Preço ‘artificial’ da gasolina é entrave para crescimento do setor de etanol

Juan Saavedra, Agência Indusnet Fiesp

A produção brasileira do etanol vive um momento crítico de desaceleração, afirmou Antonio de Padua Rodrigues, presidente da União da Indústria de Cana-de-açúcar (Unica) no painel “Setor Sucroalcooleiro e a Regulação do Etanol”, realizado nesta terça-feira (07/08), durante o 13º Encontro Internacional de Energia da Fiesp.

E o principal motivo, segundo ele, é a política de preços do governo para a gasolina e o óleo diesel. Com a desoneração da Contribuição de Intervenção do Domínio Econômico (Cide) – adotada pelo governo para evitar que o aumento dos preços pela Petrobras chegue aos consumidores –, caiu a demanda pelo etanol.

Antonio de Pádua Rodrigues, presidente da Unica

“O mercado pede competitividade e uma política de preço de gasolina parametrizado no mercado internacional, que é o risco conhecido dos investidores”, disse Rodrigues, pedindo definição clara da participação do etanol na matriz de combustíveis brasileira e políticas de longo prazo para a retomada dos investimentos no setor.

De acordo com dados da Unica, 41 unidades produtoras encerraram suas operações no país desde o início de 2008 – 14 somente no ano de 2012 (entre janeiro e junho). Para sobreviver, a indústria de bens de capitais do setor tem recorrido à diversificação de negócios, à cogeração de energia e à compra de usinas de açúcar.

Rodrigues sugeriu melhorias na regulação, especialmente na definição prévia do nível de mistura de etanol anidro à gasolina. “Que em setembro de cada ano se defina claramente qual é o nível de mistura em cada safra. Não dá para mudar a regra do jogo no meio do caminho. Uma safra que começa com 25 [% de nível de mistura] deve terminar com 25 [%]; uma safra que começa com 20 [% de nível de mistura] deve terminar com 20 [%], não trazendo incerteza para o mercado.”

Especialistas

Luiz Augusto Horta, professor da Unifei

O professor Luiz Augusto Horta, da Universidade Federal de Itajubá (Unifei), reiterou o quadro. Segundo ele, a perda da competitividade do etanol é determinada pela intervenção governamental na formação dos preços da gasolina. “Não há como defender isso”, declarou Horta.

O professor da Unifei alertou que a retomada da produção não se dá de imediato e que existe um prazo para a implantação de canaviais.

Depois de elogiar a “regulação de qualidade” da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), Horta propôs um conjunto de medidas para desenvolver o setor: a revisão do marco tributário; uma possível lei para os biocombustíveis (“há uma cadeia produtiva que tem que ser levada em conta”); e a criação de mecanismos de previsibilidade (“para reduzir as incertezas”).

“O etanol é competitivo e sustentável”, finalizou, reforçando a importância de transparência nas regras.

Plínio Nastari, da Datagro

Plinio Nastari, da consultoria Datagro, reforçou o coro, afirmando que o Brasil está indo na contramão ao privilegiar o uso de combustíveis fósseis. “Infelizmente, o Brasil está retrocedendo e o grande elemento é a política de preços – a gasolina, em particular”.

De acordo com o consultor, a economia histórica do país com a adoção do etanol, e o corte de combustíveis importados, chegou a US$ 266,2 bilhões, o que configura, segundo ele, como fator que deveria ser reconhecido para a formação da reserva de divisas anunciadas pelo governo – de US$ 373 bilhões.

Entre as propostas de melhorias, Nastari sugeriu o fim da tributação sobre operações no mercado futuro de etanol e a criação de mecanismos que induzam compradores e vendedores de firmar contratos com preço definido com base no mercado futuro. “Isso deve diminuir a sazonalidade entre safra e entressafra”, comentou. “Falta pouco para arrumar a casa. A ANP está indo na direção certa”, finalizou o presidente da consultoria Datagro.

ANP

Tatiana Petricorena, da ANP

O painel teve a participação de Tatiana Petricorena, representando a diretora-geral da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), Magda Chambriard, que não pôde comparecer por preparar-se para sabatina no Senado Federal.

De acordo com Tatiana Petricorena, a ANP trabalha com diversos cenários para 2020. E os que apresentam curva mais significativa de crescimento do setor são as que vislumbram um crescimento do nível de mistura, começando em 20% no ano de 2012 e chegando a 50% em 2020. Os estudos consideram o crescimento de veículos flex, o que, segundo ela, permitem uma ampliação sustentável do mercado.

O debate teve a coordenação de Geraldo Coutinho, da Firjan.

Para diretor do Deinfra/Fiesp, redução no imposto no combustível deve ser ampliada para energia elétrica

Alice Assunção Agência Indusnet Fiesp

Para evitar que o ajuste de preços feito em junho de 2012 fosse repassado ao consumidor, o governo zerou a alíquota da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (Cide) sobre os combustíveis. Na avaliação do diretor-titular do Departamento de Infraestrutura (Deinfra) da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Carlos Cavalcanti, a medida foi eficiente e o mesmo precisa acontecer com a energia elétrica.

Carlos Cavalcanti, diretor-titular do Deinfra da Fiesp

“O governo fez o certo, reduziu o imposto, é isso que eles têm de fazer com a energia elétrica”, afirmou Cavalcanti, que participará do 13º Encontro Internacional de Energia, que acontece nos dias 6 e 7 de agosto, em São Paulo.

A pauta do encontro anual organizado pelo Deinfra da Fiesp prevê um painel para discutir o futuro do petróleo e do gás. “Vamos discutir muito profundamente as fontes de biocombustíveis e alternativas, mas tem de falar de petróleo”, explicou o diretor-titular.

Visão da Fiesp

A alíquota do Cide também foi zerada para querosene de aviação e etanol. Para Cavalcanti, o governo tem de ser mais radical. “Se o governo permitir o aumento do combustível, vai provocar inflação. E o que acontece para o mercado financeiro? Os juros vão parar lá em cima. Nós não podemos entrar nessa lógica perversa. E a Fiesp, como defesa da sociedade, diz que o governo acertou. Nos Estados Unidos, os impostos no combustível são baixíssimos. Por isso que o preço da gasolina deles é metade do preço da gasolina brasileira”, concluiu.

Serviço
13º Encontro Internacional de Energia da Fiesp
Data/horário: 6 e 7 de agosto de 2012, das 8h30 às 18h
Local: Centro de Convenções do Hotel Unique
Endereço: Av. Brigadeiro Luis Antonio, 4700, Jardim Paulista, capital

Em reunião na Fiesp, Unica ataca impostos cobrados sobre o etanol

Agência Indusnet Fiesp  

O presidente da União da Agroindústria Canavieira do Estado de São Paulo (Unica), Marcos Jank, criticou na manhã desta segunda-feira (6) a quase paridade entre os impostos que incidem sobre o etanol hidratado e a gasolina na bomba. A análise foi feita durante a 45ª reunião do Conselho Superior do Agronegócio (Cosag) da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).

Marcos Jank, presidente da Unica, durante reunião do Cosag da Fiesp

Para Jank, essa elevada carga tributária faz com que o consumidor acabe optando pela gasolina na hora de abastecer o carro, o que torna o etanol cada vez menos competitivo, apesar de eliminar 90% das emissões em relação ao combustível derivado de petróleo.

“Estamos passando por um momento de dificuldade, consequência da redução dos investimentos em novos canaviais, desde a crise de 2008. Nossos canaviais estão produzindo 70 toneladas por hectare, bem abaixo das 86 toneladas de média histórica as quais estamos acostumados. Enquanto isso, o governo vem reduzindo a Cide [Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico] sobre a gasolina para segurar o preço do produto na bomba. Isso é um absurdo. Sem maior transparência de preços sobre os derivados de petróleo, fica difícil concorrer”, analisou.


Estudo
 Jank trouxe estudos da Unica demonstrando que apenas em São Paulo existe diferença tributária razoável entre gasolina e etanol para o consumidor. No restante do Brasil, essa diferença é mínima. “Se considerarmos a menor eficiência energética do etanol, de 30% em relação à gasolina, é possível verificarmos impostos maiores sobre o etanol que sobre a gasolina, por quilômetro rodado, em grande parte do país.”

Marcos Jank lembrou a importância do setor para a economia brasileira e falou das perspectivas de investimentos para os próximos anos. “Iniciamos este ano muito mais animados do que no ano passado, especialmente em função da abertura do mercado norte-americano, que deixou de sobretaxar o etanol brasileiro. Sonhamos com isso por mais de 30 anos e agora virou realidade. Essa é uma medida que veio pra ficar. As perspectivas de exportação e também de crescimento do mercado interno, com o aumento da participação dos carros flex na frota nacional, são animadoras”, disse.

Para fazer frente a esses desafios, a Unica projeta que o País terá de dobrar a produção de cana até 2020. Hoje, a cana-de-açúcar emprega 1,2 milhão de trabalhadores, representa 18% da matriz energética nacional, cresceu em média 10% ao ano nos últimos dez anos e representa 20% da produção e da exportação mundial de etanol, que no Brasil atende à 50% da frota de veículos leves, formada por carros flex. Quando transformada em açúcar, a cana brasileira ocupa impressionantes 50% do mercado mundial do produto.

“Hoje, a cana-de-açúcar é matéria-prima de etanol, açúcar e energia elétrica, mas já temos diversas outras aplicações em processo acelerado de maturação para a segunda geração que se avizinha. Com o etanol celulósico, haverá transformação nas indústrias de plásticos, biodiesel, cosméticos, químicos, além do aproveitamento crescente da palha e do bagaço.”, concluiu Jank.

Pré-sal vai aumentar fornecimento de gás natural associado ao petróleo

Edgar Marcel, Agência Indusnet Fiesp

Antonio Eduardo Monteiro de Castro, da Petrobras, fala em reunião do Coinfra da Fiesp

Embora seja uma atividade com risco exploratório, o investimento na produção de petróleo e gás cresceu 90% entre os anos de 2000 e 2010, tendo como responsáveis por este aumento as bacias de Campos (RJ) e Santos (SP).

A afirmação foi feita por Antonio Eduardo Monteiro de Castro, gerente-executivo de Marketing e Comercialização de Energia e Gás da Petrobras, durante a reunião do Conselho Superior de Infraestrutura (Coinfra) da Fiesp, nesta quinta-feira (9).

O executivo explicou que neste período a grande parte do aumento se deu pela exploração do gás associado ao petróleo, em uma relação reserva-produção. O potencial de reservas de óleo e gás do pré-sal é de 13,2 a 14,8 bilhões de barris de óleo equivalente. Embora sejam números expressivos, é necessário cautela.

“Estamos na fase de aquisição de conhecimento, com projeto piloto de produção, e ainda há incertezas”, sinalizou Castro. Seja qual for a quantidade produzida, o gás associado a partir do pré-sal certamente terá três destinos:

  • Reinjeção nos campos de petróleo para otimizar a produção (agrega mais valor ao gás produzido);

 

  • Compensação do declínio da produção dos campos atualmente em operação (o que não será adicionado ao mercado);

 

  • A diferença entre o total produzido e a quantidade utilizada na produção será adicionada no mercado.Entre 2003 e 2011, a malha de transporte de gás no Brasil duplicou com o investimento de 29 bilhões de reais e integrou toda a rede, que soma quase 10 mil quilômetros.

 

Fertilizantes

Segundo Castro, o Brasil quer expandir a produção de fertilizantes nitrogenados a partir do gás natural. Importador do produto, o País tem interesse estratégico em ampliar de duas (em operação na Bahia e em Sergipe) para cinco plantas de produção, que serão instaladas em Três Lagoas (MS), Uberaba (MG) e Linhares (ES).

“O Brasil vai produzir mais fertilizantes e consumir mais gás natural neste processo, que passará dos atuais 2,9 milhões para 10 milhões de metros cúbicos/dia, usados ao todo em plantas da Petrobras”, detalhou o gerente da estatal.

Comgás confirma cálculo de volume de gás natural apontado pela Fiesp

Agência Indusnet Fiesp

Durante o processo de revisão tarifária da Comgás, realizado nos meses de maio e junho, a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) contestou fortemente as previsões de consumo de gás natural, apresentadas pela concessionária e pela Arsesp (Agência Reguladora de Saneamento e Energia do Estado de São Paulo) para o período 2009/2014.

Os dados divulgados pela própria concessionária nesta quinta-feira (30) dão razão à Fiesp. Já no mês de julho de 2009 foram vendidos 11,3 milhões de metros cúbicos diários. Este volume é muito superior à previsão apresentada pela Comgás em seu plano de negócios, elaborado para efeito da revisão tarifária. Nele, este volume só seria retomado em 2014.

É importante ressaltar que o volume registra proporção inversa à margem operacional, elemento básico para o cálculo da tarifa. Isto é, quanto menor o volume, maior a tarifa.

A Fiesp apresentou dois cenários de projeção de demanda (conforme dados da tabela), calculados com base em informações das indústrias que representa.Já a Arsesp, responsável legal pelo processo de revisão tarifária, previu em sua nota técnica que apenas entre 2011/2012 seriam comercializados 11,3 milhões de metros cúbicos diários. Na nota técnica revisada, sua previsão foi ligeiramente ajustada para 11,5 milhões de metros cúbicos diários para o mesmo período.

A entidade qualificou ainda como insustentáveis as previsões de volume apresentadas pela Comgás e pela Arsesp, que ignoraram um mercado pré-existente que superava 11,5 milhões de metros cúbicos diários no final de 2008.

A Fiesp também observou a contradição entre o plano de negócios aprovado pela Arsesp para a concessionária, que previa investimentos em infraestrutura de distribuição em torno de R$ 2,1 bilhões para o período 2009/2014, se o volume pré-existente fosse retomado apenas em 2014.

De acordo com os números apresentados pela Comgás, seu lucro operacional foi 200% maior no primeiro semestre deste ano em comparação ao mesmo período de 2008, mesmo diante do momento de crise econômica mundial, da queda acentuada do PIB brasileiro e da redução do consumo de gás natural nos cinco primeiros meses de 2009, na ordem de 38,5%.

“Diante deste quadro, estamos certos que a Arsesp reconhecerá o equívoco de suas previsões e revisará imediatamente a nova tarifa estabelecida em junho de 2009”, afirmou Paulo Skaf, presidente da Fiesp.

Colheita de cana puxa contratações no estado, revela pesquisa

Em abril, 17 segmentos da indústria tiveram saldo negativo de vagas, e apenas cinco deles mais contrataram do que demitiram, segundo a pesquisa da Fiesp e do Ciesp divulgada nesta quinta-feira (14).

As atividades ligadas ao setor sucroalcooleiro foram as responsáveis pela geração de vagas no período: Fabricação de Coque, Petróleo e de Biocombustíveis (15%) e Produtos Alimentícios (10,8%), seguidos de Produtos Diversos (0,5%) e Bebidas (0,4%).

Os setores que mais demitiram no mês foram:

  • Produtos de Madeira (-4,3%);

  • Metalurgia (-2,6%);

  • Equipamentos de Informática (-2,2%).


    Regiões


    Concentrada no interior paulista, a atividade das usinas provocou uma alta no índice de emprego isolado da região: 2,15%, contra queda de 1,26% na Grande São Paulo.

    Das 36 diretorias do Ciesp no estado que compõem o levantamento, o saldo positivo de empregos industriais é mais forte nas seguintes regiões: 

  • Jaú (21,23%), com expressiva alta nos setores de Produtos Alimentares (60,44%) e Coque, Petróleo e Biocombustíveis (5,27%);

  • Rio Claro (9,9%), puxada principalmente por Produtos Alimentares (66,06%) e Produtos de Metal (5,45%); 

  • Sertãozinho (6,17%), com destaque para Coque, Petróleo e Biocombustíveis (21,20%) e Produtos Alimentares (12,33%).

    As regiões que encabeçaram as demissões no estado foram:

  • Mogi das Cruzes (-3,96%), influenciada por Veículos Automotores (-5,77%) e Produtos de Borracha e Plástico (-5,34%);

  • São Caetano do Sul (-2,63%), principalmente nos setores de Veículos (-5,65%) e Máquinas e Equipamentos (-3,36%);

  • Cotia (-2,08%), puxada por Produtos Químicos (-8,41%) e Impressão e Reprodução de Gravações (-5,86%).