Alan García alerta que política tarifária brasileira limita economia do país

Edgar Marcel, Agência Indusnet Fiesp

Em visita à Fiesp nesta sexta-feira (25/05), o ex-presidente do Peru, Alan García, afirmou que a atual política tarifária nacional está limitando a economia brasileira. Ele participou do Seminário Comércio e Investimentos Brasil – Peru, realizado na sede da entidade.

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Alan Garcia, ex-presidente do Peru, em seminário na Fiesp

O ex-presidente defendeu a adoção, pelo Brasil, de uma política de redução tarifária e dos entraves e barreiras não tarifárias estabelecidas pelo país ao comércio exterior. Segundo García, as medidas proveriam uma integração mais ampla com os países sul-americanos. “Esta abertura é que vai gerar emprego e desenvolvimento”, declarou a uma plateia composta por empresários e industriais.

Na opinião do ex-chefe de Estado peruano, o Brasil possui integração comercial mais consistente com a China que com seu país. “As nações latino-americanas têm o Brasil como um ‘irmão mais velho’ e, se acelerado, seu crescimento também as beneficiaria”, ilustrou.

Para que isso aconteça, García apontou que é necessária maior celeridade na integração comercial. Em seu entendimento, o cenário mundial demanda uma equalização das tarifas, para que os países que praticam impostos elevados não se isolem.

Alan García afirmou ainda que a balança comercial apresenta déficit em manufaturas, apesar do superávit no comércio entre os dois países. “Este panorama não será superado se não houver redução das tarifas”, alertou.

Ele ressaltou ainda que o Peru se esforçou na abertura de sua economia para receber investimentos estrangeiros. “Reduzimos a tarifa média de 13% para 4%, firmamos tratados de livre-comércio e houve queda no índice de pobreza”, informou o ex-presidente do Peru.

Investimentos

Luiz Cesar Gasser, chefe da divisão de Negociações de Serviços (DNS) do Ministério das Relações Exteriores do Brasil (MRE), apresentou dados de aportes, bem como os acordos de investimentos com a perspectiva brasileira e o pacto para evitar a bitributação entre os dois países.

Gasser mostrou que o país andino disputa com o Uruguai a posição de segundo maior destino de investimentos brasileiros na América do Sul. Dados do Banco Central trazidos por ele informam que o estoque de investimentos estrangeiro do Brasil no Peru cresceu 286% entre 2007 e 2010, alcançando US$ 2,25 bilhões.

“Hoje, o estoque de investimento brasileiro no Peru está em US$ 5 bilhões, e ele se concentra nos setores de infraestrutura e em recursos naturais”, destacou. Gasser realçou que, de acordo com a agência peruana de promoção de investimento privado, “o estoque de investimento direto estrangeiro no Peru, em 2011, foi de US$ 22 bilhões; daí temos uma noção da participação brasileira no montante total de investimentos estrangeiros naquele país”.

O chefe do MRE revelou ainda que, segundo a agência peruana, o Brasil passou de oitavo para sétimo maior investidor no país, com 5,52% do total em 2011. As principais empresas brasileiras no Peru respondem pela geração de aproximadamente 17 mil empregos diretos.

Alan Garcia, ex-presidente do Peru, fala na Fiesp sobre comércio e investimentos

Katya Manira, Agência Indusnet Fiesp 

Bitributação, acordos de promoção e proteção de investimentos. Estes são os temas do seminário “Comércio e Investimentos Brasil-Peru”, que acontece nesta sexta-feira (25/05), na sede da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), com a presença do ex-presidente do Peru, Alan Garcia.

Esta é sexta vez que Alan Garcia visita a Fiesp. Em 2008, a entidade, em parceria com o governo peruano, realizou a “Expo Peru”, evento que reuniu cerca de mil empresários e contou com a participação do então presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva.

Em 2011, o Brasil recebeu cerca de US$ 141 milhões em investimentos diretos provenientes do Peru. Já os investimentos brasileiros em território peruano somaram US$ 60 milhões. Durante o seminário desta sexta-feira, serão apresentados cases de empresas brasileiras que tiveram sucesso em negociações com aquele país.

Confira aqui a programação.