Retrospectiva 2014 – Parcerias e cooperação internacional foram destaque para o setor

Dulce Moraes, Agência Indusnet Fiesp

Ao longo do ano, o Comitê da Cadeia Produtiva de Biotecnologia (Combio) da Fiesp teve participação em palestras em importantes congressos internacionais e também sediou, na Fiesp, eventos com grandes nomes da áreas de pesquisa e de instituições ligadas ao  mercado mundial de biotecnologia, como o professor Meir Pugatch, da Universidade de Haifa, de Israel, e Mark Crowell, vice-presidente de Inovação da Universidade da Virgínia (UVa), dos Estados Unidos (EUA).

Pensando nos futuros profissionais nas áreas de ciência e tecnologia, a Fiesp apoiou esforços e ações do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial de São Paulo (Senai-SP), como a criação da unidade especializada em Nanotecnologia, na cidade de Osasco, e do Serviço Social da Indústria de São Paulo (Sesi-SP), com os desafios de Nanociência e Nanotecnologia propostos para os alunos das entidades.

NOTÍCIAS DE DESTAQUE EM 2014:

 

NOVEMBRO/OUTUBRO

Combio em evento da Associação da Indústria Farmacêutica da Turquia. Foto: Divulgação

O BioBrasil/Combio foi convidado a palestrar em importantes eventos internacionais, apresentando o mercado brasileiro de biotecnologia. Eduardo Giacomazzi, coordenador adjunto do Bio Brasil/Combio, participou  da 10ª Conferência Ciências da Vida na Holanda. >> Leia mais

Em outubro, Giacomazzi representou o Bio Brasil/Combio em evento da Associação Turca das Industrias Farmacêuticas,  em Istambul.

 

JUNHO

Keesman: foco no tratamento de resíduos sólidos nas chamadas cidades inteligentes. Foto: Tâmna Waqued/Fiesp

Karol Keesman, da Universidade de Wageningen, falou de tratamento de resíduos nas cidades inteligentes. Foto: Tâmna Waqued/Fiesp

Brasil foi o centro dos debates do evento global da biotecnologia, organizado pela promovido Biotecnology Industry Organization (BIO), em San Diego. >> Leia mais

A Fiesp sediou evento em que especialistas holandeses destacaram os desafios na implantação das cidades inteligentes. >> Leia mais

Empresas holandesas apresentam soluções sustentáveis para as indústrias. >> Leia mais 

 

MAIO

Semana de Meio Ambiente reuniu autoridades e especialistas no tema

Biotecnologia foi tema de palestras nacionais e internacionais na 16ª Semana do Meio Ambiente da Fiesp.

O panorama da bioindústria no Brasil foi apresentado pelo BioBrasil/Combio. Entre os temas abordados nas palestras, o desenvolvimento da bioenergia no país, a valorização de resíduos industriais, transformação de resíduos de cana-de-açúcar em bioenergia. >> Leia mais

 

ABRIL

Mark Crowell, da Universidade da Virgínia. Foto: Helcio Nagamine/FIESP

A Fiesp realizou workshop de Inovação e Biotecnologia nos dias 29 e 30 de abril. Mark Crowell, vice-presidente de Inovação da Universidade da Virgínia (UVa), apresentou na Fiesp a experiência da instituição americana em parcerias para desenvolver biotecnológicos.  >> Leia mais

Sinergia é a chave para o desenvolvimento em biotecnologia, afirmou Meir Pugatch, especialista da Universidade de Haifa na Fiesp. >> Leia mais

 

Pugatch, especialista da Universidade de Haifa na Fiesp. Foto: Divulgação

Para Meir Pugatch, Brasil terá benefícios econômicos e sociais com o desenvolvimento da biotecnologia. >> Leia mais

Meredith Fensom, diretora da BIO, diz que Brasil tem vantagens estratégicas para fazer parte da crescente economia global de biotecnologia. >> Leia mais

Diretores da Fiesp e da BIO destacam importância do Workshop de Inovação em Biotecnologia. >> Leia mais

 

BioBrasil recebe organizadores da Olimpíada Brasileira de Biologia. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

Na área de educação, o Senai-SP realizou workshop sobre meio ambiente e microbiologia em São Bernardo. >> Leia mais

BioBrasil/Combio recebeu os organizadores da Olimpíada Brasileira de Biologia em reunião na Fiesp. >> Leia mais

O Senai-SP de Osasco recebeu investimento de mais R$ 27 milhões para criação de centro de nanotecnologia. >> Leia mais

 

Ministra holandesa Wilma Mansveld. Foto: Everton Amaro/FIESP

Para instituto holandês, o debate sobre poluição do solo deve ganhar mais espaço na agenda das nações. >> Leia mais

Holanda busca ser líder internacional de reciclagem, afirma ministra dos Países Baixos em seminário na Fiesp. >> Leia mais

Seminário Brasil-Holanda apresenta novas ideias para a remedição do solo e gestão de águas subterrâneas. >> Leia mais

FEVEREIRO

Sesi-SP lança o desafio de Nanociência e Nanotecnologia para seus alunos pela internet. >> Leia mais

 

Brasil estará no centro dos debates do evento global da biotecnologia, em San Diego

Dulce Moraes, Agência Indusnet

De 23 a 26 de junho, acontece na cidade de San Diego, na Califórnia (EUA), o evento global da Biotecnologia “BIO International Convention”, que reúne as principais indústrias e entidades representativas do setor no mundo. O evento é promovido pela organismo internacional Biotecnology Industry Organization (BIO).

No dia 25, o Fórum “Oportunidades Emergentes no Mercado Global”, conta com uma programação inteiramente dedicada ao Brasil. Farão parte das apresentações dos painéis instituições governamentais brasileiras, como o Ministério do Desenvolvimento Indústria e Comércio (Mdic), o Instituto Nacional de Propriedade Industrial (Inpi), a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), a agência de fomento à pesquisa Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), entre outras.

A indústria paulista estará representada no evento pelo coordenador-adjunto do Comitê da Cadeia Produtiva da Bioindústria e de Biotecnologia (BioBrasil/Combio), Eduardo Giacomazzi.

As palestras do fórum dedicado ao Brasil terão como temas:

  • Programa brasileiro “Ciência sem Fronteiras”: O que está sendo feito para educar os líderes de amanhã?
  • Como os Regulamentos Eficientes e Transparentes em Ensaios Clínicos podem melhorar resultados em Ciência, Inovação e Saúde nos Mercados Emergentes
  • Copa do Mundo! – Elite da Industrial Biotecnológica olha para o Brasil para grandes vitórias
  • Evolução e Tendências em Políticas Públicas para a Biotecnologia no Brasil

Para acompanhar toda a programação do evento, clique aqui.

 

 

Panorama da biotecnologia e soluções inovadoras são apresentados em seminário

Dulce Moraes, Agência Indusnet

O Seminário “Tecnologias & Soluções Inovadoras para Cidades Inteligentes” abriu a programação desta quinta-feira (05/06) dentro da 16º Semana de Meio Ambiente, realizada na sede da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).

Nelson Vieira Barreira, diretor doDepartamento de Meio Ambiente (DMA) da Fiesp, abre Seminário. Foto: Tâmna Waqued/FIESP

O encontro contou com a presença do Cônsul Geral do Reino dos Países Baixos [Holanda] em São Paulo, Jan Gijs Schouten, participação elogiada pelo diretor titular adjunto do Departamento de Meio Ambiente (DMA) da Fiesp, Nelson Vieira Barreira.

“Esse evento tem grande importância não só pelo momento tecnológico vivido pela biotecnologia mas também pela presença do Cônsul Geral da Holanda que tem dado uma grande colaboração a essa Casa”, destacou o diretor do DMA.

Consul-Geral da Holanda, Jan Shouten. Foto: Tâmna Waqued/FIESP

Shouten classificou a Fiesp como fiel parceira de seu país em São Paulo e agradeceu o convite. “Hoje estamos aqui para apresentar as melhores empresas da Holanda na área de biotecnologia e soluções inovadoras para cidades criativas. E o que eu posso dizer é que não é a última vez que o Consulado Geral e a Fiesp irão trabalhar em conjunto”, afirmou o Consul-Geral.

 

A Biotecnologia do Brasil

Em sua palestra “Panorama da Biotecnologia do Brasil”Eduardo Giacomazzi, coordenador adjunto do Comitê da Cadeia Produtiva da Bioindústria e Biotecnologia (Bio Brasil/Combio) da Fiesp, destacou que é uma honra realizar esse evento no Dia do Meio Ambiente e com parceiros holandeses.

Ele relembrou que, desde 2006, a Holanda vem estabelecendo constantemente parcerias e eventos com a Fiesp, entre eles, a vinda do Rei da Holanda, em 2012, momento que coincidiu com a própria criação do Bio Brasil/Combio da Fiesp.

Eduardo Giacomazzi, coordenador adjunto do Bio Brasil/Combio da Fiesp. Foto: Tâmna Waqued/FIESP

“O Comitê da Bioindústria representa as empresas de diversos setores, na área da Saúde Humana (como cosméticos e setor farmacêutico), da Saúde Animal, da Agricultura, da Energia, no Meio Ambiente (serviços e insumos) e na área de Defesa. E essa ação multissetorial tem sido fundamental para mostrar à indústria que biotecnologia e bioindústria não significam um setor, mas, uma ação coordenada entre setores. Por isso, ela precisa, necessariamente, ser multidisciplinar”.

Ele relembrou que o Brasil vem trabalhando sua base biotecnológica desde 1887, quando foi criado o Instituto Agronômico de Campinas, que trouxe a base de desenvolvimento de todas as novas espécies de cana-de-açúcar, algodão e café produzidas no país.

Giacomazzi fez questão de desmistificar a crença de alguns países estrangeiros de que a larga produção agrícola do Brasil provoca o desmatamento da Amazônia. No mapa do cultivo de cana-de-açúcar, ele sinalizou que as produções se concentram principalmente na região Sudeste do país, bem distante da região amazônica. “O Sudeste representa 90% dessa produção de cana, 10% está na região Nordeste. Portanto, o Brasil está muito consciente em relação a sua expansão da sua fronteira agrícola, sem desmatar a Floresta Amazônica.” Além disso, ele destacou 64% das nossas florestas estão preservadas, 30% é utilizado para produção agrícola, onde temos 1% da produção da cana-de açúcar e 0,4% dessa cana-de-açúcar vai virar etanol”.

Liderança paulista

Segundo Giacomazzi, o estado de São Paulo concentra 40% das empresas de biotecnologia. Essas, somadas as dos estados de Minas Gerais e Rio Grande Sul, representam 80% das empresas de biotecnologia do Brasil. “A liderança paulista é bem percebida, o que faz se ter uma responsabilidade ainda maior da Federação das Indústrias [Fiesp] em liderar esse processo”, afirmou.

Giacomazzi destacou uma preocupação das indústrias em torno da nova Lei da Biodiversidade que deve ser votada em agosto. “O resultado dessa Lei terá impacto direto no desenvolvimento da bioindústria no Brasil, pois a lei atual não incentiva, mas pune as empresas”.

O coordenador do Combio ressaltou as diversas parcerias internacionais que a entidade vem realizando, inclusive com a Holanda e enfatizou a necessidade de se pensar, tanto na economia como nas cidades, dentro de um conceito circular e sustentável.

Economia Circular

Refletindo sobre o futuro, Giacomazzi, acredita que a Economia Criativa, que vem da educação para essa nova economia, ainda está por vir. “Vamos precisar pensar como vamos fazer o gerenciamento das nossas águas e como vamos tratar da nossa saúde relacionado a isso. Significa também que vamos precisar pensar também em energia, agricultura e novas formas de economia”.

O coordenador do Combio expressou que o que se busca na interação com parceiros holandeses é a realização de programas conjuntos que sejam específicos para atender a realidade do país. “Aqui já começa essa primeira sinergia para descobrir como vamos transformar o que é linear circular, fechando o ciclo de água, energia, nutrientes. E quando estamos falando de economia circular estamos falando de novos materiais, de arquitetura e de novos modelos construtivos para as cidades”, afirmou.

Sinergia é a chave para o desenvolvimento em biotecnologia, afirma especialista

Dulce Moraes, Agência Indusnet Fiesp

No primeiro painel do Workshop de Inovação em Biotecnologia, na manhã de terça-feira (29/04), o professor Meir Pugatch, da Universidade de Haifa, de Israel, apresentou o estudo “Construindo a bioeconomia – analisando as estratégias nacionais de desenvolvimento da indústria biotecnológica”.

Meir Pugatch apresenta estudo global sobre Biotecnologia na Fiesp. Foto: Helcio Nagamine/FIESP

 

Segundo ele, falta sinergia entre a visão de governos e de setores privados no desenvolvimento das estratégias. “Tanto o governo como as indústrias analisam os fatores, mas os veem de forma diferentes”, afirmou.  “Quando as coisas são avaliadas de formas distintas não se chega a um desenvolvimento”, criticou.

Todos estão convencidos do valor da inovação e do impacto positivo da biotecnologia para o crescimento econômico, mas as ações precisam de objetivos coerentes, defendeu Pugatch. “E as estratégias de inovação exigem realização do governo.”

Especificamente na área da biotecnologia, todos os componentes analisados no estudo – capital humano, propriedade intelectual (patentes), infraestrutura para Pesquisa & Desenvolvimento (P&D), ambiente regulatório, transferência de tecnologia, segurança jurídica e incentivos comerciais e mercadológicos – precisam acontecer simultaneamente. “Tudo precisa cooperar em sinergia”, destacou o especialista.

A biotecnologia, assinalou o professor da Universidade de Haifa, não responde apenas aos questionamentos e anseios comuns das empresas – diversificação de negócios, geração de empregos e desenvolvimento de cadeia de valor e inovação – ela vai muito além e está ligada as questões humanitárias como saúde, alimentação e meio ambiente. “Bill Gates entendeu muito isso nos últimos 15 anos e, hoje, é um dos humanistas mais respeitados. Ele colocou aquele dinheiro todo que ganhou com a Microsoft e tem aplicado em ações humanitárias”, ressaltou.

Em termos de P&D, acrescentou Pugatch, o setor é um dos que mais exige investimentos, mas apresenta resultados compensadores quando se analisa a multiplicidade na criação de conhecimento. Ele citou como bom exemplo de convênio entre governo e indústria, a parceria entre a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e a indústria químico-farmacêutica Basf.

Liliane Roriz, moderadora do painel, disse que dos sete fatores facilitadores para desenvolvimento da biotecnologia apresentados no estudo do professor Pugatch em evento promovido Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI), em Brasília (DF), quatro foram amplamente discutidos pelos representantes dos Ministérios da Ciência e Tecnologia, da Saúde, da Indústria, Desenvolvimento e Comércio Exterior e de diversos órgãos do governo.

Ela destacou ainda que um dos fatores que ficou de fora dos debates foram os incentivos fiscais e comerciais para as empresas do setor.

A primeira edição do Workshop de Inovação em Biotecnologia é uma realização da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), por meio do Comitê da Cadeia Produtiva da Bioindústria  (BioBrasil), em parceria com a organização internacional BIO (Biotecnology Industries Organization).

Leia também:

>> Meir Pugatch: Brasil terá benefícios econômicos e sociais com o desenvolvimento da biotecnologia

>> Diretores da Fiesp e da BIO destacam importância do Workshop de Inovação em Biotecnologia

Para Meir Pugatch, Brasil terá benefícios econômicos e sociais com a biotecnologia

Dulce Moraes, Agência Indusnet Fiesp

Meir Pugatch é presidente da Administração de Sistemas de Saúde e Política de Divisão da Escola de Saúde Pública da Universidade de Haifa, Israel. Foto: Divulgação

Como o Brasil está posicionado no crescente mercado de biotecnologia? Como os países do grupo BRIC (Brasil, Rússia, Índia, China), além de Coreia, Singapura, Suíça e Estados Unidos, vêm desenvolvendo suas políticas de estímulo ao setor?

Respostas a essas e outras questões serão apresentadas pelo professor Meir Perez Pugatch, na terça-feira (29/04), durante o Workshop de Inovação em Biotecnologia,  realizado pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), em parceria com a BIO, a Biotechnology Industry Organization, entidade que reúne indústrias de biotecnologia de todo o mundo.

Mestre em Direito da Propriedade Intelectual e Gestão do Conhecimento pela Universidade de Maastricht, na Holanda, Pugatch também é o presidente da Administração de Sistemas de Saúde e Política de Divisão da Escola de Saúde Pública da Universidade de Haifa, em Israel.

À frente da Pugatch Consilium, uma das principais consultorias no segmento dedicadas a análises das políticas de inovação, Meir Pugatch fala ao portal da Fiesp sobre os caminhos e desafios para o Brasil se destacar no crescente mercado de biotecnologia.

Veja a seguir a entrevista completa:

Dr. Pugatch, esta é a primeira vez que seu instituto realiza essa análise comparativa do mercado de biotecnologia?

Meir Pugatch – Na verdade, essa análise faz parte da trajetória que iniciamos há alguns anos. A Pugatch Consilium é uma consultoria que promove pesquisas, análises e inteligência sobre os setores de mais rápido crescimento da economia do conhecimento. E nos concentramos em áreas como a inovação, criação de ativos, transferência de tecnologia, propriedade intelectual e acesso ao mercado. Também temos um profundo olhar para a política de saúde, pesquisa e desenvolvimento (P&D) e biotecnologia.

Exemplos disso foi um relatório de 2012 sobre o papel dos direitos de propriedade intelectual em biotecnologia e P&D [acesse o estudo aqui], encomendado pela BIO, e o Índice de Competitividade Biofarmacêutica, um instrumento de pesquisa medir a atratividade relativa de investimento no setor biofarmacêutica nos países [essa análise pode ser acessada na página 85 dessa publicação].

Houve algum motivo especial para se incluir o Brasil nesta análise?

Meir Pugatch – Sim, é claro. O Brasil é uma das economias mais importantes do mundo, não só no momento atual, mas também para o futuro. E seria estranho deixá-lo de fora de qualquer análise.

Entre os países analisados (Brasil, Rússia, Índia, China, Coréia do Sul, Cingapura, Suíça e Estados Unidos), quais mais se destacam no mercado de biotecnologia, em termos de progresso científico e produção industrial?

Meir Pugatch – Os países têm diferentes pontos fortes, em diferentes áreas de biotecnologia. Por exemplo, os Estados Unidos têm uma base forte em ciência e educação, instalações de P&D e uma importante capacidade de produção de biotecnologia. Já Cingapura se desenvolveu por meio da iniciativa Biopolis (uma biofarmacêutica e biomédica muito competitiva em P&D) e se destaca por sua capacidade de produção.

O Brasil tem pontos fortes em outras áreas. Em biocombustíveis e agrobiotecnologia, por exemplo, tem sido um pioneiro. No setor de biotecnologia para a saúde, no entanto, ainda não está tão maduro.

Sobre a produção industrial, vale ressaltar que a P&D necessária para trazer produtos de alta tecnologia para o mercado é a parte mais complexa e exigente do ciclo de desenvolvimento. Mas a produção industrial, em alguns casos, pode ser comparativamente menos exigente.

Esse seria um paradigma, na visão dos empresários, capaz de inibir os investimentos em P&D?

Meir Pugatch – Muitas vezes, esse fato básico – a distinção entre as exigências do desenvolvimento de uma pesquisa nacional ou regional e a capacidade de desenvolver produtos de alta tecnologia versus o desenvolvimento de uma capacidade de produção industrial – é esquecido nas decisões e nas discussões políticas e o processo de fabricação pode ser confundido com o processo de P&D. O mais importante é notar que há distinção entre os dois.

Quando se pensa em biotecnologia se pensa também em investimento em infraestrutura de pesquisa, como laboratórios altamente tecnológicos, etc. As indústrias farmacêuticas têm conseguido equalizar isso. No caso dos produtos biotecnológicos isso seria mais desafiador?

Meir Pugatch – Sim. De fato, as tradicionais “micro moléculas ” das drogas farmacêuticas (que são produzidas através de um processo conhecido como síntese química) são difíceis e caras para se pesquisar e desenvolver e exigem altos níveis de infraestrutura técnica e capital humano qualificado. Mas essas micro moléculas dos fármacos podem ser desenvolvidas em um país, enquanto os outros componentes-chave do medicamento (como os princípios ativos ou APIs) podem ser produzidos em outro local ou até por uma entidade ou empresa diferente. A terceirização da indústria farmacêutica e na fabricação dos APIs já tem sido uma prática comum há anos.

Mas, no caso de produtos biotecnológicos, há um desafio maior para se manter a estabilidade e consistência e garantir um produto de alta qualidade. Por isso, a terceirização na fabricação de produtos biológicos é tecnicamente difícil de ser realizada.

Para se desenvolver um produto ou tecnologia biológica exige-se elevados níveis de experiência e infraestrutura avançada, dado o tamanho, a complexidade e a instabilidade inerente de um produto biológico. O processo exige um nível considerável de estabilidade e capacidade técnica, para não alterar as partes novas ou processos introduzidos. Caso contrário, há um risco de que sejam comprometidas a qualidade e a pureza do produto fabricado.

De acordo com sua análise, como o Brasil está posicionado em relação a outros países?

Meir Pugatch – Na verdade, o objetivo do relatório não foi “destacar” ou, diretamente, comparar os países. Com base no mapeamento de políticas que realizamos, o Brasil mostrou-se com áreas e setores mais maduros e bem desenvolvidos do que outros.

Como mencionado, nos programas do setor agrobiotecnologia e biocombustíveis o Brasil tem, em vigor, uma série de iniciativas importantes. Por exemplo, o plano PAISS (Plano de Apoio à Inovação dos Setores Sucroenergético e Sucroquímico), do BNDES [Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social] e Finep [Financiadora de Estudos e Projetos], uma iniciativa para desenvolver a segunda geração de bioetanol e novos usos da biomassa da cana.

Há também uma iniciativa política promissora relacionada à formação de capital humano, por meio de programas de intercâmbio internacional de estudantes, como o Ciência sem Fronteiras.

Entre os aspectos analisados ​em seu estudo​, qual é o principal desafio para Brasil?

Meir Pugatch – Os desafios específicos variam de acordo com os setores, mas, em geral, os principais desafios estão na esfera de proteção da propriedade intelectual (especialmente para biofármacos), transferência de tecnologia e a regulamentação dos ensaios clínicos.

Sobre a regulação dos ensaios clínicos, é importante notar que o Brasil é atualmente um dos maiores mercados biofarmacêuticos do mundo e está a caminho para um forte crescimento futuro. Os pacientes brasileiros estão cada vez mais exigentes e querem ter acesso às melhores tecnologias de saúde, produtos e serviços do mundo.

Por esse motivo, incentivar mais os ensaios clínicos e as atividades de pesquisa no Brasil poderia aumentar as capacidades de P&D nacionais no Brasil e disponibilidade de produtos com tecnologia de ponta e mais atrativos.

As exigências regulatórias atuais e o longo processo de aprovação significam que o Brasil e os pacientes brasileiros estão potencialmente perdendo. A aprovação para a pesquisa clínica precisa passar pela Comissão Nacional de Ética em Pesquisa (Conep) e Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e pode esticar por mais de um ano, em comparação aos três meses dos EUA e União Europeia.

E quais aspectos o Brasil deve manter o foco para garantir o desenvolvimento rápido e sustentável em inovação e tecnologias de ponta?

Meir Pugatch – Encorajar o desenvolvimento econômico, a inovação e elevar a cadeia de valor não é fácil. A concepção de um ambiente propício à inovação, pesquisa, comercialização e mercado de produtos e tecnologias biológicas não é uma ciência exata, pois há uma infinidade de fatores que potencialmente podem afetar, encorajar ou até desencorajar taxas de inovação biotecnológica. Além disso, cada situação, país ou região são diferentes.

Mas, pondo de lado essas considerações, é possível juntar um quadro e identificar uma série de fatores que, juntos, permitem criar um ambiente propício à inovação biotecnológica. Os sete elementos necessários que identificamos no relatório são todas as áreas em que um país pode se concentrar para criar esse ambiente, segundo as melhores práticas internacionais, tendo uma forte estrutura no local para incentivar o crescimento econômico, para gerar emprego, inovação de alta tecnologia e desenvolvimento sustentável.

Na sua opinião, quais os principais obstáculos para o Brasil alcançar um crescimento e desenvolvimento em pesquisa e inovação, especialmente, na área de biotecnologia?

Meir Pugatch – Os principais desafios, como mencionado, incluem: regulamentos de transferência de tecnologia, um relativamente difícil ambiente para as patentes (Propriedade Intelectual) para as biofarmacêuticas inovadoras e também os longos atrasos e o pesado processo de regulamentação para ensaios clínicos.

Em quais os setores o Brasil pode se destacar em relação aos outros países?

Meir Pugatch – O Brasil já tem pontos fortes tradicionais em biocombustíveis e agrobiotecnologia. Em 2013, o Brasil tinha 40,3 milhões de hectares de culturas biotecnológicas para cultivo crescente de milho, soja e algodão. Está em segundo lugar no mundo, só perdendo para os EUA.

O setor da saúde e biofarmacêutica é menos maduro; reformas na regulação dos ensaios clínicos e na questão das patentes (Propriedade Intelectual) poderiam ajudar a incentivar o crescimento mais forte e desenvolvimento deste setor.

Há perspectivas de crescimento para as indústrias de biotecnologia no Brasil?

Meir Pugatch – Eu acredito que a importância do Brasil para a economia mundial só vai aumentar. O setor da biotecnologia apresenta uma enorme oportunidade para o Brasil desenvolver recursos de classe mundial e apoiar a atividade econômica, que não só cria empregos altamente qualificados, mas, do ponto de vista humanitário e social, ajuda na alimentação, nos combustíveis e também na cura de doenças, tanto dos consumidores brasileiros como, por meio da exportação, dos potenciais doentes e consumidores internacionais.

Meredith Fensom: Brasil tem vantagens para fazer parte da economia de biotecnologia

Dulce Moraes, Agência Indusnet Fiesp

Meredith Fensom, diretora de assuntos internacionais da BIO. Foto: Divulgação

Meredith Fensom é a diretora de assuntos internacionais da Biotechnology Industry Organization (BIO), organização não-governamental que reúne indústrias de biotecnologia de todo o mundo.

Especialista em Direito Internacional com mestrado pelo Centro de Estudos Latino-Americanos da Universidade da Florida e especialização em Ciências Políticas, Meredith atuou como consultora do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e do Centro de Comércio Internacional das Nações Unidas.

Como interlocutora da BIO no Brasil e América Latina, ela promove debates em torno dos temas principais que afetam as indústrias do setor de biotecnologia em nível internacional. Entre eles, os marcos regulatórios e as regras de comércio.

A diretora da BIO estará no Brasil no final deste mês, nos dias 29 e 30 de abril, para participar do Workshop de Inovação em Biotecnologia, realizado pela BIO em parceria com a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).

Veja a seguir a entrevista concedida por Meredith ao Portal da Fiesp:

Como a senhora avalia o estreitamento das relações entre BIO e o Comitê da Cadeia Produtiva da Bioindústria da Fiesp? E quais suas expectativas para o I Workshop de Inovação em Biotecnologia?

Meredith Fensom – A BIO celebra parcerias no mundo todo com instituições que estejam abertas para dialogar sobre questões importantes e que afetem a indústria de biotecnologia. Eu acredito que o evento na Fiesp é um passo importante para iniciar uma conversa aberta sobre as melhores práticas globais na indústria de biotecnologia.

A BIO acompanha a evolução do mercado de indústria biotecnológica do mundo. Em termos globais, esse é um mercado em expansão? Qual o volume de negócios gerado por esse setor?

Meredith Fensom – A indústria de biotecnologia é, definitivamente, uma indústria em expansão. Um estudo sobre biotecnologia, elaborado pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OECD), estima que em 2030 as inovações na área de biociência poderão contribuir com até 35% da produção de produtos químicos e outros produtos industriais, 80% dos produtos farmacêuticos e produção de diagnóstico, e 50% da produção agrícola mundial.

E como é a posição do Brasil nesse cenário global?

Meredith Fensom – O Brasil possui algumas vantagens estratégicas para fazer parte dessa crescente economia global de biotecnologia e eu acredito que assumirá posição importante nos próximos anos.

Quais setores apresentam-se mais atraentes para as empresas internacionais desse ramo?  E há alguma área que está demostrando maior excelência? 

Meredith Fensom – Não há dúvidas de que o Brasil é um dos líderes globais na economia de biotecnologia alimentar e de agricultura, figurando como referência mundial nesta área. Um ponto positivo que eu destacaria é que o Brasil está tomando medidas para melhorar o seu setor de biotecnologia industrial e ambiental, bem como sua produção em pesquisa e desenvolvimento.

No Workshop de Inovação em Biotecnologia na Fiesp será apresentado um estudo inédito do professor Meir Pugatch. Em resumo, o que será apresentado nesse estudo?

Meredith Fensom – O professor Meir Pugatch apresentará uma análise comparativa,  não apenas das indústrias de biotecnologia de oito países pesquisados, mas das estratégias de desenvolvimento que os países adotaram, a fim de reforçar e manter a sua indústria de biotecnologia local.

Na verdade, o relatório tem como objetivo apresentar uma visão geral das políticas que auxiliam no crescimento do setor de biotecnologia. E, além disso, esse estudo tem como foco iniciar um diálogo aberto sobre algumas das melhores práticas adotadas em todo o mundo, para promover o crescimento da indústria de biotecnologia.

O estudo apresentará possíveis caminhos para incrementar a biotecnologia no Brasil?

Meredith Fensom – Sim. O estudo apontará algumas recomendações e observações gerais acerca de algumas das políticas-chave necessárias ao cultivo de uma indústria de biotecnologia inovadora e sustentável. O estudo não fornece uma lista exaustiva das referidas políticas, mas serve como primeiro passo importante para se ter uma conversa com o governo, a academia (universidades) e a indústria sobre quais tipos de políticas estão em vigor no mundo e como elas podem auxiliar no fortalecimento da economia de biotecnologia.

 

Saiba mais:

WORKSHOP DE INOVAÇÃO EM BIOTECNOLOGIA

O evento é promovido pelo comitê Bio Brasil/Combio da Fiesp emparceria com a BIO (Biotechnology Industry Organization).

Data/Local: 29 e 30 de maio, na sede da Fiesp, em São Paulo.

Para ver a programação do evento e inscrições, clique aqui.

 

Foto: organizadores da Olimpíada Brasileira de Biologia participam de reunião na Fiesp

Agência Indusnet Fiesp

Na tarde desta sexta-feira (11/04),  o coordenador-adjunto do Bio Brasil – Comitê da Cadeia Produtiva da Bioindústria (Comsaude e Combio) da Fiesp, Eduardo Giacomazzi, recebeu comitiva de organizadores da Olimpíada Brasileira de Biologia (OBB).

Reunião do Bio Brasil com organizadores da Olimpíada Brasileira de Biologia. Foto: Helcio Nagamine/FIESP

 

Participaram do encontro a presidente da Associação Nacional de Biossegurança, Leila dos Santos Macedo; o coordenador nacional da OBB, Rubens Oda; o coordenador da OBB São Paulo, Rogério Pazetti; além de representantes do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial de São Paulo (Senai-SP), do Instituto Butantan e da organização não-governamental Universidade da Água  e Maria Regina Visani, membro do Comitê da Cadeia Produtiva de Biotecnologia (Combio) da Fiesp.

Três indústrias farmacêuticas recebem o Prêmio Líderes do Brasil

Dulce Moraes, Agência Indusnet Fiesp

Na noite desta segunda-feira (9/12), três representantes do setor farmacêutico — os laboratórios Medley, EMS e Bionovis — receberam do “Prêmio Líderes do Brasil”.

A entrega do Prêmio aconteceu  no Palácio dos Bandeirantes, em cerimônia com a participação do presidente da Federação e do Centro das Indústrias, Paulo Skaf, e do vice-presidente da República, Michel Temer.

>> Leia também: Paulo Skaf participa do 3º Prêmio Líderes do Brasil 

Entre as premiadas, o coordenador-adjunto do Comitê da Cadeia Produtiva da Bioindústria (Bio Brasil), Eduardo Giacomazzi, destacou a Bionovis, uma empresa genuinamente nacional, por seu importante papel para a consolidação da indústria brasileira no mercado de biotecnologia.

A empresa  foi criada, em 2012, pela união de acionistas dos laboratórios Aché, EMS, União Química e Hypermarcas. Considerada uma “superfarmacêutica”, a Bionovis desenvolve medicamentos biológicos e biossimilares, tendo como principal comprador o governo federal. Atualmente, o Ministério da Saúde é responsável por 60% da compra de produtos biológicos no país.

O Prêmio Líderes do Brasil, concedido pelo Grupo de Líderes Empresariais (Lide), está em sua 3ª edição e tem como objetivo reconhecer o talento, competência e comprometimento dos líderes do país, para um Brasil melhor e mais competitivo.

Para saber mais sobre o Prêmio, acesse: http://www.lideresdobrasil.com.br/index.html

Retrospectiva 2013 – O ano em que a biotecnologia entrou nas decisões estratégicas de desenvolvimento e competitividade industrial

Dulce Moraes, Agência Indusnet

Um ano de avanços e, também, de retrocessos para indústria brasileira de biotecnologia. Essa foi a avaliação do coordenador do Comitê da Cadeia Produtiva da Biotecnologia e da Bioindústria (Combio/BioBrasil), Eduardo Giacomazzi, sobre o ano de 2013. “O fato de a Fiesp ter começado a entender melhor esse assunto demonstra que a indústria acordou para um assunto que é estratégico”, afirma.

Ministros (da esq. para dir: Raupp, Padilha e Pimentel) apresentam Plano Inova Brasil na Fiesp. Foto: Everton Amaro/FIESP

Giacomazzi também destaca como pontos positivos o Plano Inova Brasil  (apresentado na Fiesp, no mês de abril, pelos Ministérios da Saúde, Ciência e Tecnologia e Desenvolvimento e Indústria) e o início das discussões sobre a Lei de Acesso à Biodiversidade, com a entrada da Fiesp no debate.

“O Plano mostra que há um olhar diferente do governo para o setor, buscando trazer mais investimentos para área, puxados, especialmente, pelos biofármacos e energia, com o etanol”, afirmou.

Por outro lado, o coordenador do Combio acredita que o debate sobre a Lei da Biodiversidade, que já se iniciou, deverá ser dez vezes mais complexo do que foi o do Código Florestal, exigindo muito mais força da Fiesp sobre esse tema em 2014.

Educação em ciência

A triste notícia do ano para o setor, na visão de Giacomazzi, foi a invasão do Instituto Royal e a destruição de todas as pesquisas lá feitas. “Isso travou até dez anos de investimentos em pesquisa científica no Brasil. E sem esse centro de experimento pré-clínico vamos continuar dependentes do exterior e importando este tipo de estudo, fundamental para a aprovação de novos medicamentos”, explica.

O coordenador do Combio classificou o episódio como “um ataque decisivo ao futuro da indústria de biotecnologia, especialmente na área de saúde”, que já tinha um atraso de 20 anos em pesquisas. O incidente, segundo ele, demonstrou o quanto é crítica falta de conhecimento da população para o tema, fato que tem motivado o Comitê a considerar o item “educação” como um dos enfoques estratégicos.

Em abril, foi assinado protocolo para criação do Centro Senai-SP de Biotecnologia, durante reunião do Comsaúde e Combio da Fiesp

Os outros item que completam a matriz estratégica definida pelo Combio são: inovação, investimentos e internacionalização. “A gente precisa colocar a educação profissional e a pesquisa aplicada no centro da discussão e e o Senai-SP é um braço forte para isso”, diz. “O Brasil precisa ter investimentos em inovação e a Lei da Biodiversidade poderá garantir mais acessos aos recursos da biodiversidade brasileira e gerar mais produtos, novas moléculas, novos remédios, cosméticos e etc”, explica Giacomazzi.

A Lei da Biodiversidace, que tratará também do acesso aos recursos genéticos, foi alvo de debates em reunião na na Fiesp, no mês de novembro. Na avaliação do coordenador do Combio, a indústria de biotecnologia, por ora, está travada nesse quesito e, nos próximos anos continuar dependente da indústria farmacêutica mundial (pela falta de centro pré-clínico próprio).

“Como ainda falta uma visão de política pública que apoie a ciência tecnologia no Brasil, a internacionalização das plataformas de pesquisa e desenvolvimento pode ser um caminho”, diz. “As parcerias com instituições internacionais, como as da Holanda, com quem temos estreitado relacionamento, é um meio para nossa indústria dar um salto”, explica o coordenador do Combio.

Relembre os principais momentos do ano no setor:  

Durante encontro com o chefe do setor de Ciência, Tecnologia e Inovação da União Europeia no Brasil, Piero Venturi, no mês de março, foi inaugurada a área de Biotecnologia no portal Fiesp. Informações do Comitê e assuntos relevantes para a cadeia produtiva passaram a ser divulgados neste canal online.

Os principais desafios para o setor foram sinalizados pelo coordenador do Combio, Eduadro Giacomazzi, em entrevista ao portal da Fiesp.

Em abril, o Plano Inova Brasil foi apresentado na Fiesp, pelo Ministro da Saúde, contemplando um pacote de incentivos para estimular setores, como biofármacos e energias renováveis.

No mesmo mês, o Combio recebeu a comitiva do Dutch Polymer Institute, antecipando a missão empresarial aos Países Baixos realizada, em maio, onde empresários brasileiros puderam visitar os principais centros de inovação e empresas holandesas para avaliar perspectivas de futuros, além de acordo na área de bambu.

A legislação brasileira sobre acesso aos recursos genéticos e  repartição de benefícios foi alvo de análise em reunião promovida pelo Conselho Superior do Agronegócio (Cosag) da Fiesp, antecipando os debates sobre o Projeto de Lei da Biodiversidade.

No mesmo mês, o coordenador do Combio passou a integrar o Comitê de Mudança do Clima da Fiesp e participou de seminário durante a Bio Convention, maior feira internacional da bioindústria, em Chicago, Estados Unidos.

A importância dos avanços da biotecnologia para a área ambiental foi um dos focos do Seminário Biorremediação de Áreas Contaminadas Complexas, no mês de julho em parceria com empresas holandesas.

Criação do Centro Senai-SP de Biotecnologia é comemorada pelo diretor regional Walter Vicioni

Criação do Centro Senai-SP de Biotecnologia é comemorada pelo diretor regional Walter Vicioni

A assinatura do protocolo para criação do Centro Senai-SP de Biotecnologia foi o grande destaque do mês de julho, que deu início a uma programação de workshops setoriais (visando entender gargalos e lacunas do ponto de vista da formação profissional) e a realização de visitas técnicas aos principais centros de pesquisas de referência no País e industrias farmacêuticas.

Em outubro foi realizado encontro com um grupo de empresas incubadas do Cietec e Agencia USP de Inovação. Em setembro, foi realizado o primeiro Workshop para empresas do setor farmacêutico e de biofármacos. Em novembro, foi realizado o pré-workshop para o setor de Cosméticos, em parceria com a Associação Brasileira da Indústria de Higiene Pessoal e Cosméticos (Abihpec). Em 2014, serão realizados workshops para empresas do setor de energia, biomateriais e defesa.

Além das visitas técnicas aos centros de pesquisas internacionais, o Combio também conheceu as instalações e as inovações do Instituto Butantan, em São Paulo, do Laboratório Nacional de Biotecnologia, em Campinas, e também o indústria de biofármacos Cristália, em Itapira.

A Fiesp, por meio do Comitê de Mudanças Climáticas com colaboração do Combio, encaminhou proposta de emenda ao Projeto de Lei de Biodiversidade, com destaque a reformulação do Conselho de Gestão do Patrimônio Genético (CGen) e sugestão de inclusão de representantes da Fiesp neste fórum.

No início de outubro, o Combio promoveu, na Fiesp, um encontro com representantes da organização internacional BIO (Biotechnology Industry Organization) e mais de  20 representantes do setor de biotecnologia industrial (biocombustível e química).

Parceria estabelece compartilhamento de conhecimentos sobre responsabilidade social corporativa e sustentabilidade, instrumentos regulatórios e econômicos bem como tecnologias. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

Na mesma semana, durante a reunião do Comitê de Mudanças Climáticas, o Combio recebeu a ministra de Comércio Exterior e Cooperação para o Desenvolvimento dos Países Baixos, Lilianne Ploumen, e assinou acordo para troca de informações e experiências, com enfoque nas tecnologias de descontaminação do solo, tratamento de água e transformação de resíduos sólidos em energia.

Em novembro, o coordenador do Combio realizou nova visita técnica na Holanda, sendo convidado a participar como conferencista no Festival de Tecnologias de Fronteira (Border Sessions Festival).

Desafios para 2014

Para o Brasil entrar no mapa da Bioindústria mundial é preciso conhecer o seu próprio mapa. Por isso, um dos desafios para o próximo ano é realizar um mapeamento da bioindústria brasileira. “O mapa é estratégico e posicionará a Fiesp no cenário nacional e internacional”, afirma o coordenador do Combio. O Mapa da Bioindústria será realizado pelo CEBRAP, em parceria com o Biobrasil-Comitê da Bioindustria e com o Departamento de Meio Ambiente (DMA) da Fiesp e tem o apoio do Senai-SP.

O Combio participará efetivamente da Semana do Meio Ambiente da Fiesp, pois, de acordo com Giacomazzi, está muito claro que a biotecnologia, como inovação, vai chegar à indústria a partir do tratamento de seus resíduos e processos industriais sustentáveis, o que é fundamental para o desenvolvimento de uma economia de base biológica.

 

Coordenador do Combio/Fiesp participa de Festival Internacional de Tecnologia, na Holanda

Dulce Moraes, Agência Indusnet Fiesp

Eduardo Giacomazzi no Bordersessions 2013. Foto: Divulgação

“Do Sol aos Sons”. Com esse tema o coordenador do Comitê da Cadeia Produtiva de Biotecnologia (Combio) da Fiesp, Eduardo Giacomazzi, apresentou nesta quinta-feira (14/11) em Haia, na Holanda, uma palestra em que demonstrou como a energia do sol interage em várias dimensões nos sistemas produtivos naturais e gerar, por exemplo, um inusitado instrumento musical, como uma guitarra feita com fibras de bambu.

A palestra aconteceu durante o Border Sessions – festival internacional de tecnologias de fronteira que reúne cientistas e profissionais que trabalham nas áreas de tecnologia, ciência e arte.

Ao lado de outros 24 especialistas internacionais, Giacomazzi apresentou não apenas os acordes da guitarra de bambu, e todo potencial desta planta para fomentar a cadeia de inovação em biotecnologia, mas também o potencial de tecnologias sociais na geração de energia solar no Brasil.

Eduardo Giacomazzi no Bordersessions 2013. Foto: Divulgação

“O sol é o responsável por toda energia para produção da biomassa e vida no planeta. O bambu, com toda sua versatilidade é uma biomassa do futuro na chamada bioeconomia”, afirmou Giacomazzi ao site da Fiesp dias antes da apresentação.

Segundo ele, a China, com US$ 1 bilhão em exportação de produtos de bambu, é líder na industrialização e uso de novas tecnologias. “Provenientes do sol, são gerados diversos produtos industriais. E aqui no Brasil fizemos a primeira guitarra de bambu do mundo.”

Para o coordenador do Combio/Fiesp, quando se trata de biotecnologia e novas formas de energia, o Brasil é uma das fronteiras e daí a importância da participação neste festival internacional. Em sua palestra ele também apresentou o ASBC (sistema de aquecimento solar de baixo custo, que desde 1992 vem sendo implantado no país, pela organização não-governamental Sociedade do Sol), além de projetos similares, e que estão relacionados à saúde, meio ambiente e tecnologias sustentáveis genuinamente nacionais.

Entraves burocráticos dificultam crescimento do número de patentes no Brasil, diz diretor do Butantan

Alice Assunção, Agência Indusnet Fiesp

Das cinco maiores empresas farmacêuticas com atuação no Brasil, três são brasileiras e têm “inovação zero”, de acordo com avaliação de Jorge Kalil, diretor do Instituto Butantan, em São Paulo, durante visita técnica de representantes da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) no mês de setembro. As demais, ainda segundo Kalil, lideram um tímido processo de inovação incremental, que é a adaptação do produto ao mercado brasileiro.

Kalil: missão de ampliar a variedade de vacinas e soros produzidos no Butantan. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

Kalil: missão de ampliar a variedade de vacinas e soros produzidos no Butantan. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

 

O Instituto Butantan é membro do Comitê da Cadeia Produtiva da Bioindústria (BioBrasil), iniciativa da Fiesp que, entre outros objetivos, visa estimular o desenvolvimento de acordos científicos e comerciais em âmbito nacional e internacional e chamar atenção do setor para a pesquisa e inovação, aspectos ainda pouco desenvolvidos.

“Não existe inovação. Existem algumas empresas que tentam fazer alguma coisa experimental”, afirma Kalil. Ele assumiu a diretoria do instituto em 2011 e tem como principal mote de trabalho ampliar a variedade de vacinas e soros.

O Butantan é o maior produtor de vacinas e soros da América Latina. Atualmente, o órgão conta com oito fábricas de vacinas. “Temos aqui desde a pesquisa bem fundamental até a produção industrial”, aponta Kalil.

O diretor do Butantan explica que o Brasil passou de uma posição periférica na ciência e na tecnologia para um “marketing share relativo”. Há 15 anos, a fatia de produção científica no mercado brasileiro era de 0,5% e agora chegou a 2,5%, mas o principal obstáculo para a criação de produtos inovadores e registros de patentes continua sendo a burocracia.

“A burocracia mata. O Brasil cresceu, mas esse crescimento em produção científica ainda não se traduziu em números de patentes porque, no meu entender, existem entraves burocráticos muito grandes”, alerta Kalil.

Já o coordenador adjunto do Comitê da Cadeia Produtiva da Saúde (Comsaude) da Fiesp, um braço do BioBrasil, Gabriel Tannus, pondera que embora haja avanços, as produções científicas caminham em linhas muitos semelhantes.

“Aparentemente temos muita repetição e pouca novidade. Até agora ninguém se debruçou para fazer esta separação de maneira metódica, mas esta percepção começa a ganhar corpo entre os pesquisadores”, avaliou Tannus.

Mão de obra

Kalil acredita que o principal desafio para a indústria de produtos biológicos virar uma realidade no Brasil é a formação de pessoal capacitado.  Segundo o diretor do Butantan, somente o estado de São Paulo deve receber em até quatro anos mais de cem fábricas de produtos biotecnológicos.

“É fundamental que no trabalho com a indústria se formem quadros de gestão de inovação e pessoal de nível médio e superior para o desenvolvimento na fabricação desses produtos”, afirmou. “Precisamos de um braço produtor de investimento e desenvolvimento, que é a indústria, ou seja, a Fiesp”, disse Kalil.

Eduardo Giacomazzi, coordenador-adjunto do Comitê da Cadeia Produtiva de Biotecnologia (Combio), uma divisão do BioBrasil, reforçou a declaração de Kalil ao afirmar que o Instituto Butantan pode colaborar com as intenções da Fiesp em estimular inovação no setor por meio de formação profissional.

Giacomazzi, à direita, e Coelho, do Senai-SP, à esquerda: ações em nome da inovação. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

Giacomazzi, à direita, e Coelho, do Senai-SP, à esquerda: ações pela inovação. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

 

“A gente é um país que inova muito pouco e a indústria ainda carece de muitos elementos: não só recursos financeiros; é a cultura da inovação. O Butantan é membro do comitê e tem muito a contribuir no sentido de buscarmos, juntos,  soluções. A contribuição dele é na formação de gente”, afirmou Giacomazzi.

Outro participante da visita técnica ao Butantan foi o gestor do Departamento de Inovação e Tecnologia do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial de São Paulo (Senai-SP), Carlos Alberto Pereira Coelho.

Futuro da medicina envolve medicamentos de combinação de DNA, diz presidente do grupo Farma Brasil

Alice Assunção, Agência Indusnet Fiesp

A atuação do BioBrasil na Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) e do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial de São Paulo (Senai-SP) para a criação de um centro especializado na área lança bases para a construção de uma indústria de biotecnologia que deve projetar o Brasil para o mercado global de biofármacos. A avaliação foi feita nesta segunda-feira (16/09), por Reginaldo Arcuri, presidente do Grupo Farma Brasil.

Ele participou do 1º Workshop da Bioindústria, uma iniciativa do BioBrasil e do Senai-SP que reuniu nesta manhã representantes da indústria farmacêutica nacional e internacional.

“O resultado dessa reunião vai ser o melhor possível. O fato de a Fiesp e do Senai-SP estarem preparando as bases para que o Brasil efetivamente tenha uma indústria de biotecnologia capaz de atender o país e o mundo inteiro com padrões de classe mundial será um marco na história da indústria brasileira”, afirmou Arcuri, presidente do grupo que reúne os principais laboratórios do país.

Segundo o executivo, o futuro da medicina envolve medicamentos de combinação de DNA, ou seja, os biofármacos, os quais devem combater doenças variadas. “O Brasil ainda não produz em escala industrial esse tipo de medicamento, mas já demonstrou que é capaz de fazer isso através do programa de imunização da população brasileira com vacinas que é um dos mais bem sucedidos no mundo”, afirmou.

O presidente do Grupo Farma Brasil avaliou, no entanto, que o principal desafio para instalação efetiva da bioindústria no país é a capacitação técnica dos profissionais que estarão envolvidos não apenas com pesquisa e inovação, mas, sobretudo, com os técnicos que vão operar os processos de produção dos medicamentos.

“Você está trabalhando com a produção de determinadas proteínas ou enzimas a partir de células vivas, então é algo de outro patamar na produção”, alertou Arcuri.

Identificando competências

Ao liderar os debates do 1º Workshop da Bioindústria, Eduardo Giacomazzi, coordenador-adjunto do BioBrasil e diretor do Comitê de Cadeia Produtiva de Biotecnologia (Combio) na Fiesp, afirmou que a prioridade agora é mapear as competências do setor de biotecnologia nos diversos institutos que atuam no Brasil. Um deles é o Instituto Butantan, em São Paulo, reconhecido mundialmente pelo desenvolvimento de vacinas e soros.

“Encontramos competência no Butantan? Vamos verificá-la e assim por diante com outros institutos. Se a gente conseguir identificar essa base instalada, o Senai-SP tem toda condição de entrar com sua competência para formação de profissionais”, afirmou Giacomazzi.

Com o objetivo de estimular a competitividade do setor, o Senai-SP  e o BioBrasil assinara em julho um protocolo de intenções para a construção do Centro Senai-SP de Biotecnologia.

Também presente no workshop, o assessor do diretor do Butantan, Ivo Loyola, sinalizou interesse do instituto em contribuir para a formação de profissionais para trabalharem na bioindústria.

“A formação de mão de obra é urgente”, disse Loyola. “Podemos ter algumas coisas que facilitem a implantação dessa escola”.

Senai-SP reúne especialistas do setor farmacêutico para debater pesquisa, desenvolvimento e formação profissional

Ariett Gouveia, Agência Indusnet Fiesp

O Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial de São Paulo (Senai-SP) realizou, nesta segunda-feira (16/09), o I Workshop com a Bioindústria, reunindo profissionais de várias áreas do setor farmacêutico para debater os caminhos para desenvolver a inovação. A iniciativa faz parte do objetivo do Senai-SP de tornar-se provedor de tecnologia no país, por meio da estruturação de centros de inovação.

Para dar início ao workshop, o gestor do Departamento de Inovação e Tecnologia do Senai-SP, Carlos Alberto Pereira Coelho, fez uma breve apresentação sobre a instituição e seus planos na área tecnológica.

“Em São Paulo, os quatro institutos da área de inovação com os quais vamos atuar são os de Materiais Avançados e Nanocompostos, Microtecnologia, Defesa e Biotecnologia, que é o alvo desse encontro”, explicou. “Um dos objetivos é discutir as competências que podem ser desenvolvidas no centro de biotecnologia, além de detalhar necessidades como equipamentos, profissionais que vão atuar e perfil das pessoas que serão formadas.”

O diretor do Comitê de Cadeia Produtiva de Biotecnologia (Combio) da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Eduardo Giacomazzi, também esteve presente no workshop. “Agora é o momento de usar a colaboração para que a gente consiga atingir objetivos mais interessantes e mais complexos, posicionando o Brasil no mapa mundial.”

Um dos temas centrais do debate foi o desafio da inovação no país. “O vale da morte da inovação é aquela região que se encontra entre a pesquisa acadêmica, onde não faltam recursos, e a pesquisa que deve ser feita pela iniciativa privada”, afirmou o diretor-presidente da empresa de biotecnologia Recepta Biopharma, José Fernando Perez. “Essa região é terra de ninguém, onde morrem os projetos de inovação, por falta de plantas em escala piloto para fazer a prova de conceito.”

Outro argumento debatido no encontro foi a importância de contar com profissionais e conteúdo de outros países. “A gente vai perder o bonde da biotecnologia se continuarmos tentando fazer as coisas de forma caseira”, defendeu o vice-presidente executivo do Sindicato da Indústria de Produtos Farmacêuticos do Estado de São Paulo (Sindusfarma), Lauro Moretto.

Comitê da Bioindústria da Fiesp e Senai-SP assinam protocolo para construção de centro de biotecnologia

Alice Assunção, Agência Indusnet Fiesp

O Brasil ainda está em tempo de concorrer em condições de igualdade com o resto do mundo no mercado de biotecnologia, afirmou o coordenador do BioBrasil e do  Comitê da Cadeia Produtiva da Bioindústria (Combio) da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Ruy Baumer.  Com o objetivo de estimular a competitividade do setor, Baumer, o diretor regional do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial de São Paulo (Senai-SP), Walter Vicioni, e outros coordenadores da Fiesp assinaram, nesta quarta-feira (17/07), um protocolo de intenções para a construção do Centro Senai-SP de Biotecnologia.

“O foco principal é atender uma demanda pelo desenvolvimento da biotecnologia no Brasil”, disse Baumer. “No caso do Senai-SP, nosso objetivo é capacitar profissionais para isso. Estamos focando os nossos esforços nos biofármacos e em outros materiais”, explicou.

Reunião do Combio: articulação para o projeto do Centro Senai-SP de Biotecnologia. Foto: Julia Moraes/Fiesp

Reunião do Combio: articulação para o projeto do Centro Senai-SP de Biotecnologia. Foto: Julia Moraes/Fiesp

 

Da parte do Senai-SP, Vicioni garantiu que o projeto não vai “ficar no meio do caminho”, uma vez que a escola tem uma tradição em realizações. “A gente pretende unir o meio de produção com o meio de formação profissional e planejar uma escola juntos”, assinalou.

O protocolo foi assinado por Baumer, Vicioni e também por Eduardo Giacomazzi, coordenador adjunto do Combio e por Eduardo Perrilo, membro do Comitê da Cadeia Produtiva da Saúde (Comsaúde) da Fiesp, do qual Baumer também é coordenador.

Vicioni: laboratório construído em parceria. Foto: Julia Moraes

Vicioni: formação profissional. Foto: Julia Moraes

“Esse é um momento histórico porque essa plataforma de educação a partir de hoje é uma realidade”, afirmou Giacomazzi.

Próximo passo

Segundo o gerente de Inovação e Tecnologia do Senai-SP, professor Osvaldo Maia, os próximos passos para viabilizar a construção do centro de biotecnologia serão construir corpos técnicos sob a coordenação do Senai-SP e orientar os comitês da Fiesp relacionados ao assunto.

Os convites para a formação dos corpos técnicos devem ser feitos a partir da próxima semana.

Em uma apresentação para os membros do Comsaúde e do Combio sobre as próximas ações do Senai-SP para atender ao protocolo, Maia acrescentou que será feito também um levantamento da demanda profissional para o setor de biotecnologia, além da elaboração conjunta de um projeto de construção do centro.

“Estamos muitos felizes de nesse momento poder dar essa resposta à bioindústria brasileira. Pretendemos trabalhar na área da saúde, dos fármacos, das biossínteses e dos biopolímeros”, disse Maia.

Na prática, o Senai-SP vai desenvolver projetos  em engenharia de processo, química analítica e automação, desenvolvimento de bioativos e formação de bancos de células, bactérias e enzimas. “Temos hoje algumas escolas com capacidade instalada e existem outras  unidades muito bem equipadas para darem início ao atendimento. O que falta é uma articulação com vocês”, disse Maia aos membros do Comsaúde e do Combio.

Buscamos parcerias com empresas de saúde do Brasil, afirma ministro britânico em visita à Fiesp

Guilherme Abati, Agência Indusnet Fiesp

Acompanhado por uma comitiva de empresários do setor de saúde, o ministro britânico Kenneth Clark foi recebido nesta segunda-feira (20/05) por empresários na sede da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).

Membros do BioBrasil e Combio da Fiesp recebem ministro britânico Kenneth Clark (ao centro). Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

O encontro contou com a presença de Ruy Baumer, coordenador do Comitê da Cadeia Produtiva da Saúde (Comsaude), e Eduardo Giacomazzi, coordenador do Comitê da Cadeia Produtiva de Biotecnologia (Combio), além de Paulo Fraccaro, diretor-executivo da Associação Brasileira da Indústria de Artigos e Equipamentos Médicos, Odontológicos, Hospitalares e de Laboratório (Abimo).

Durante reunião, autoridades e empresários falaram sobre possíveis parcerias comerciais entre Brasil de Reino Unido.

Ministro britânico Kenneth Clark. Foto: Helcio Nagamine/FIESP

“Buscamos oportunidades no mercado e parcerias com empresas brasileiras do setor”, disse Clark no início do encontro.

Segundo o ministro, é muito importante para a comitiva britânica conhecer pessoas do comitê médico de uma entidade como a Fiesp. “Sentimos que nossas empresas e instituições podem contribuir cada vez mais com empresas brasileiras. Gostaríamos de ter cada vez mais o Brasil como parceiro comercial. Temos particular interesse no sistema privado”, disse.

Na sequência, Eduardo Giacomazzi e Paulo Fraccaro realizaram breves apresentações sobre o papel da Fiesp e da Abimo, respectivamente.

Falaram ainda sobre o cenário do sistema médico brasileiro, a configuração do mercado nacional e a atuação de diferentes empresas do setor. Abordaram ainda a possibilidade de parcerias e intercâmbios entre os dois países.

“Nossa burocracia é alta. Mas o futuro é no Brasil. Nossos programas sociais contribuíram para a ascensão econômica de milhões de pessoas. O setor no Brasil de saúde crescerá muito nos primeiros anos”, disse Fraccaro.

Comitê de biotecnologia vai ajudar a coordenar ações em São Paulo, afirma coordenador do BioBrasil

Juan Saavedra, Agência Indusnet Fiesp

Ruy Baumer: 'Queremos, como comitê, ser um participante importante na biotecnologia do Brasil'. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

Organizar a cadeia produtiva de biotecnologia no estado de São Paulo. Este é um dos objetivos da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) ao criar um comitê para cuidar do tema, o Combio, de acordo com Ruy Baumer, coordenador titular do Comitê da Cadeias Produtiva da Bioindústria (BioBrasil), ao qual o Combio está vinculado.

Segundo Baumer, que coordena ainda o Comitê da Cadeia Produtiva da Saúde (Comsaúde), o Combio tem questões específicas para tratar mas atua de modo integrado ao Comsaúde. “A maioria das áreas de inovação, pesquisa e desenvolvimento, fontes de financiamento, demandas e centros de pesquisa [de biotecnologia] é muito parecida ou exatamente a mesma da área da saúde”, explica.

Leia os principais trechos da entrevista com o coordenador do BioBrasil.

Por que a Fiesp criou o Comitê da Cadeia Produtiva de Biotecnologia?

Ruy Baumer – A Fiesp já contava com o Comsaúde, comitê em que temos a cadeia vertical de todo o setor. Mas a área de biotecnologia engloba outros setores, como o de energia, por exemplo. E o Estado de São Paulo, hoje, não tem nenhuma coordenação de todos os investimentos feitos em biotecnologia.  Então, nós resolvemos criar um comitê para apoiar esta organização.
Por que eles estão estruturados em paralelo e sob a coordenação do BioBrasil?

Ruy Baumer – Os comitês estão separados porque os focos são diferentes. E atuam juntos porque a maioria das áreas de inovação, pesquisa e desenvolvimento, fontes de financiamento, demandas e centros de pesquisa é muito parecida ou exatamente a mesma da área da saúde. Aquilo que é atuação distinta fica em separado; o que é comum fazemos conjuntamente. Para juntar os dois comitês, nós criamos o BioBrasil porque uma indústria pode ser de biotecnologia, mas também pode estar ligada à área de saúde. Nossa ideia é que ele se transforme num departamento, que dentro de seu escopo teria saúde e biotecnologia. Hoje, o BioBrasil é só o guarda-chuva do Comsaúde e do Combio.

De que forma o Combio está atuando com outros departamentos e comitês existentes na Fiesp?

Ruy Baumer – Primeiro, apresentando para os departamentos e comitês existentes o que é o Combio. Todo mundo entendeu que o assunto, que não é o principal tema deles, poderia ser interessante. Então, nós pedimos que eles indicassem pelo menos um participante para participar do comitê, onde nós vamos discutir os assuntos comuns. Todos participam do Combio e atuam naquilo que é demanda comum. O Comsaúde, por exemplo, participa do Combio, com suas demandas relacionadas à biotecnologia: farmacêuticos, produtos médicos, derivados de produtos, pesquisa em laboratórios e convênios que nós estamos fazendo com o exterior na área da saúde.

Baumer: biotecnologia é um assunto precisa ser desmistificado. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

O senhor disse que o setor estava sem coordenação em São Paulo? A participação do Estado nas políticas públicas, em nível nacional, reflete sua relevância?

Ruy Baumer – São Paulo estava sem coordenação nenhuma. As empresas e os centros de pesquisa que atuam no setor estavam tentando encontrar um meio de trabalhar juntos, para poder discutir suas questões. E São Paulo representa mais de 40% dos atores na biotecnologia. Então, nós resolvemos criar um comitê exatamente para ajudar essas entidades, áreas, empresas e setores nas demandas, para poder desenvolver melhor a biotecnologia. Nós precisamos do governo trabalhando junto conosco. Hoje, alguns outros estados estão mais avançados em comunicar seus interesses, embora São Paulo tenha uma atuação mais significativa por conta do dinamismo de suas empresas.

Quais são as metas do BioBrasil?

Ruy Baumer – No Combio, na área de biotecnologia, nossos passos são, primeiramente, organizar o setor no estado de São Paulo, que tem uma participação relevante no país, tanto no desenvolvimento como nas políticas de inovação. Porque ainda tem muita coisa para ser decidida. Ainda tem muita dúvida de como isso é vendido, é negociado. Sempre que se mexe com biotecnologia há algum conflito. Há dúvidas sobre como o assunto será regulado. Tudo tem contato com o ser humano, então, tudo tem regulação. Nós queremos participar para influenciar nessas questões, não só na parte regulatória, mas em temas como financiamento à inovação. Queremos definir o foco e conseguir mais recursos para a inovação.  Não adianta tentar fazer tudo sozinho – estamos trabalhando em convênios, acordos internacionais e parcerias entre empresas e centros de pesquisas brasileiros e estrangeiros. Então, essas são as áreas em que estamos atuando. Queremos, como comitê, ser um participante importante na biotecnologia do Brasil.

Quais são os principais gargalos no setor de biotecnologia?

Ruy Baumer – Em primeiro lugar, ainda há muita coisa para definir em termos de regulação nas áreas de saúde e de agronegócio. Em negócios como petróleo e gás, tem menos. O segundo ponto é a pouca disponibilidade de financiamento para pesquisa. Normalmente, quem trabalha com biotecnologia são centros de pesquisa ligados a pequenas empresas ou empresas inovadoras ou cientistas. Ainda há pouco acesso a esses recursos. Ele é muito complexo, isso tem que ser facilitado. Tudo é muito burocrático. E o terceiro ponto é a questão do conhecimento. É preciso divulgar mais a biotecnologia desde a escola, para não ser um bicho de sete cabeças. E é preciso investir em educação e criação de mão de obra e de centros especializados para trabalhar nesse setor. O Senai-SP vem trabalhando, mas não é suficiente para o Brasil ser um player importante. E estou falando de ações federais, estaduais e municipais. É preciso criar centros de excelência na área de desenvolvimento de biotecnologia. Queremos divulgar ao público o que é biotecnologia e o que pode ser feito. Há ainda pouca informação nas escolas e nos cursos superiores. E o assunto precisa ser desmistificado.

Qual é o papel do governo, tanto o federal como do estado de São Paulo, para desenvolver o setor?

Ruy Baumer – Nossa visão é sempre enxergar o governo como fomentador e facilitador. Ele tem que criar condições para que a inovação exista e para isso precisa colocar à disposição recursos. Ele precisa destravar a burocracia e dar diretrizes de quais são as metas importantes que o país busca na área de biotecnologia, muito mais do que fazer a execução. O que o governo tem que fazer? Aquilo que não é viável para uma empresa privada. É preciso de investimento em longo prazo? O governo entra. É preciso de grande desenvolvimento? O governo entra. Mas tem muita coisa nessa área que pode ser feita por pequenas, medias e grandes empresas, desde que tenham o direcionamento correto, aproveitando até mesmo os recursos existentes. O Brasil tem tecnologia que até Deus duvida, mas está tudo engavetado. Tem muita coisa no papel, muita publicação escrita, mas de prático mesmo, nada. Temos que mudar isso. E é algo em que trabalhamos tanto na área de biotecnologia como na área de saúde.

A indústria vê biotecnologia como despesa ou como investimento?

Ruy Baumer – Há uma mudança de visão. O que a indústria vê hoje é pesquisa e desenvolvimento (P&D) ou inovação como investimento. Antes ela via isso como despesa; hoje é visto como investimento. O resultado dessa inovação em biotecnologia são produtos biotecnológicos. Pode-se ter biotecnologia num detalhe do seu produto ou num processo ou para fazer perfuração de petróleo sem queimar as perfuradoras. Tudo isso pode usar a biotecnologia. Os remédios, os medicamentos, a genética. Tudo pode ter menos ou mais resultado em biotecnologia. A indústria vê isso como futuro e algumas coisas como presente, mas ela não vê isso como despesa. Ela precisa estar nisso.

A biotecnologia pode ajudar na redução de custos?

Ruy Baumer – Sim. Usando recursos naturais de um lado e até sintéticos do outro é possível conseguir resultados que antes seriam inimagináveis redução de custos, melhoria de meio ambiente, qualidade do produto ou benefícios que o produto proporciona.

 

Brasil precisa definir política industrial que fortaleça empresas de biotecnologia, diz coordenador de comitê da Fiesp

Juan Saavedra e Dulce Moraes, Agência Indusnet Fiesp

Eduardo Giacomazzi: coordenador do Comitê da Cadeia Produtiva de Biotecnologia (Combio) da Fiesp. Everton Amaro/Fiesp

A definição de uma política industrial de biotecnologia é uma das reivindicações do setor, afirma Eduardo Giacomazzi, coordenador do Comitê da Cadeia Produtiva de Biotecnologia (Combio) da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).

Criado em 2012, o Combio tem como missão disseminar uma agenda a favor da competitividade brasileira, segundo o coordenador – atual membro-observador e palestrante do Brasil no Grupo de Trabalho sobre Biotecnologia na Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OECD).

Na visão de Giacomazzi,  faltam lideranças setoriais na condução de investimentos para o setor e políticas públicas que estimulem a base do desenvolvimento da biotecnologia em bioindústrias produtivas, da saúde à alimentação.

“A experiência europeia, americana e japonesa apontam no caminho das Parcerias Públicas Privadas”, sugere o coordenador, que já exerceu a direção-executiva da Associação Brasileira de Biotecnologia (BrBiotec).

Nessa entrevista, Giacomazzi fala sobre o papel do Comitê e os desafios do setor.

Em que contexto o Combio foi criado e qual é a compreensão conceitual que a Fiesp tem sobre a biotecnologia e bioindústria?
Eduardo Giacomazzi – O Combio é uma iniciativa que nasceu da parceria de empresas, entidades e profissionais da bioindústria envolvidos com os avanços da biotecnologia no Brasil. A liderança de São Paulo na bioeconomia brasileira e o expressivo número de empresas de biotecnologia da região faz do Estado um ator importante das discussões setoriais relacionados ao tema. A Fiesp, por meio do Combio, contribui para a disseminação de uma agenda a favor da competitividade brasileira e compreende que a biotecnologia, por ser um tema portador de futuro, é fundamental para uma indústria preocupada com a sustentabilidade. Desta forma, sua atuação é transversal aos setores por ela representados.

Qual é o mapa da biotecnologia no Brasil?
Eduardo Giacomazzi – O mapa da biotecnologia no Brasil, em estudo realizado pelo Centro Brasileiro de Análise Planejamento (Cebrap), apontou em 2011 o crescimento do número de novas empresas nos últimos 10 anos e apresentou a perspectiva regional da distribuição geográfica de empresas e produção científica. A elaboração de estudos setoriais em biotecnologia no Brasil é recente e carece de regularidade e rigor metodológico. Esse esforço é fundamental para que novas políticas públicas estejam cada vez mais em sintonia com a realidade empresarial e científica.

O que o Estado de São Paulo tem a contribuir para o desenvolvimento da biotecnologia no país?
Eduardo Giacomazzi – O Estado de São Paulo representa 40% das empresas de biotecnologia do país. Grupos empresariais como empresas dos setores farmacêutico, agrícola e sucroalcoleiro têm sede no Estado. Além disso, São Paulo conta com as principais instituições de ensino e pesquisa do país numa rede de cooperação científica que se estende nacional e internacionalmente.

Quais as contribuições mais relevantes do país para o avanço da biotecnologia no contexto global?
Eduardo Giacomazzi – Cito três: biocombustíveis, agricultura e vacinas. Na área energética, desde que lançou o programa Proálcool na década de 70, o Brasil se posicionou na chamada primeira geração de etanol a partir da cana-de-açúcar. Hoje, somos líderes mundiais no desenvolvimento de novas espécies e em produção. Na agricultura, a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), criada em 1973, é referência mundial em pesquisa no setor. O mesmo vale no setor de vacinas, com instituições centenárias como Fiocruz e Instituto Butatan. Embora seja reconhecido internacionalmente no uso da biotecnologia na agricultura (Embrapa) e energia (etanol), além de sua tradição no desenvolvimento de vacinas (Fiocruz e Instituto Butantan), o Brasil não possui um posicionamento claro como país no cenário mundial.

Quais são as boas práticas no cenário internacional, em termos de política para o setor, que poderiam ser aplicadas no Brasil?
Eduardo Giacomazzi – No cenário internacional, podemos apontar a prática das políticas europeias: “FP7″ e “Horizon 2020″, além das Parcerias Público-Privada (PPPs) desenhadas como política pública para os países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OECD).

Um dos diagnósticos para o baixo nível de crescimento do país em 2012 foi o pequeno volume de investimentos. Como atrair recursos para o setor de biotecnologia nos próximos anos?
Eduardo Giacomazzi – A definição de uma política industrial é uma das reivindicações antigas para o setor. Como parte da importante malha de investimentos públicos que deve ser direcionada às empresas e à pesquisa, ainda falta uma ação mais forte por parte do governo. A insegurança jurídica, como é o caso do acesso à biodiversidade, é um bom exemplo de como o Brasil vem afastando o investimento da indústria para o setor.

Em fevereiro deste ano, durante reunião do Conselho Nacional de Ciência e Tecnologia, a presidente da República Dilma Rousseff pediu um maior empenho do governo na pesquisa em biotecnologia e na abertura de novos laboratórios. O que falta para haver um salto? Quais os são os desafios?
Eduardo Giacomazzi – Faltam lideranças setoriais na condução de investimentos para o setor e políticas públicas que estimulem a base do desenvolvimento da biotecnologia em bioindústrias produtivas, da saúde à alimentação. As experiências europeia, americana e japonesa apontam para o caminho das PPPs. Desta forma, o Brasil terá condições de dar um salto “bioeconômico”, favorecendo, com isso, a preservação de nossa biodiversidade e a educação para a ciência para as próximas gerações.

O governo federal anunciou que destinará recursos para estimular a área de biotecnologia. E sabemos que pesquisas em biotecnologia não são feitas apenas nos laboratórios de universidades. Como o senhor acha que as empresas podem ter acesso a esses recursos e como elas poderão se habilitar?
Eduardo Giacomazzi – A coordenação destes programas é resultado de um governo disposto a ouvir, mas há muito a ser realizado. Para ter acesso aos recursos, as empresas precisam estar aptas para mergulhar no complexo processo da pesquisa e desenvolvimento (P&D). Além disso, investimento em educação associado ao programa é uma inovação em termos de política, mas ainda falta entendermos seu funcionamento, suas regras e, sobretudo, ampliar o acesso das empresas a estes recursos. A operação do programa é tão mais importante quanto o programa em si. Vamos acompanhar e colaborar para que isso ocorra.

O Brasil está formando mão de obra suficiente para atender às demandas da indústria de biotecnologia?
Eduardo Giacomazzi – Não, a exemplo de outros setores, existe um apagão de profissionais no setor. O processo iniciado pelo programa Ciências sem Fronteiras, do governo federal, é um passo importante. Nossos estudantes precisam participar da pesquisa de ponta realizada em outros países. Por outro lado, a indústria carece de programas que estimulem o intercâmbio de mestres, doutores e PHD’s entre institutos e empresas. Precisamos de um “Ciência sem Fronteiras” de mão dupla, voltado à indústria. O processo de internacionalização das empresas não está associado somente à promoção e exportação; faltam programas que valorizem a transferência tecnológica e realização de patentes em parceria com institutos fora do Brasil.

O Brasil é valorizado pela biodiversidade. Espécies da Amazônia e Cerrado atraem o interesse de pesquisadores e indústrias do mundo todo, principalmente nas áreas de cosméticos e fármacos. Aqui em São Paulo temos exemplos de espécies cuja pesquisa apresentam esse potencial?
Eduardo Giacomazzi – A lei de acesso à biodiversidade e o protocolo de Nagoia serão temas de nossas discussões em 2013. Além disso, materiais como bambu são exemplos de como o uso sustentável de novas espécies podem gerar riqueza e desenvolvimento sustentável a partir de seu uso nas diversas cadeias produtivas. Elementos chave: multidisciplinariedade, ações transversais e a colaboração intersetorial. Se conseguirmos avançar nestes pontos, os benefícios socioeconômicos serão imensos. Para a bioeconomia, ou melhor, uma economia baseada em bio-based products, os produtos de base biológica estão intimamente relacionados à sua cadeia e uso sustentável dos resursos. Um bom exemplo é a cana-de-açúcar transformada em plástico verde – bioplástico e energia renovável.

Comtextil/Fiesp discute oportunidades de inovação em biotecnologia para indústria têxtil

Talita Camargo, Agência Indusnet Fiesp

A última reunião plenária do ano do Comitê da Cadeia Produtiva da Indústria Têxtil, Confecções e Vestuário (Comtextil) da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), realizada nesta terça-feira (04/12), contou com a participação do coordenador-adjunto do Comitê da Cadeia Produtiva da Bioindústria (Combio), Eduardo Giacomazzi.

Convidado a falar sobre Biotecnologia em Produtos Têxteis, o palestrante ilustrou as oportunidades de negócios em biotecnologia para a indústria têxtil no Brasil. Ele destacou que o Brasil é o país com o maior celeiro da biodiversidade mundial, o maior produtor de energia limpa (renovável) do mundo, o maior produtor agrícola em vários setores e líder em diversos segmentos da bioeconomia. No entanto, “parte da indústria não consegue enxergar isso”.

Eduardo Giacomazzi, coordenador-adjunto do Combio, durante palestra em reunião plenária do Comtextil. Foto: Julia Moraes

Conforme números apresentados por Giacomazzi, 85% das empresas de biotecnologia no país são de pequeno porte. Desse total, 55% concentram-se no Estado de São Paulo e 90% delas na capital paulista. “São Paulo, Campinas e Piracicaba representam quase 98% do mercado de biotecnologia nacional. Por isso, [o Brasil] é o lugar ideal para se fazer biotecnologia hoje no Hemisfério Sul”, afirmou.

Mobilização

Giacomazzi salientou que hoje o país não tem uma mobilização em biotecnologia. E nesse sentido, disse, é “muito importante” a atuação tanto do Comitê da Cadeia Produtiva da Bioindústria quanto da Fiesp.“Em menos de quatro meses, conseguimos reunir membros de diversos setores”, destacou, elencando os temas prioritários do Combio: educação, para que a sociedade entenda o conceito de biotecnologia; internacionalização; biodiversidade e inovação; investimento e políticas públicas; e comunicação e mobilização.

Para o coordenador-adjunto do Combio, porém, “dificilmente” a biotecnologia terá sucesso se não estiver globalizada. “O Brasil está fora do mapa internacional dos grandes centros de biotecnologia, como Estados Unidos, Inglaterra, Alemanha, Paris, Japão, entre outros”, alertou.

Na visão de Giacomazzi, a biotecnologia é mais que uma conjunção de ciências (engenharia, química e biologia): é uma “convergência para o futuro das indústrias em geral”. E as novas tecnologias, a redução de custo e o ganho ambiental “são o caminho das indústrias brasileiras”.

Sobre as aplicações práticas da biotecnologia na indústria têxtil, ele citou alguns exemplos, como os tecidos fluorescentes, ou bioluminescências; e o wine textiles, tecidos produzidos a partir da fermentação de vinhos que são biodegradáveis. Ele ressaltou ainda a importância de observar a inovação e investimento em pesquisas como elemento de competitividade. “Aproximação da indústria aos acadêmicos e aos centros de pesquisa mundiais.”

Giacomazzi enfatizou também o papel do Combio em estabelecer a ponte entre pesquisa e desenvolvimento. “A presença da indústria como um indutor nessa construção é muito importante. Temos um grande potencial de desenvolvimento no Brasil”, concluiu.