Biotecnologia: representante da União Europeia apresenta programa de inovação em reunião de comitê da Fiesp

Dulce Moraes, Agência Indusnet Fiesp

Nesta quarta-feira (20/03), Piero Venturi, chefe do Setor de Ciência, Tecnologia e Inovação da União Europeia (UE) no Brasil, apresentou detalhes do Programa Europeu de Apoio à Pesquisa  e Inovação – Horizon 2020 – aos membros do Comitê de Biotecnologia da Fiesp (Combio/Fiesp).

Programa Horizon 2020 da Comunidade Europeia é apresentado na reunião do Combio. Foto: Everton Amaro/FIESP

O encontro foi aberto por Ruy Baumer, coordenador do Comitê da Cadeia Produtiva da Biodindústria (BioBrasil) e pelo coordenador do Combio/Fiesp, Eduardo Giacomazzi, que destacaram a importância da disseminação desse tipo de conteúdo às indústrias.

Eduardo Giovenazzi, coordenador do Combio. Foto: Everton Amaro/FIESP

Giacomazzi ressaltou que o Combio/Fiesp tem agora uma página na internet – www.fiesp.com.br/biotecnologia – por meio da qual a entidade passa a divulgar informações relevantes sobre biotecnologia e bioeconomia.

Piero Venturi começou sua apresentação informando que, entre 2014 a 2020, serão destinados  80 bilhões de euros à pesquisa e inovação, por meio do programa Horizon 2020. A iniciativa é aberta à participação de países extra-bloco, por meio de ações específicas e também cooperação internacional.

O principal alvo do programa é gerar soluções que respondam às crises econômicas (proporcionando emprego e crescimento) e aos desafios da sociedade (como saúde, meio ambiente, energias limpas, segurança alimentar, entre outros). Outro objetivo é fortalecer a posição global da União Europeia em pesquisa, inovação e tecnologia.

Piero Venturi, representante da Comissão Europeia. Foto: Everton Amaro/FIESP

Segundo o executivo, o Horizon 2020 tem o acesso mais simplificado do que o atual programa de inovação europeu (o FP7, que se encerra este ano). A grande diferença é que, além de manter os investimentos em pesquisa de fronteira, ele focará nas mudanças e desafios da sociedade. “Essa é preocupação geral na sociedade europeia. O nosso objetivo é e sempre será a inovação,  mas é importante que isso não seja só na pesquisa. Deve-se passar por uma área entre pesquisa e mercado”, afirmou Venturi.

O conselheiro de Ciência e Tecnologia do Consulado Geral do Reino dos Países Baixos, Theo Groothuizen, comentou que as empresas brasileiras certamente vão querer participar do programa, mas pontuou que seria importante que fossem contemplados não só os setores em que o Brasil é forte em inovação. “Grupos de empresas, até de pequeno porte, de uma mesma área, poderiam se beneficiar dos institutos de pesquisas europeus”, sugeriu.

Theo Groothuizen, do Consulado Geral do Reino dos Países Baixos. Foto: Everton Amaro/FIESP

Venturi concordou que essa pratica já é bem sucedida na Europa, com as spin-off (empresas criadas por um grupo de empresas e centros de pesquisas para explorar um novo produto). “Posso dizer que se a indústria demonstrar maior interesse é possível estabelecer mais programas em comum”. Ele destacou que, atualmente, 20 empresas brasileiras participam de projetos de inovação na Comunidade Europeia, mas elas estão concentradas em áreas específicas.

O Horizon 2020 tem mirado em grandes parceiros – entre os quais está o Brasil, China e Índia. “Até pouco tempo atrás o Brasil não tinha um programa de infraestrutura e usou o europeu. Agora temos que ter uma conversa aberta para ver em quais áreas temos interesse em comum para uma cooperação de longo prazo. Nós dividiremos os resultados”.

No próximo semestre, a Comissão Europeia apresentará o Horizon 2020 a vários países. “Com o Brasil temos um prazo. No mês de junho temos que ter definido as prioridades de interesse comum da Comunidade Europeia e do Brasil”. E há muitas oportunidades em relação a projetos na área de energia e nanotecnologia, por exemplo.