Fiesp e Ciesp assinam protocolos para iniciativas de logística reversa

Mayara Baggio e Graciliano Toni, Agência Indusnet Fiesp

Com seminário sobre os desafios da gestão de resíduos sólidos, a Fiesp e o Ciesp deram início na manhã desta quarta-feira (7 de junho) ao segundo dia de sua programação na 19ª Semana do Meio Ambiente.

Segundo o diretor do Departamento de Meio Ambiente da Fiesp (DMA), Nelson Pereira dos Reis, o compartilhamento das experiências na área sustentável é de extrema importância para o setor produtivo. Durante a abertura do evento foi assinado um protocolo de intenções entre a Fiesp, o Ciesp, a secretaria do Estado de Meio Ambiente e Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb), de olho em parcerias que envolvam as questões de logística reversa. No seminário também foram assinados outros três termos de cooperação ligados à logística reversa – um entre Fiesp, Ciesp, Abrelpe e Eppo, outro entre Fiesp, Ciesp e CSO Ambiental, e o terceiro, entre Fiesp, Ciesp, Abinee e Green Eletron.

Reis disse que a Fiesp está profundamente envolvida na discussão de resíduos sólidos. Houve ao longo de 20 anos forte engajamento do setor privado no debate do tema. As obrigações impostas a milhares de pequenas empresas no Brasil em relação às embalagens de seus produtos inspiraram o acordo. “É um marco, porque saímos do campo das discussões para algo mais concreto, mais real.”

Os temos de cooperação preveem a implementação e operacionalização de projeto piloto de logística reversa de embalagens de produtos após o uso pelo consumidor nos municípios de atuação da Eppo e da CSO.

Na avaliação do secretário de Estado do Meio Ambiente, Ricardo Salles, durante o seminário, o tema dos resíduos é uma das grandes prioridades da gestão estadual. “Somos o Estado mais rico do Brasil, mas enfrentamos a existência de lixões muito degradantes”, lamentou. Para ele, o problema também possui um caráter social, pois muitas pessoas tiram sua subsistência do processo de reciclagem.

Do departamento técnico da Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais (Abrelpe), Gabriela Sartini falou sobre os possíveis caminhos para a implementação e financiamento dos projetos de resíduos sólidos, principalmente urbano. “A reciclagem deve acompanhar o crescimento de todos os setores industriais e da sociedade. Temos um aumento da média de geração de resíduos de 3% ao ano”, afirmou.

De acordo com ela, o Brasil possui mais de 3.000 lixões, que afetam 66,5 milhões de pessoas de maneiras direta e metade da população brasileira de maneira indireta. “Não é admissível, em um sistema equilibrado, que o fim do serviço seja um lixão. A conta dessa inércia, ambiental e social, custa pelo menos R$ 14 bilhões”, criticou.

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Abertura do seminário "Desafios do setor público na gestão de resíduos sólidos. Foto: Ayrton Vignola/Fiesp


Na visão do secretário de Serviços e Obras da Prefeitura de São Paulo, Marcos Penido, a administração municipal está totalmente comprometida com a estratégia de traçar parcerias para resolver as dificuldades enfrentadas pelo segmento de reciclagem. “Além das leis, queremos dar respostas e ações objetivas para a questão ambiental, que abrange um ciclo muito grande de participantes”, defendeu.

Penido defendeu as parcerias para resolver a questão do lixo no município de São Paulo. O lixo, disse, é fonte inesgotável de empregos. Além disso, é possível gerar receita a partir dele, destacou.

Carlos Roberto dos Santos, presidente da Cetesb, ressaltou o papel da Fiesp na discussão do tema.

Sergio Forini, diretor da Divisão Técnica de Controle Ambiental da Secretaria Municipal do Verde e Meio Ambiente de São Paulo, explicou que houve mudança muito grande na mentalidade da secretaria, com funcionários de carreira nas diretorias. A ideia é criar ações de longo prazo. E haverá uma seção dedicada a resíduos sólidos na secretaria, segundo Forini. O licenciamento ambiental também vai mudar, afirmou o diretor. Em vez de um ano, deve demorar um mês.

Rodrigo Ventri, diretor do grupo Eppo, explicou contratos de parceria público-privada (PPP) para gestão de resíduos sólidos em Itu e Cabreúva. Destacou o papel das secretarias de meio ambiente nos projetos, que incluem programas de educação ambiental.

A coleta inclui contêineres subterrâneos, 700 lixeiras espalhadas pela cidade e ecopontos. Na coleta seletiva, 10% dos resíduos gerados são destinados a unidades de reciclagem, contra a média brasileira de 1,4%.

Mais recente, o trabalho em Cabreúva começou em 2016 e já deu nova aparência ao aterro sanitário, corrigindo por exemplo o vazamento de chorume. Nos próximos cinco anos a Eppo deverá instalar uma central de tratamento de resíduos, o que permitirá reduzir o total de resíduos dispostos em aterro, reduzir as emissões de gases de efeito estufa, recuperar resíduos e criar subprodutos de reciclagem, como a chamada madeira plástica.

Suzane de Souza Gomes, gerente de Desenvolvimento da Corpus Saneamento e Obras, fez a palestra Sustentabilidade na gestão dos resíduos sólidos urbanos. Destacou inovações promovidas pela empresa, como o ecoponto móvel, empregado para fins didáticos. É responsável também, disse, pela implantação, pela primeira vez, de coleta 100% mecanizada numa cidade brasileira.

Nos contêineres subterrâneos de coleta, há uso de tecnologia da informação. Um sistema de medição envia um aviso quando a lotação fica completa, e só então um caminhão vai esvaziá-lo, reduzindo o número de viagens. Em Salto, há coleta seletiva em 100% do município.

Carlos Roberto da Silva Filho, presidente da Abrelpe, destacou que não é possível zerar as emissões, mas é possível reduzi-las. Em relação aos resíduos sólidos, há uma questão de tempo. Até quando, perguntou, conseguiremos continuar a produzir o volume de resíduos atual? Não haverá no raio da região metropolitana de São Paulo espaço para um novo aterro quanto a capacidade atual estiver esgotada, afirmou.

Os objetivos do milênio só serão atingidos por meio de parcerias, frisou. A redução de nossa pegada precisa ser buscada, disse.