Brasil precisa reforçar externalidades positivas do seu etanol

Solange Sólon Borges, Agência Indusnet Fiesp

É preciso reduzir a dependência dos combustíveis fósseis, apostar em novas tecnologias na agricultura e na mitigação de Gases de Efeito Estufa (GEE). A bioenergia moderna também deve gerar renda.

As observações feitas pela embaixadora Mariângela Rebuá, do Ministério das Relações Exteriores, abriram o debate sobre “Mercado de Combustíveis no Mundo”. O painel foi mediado pelo vice-presidente da Fiesp, João Guilherme Sabino Ometto, no 13º Encontro Internacional de Energia da Fiesp, em São Paulo.

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embaixadora Mariângela Rebuá, do Ministério das Relações Exteriores

Mariângela Rebuá tratou de importantes indicadores que auxiliam na tomada de decisão de políticas públicas e que passam pelo tripé econômico, social e ambiental.

“O Brasil tem produtividade altíssima e trabalhamos mais em desenvolvimento tecnológico”, ressaltou. Ao apontar que a produção de biocombustíveis promove mudanças sociais, somou o fato de que também garante empregos bem pagos.

Atento ao desenvolvimento sustentável e aos países mais vulneráveis, o Banco Interamericano de Desenvolvimento Econômico e Social (BID) investiu em projetos U$ 12 bilhões/ano, em 2007-2001, volume que representa o dobro de empréstimos no período anterior.

Marco Aurélio Castro, especialista em energia do BID para a América Latina e o Caribe, exemplificou o apoio com o financiamento de Tauá, a primeira usina fotovoltaica no Brasil, mais 1MW ao sistema.

Castro também sinalizou com o financiamento de estudos de mecanização da colheita de cana-de-açúcar, que requer requalificação da mão de obra. Por outro lado, apresentou pontos do Scorecard do BID para a sustentabilidade quanto aos biocombustíveis com foco no setor privado.

Ele citou experiências recentes de voos da Azul e da Gol com biocombustível para aviação, em 19 de junho, durante a realização do Humanidade 2012, no Rio de Janeiro. A vantagem é redução de 82% na emissão de Gases de Efeito Estufa (GEE).

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João Guilherme Sabino Ometto, vice-presidente da Fiesp

Na avaliação de João Guilherme Sabino Ometto, 2º vice-ppresidente da Fiesp, a exigência de maior carga de biodiesel no diesel, 25% em São Paulo, deverá gerar mais empregos.

No campo internacional, os maiores consumidores de petróleo, Estados Unidos, países desenvolvidos e integrantes do BRICS (bloco formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) dependem de políticas públicas no incentivo aos biocombustíveis, segundo Eduardo Leão, diretor-executivo da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica).

Para ele, os Estados Unidos têm programa audacioso de consumo com uso da segunda geração de biodiesel e de elevação de 10 para 15% da adição de etanol até 2013.