CNI debate na Fiesp norma de responsabilidade socioambiental com o setor financeiro

Agência Indusnet Fiesp

Representantes da indústria brasileira e do setor financeiro debateram na terça-feira (28/04) a política de responsabilidade socioambiental para as instituições financeiras. A conclusão das duas partes é de que esta é uma discussão fundamental para a competitividade do setor produtivo. O assunto foi debatido durante a primeira reunião do ano da regional Sul-Sudeste do Conselho Temático de Meio Ambiente e Sustentabilidade (Coema) da Confederação Nacional da Indústria (CNI), realizada na sede da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), na capital paulista.

Para o secretário-executivo do Coema e gerente-executivo de Meio Ambiente e Sustentabilidade da CNI, Shelley Carneiro, a Resolução 4.327/2014, do Banco Central, que cria diretrizes para o estabelecimento e a implementação da Política de Responsabilidade Socioambiental (PRSA) pelas instituições financeiras, precisa ser aplicada sem aumento da burocracia. Na avaliação dele, é fundamental que os bancos padronizem suas análises, assim como as empresas estruturem cada vez mais suas ações de sustentabilidade.

“Estamos começando a discutir o assunto, que é complexo. De um lado, o setor industrial tem as suas preocupações, com a ideia de que esta legislação venha somar e não diminuir a nossa competitividade. De outro lado, o setor financeiro pode ter um problema em ter como parceiro uma empresa que não atende os aspectos ambientais e sociais. Existem interesses de um e de outro. É isso que estamos tentando interligar, para nos ajudar mutuamente, e trazer um modelo que seja realmente útil para o setor industrial”, destacou Carneiro.

De acordo com Antônio Marcos Guimarães, assessor do Departamento de Regulação do Sistema Financeiro do Banco Central, a resolução não significa um risco novo para o setor produtivo, mas uma oportunidade para empresas que têm responsabilidade ambiental. Ele afirmou que a análise de crédito com base na responsabilidade socioambiental leva em conta aspectos de relevância, que é o grau de exposição ao risco socioambiental, e da proporcionalidade, que compreende a natureza da instituição e a complexidade de suas atividades. “As instituições devem demonstrar como consideram os riscos socioambientais no processo de gerenciamento das diversas modalidades de risco a que estão expostas”, detalhou.

A superintendente de Sustentabilidade do Banco Santander, Linda Murasawa, frisou que quanto mais boas práticas a empresa comprovar, mas baixo o risco para o banco e maior a chance de um financiamento para o projeto. O diretor de Relações Institucionais da Federação Brasileira dos Bancos (Febraban), Mario Sérgio Vasconcelos, disse, por sua vez, que o setor financeiro tem lutado para obter uma base de dados pública para a PRSA. “As questões socioambientais inserem-se, em definitivo, no dia a dia dos negócios, contribuindo para a viabilização do desenvolvimento sustentável”, afirmou Vasconcelos.

Em encontro, CNI e Fiesp discutem soluções sobre licenciamento ambiental e Código Florestal

Solange Sólon Borges, Agência Indusnet Fiesp

Nesta sexta-feira (15/03), a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) sediou a 5ª reunião do Conselho Temático de Meio Ambiente da Confederação Nacional das Indústrias (Coema) – Regional Sul-Sudeste, que tratou de temas como licenciamento ambiental e o Código Florestal.

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Licenciamento Ambiental e Código Florestal estiveram no centro dos debates da 5ª Reunião do Coema. Da esq. para dir: Shelley Carneiro, Olavo Machado Junior, Nelson Pereira dos Reis, Rubens Rizek Junior e Walter Lazzarini. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

O Coema Regional Sul-Sudeste é composto por representantes de federações de indústrias dos Estados de São Paulo (Fiesp), Minas Gerais (Fiemg), Paraná (Fiep), Rio Grande do Sul (Fiergs), Santa Catarina (Fiesc), Espírito Santo (Findes) e Rio de Janeiro (Firjan).

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Nelson Pereira dos Reis, diretor-titular do DMA da Fiesp. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

Na avaliação do diretor-titular do Departamento de Meio Ambiente da Fiesp, Nelson Pereira dos Reis, o ponto alto do encontro é justamente criar um alinhamento em torno desses temas em busca de soluções.

“A Fiesp, por exemplo, busca a consolidação da legislação ambiental que poderá servir de modelo e ter reflexos a nível nacional”, enfatizou.

O secretário executivo do Coema, Shelley de Souza Carneiro,  elogiou a união de propósitos em busca de soluções. Segundo ele, esse alinhamento é decisivo para criar uma  responsabilidade compartilhada e para dar força à tomada de decisões estratégicas. “Existe um crescimento representativo dos órgãos do setor industrial e é preciso canalizar essa demanda em busca de alternativas, inclusive regionais”, afirma.

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Shelley de Souza, secretário-executivo do Coema/CNI. Foto: Helcio Nagamine/Fiesp

Carneiro citou o exemplo do Nordeste, onde detectou-se que 40% da energia que chega às empresas provêm da caatinga, um bioma que não conta com plano de manejo. Segundo ele, as empresas locais, com o apoio das federações, estão desenhando um projeto que garanta a reserva energética necessária.

No caso das regiões Sul e Sudeste, o  secretário executivo comentou outros desafios ambientais , citando os setores siderúrgico, no Espírito Santo, e químico e têxtil, em Santa Catarina.

Também participaram do encontro o Secretário Adjunto do Meio Ambiente do Estado de São Paulo, Rubens Rizek Junior, o presidente da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais, Olavo Machado Junior, o presidente do Conselho Superior de Meio Ambiente da Fiesp, Walter Lazzarini Filho, entre outras autoridades.

Sobre o Coema Sul-Sudeste

O Conselho Temático Ambiental (Coema) da CNI tem representações de 14 federações da indústria em nível nacional e divide-se em três amplas regiões: Nordeste, Centro-Norte e Sul-Sudeste.

O objetivo do Coema Regional Sul-Sudeste é debater pautas regionais, além de sugerir ao Coema Nacional temas que tenham potencial de repercussão em todo o País.

O Coema Sul-Sudeste está representada pelos estados: Espírito Santo, Minas Gerais, Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro e São Paulo. Há também redes de recursos hídricos, resíduos sólidos, clima, biodiversidade e florestas, ativas na troca de informações.