

Em 2015, a missão à feira da França conduziu ao país 30 empresários interessados em aprimorar seus conhecimentos sobre novas tecnologias para o setor. Em Paris, eles participaram de visitas técnicas, cursos na Universidade de Sorbonne, rodadas de negócios e encontros empresariais com órgãos públicos.

O empresário e consultor da área de construção Eduardo Francisco Nogueira participou por duas vezes da feira, em 2013 e 2015, e conta que se inscreveu pois “precisava ver alguns aspectos novos no que diz respeito a materiais e equipamentos”.

“Vi várias novidades no setor que talvez sozinho eu não conseguiria aproveitar tanto, já que a Fiesp proporcionou visitas técnicas e seminários. A agenda foi ótima, o evento, um sucesso, e trouxe tanto conhecimento que fiz até algumas explanações no meu trabalho”, relembra o empresário que, atualmente, presta serviço na linha 5 do metrô de São Paulo.

Comércio exterior é oportunidade e alternativa às oscilações do mercado interno para pequenas empresas

Isabela Barros, Agência Indusnet Fiesp

As oportunidades de comércio exterior para as micro e pequenas empresas foram debatidas no primeiro painel da tarde desta segunda-feira (23/5) no 11º Congresso da Micro e Pequena Indústria (MPI), da Federação e do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp e Ciesp), no Hotel Renaissance, em São Paulo. Isso para destacar o que as vendas para o exterior podem significar para os empreendedores brasileiros.

De acordo com o diretor titular do Departamento de Relações Internacionais e Comércio Exterior (Derex) e vice-presidente do Conselho Superior de Comércio Exterior (Coscex) da Fiesp, Thomaz Zanotto, é consenso que, para vencer a crise, é preciso investir principalmente em duas áreas: infraestrutura e comércio exterior. “O primeiro passo é oferecer acesso ao mercado externo e não acumular impostos na cadeia de exportação”, disse. “Ninguém exporta imposto”.

Zanotto destacou o desafio de vender para o exterior com a “economia mundial andando de lado, esvaziada”. “Temos que aumentar as exportações em um ambiente hostil, lotado de produtos”, afirmou.  “Vivemos mais que uma guerra comercial”.

Para ajudar quem quer carimbar o passaporte com as melhores oportunidades nos próximos anos, ele lembrou que o Derex e o Coscex trabalham “assessorando os sindicatos e as empresas individuais no que se refere ao comércio exterior”.

Especialista em exportações e mestre em Administração de Empresas pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, Francisca Grostein destacou que a internacionalização começa com a formação do capital humano e o fechamento de parcerias estratégicas.

A partir daí, é preciso prestar atenção em variáveis como os regimes aduaneiros especiais, ou seja, se é possível adiar o recolhimento de impostos ao vender para esse ou aquele país. “Depois de um primeiro estudo de mercado, o empresário precisa se perguntar se o seu produto atende às exigências desse mercado”, explicou. “E isso não só do ponto de vista dos hábitos de consumo, mas também de normas técnicas”.

O próximo passo é refletir sobre como conseguir potenciais compradores. E avaliar se o preço oferecido é competitivo para o mercado externo ou não. “Muitas empresas param nas primeiras barreiras desse caminho”, disse.

Nesse ponto, Francisca indicou o site Aprendendo a Exportar  como uma referência de informação para quem quiser dar esses passos iniciais. “No portal há simuladores de preços para vender no exterior, por exemplo.”

Por que você não?

Terceiro convidado do MPI no debate, o professor da Fundação Getulio Vargas em São Paulo e da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo Fabio Gallo Garcia, ressaltou que as exportações podem ser lucrativas para empresas de quaisquer tamanhos. “A pergunta que eu faço é: por que você não?”, questionou. “Exportar é uma questão de mentalidade, não de tamanho.”

Assim, a chamada mentalidade global é a habilidade de ajuste rápido às mudanças. “Mais do que estar preparados para as mudanças, precisamos ser as mudanças.”

De acordo com Garcia, exportar exige informação e qualidade por parte das empresas, mas ajuda a reduzir riscos. “As empresas ficam menos sujeitas às oscilações do mercado interno, podem fazer o escoamento de sua capacidade ociosa”, disse.

Um saco de farinha de milho

Nessa linha de oportunidades, Renata Dunck, consultora empresarial em comércio exterior da Dunck Gestão de Negócios, destacou em sua palestra no MPI que “o comércio exterior tem regras para que negociações sejam feitas sem nenhum problema”. E que os empreendedores nacionais não devem ter medo de vencer essa etapa.

“Não dá para pensar que vai ser como aqui no Brasil, que quem o procura no exterior está só especulando”, disse. “Não precisa ter medo”.

Para tanto, é preciso observar atentamente a demanda, entender o que é pedido. E ter no cuidado com a divulgação um “princípio básico”, com portfólios bem elaborados e escritos em inglês e espanhol, por exemplo. “Conseguimos um potencial comprador estrangeiro para um cliente nosso que produz farinha de milho”, conta Renata. “Pedimos a esse cliente o seu material de divulgação para mandar para o exterior e recebemos um saquinho de farinha de milho onde estava escrito apenas ‘farinha de milho’”, contou.

Em outro caso semelhante, um fabricante nacional de doces do tipo torrones perdeu a oportunidade de vender seus produtos numa rede de supermercados dona de 70% do mercado africano. “Eles também entregaram apenas uma embalagem dos doces”, disse. “Perderam a oportunidade de negociar por uma simples questão de apresentação”.

Na direção oposta, outro cliente de Renata, um fabricante de ventiladores de teto personalizados, fez um material de divulgação impecável e fechou sete contratos em dois meses no exterior. “Eles incluíram nesse material a voltagem necessária para usar o produto no Brasil e no exterior, fotos dos ventiladores em todos os ambientes, a informação de como surgiu a ideia de produzir os ventiladores”, contou.

Além da divulgação, o tempo de resposta na hora de negociar com os estrangeiros também é um diferencial. Nesse aspecto, Renata citou o exemplo de uma fabricante nacional de calçados que perdeu a chance de vender seus produtos numa rede de varejo com 43 lojas no Oriente Médio. “Eram sapatos de ótima qualidade, mas os donos da empresa duvidaram do tamanho da encomenda e levaram quatro meses para apresentar os preços”, disse. “Resultado: os interessados na compra qualificaram uma empresa no Peru e outra na China para a produção dos calçados”, contou. “É preciso lembrar que o mercado internacional não é especulativo, tem que ter timing”.

O sonho de exportar

Fechando o debate sobre as oportunidades lá fora, Gisele Gomes, diretora comercial da Manola Importadora e Comércio LTDA, falou sobre a sua experiência bem sucedida nesse campo. A Manola é uma marca de roupas femininas comercializada na internet, em diferentes sites parceiros da empresa, criada há três anos.

“Sempre tive sonho de exportar”, disse Gisele. “Sempre pensei em onde eu quero estar e o que preciso fazer para chegar lá.”

Com esse foco, a empreendedora entrou no site da Fiesp, viu a programação de eventos na área de comércio exterior e veio até a federação para uma consultoria. “Fiquei mais de três horas conversando com o consultor e me organizei para ir à minha primeira rodada de negócios com a Fiesp em Milão, na Itália”, lembrou. “A Fiesp organiza tudo e faz uma agenda muito bem direcionada para perfil dos empresários.”

Assim, numa rodada de negócios nessa mesma missão, Gisele levou um portfólio com os seus produtos e foi à luta. “A roupa brasileira é muito bem vista lá fora e, nesse primeiro contato, já marquei uma conversa por Skype para conhecer um interessado nas nossas peças, o qual veio para o Brasil nos conhecer dois meses depois.”

O resultado? “Montei uma coleção para a Europa e voltei para Milão meses depois para assinar contrato de distribuição”, disse. “Nunca pensei que na minha primeira missão já fosse fechar um contrato”.

Entusiasta do comércio exterior, Gisele recomenda as vendas internacionais a todos os empreendedores. “Quem tem um sonho de exportar tem que ir atrás sim. A Fiesp está aqui, para dar todo o suporte. Até no idioma eu tive ajuda”, lembrou. Ela prossegue com sua filosofia de negócios: “errar, superar, aprender e recomeçar”. “É preciso estar preparado para o erro, mas se recuperar rápido.”

Os coordenadores do debate sobre as oportunidades no exterior no MPI foram os diretores do Departamento da Micro, Pequena e Média Indústria (Dempi) da Fiesp Eduardo Chede e Vicente Manzione.

Thomas Zanotto fala no painel sobre comércio exterior do 11º Congresso MPI. Foto: Everton Amaro/Fiesp