Participação de importados no consumo doméstico é a maior em dez anos. Índice fecha ano em 23,5%

Katya Manira, Agência Indusnet Fiesp

A participação dos importados no consumo doméstico de produtos industriais atingiu 23,5% em 2012. Apesar do aumento moderado (0,4 p.p), quando comparado ao ano anterior, o Coeficiente de Importação (CI) da indústria geral alcançou o maior nível da série histórica, iniciada em 2003, mostram os dados dos Coeficientes de Exportação e Importação (CEI) da Fiesp, divulgados nesta quinta-feira (21/02), pelo Departamento de Relações Internacionais e Comércio Exterior (Derex) da entidade.

Na comparação entre trimestres, o CI também apresentou acréscimo – de 1,8 p.p. –, passando de 22,3% entre julho e setembro, para 24,1% entre outubro e dezembro de 2012.  Nos últimos dez anos, a participação de importados no consumo teve um acréscimo de 11 pontos percentuais.

Para o diretor do Departamento de Relações Internacionais e Comércio Exterior da entidade, Roberto Giannetti, esse aumento se deve às carências de competitividade do Brasil e ao cenário externo adverso. Na avaliação do diretor, o câmbio valorizado torna o mercado brasileiro atraente em um contexto de diminuição do crescimento econômico em terceiros países.

Em relação às exportações, a participação das vendas externas na produção total fechou o ano de 2012 em 20,2%. O valor apresenta um incremento de 2,7 pontos percentuais na comparação com o ano inicial da série. Embora ainda esteja abaixo da máxima histórica, o indicador já acumula o terceiro aumento interanual consecutivo.

Analisando apenas os últimos trimestres de 2012 e 2011, o Coeficiente de Exportação (CE) da indústria geral apresentou leve crescimento, de 19,9% para 20,4%. Na mesma base de comparação, o CE para a indústria de transformação cresceu 0,5 p.p atingindo a marca de 17,1%.

Setores

O Coeficiente de Importação apresentou alta interanual em  20 dos 33 setores analisados. Destaque para o acréscimo de 8,1 p.p. no CI do setor de máquinas e equipamentos para extração mineral e construção, cuja participação dos importados cresceu de 40,9% em 2011 para 49% em 2012. Outro setor de destaque foi o de tratores e máquinas para a agricultura, cujo índice passou de 44% para 51,3% na mesma base de comparação.

Entre os setores que registraram redução do coeficiente, destaca-se o de produtos farmacêuticos, cujo CI diminuiu  3,0 p.p., fechando o ano em  27,7%.

Dos 33 setores analisados pelo Coeficiente de Exportação, 14 apresentaram alta em relação a 2011.  Destaque para o de ferro-gusa e ferroligas e o de preparações e artefatos de couro, cujos coeficientes de exportação se elevaram 13,2 p.p. e 7,9 p.p., respectivamente. Na comparação interanual, o setor de produtos têxteis manteve a trajetória de alta do CE, com a quarta maior elevação do coeficiente em 2012 (2,7 p.p.).

Já entre os 19 setores que apresentaram queda no CE, as mais significativas foram as dos setores de fundição e tubos de ferro e aço ( 2,1 p.p.) e material eletrônico e aparelhos de comunicação ( 2,0 p.p.), que fecharam o ano com  12,1% e  10,0%, respectivamente.