‘Produtos piratas ameaçam o emprego na indústria’, afirma diretor financeiro da Dudalina

Dulce Moraes, Agência Indusnet Fiesp

Durante o seminário “Rastreabilidade de Produtos: A ilegalidade e seu impacto na competitividade da Indústria Brasileira”, realizado nesta quarta-feira (22/10) na sede da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), foram ouvidas as ações da iniciativa privada no combate à pirataria de produtos.

Uma das indústrias que apresentou sua estratégia foi a Dudalina, uma das mais conhecidas grifes do ramo de camisaria no Brasil e detentora das marcas Dudalina, Dudalina Feminina, Individual e Base.

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Marcio Luiz Guse: empresa contratou advogados especializados em combate à pirataria, inclusive no ambiente digital. Foto: Tâmna Waqqued/Fiesp

O diretor financeiro da empresa, Marcio Luiz Guse, explicou que o comércio de produtos falsificados da grife foi detectado em 2011, mesma época em que foi lançada a marca Dudalina Feminina. O principal alvo dos falsificadores tem sido as camisas modelo polo e produtos da marca Dudalina.

Segundo Guse, geralmente se tem a ideia de que apenas as marcas internacionais eram as falsificadas, mas grifes brasileiras, como Havaianas e Mormaii, também sofrem com o problema. Os prejuízos dessa ação são imensos e não atingem apenas as empresas. “A Dudalina emprega mais 2.000 funcionários em suas fábricas, e quando se fala de produtos piratas temos que pensar que isso afeta também todo esse contexto.”

Desde 2012, ao se perceber um processo muito forte de pirataria de seus produtos na cidade de São Paulo, principalmente nas ruas de comércio popular da região da Rua 25 de Março e Brás, a empresa começou a estruturar uma área voltada ao combate à pirataria, contratando advogados especializados no tema. “Em abril de 2012, fizemos a primeira apreensão de produtos piratas com a marca Dudalina.”

Guse ressaltou que, em 2011, a cidade de São Paulo tinha uma ação forte contra a pirataria, a partir de uma articulação com os órgãos de repressão desse tipo de crime na esfera estadual, além da Receita Federal. Segundo ele, a partir da atual gestão da Prefeitura, esse processo cessou. “Desde então, não conseguimos fazer praticamente nenhuma apreensão”, afirmou.

A venda de produtos piratas continuou nas ruas e, além disso, passou a acontecer pela internet. Diante disso, a empresa contratou um advogado especializado em combate à pirataria online.

O combate a esses produtos, segundo o diretor financeiro, exige esforço e dedicação intensa da empresa que, nos últimos dois anos, investiu R$ 2,2 milhões no combate à pirataria. “O investimento é alto, mas é importante para protegermos a nossa marca e os empregos que geramos.”

Segundo ele, em dois anos de trabalho, foram apreendidas mais de 450 mil peças, um volume que equivale a R$ 135 milhões de faturamento da empresa. Entretanto, estima-se que tenham sido comercializadas nesse período cerca de 5 milhões de peças falsificadas da marca Dudalina.

A empresa também contratou advogados no exterior e colaborou com apreensões de produtos em aduanas no Peru, Bolívia e Paraguai.

De acordo com o executivo, para combater a pirataria deve haver um envolvimento muito maior do poder público, pois é um problema que tem impacto para toda a sociedade e envolve diversos outros crimes, como evasão de divisas, sonegação de impostos, lavagem de dinheiro, imigração ilegal e trabalho escravo.

Sobre a questão do trabalho escravo usado pelas quadrilhas de falsificadores, Guse enfatizou que há um grave risco para as indústrias brasileiras, pois a marca pode ser associada a essa prática ilegal. Segundo ele, nas apreensões realizadas foram identificadas as principais origens dos produtos e pontos de distribuição, como as feiras e shoppings populares nas cidades de São Paulo (SP), Brasília (DF), Caruaru (PE) e Jaraguá (GO).

Guse destacou que, por mais que a empresa se esforce é preciso também maior atuação das autoridades. “O principal ponto é cobrar do poder público maior envolvimento. É um problema enorme para o Brasil, ceifa empregos, renda e tudo mais. E essas parcerias são mais que necessárias.”

O seminário “Rastreabilidade de produtos – A ilegalidade e seu impacto na competitividade da indústria brasileira” é organizado pelo Departamento de Segurança (Deseg) da Fiesp.

Fiesp pede que EUA retirem Brasil da lista de violação à propriedade intelectual

Katya Manira, Agência Indusnet Fiesp

O Brasil ainda é considerado pelo governo dos Estados Unidos como um dos países que não oferecem proteção adequada aos direitos de propriedade intelectual e combate à pirataria. A Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), em conjunto com outras entidades do setor privado enviou na sexta-feira (08/02) uma carta, acompanhada de um estudo, pedindo que o país seja retirado da lista de atenção do comércio norte-americano.

O relatório de 2012 do Escritório Representante do Comércio dos Estados Unidos (USTR), Special 301, manteve o Brasil na Lista de Observação, ou seja, com problemas pontuais na proteção à Propriedade Intelectual (PI).

No documento, de aproximadamente 40 páginas, enviado aos americanos, a Fiesp, em parceria com a Confederação Nacional das Indústrias (CNI), o Brazil Industries Coalition (BIC) e o Conselho Empresarial Brasil-Estados Unidos (Cebeu), aponta como importante argumento para a retirada do Brasil da lista o fato de a Receita Federal ter apreendido, em 2012, dois bilhões de reais em mercadorias pirateadas. A criação do e-patente pelo INPI – sistema eletrônico que simplifica os procedimentos relacionados aos pedidos de patentes – é outro forte argumento.

A Federação das Indústrias também contribui para a proteção aos direitos de propriedade intelectual. Desde 2006, a entidade promove – em parceria com a Receita Federal – o programa Diálogos com Autoridades Públicas, com o objetivo de combater práticas ilegais nas importações.

Por meio dele, o setor privado apresenta informações que podem auxiliar servidores públicos na identificação de produtos piratas e de outras práticas ilegais de comércio. Em sete anos o programa já visitou 59 portos, aeroportos e pontos de fronteira, capacitando mais de dois mil servidores públicos.